Nestas eleições de domingo passado houve muitos perdedores, incluindo alguns conceitos. Mas, outra vez, nada ficou tão mais desmoralizado do que as pesquisas de intenções de votos. Os grandes institutos são sérios. Entretanto, eles não conseguem, repetidamente, na quantitativa, aferir com clareza o que se passa nas mentes escondidas dos eleitores e eleitoras. E estão no banco dos réus por causa disso. Há muito tempo. Como ficará nele, para o imaginário dos eleitores e eleitoras, o STF.
Agora, ministros dele e em off, disseram à jornalista de ‘O Globo’, Bela Megale, de que vão perseguir eleitos que estão “valentes” – e no dever deles – em impichá-los. Um dos ministros do STF, foi categórico: tem eleito – e ainda não diplomado, diga-se – não passará da segunda página na leitura do processo que se monta, pelo jeito, na chantagem e ao modo surpresa.
O STF – e TSE -, isolado numa ilha do saber, vingança e poder ao arrepio do devido processo legal – continua sendo o melhor cabo eleitoral de Flávio Bolsonaro, PL, no segundo turno. A sociedade não aguenta tamanha insensatez de quem deveria ser, exatamente, o refúgio da Justiça e nos tornar iguais perante os códigos, leis e jurisprudência vigentes (by Herculano).
2 comentários em “ANOTAÇÕES DE MIGUEL TEIXEIRA CDXCI”
> Bolsonarismo se amansa perto do poder
– Foi por linhas tortas que o bolsonarismo se tornou uma esperança para a correção do STF, mas um governo Flávio Bolsonaro será julgado por isso
(Por Rodolfo Borges, OA, 06/10/26)
Meses antes de ser preso por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro fazia campanha para conseguir “50% da Câmara e do Senado”, “para equilibrar os poderes” (1).
O bolsonarismo e seus aliados conseguiram mais do que isso no Senado — segundo o Ranking dos Políticos, dois terços da próximo legislatura estão dispostos a participar do primeiro impeachment (2) de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) — e um número muito confortável na Câmara dos Deputados, com 121 parlamentares só do PL.
Além de tudo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ, foto) terminou o primeiro turno à frente de Lula (PT), o que levou os membros de seu partido a calibrar o discurso.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse que “não interessa pôr fogo no país” (3) quando questionado sobre impeachment no STF.
Coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN), também não abordou o tema diretamente quando questionado após a vitória no primeiro turno.
Uma arma
O fato é que os bolsonaristas já conseguiram o que precisavam nesta eleição, já no primeiro turno: a possibilidade de ameaçar os ministros do STF com um processo de impeachment.
Sem a maioria no Senado, eles não teriam armas para enfrentar os processos conduzidos pelo ministro Flávio Dino, sobre emendas parlamentares e sobre a possível interferência estrangeira (4) nesta eleição, especulada pelos petistas tanto como discurso quanto como estratégia jurídica.
Com a arma na mão, agora o assunto pode ser tratado no nível das sutilezas.
Se o STF insistir em não abrir investigação sobre as relações entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, a ameaça do impeachment pode ser sacada. Caso o Supremo indique a intenção de fazer uma autocorreção, os bolsonaristas estariam desobrigados de fazê-lo pela imposição.
Acordão?
É claro que os problemas do STF vão muito além de Moraes, e, a depender do andamento de um possível governo Flávio Bolsonaro, o presidente terá de entender o quanto aqueles que o elegeram tolerarão um acordão que não lide com os problemas reais do tribunal, em nome da estabilidade.
Enquanto os bolsonaristas começam a falar de forma mais suave sobre o STF, Lula tenta se descolar dos ministros (5) cuja atuação contribuiu para sua derrota no primeiro turno, como se não tivesse sido carregado o terceiro mandato inteiro por esses juízes.
Dilma Rousseff não sobreviveu ao estelionato eleitoral de 2014. Flávio nem sequer foi eleito ainda, e precisa calcular o quanto um discurso mais brando de seus aliados sobre o STF pode influenciar no desfecho desta eleição, por mais que os bolsonaristas já estejam pensando num possível acordão no caso de retornarem ao poder, de olho na soltura de Jair Bolsonaro, sua evidente prioridade.
Caso consigam de fato retornar à Presidência da República, já está claro que a sombra do acordão com o STF vai permear todo o governo, que terá quatro indicações de ministros para fazer.
Foi por linhas tortas que o bolsonarismo se tornou, nesta eleição, uma esperança para a correção do STF, por uma contingência parecida com a que levou Lula a posar de democrata e republicano desde a campanha de 2022. Mas o fato é que um governo Flávio se tornará refém dessa missão, e será julgado também por isso.
(Fonte: https://oantagonista.com.br/analise/bolsonarismo-se-amansa-perto-do-poder/)
+em:
(1) https://oantagonista.com.br/brasil/bolsonaro-comenta-plano-para-conseguir-maioria-no-senado/
(2) https://oantagonista.com.br/brasil/senado-tera-maioria-para-impeachment-diz-ranking-dos-politicos/
(3) https://oantagonista.com.br/brasil/valdemar-se-esquiva-sobre-impeachment-de-ministros-do-stf/
(4) https://oantagonista.com.br/analise/stf-se-tornou-a-maior-ameaca-desta-eleicao/
(5) https://oantagonista.com.br/brasil/lula-diz-carregar-nas-costas-a-promiscuidade-do-stf/
Matutando sobre. . .
A nova composição do Senado a partir de 2027 já causou um verdadeiro rebuliço entre os deuses.
É óbvio que a bancada no SuTriFe da OrCrim oficial já planeja um contra ataque fulminante.
Conforme já teclei anteriormente, tudo dependerá de quanto os integrantes da nova legislatura da Casa Alta estão envolvidos em ilícitos que, seguramente, virão à tona!
Para o bem da Nação, um enorme cisma no templo dos vendilhões da letra jurídica viria à calhar!