Premonição. Esta charge montagem é do traço inconfundível de Cláudio Hebdo, para o jornal Folha de S. Paulo. Atentem para a data 01(não é piada) de abril de 2025. E ele perguntava naquele dia: Trump eclipsará o rei Sol? Menos de um ano depois, o Sol (como virtude, inspiração e transparência sob Trump parece não fazê-lo bem. E corre o sério risco de derreter diante de tanta maluquices de quem se acha o dono do Universo. As loucuras do republicano ricaço, radical, imoral, sem ética e chantagista de quinta Donald Trump, teve o mérito de advertir o mundo de que os Estados Unidos não são confiáveis – nem aos aliados – e não podem ser o centro do mundo. E não podem ser também modelo ou inspiração para os da direita, dos conservadores e liberais brasileiros. Se Luiz XIV foi “sol” por 72 anos, Trump já se tornou candente em pouco mais de um ano.
- By Herculano
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ANOTAÇÕES DE MIGUEL TEIXEIRA CCCCXXIX
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79 comentários em “ANOTAÇÕES DE MIGUEL TEIXEIRA CCCCXXIX”
“Tudo a Ler”
(Isadora Laviola, Jornalista da editoria de Livros, FSP, 11/02/26)
A Flip anunciou nesta semana a homenageada de sua próxima edição: Orides Fontela.
Se o nome não desperta reconhecimento imediato, não é motivo de estranhamento —pelo contrário, essa é a ideia da Festa. Como explica a curadora Rita Palmeira à repórter especial Fernanda Mena, “se antes a ideia era mostrar autores brasileiros para o mundo, agora essa escolha tem mais a função de mostrar o autor para o próprio Brasil.”
Orides Fontela, que morreu praticamente como uma anônima em 1998, costumava se dizer a “poeta mais pobre do Brasil” e se designava “proleta”, mistura de proletária e poeta. Seu temperamento também era uma marca. Na Folha, já foi descrita como desregrada, solitária, amarga e explosiva.
Alçada agora a um dos principais palcos da literatura brasileira, Orides Fontela ganha a chance de ser conhecida para além dos circuitos acadêmicos e da sua conturbada biografia que, por vezes, ofuscou sua poesia. Segundo Palmeira, a homenagem nasce do desejo de resgatar uma obra tão relevante quanto breve e deslocar o foco da pessoa para a poeta.
(*) +em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/02/flip-regata-do-silencio-a-proleta-orides-fontela-poeta-e-proletaria-da-palavra.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler
acabou de chegar
“Mártir!” (trad. Layla Gabriel de Oliveira, Rocco, R$ 84,90, 384 págs.) é o primeiro romance do poeta iraniano-americano Kaveh Akbar. A história acompanha Cyrus, um jovem imigrante obcecado pela ideia de que a própria morte precisa ter sentido —uma angústia que ele compartilha com seu autor. “Cyrus pensa em fazer um livro perfeito para oferecer de legado ao mundo e se tornar um mártir a partir disso”, conta Akbar em entrevista ao editor Walter Porto. “Quando comecei a escrever, me sentia muito próximo a essa maneira de pensar”, revela.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/02/como-o-livro-martir-virou-best-seller-com-sua-obsessao-por-dar-um-sentido-a-morte.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler
“A Biblioteca do Censor de Livros” (trad. Jemima Alves, Instante, R$ 79,90, 224 págs.), distopia da kuwaitiana Bothayna Al-Essa, tem como protagonista um funcionário encarregado de proibir e queimar livros. O problema é que ele acaba se apaixonando pelas obras que deveria exterminar quando descobre que elas despertam sua imaginação. A crítica de Diogo Bercito aponta para o tom de fábula da obra, que faz uma defesa potente da literatura, mas que peca justamente nas referências literárias.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/02/escritora-do-kuwait-cria-distopia-sobre-censor-que-se-apaixona-por-livros-proibidos.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler
“O Hotel dos Sonhos” (trad. Laura Folgueira, Record, R$ 69,90, 378 págs.) é mais uma distopia. No mundo criado pela marroquina-americana Laila Lalami, algoritmos vigiam e punem as pessoas. A tecnologia monitora dados, corpos e até sonhos. O livro, como nota Diogo Bercito, “não é um ataque às máquinas em si —e sim às pessoas que as criaram”.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/02/laila-lalami-finalista-do-pulitzer-cria-distopia-sobre-vigilancia-por-algoritmos.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler
e mais
David Remnick, editor da New Yorker, revista histórica e uma referência no jornalismo que completou cem anos em 2025, acaba de lançar “Sustentar a Nota: Perfis Musicais” (Companhia das Letras). O livro reúne textos e perfis de artistas renomados como Leonard Cohen, Bob Dylan e Keith Richards. Interessado na longevidade artística, Remnick diz que prefere os músicos que amadurecem na vida e na obra. “Tento me manter atualizado. Se alguém diz ‘ouça Sabrina Carpenter’, eu ouço. Mas o que me interessa, e molda este livro, são músicos e artistas que mudam, que envelhecem.”, conta ele ao diretor de Redação da Folha, Sérgio Dávila.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/02/a-melhor-realizacao-artistica-do-ano-passado-foi-o-agente-secreto-diz-david-remnick.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler
Para Camila Appel, falar sobre a morte é o caminho para nos fazer processar melhor esse momento inevitável. Ela é autora da coluna “Morte sem Tabu” da Folha e do recém-lançado “Enquanto Você Está Aqui” (Fósforo, R$ 79,90, 176 págs.). O livro foi a forma que ela encontrou para conversar com a mãe, debilitada desde que sofreu um AVC. É “um movimento para se preparar para o luto”, escreve a repórter Giulia Peruzzo.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/02/falar-de-morte-nos-ajuda-a-sermos-pessoas-melhores-diz-camila-appel.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler
Lançado no aniversário do brasilianista Kenneth Maxwell, o novo livro “18th Century Globalization” (“A Globalização no Século 18”) analisa a Independência dos EUA como um “modelo atlântico” que se espalhou pela Europa e pelas Américas, incluindo o Brasil. O historiador mostra como textos constitucionais americanos circularam e foram reinterpretados pelos líderes da Inconfidência Mineira, conectando figuras como Benjamin Franklin e Tiradentes.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/02/kenneth-maxwell-conecta-independencia-dos-eua-a-inconfidencia-mineira-em-novo-livro.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler
além dos livros
O Spotify vai começar a vender livros físicos nos EUA e no Reino Unido a partir de março, por meio de parceria com a Bookshop.org. Segundo o jornal The Wall Street Journal, as vendas ocorrerão dentro do app, com o Spotify recebendo uma taxa, enquanto a Bookshop define preços, cuida do estoque e da entrega. A iniciativa amplia a concorrência com a Amazon e segue a estratégia de social commerce já explorada por outras plataformas como o TikTok.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/02/spotify-vai-vender-livros-nos-eua-e-reino-unido.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler
O nome de J.K. Rowling aparece em documentos do Departamento de Justiça dos EUA ligados ao caso Jeffrey Epstein. Os arquivos citam um convite para a estreia da peça “Harry Potter e a Criança Amaldiçoada”, em 2018, sem indicar contato direto da autora com o bilionário. Rowling nega qualquer vínculo e diz desconhecer tentativas de aproximação.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/02/jk-rowling-nega-vinculo-com-epstein-apos-ser-citada-em-documentos-do-caso.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler
A Justiça dos Estados Unidos rejeitou ações movidas contra Neil Gaiman por abuso sexual. A decisão não analisa o mérito das acusações, mas conclui que os tribunais americanos não têm jurisdição sobre o caso que teria acontecido na Nova Zelândia. Segundo a neozelandesa Scarlett Pavlovich, o autor britânico a agrediu sexualmente enquanto ela trabalhava como babá do filho dele.
Pioneiro das ‘graphic novels’, Will Eisner tem propriedade intelectual posta à venda
Criador do super-herói Spirit morreu em 2005
+em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/02/pioneiro-das-graphic-novels-will-eisner-tem-propriedade-intelectual-posta-a-venda.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler
Paradigma médico atual cria entraves a morte mais humana, diz Camila Appel
Para autora, escolher como morrer e ter desejos respeitados devem deixar de ser privilégio para poucos
+em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2026/02/paradigma-medico-atual-cria-entraves-a-morte-mais-humana-diz-camila-appel.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler
Fuga do Holocausto e adaptação a Israel são grandes temas do escritor
Literatura de Aharon Appelfeld, contemporâneo de Amós Oz, se dedica à vivência judaica na Europa Central e do Leste
+em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/juliana-de-albuquerque/2026/02/fuga-do-holocausto-e-adaptacao-a-israel-sao-temas-de-obra-de-escritor.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler
(TRPCE)
“A iniciativa da presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Cármen Lúcia, de anunciar dez recomendações para serem adotadas por magistrados eleitorais de todo o país na campanha de 2026 provocou queixas entre integrantes do TSE e juízes que atuam nesse ramo da Justiça, por motivos diametralmente opostos.”. . .
“As queixas de ministros do TSE e de juízes eleitorais com Código de Ética de Cármen”
(Por Rafael Moraes Moura — Brasília, no Blog da Malu Gaspar, O globo, 11/02/26)
Entre as dez recomendações estão a divulgação da agenda de audiências com partes, advogados e candidatos – e a orientação para que os magistrados evitem comparecer a eventos públicos ou privados com “candidatos, seus representantes ou pessoas direta ou indiretamente interessadas na campanha”, em razão de potencial conflito de interesses. Nos bastidores, juízes e ministros resistentes ao código o apelidaram de “Código de Ética de Cármen” e “Tábua dos Dez Mandamentos”.
Parte de colegas de Cármen no TSE se queixam de que a ministra lançou o manual de conduta sem discutir o assunto previamente nem alinhar as diretrizes com os colegas, reforçando o perfil centralizador de sua administração.
Há também a percepção de que, enquanto o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, patina em sua tentativa de emplacar um Código de Ética no STF em meio aos desdobramentos do escândalo do Banco Master, Cármen tentou antecipar o assunto e “dar uma prévia” no âmbito da Corte Eleitoral.
A ministra é a relatora da iniciativa de Fachin no STF – e deixa o comando do TSE em junho deste ano, passando o bastão para Kassio Nunes Marques, que vai chefiar a Corte Eleitoral durante as eleições presidenciais de outubro.
“Não teve nenhum diálogo da presidente conosco, foi um atropelo”, queixa-se um ministro do TSE que pediu para não ser identificado.
Um outro ministro do TSE igualmente incomodado afirma que o que há, por ora, são apenas “recomendações orais”, lidas por Cármen na abertura do ano Judiciário, no início deste mês.
Na ocasião, a ministra frisou que as recomendações são necessárias para que os magistrados eleitorais “lembrem-se dos parâmetros de comportamento adequado aos valores constitucionais, neste momento de tantos questionamentos mundiais e nacionais”.
Regras não valem para todos
Por ora, o que não faltam são questionamentos às recomendações de Cármen. Entre juízes e desembargadores de três Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) ouvidos reservadamente pelo blog, sobram queixas sobre a iniciativa da presidente do TSE.
A principal delas é a de que as recomendações só valem para os TREs, deixando de fora os próprios ministros do TSE – que não têm o hábito de divulgar suas agendas diárias com informações sobre quais autoridades e advogados passam pelos seus gabinetes. Cármen divulga no site do Supremo sua agenda no STF e no TSE, mas é voz isolada.
O site do TSE, que deveria servir de referência para a Justiça Eleitoral, traz um espaço para a agenda “de gestoras e de gestores”, mas só permite o acompanhamento, em tese, dos compromissos do diretor-geral e da secretária de auditoria. Mesmo assim, não há nenhuma informação atualizada sobre as agendas dos dois ao longo deste ano.
Eventos
Os ministros do TSE também costumam participar de eventos públicos e privados, no Brasil e no exterior, repleto de candidatos a cargos eletivos e empresários com interesses no resultado das urnas – o dono do Master, Daniel Vorcaro, por exemplo, patrocinou ao longo dos últimos anos fóruns jurídicos em Nova York, Paris e Roma que reuniu, entre outras autoridades, os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Toffoli, aliás, deve assumir a vaga de ministro titular do TSE em junho deste ano, com o fim da presidência de Cármen – e vai atuar durante as próximas eleições presidenciais.
“A ministra, me parece, pegou esse escândalo e buscou dar um exemplo. Mas a quem a medida se dirigiu? Não foi para a cúpula [do STF]”, critica uma fonte que acompanha de perto as discussões. “ Sinceramente: me pareceu um jogo de cena. Além de ter causado grande incômodo internamente, por ter sido de surpresa. No fim das contas, que não ataca o problema. Cria alvos. Quem deveria dar o exemplo segue sem ser abarcado.”
Um magistrado de São Paulo lembra que, nos TREs de todo o país, há integrantes da classe de juristas, escolhidos pelo presidente da República, a partir de listas tríplices que são aprovadas pelo TSE. E esses juízes e desembargadores eleitorais seguem sendo advogados, tendo o direito de atuar na defesa de clientes em causas fora da arena eleitoral.
“Qual a diferença entre nós dos TREs e eles do TSE?”, pergunta esse juiz. “Eu não sou exclusivo do eleitoral. Sou advogado e preciso captar clientes, como que não vou a eventos privados?”, acrescenta.
Um desembargador eleitoral ouvido reservadamente pelo blog chama de “exótica” a restrição à participação em eventos defendida por Cármen Lúcia – e reforça que os magistrados da classe de juristas não estão impedidos de advogar em outros ramos do direito.
“Quer dizer então que esses magistrados não poderão frequentar os mesmos lugares que outros advogados que representem candidatos? Por esse racional, aqueles não poderiam nem sequer ir a tribunais ou participar de audiências ou atos que tenham advogados de agentes políticos como parceiros ou como representantes de contrapartes. É um distanciamento da realidade”, critica.
O Código de Cármen inclui outras recomendações para os juízes, como se abster de manifestações sobre escolhas políticas pessoais, além de não receber “ofertas, presentes ou favores” que possam colocar em xeque a credibilidade do magistrado. Também defende que os juízes eleitorais se afastem de processos em que escritórios de advocacia dos quais façam parte estejam “representando interesses”.
Para esse desembargador, o timing de Cármen seria “instrumental e estratégico” para embasar o discurso de defesa do Código de Conduta do STF, do qual é relatora – e que enfrenta forte resistência no STF, especialmente de Toffoli, Moraes e do decano do Supremo, Gilmar Mendes.
“Parece algo na linha de se criar o argumento de que na Justiça Eleitoral ela buscou essa moralização, criando-se o ‘precedente’”, avalia. O único problema é que o precedente não serve para os colegas de Cármen no TSE.
(Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/02/as-queixas-de-ministros-do-tse-e-de-juizes-eleitorais-com-codigo-de-etica-de-carmen.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha)
Só pra entogar. . .
Em terra de cegos,
quem tem um olho
os deuses
mandam furá-lo!
“Fim da escala 6 x 1 para além do 8 ou 80”
– Discussão sobre redução de jornada não opõe sensibilidade social e responsabilidade com a economia e tem de ser bem estruturada.
(Por Vera Magalhães, O Globo, 11/02/26)
. . .
“O debate sobre o fim da escala 6×1 no Brasil não deve ser polarizado entre sensibilidade social e preocupações econômicas. A redução da jornada de trabalho, se bem estruturada, pode aumentar a produtividade e formalização, trazendo benefícios econômicos a longo prazo. A experiência internacional apoia essa visão, mas a transição no Brasil requer políticas bem desenhadas para evitar impactos negativos imediatos.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/blogs/vera-magalhaes/coluna/2026/02/fim-da-escala-6-x-1-para-alem-do-8-ou-80.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
Só pra PenTelhar!
Não se deve matar a vaca para
acabar com os carraPaTos. . .
No Brasil, o sindicalismo e a esquerda do atraso insistem em nos deixar na era industrial.
Para essa gente não chegamos ao meado dos anos 20 do século 21.
Até o trabalho remoto, desmoralizamos. E de empresas ligadas a tecnologia.
Elas estão voltando a ampliar escritórios para terem todos no local de trabalho. Estão concluindo que é mais barato e menos arriscado perante as exigências legais, legislativa, fiscalização e punição sob pesadas verbas indenizatórias da Justiça do Trabalho. Quem está sendo prejudicado? Os próprios trabalhadores da área que precisam acordar mais cedo, sofrer no trânsito, chegar mais tarde e se submeter a horários inflexíveis.
Passanto o ferro na toga!
“Caso de assédio põe STJ na berlinda e pode jogar luz sobre outros vícios”
– Livre dos holofotes que cercam o STF, tribunal costuma ser leniente com nepotismo processual, pagamento de supersalários e atuação de lobistas.
(Por Bernardo Mello Franco, O Globo, 11/02/26)
. . .
“O STJ enfrenta uma crise de imagem após acusações de assédio sexual contra o ministro Marco Buzzi e suspeitas de venda de sentenças. O presidente do STJ, Herman Benjamin, expressou preocupação com os problemas crescentes desde sua posse. As denúncias levantam questões sobre nepotismo, supersalários e lobismo no tribunal, que agora está sob escrutínio do STF. Buzzi afastou-se por licença médica, visto como manobra, agravando a situação.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/blogs/bernardo-mello-franco/coluna/2026/02/caso-de-assedio-poe-stj-na-berlinda-e-pode-jogar-luz-sobre-outros-vicios.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
A pergunta do dia:
– Quem tirou o gênio da lâmpada?
A resposta para a eternidade:
– O vil metal!
“Cortejado por Lula para a vice, MDB tem maioria dos estados contra alinhamento e mira neutralidade”
– Sigla tem 16 diretórios contrários a apoiar o petista na corrida pela reeleição.
(Por Rafaela Gama e Caio Sartori — Rio de Janeiro, O Globo, 11/02/26)
. . .
“O MDB enfrenta divisões internas sobre apoiar Lula na reeleição, com 16 diretórios contra e 11 a favor. A sigla, conhecida por suas divisões regionais, considera manter neutralidade, focando nos palanques estaduais. A última aliança com o PT foi em 2014. O Planalto tenta atrair o MDB oferecendo a vice-presidência, mas a decisão final sairá na convenção nacional.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/02/11/cortejado-por-lula-para-a-vice-mdb-tem-maioria-dos-estados-contra-alinhamento-e-mira-neutralidade.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
Em SC, segundo a reportagem:
“Fora do governo de Jorginho Mello (PL),
o MDB tende a compor chapa de centro-direita com o PSD.”
+ 1 episódio da série
“A viúva é rica e os abastecedores dos seus cofres são mansos”!
“Novos cargos e ‘penduricalhos’: em apenas 9 meses, Poderes ampliaram gasto com pessoal em R$ 33 bi”
– Especialistas alertam para o risco de um efeito cascata, com outras carreiras pedindo a extensão desses benefícios.
(Por Bernardo Lima — Brasília, O Globo, 11/02/26)
. . .
“Nos últimos 9 meses, o aumento de R$ 33 bilhões nos gastos com pessoal dos Três Poderes, através de reajustes salariais e criação de cargos, gera alerta de especialistas para um potencial efeito cascata. Esses projetos, ainda aguardando sanção presidencial, podem criar precedentes para novas demandas de benefícios. A aprovação reacende debate sobre dispositivos que ultrapassam o teto salarial público.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/02/11/novos-cargos-e-penduricalhos-em-apenas-9-meses-poderes-ampliaram-gasto-com-pessoal-em-r-33-bi.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
. . .
“Todo mundo canta
Todo mundo dança
Todo mundo samba
E ninguém se cansa”
. . .
Martinho da Vila: https://www.youtube.com/watch?v=NRKJiOtnqrw
Vai acabar em. . .
“Samba do Crioulo Doido” (*)
( Stanislaw Ponte Preta)
“TSE: ministra indicada por Lula relata ações contra samba em homenagem a Lula”
– Novo e Kim Kataguiri apontam pré-campanha em samba do Carnaval de 2026. Ações citam uso de jingles, número do PT e espaço público na Sapucaí.
(Manoela Alcântara e Pablo Giovanni, Metrópoles, 10/02/26)
A ministra Estela Aranha, indicada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), vai relatar duas ações contra Lula, o PT e a escola de samba Acadêmicos de Niterói por suposta propaganda eleitoral antecipada no Carnaval de 2026.
O Partido Novo e o deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) questionam se a realização de um evento cultural de grande alcance, “amplamente financiado por recursos públicos”, estaria sendo instrumentalizada para promover a pré-candidatura à reeleição do presidente da República.
Os autores afirmam que há uso de trechos de jingles eleitorais e menção ao número do PT. Para eles, a soma desses elementos equivaleria a um pedido implícito de voto.
O desfile da escola ocorrerá na Marquês de Sapucaí, o que, segundo os autores, agravaria a suposta irregularidade por se dar em espaço público. Além disso, o Novo sustenta que o presidente de honra da escola, Anderson Pipico, é vereador pelo PT em Niterói (RJ).
A princípio, o ministro sorteado para relatar a representação era André Mendonça, mas o processo foi redistribuído para Estela por prevenção a outra ação com o mesmo objeto, apresentada por Kataguiri.
(Fonte: https://www.metropoles.com/colunas/manoela-alcantara/tse-ministra-indicada-por-lula-relata-acoes-contra-samba-em-homenagem-a-lula)
(*) A letra debocha da imposição de enredos históricos pela ditadura militar brasileira, unindo personagens e fatos de épocas distintas, como a abolição com a independência e figuras como Carmen Miranda, Dona Beija e o Marquês de Pombal.
(*) “Samba do Crioulo Doido” é uma famosa canção satírica de 1966, composta por Sérgio Porto (sob o pseudônimo Stanislaw Ponte Preta), criada para ironizar a obrigatoriedade de temas históricos nos sambas de enredo, misturando fatos de forma cômica e ilógica. A expressão tornou-se sinônimo de confusão, textos sem nexo ou situações caóticas. (IA-Google)
Demônios da Garoa: https://www.youtube.com/watch?v=P-5LLSWkf-A
Matutando bem. . .
“As estripulias do faveco rachadjinha em sua fantástica loja de chocolates”,
daria um excelente enredo carnavalesco para competir com lulampião, ou não?
Em ambos enredos, as escolas que os apresentassem, deveriam criar a “ala das togas desvairadas”!
Dose cavalar. . .
Ser comparado com FHC, tudo bem.
Agora, com suplicy???
“Tentativas e erros”
Certa vez, o então governador Luiz Antônio Fleury chegou a Barretos (SP) e logo um garoto o chamou de “Fernando Henrique”.
Bem-humorado, ele avisou que não era FHC e o garoto falante se corrigiu, mencionando outro adversário do governador:
– “Você é o Quércia!”
Diante do espanto de Fleury, o menino se entregou:
– “Já sei, já sei quem você é!”
E afirmou, sem hesitar:
– “Você é o Suplicy!”
(Poder sem pudor, Coluna CH, DP, 11/02/25)
. . .
“Pula boi, pula cavalo
Pula cavalo e boi”
. . .
Rionegro & Solimões: https://www.youtube.com/watch?v=Ye0KeevpzMA
Pergunta nas regras
(Coluna CH, DP, 11/02/26)
Mandar críticos “para aquele lugar”, como sugere Lula, é soberania?
Resposta na balbúrdia
(Matutildo, aqui e agora)
Depende do ponto de vista!
É de ficarmos. . .
. . .com a pulga atrás da orelha! (2)
“Grave e autoritário”
A Transparência Internacional chamou de “extremamente grave” e “autoritária” a ordem do presidente Lula (PT) à sua militância para atacar quem faz notícias contra o governo. A ONG pede retratação imediata.
(Coluna CH, DP, 11/02/26)
É de ficarmos. . .
. . .com a pulga atrás da orelha!
“Liberdade na internet do Brasil é parcial, diz estudo”
(Coluna CH, DP, 11/02/26)
Relatório elaborado pela organização Freedom House atribuiu apenas 65 pontos (de 100) à liberdade para acessar e navegar a internet no Brasil. Segundo o estudo Freedom on the Net 2025, a quantidade de pessoas com acesso à web tem aumentado nos últimos anos no País, entretanto derrubam a nota brasileira o bloqueio de perfis de redes sociais pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, citado no estudo, e outras punições contra jornalistas e usuários da internet.
Grande problema
A Freedom House aponta: “jornalistas independentes e ativistas correm o risco de assédio e ataques violentos, e a violência política é elevada”.
Não só no topo
O risco de ações judiciais e punições contra jornalistas que denunciam poderosos também derruba da nota da liberdade na internet do Brasil.
Caso regional
A Freedom House cita o caso do jornalista Ricardo Antunes, condenado a sete anos de cadeia após denunciar esquema em Pernambuco.
Política de desilusão
Já o relatório Freedom in the World, que sobre liberdades políticas e civis das nações, diz que o Brasil é democracia livre, mas “a corrupção é endêmica nos altos escalões” e gera “ampla desilusão da população”.
(Fonte: https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/emissario-de-jeffrey-epstein-esteve-tambem-com-o-banqueiro-andre-esteves)
“Huguito Motta, o dono da Câmara frigorífica, veio hoje a São Paulo, foi lá no banco do Andrezito e tinha muito a dizer sobre os penduricalhos dos servidores: “não foi um trem da alegria como foi passado para a sociedade”. Ah, bom! Tudo explicado, BRASEW. A gente é que está no trem da alegria errado!!!!”
“O trem da alegria”
(TixaNews, fev 11)
A treta é a seguinte. O Congresso aprovou a toque de caixa um projeto de lei que não só aumenta os salários dos servidores da Câmara como cria uma série de penduricalhos, inclusive a jornada 3×1, para quem já ganha um alto salário. Só sei que uma galera poderá ganhar muito mais do que o teto constitucional permitido, que é o salário de um ministro supremo: 46 mil reais. Isso, darling, com essa nova lei (que ainda precisa da sanção de Lula), vai ter gente que poderá ganhar 77 mil reais em alguns meses. Desculpa aí, Huguito, eu mesma queria estar nesse trem da infelicidade. Sim, porque, se não é da alegria, é da tristeza, né?
Mas Huguito não parou por aí. Ele ainda disse que o supremo Dino foi muito feliz em suspender os penduricalhos. Como assim, Tixa? Não faz sentido. É que o ministro supremo suspendeu os penduricalhos não previstos em lei. Ou seja, assim que Lula sancionar (ou, caso vete, assim que o Congresso derrubar o veto), os tais penduricalhos serão previstos em lei e aí vai ser aquele trem da alegria, digo, da tristeza sem fim.
Parou por aí? Not. Huguito defendeu também as emendas parlamentares, dizendo que só assim tem progresso nos rincões do Brasil (só não esclareceu progresso de quem). Huguito, darling, tudo bem ter emendas, mas por que mesmo o Congresso se recusa a dar transparência total? Só perguntando.
Hoje em dia, todo mundo sabe que as emendas parlamentares viraram um toma lá dá cá, e o governo federal só consegue aprovar alguma coisa se liberar o dinheiro (que é do orçamento público). Só no começo deste ano, o governo Lula já liberou R$ 1,5 bi em emendas. Ano eleitoral, BRASEW.
Mas Huguito também garantiu que não sabe ainda quem apoiará para presidente na eleição. Então tá.
O penduricalho opaco
Por falar em penduricalho, tem um ministro do Superior Tribunal de Justiça (não confunda com o Supremo Tribunal Federal) que está sendo acusado de importunação sexual por uma jovem de 18 anos e assédio por uma ex-assessora terceirizada do seu gabinete. O ministro Marco Buzzi foi até afastado.
Daí alguns jornalistas foram atrás de saber como andavam os penduricalhos do Buzzi e, adivinha: só em setembro do ano passado ele ganhou de salário R$ 260 mil. Sim, darling, assim como você, eu também não acreditei. Fui lá conferir nos dados dos salários dos ministros e estava lá. Além do salário e de outras coisitas más, aparece um “retroativo opaco” de R$ 204 mil. Juro que está escrito “retroativo opaco”. E não parou por aí. Em outubro, o salário foi de R$ 100 mil; em novembro, de R$ 112 mil; e em dezembro, de R$ 143,6 mil.
Mas certamente deve ser tudo penduricalho dentro da lei e nada desse trem da alegria que querem que você acredite.
Por falar em Transparência…
A ONG Transparência Internacional divulgou hoje a lista dos países com maior índice de percepção de corrupção, e o Brasil continuou mal na foto. A nota deste ano foi a pior de todos os tempos. A ONG destaca, adivinha o quê? O Banco Master, os ministros supremos com os contratos com Daniel Vorcaro e o resort Tayayá, o golpe nos aposentados do INSS. Essas coisas. Mas a Controladoria-Geral da União (que é o ministério que cuida para manter a corrupção controlada) criticou a forma como o índice é feito, afirmando que ele não mostra a corrupção real. É verdade, não mostra mesmo. Como bem diz a ONG, é um índice de percepção de corrupção. Nunca saberemos se o índice real é maior ou menor.
Tixa nas Eleições 2026
Só um bate-papo
O João Campos, prefeito de Recife e que é do PSB, foi lá bater um papo com Lula e deu o recado: o partido quer manter Geraldo Alckmin como vice na sua chapa. Mas o João garantiu que quem fala por si mesmo é o Alckmin. Claro, claro.
Como vocês já leram por aqui, discute-se tudo hoje em dia sobre quem será o vice de Lula, numa tentativa de atrair o Centrão. Agora estão dizendo que era tudo balão de ensaio e que Alckmin será, sim, o vice. Ahã, claro. Não quero fazer intrigas, mas foi o próprio Lula quem lançou o balão, ao dizer em entrevista que precisava do Alckmin em São Paulo.
Qual MDB?
Mas parte da discussão de fato parece ser balão de ensaio. Lembram que ontem vocês leram aqui que o Planalto estaria tentando atrair o MDB para a chapa? Então, hoje já saiu outro balão de ensaio dizendo que o Baleia Rossi, que é o presidente do MDB, negocia ser vice na chapa do Tarcísio. Daí conflita, né? Tudo bem que cada MDB é um MDB, mas isso está vida loka. O MDB anda soltando por aí que o Kassab tretou com o Tarcísio e está propenso a ficar com Lula nas eleições.
Daqui até outubro, essas notícias vão ir e voltar o tempo todo, darling. Mas vou te deixar bem informado de todo vai e vem.
Ressuscitando
E o PT está total no modo “precisamos fazer deputados e senadores”. Até o Jean Wyllys já anunciou que vai ser candidato a deputado federal por São Paulo, a convite do PT.
Além dos penduricalhos
O Datena fechou um contrato de R$ 1,4 milhão com a Empresa Brasil de Comunicação, a EBC, aquela que faz a TV Brasil do governo, até 2027. Vai apresentar um programa para falar de segurança pública. Ahã, Datena estará na TV do governo, bem no ano da eleição, com um programa para falar de segurança pública.
Eu não sei vocês, mas eu vou ali correndo tentar pegar o trem da alegria, BRASEW.
(TRPCE)
Folha 105 (094)
“Arminio Fraga defendeu capitalismo democrático após 8 de janeiro”
– ‘Notoriamente imperfeitos, mas são de longe os melhores arranjos já construídos’, escreveu colunista.
– Artigo faz parte de seção que republica colunas de grande repercussão da história da Folha.
Em meio à polarização extrema (1) que culminou nos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023 (2), o economista e ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga (3) publicou o que chamou de “breve manifesto liberal-progressista”.
Publicado 20 dias após a invasão na praça dos Três Poderes , o texto defendia a combinação entre democracia e capitalismo como único caminho viável para o desenvolvimento brasileiro: “Democracia e capitalismo são notoriamente imperfeitos, mas são de longe os melhores arranjos já construídos em cada campo”.
Fraga argumentou que “as democracias liberais são as mais bem-sucedidas sociedades da história da humanidade, em termos de prosperidade, liberdade e do bem-estar da sua gente. Mas elas são frágeis”. O risco estava em descambar para regimes plutocráticos (4), onde “o dinheiro concentrado em poucas mãos é quem manda”, ou autocráticos, “em que o poder fica concentrado pela via do populismo”.
O economista defendeu uma síntese entre crescimento e redução de desigualdades (5): “Não há incompatibilidade aqui entre os objetivos de crescer e reduzir desigualdades, muito pelo contrário”. Para ele, as relações entre capital e trabalho “não são um jogo de soma zero, pois criam e compartilham valor”. A chave estava em evitar que o capital se remunerasse “por benefícios auferidos através de relações”.
Leia a seguir o texto completo, parte da seção 105 Colunas de Grande Repercussão (6), que relembra crônicas que fizeram história na Folha. A iniciativa integra as comemorações dos 105 anos do jornal, em fevereiro de 2026.
Um breve manifesto liberal-progressista (28/1/2023)
Em 20 de janeiro, Martin Wolf, o mais importante comentarista econômico da atualidade, publicou um brilhante artigo no Financial Times, defendendo o capitalismo democrático. O tema é ao mesmo tempo antigo e mais do que quente. Democracia e capitalismo são notoriamente imperfeitos, mas são de longe os melhores arranjos já construídos em cada campo.
Wolf argumenta que “as democracias liberais são as mais bem-sucedidas sociedades da história da humanidade, em termos de prosperidade, liberdade e do bem-estar da sua gente. Mas elas são frágeis”, podendo perder sua legitimidade se a população se sentir mal representada na política ou mal servida pelo capitalismo (e pelo Estado, digo eu). Nesses casos, frequentemente em ambos, aumenta o risco de descambar para regimes plutocráticos (nos quais o dinheiro concentrado em poucas mãos é quem manda) ou autocráticos (em que o poder fica concentrado pela via do populismo e a liberdade fica prejudicada).
A essência dos dois sistemas é a concorrência entre partidos e entre empresas “no contexto de regras e valores internalizados pela sociedade e incorporados às leis”. Esse mecanismo depende de uma delicada plantinha chamada confiança, difícil de construir, fácil de perder.
A condição fundamental para que a democracia liberal e o capitalismo de mercado sobrevivam é ter sucesso na promoção de melhorias continuadas na qualidade de vida das pessoas, compartilhadas pela maioria. Em particular, há que ter expectativa de mobilidade social para todos, na forma de oportunidades e de alguma proteção social, esta um pilar do Estado do bem-estar.
E nós, como andamos aqui no Brasil? Em abril de 2019, esta Folha me convidou para escrever uma coluna mensal. Desde então, tenho procurado me concentrar nos desafios que temos de superar para atrelar o nosso vagão ao trem do desenvolvimento. Como disse o ganhador do Prêmio Nobel professor Robert Lucas, da Universidade de Chicago, “quando se começa a pensar [no desenvolvimento das nações], fica difícil pensar em qualquer outra coisa”. É o meu caso.
Como há muito espaço para melhorar em praticamente todas as áreas no Brasil, em tese deveria ser possível organizar a nossa vida política e econômica de forma a acelerar o crescimento e, assim, aproximar nosso padrão de vida daquele das economias mais avançadas, o que não ocorre há décadas.
Ao longo destes anos na Folha, procurei argumentar que o desenvolvimento em sentido amplo requer a redução das nossas imensas desigualdades, não “apenas” por razões éticas mas também para evitar as perdas de confiança salientadas por Wolf, com seus graves riscos de retrocesso. Para tanto, é imprescindível investir em capital humano, sobretudo para os mais pobres, o que reforça o crescimento. Portanto, como venho insistindo desde 2019, não há incompatibilidade aqui entre os objetivos de crescer e reduzir desigualdades, muito pelo contrário.
Uma condição necessária para que um prolongado ciclo de desenvolvimento se materialize é a existência de um Estado que cumpra bem o seu papel público, que não seja capturado por interesses de minorias poderosas, um antigo problema aqui, e que seja capaz de processar ao longo do tempo e dentro de um quadro de estabilidade macroeconômica as legítimas demandas de uma sociedade extremamente carente e desigual.
Esses desafios nos remetem ao campo político, onde o quadro não fica nada a dever ao econômico. A disfuncional polarização que descambou no 8 de janeiro precisa ser substituída por posições mais moderadas que ocupem com clareza o espectro ideológico. O ambiente político tem que deixar de ser fonte de incerteza que inibe a atividade econômica.
Não será fácil. Uma parcela significativa dos eleitores desconfia de nossas instituições e apoiaria um golpe. Felizmente, o comando das Forças Armadas se manteve fiel ao Estado de Direito constitucional e não embarcou em uma aventura fadada ao fracasso.
Agora, há boas razões para esperar que as instituições venham a ser lideradas por atores dispostos a passar a limpo através do devido processo legal as barbaridades que marcaram os últimos anos no país. Esse passo deverá ser acompanhado das revisões do arcabouço legal que nossos representantes eleitos entenderem necessárias.
Uma importante novidade no espaço político parece ser o surgimento de uma relevante parcela do eleitorado que exibe preferências de direita moderada. Minha esperança é que a esquerda hoje no poder deixe de lado o nós contra eles e a superada ideia de que os ganhos do capital só podem ocorrer à custa da exploração dos trabalhadores.
Numa economia competitiva, o capital se remunera pelo risco que corre e pelos resultados que gera, não por benefícios auferidos através de relações íntimas com o governo. Em assim sendo, os benefícios de uma crescente produtividade do trabalho são distribuídos aos trabalhadores. Dito de outra forma, as relações entre capital e trabalho não são um jogo de soma zero, pois criam e compartilham valor. Os milhões de pequenos empresários que trabalham no Brasil entendem isso melhor do que ninguém.
Cabe ao governo e ao Estado zelarem por um ambiente no qual essa máquina de gerar prosperidade funcione bem. Um sistema capitalista de mercado que opere sob os auspícios de uma democracia liberal e solidária deveria ser capaz de evitar abusos do poder econômico. Afinal de contas, a maioria deveria eleger um governo capaz de eliminar tais abusos e permitir o bom funcionamento do mercado, a mola mestra do desenvolvimento.
No Brasil, a democracia capitalista precisa ser aperfeiçoada na política e na economia. Uma só não basta. Esse é o grande desafio das elites políticas e econômicas do Brasil. De seu sucesso depende o futuro que queremos para o país.
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha-105-anos/2026/02/arminio-fraga-defendeu-capitalismo-democratico-apos-8-de-janeiro.shtml)
(1) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/wilson-gomes/2025/10/como-a-esquerda-nega-a-polarizacao-e-por-que-isso-atrapalha.shtml
(2) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/ataque-a-democracia/
(3) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/arminio-fraga/
(4) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/paulkrugman/2023/04/o-poder-plutocratico-e-os-seus-perigos.shtml
(5) https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/12/pobreza-e-extrema-pobreza-seguem-em-queda-e-atingem-menores-niveis-de-serie-historica-diz-ibge.shtml
(6) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/105-colunas-de-grande-repercussao/
“Lula fica atrás de Flávio e Tarcísio no 2º turno, diz Futura”
– Presidente aparece empatado com o filho de Bolsonaro em cenários de 1º turno; margem de erro é de 2,2 pontos.
(Poder360, 10/02/26)
Levantamento divulgado por Futura/Apex nesta 3ª feira (10.fev.2026) mostra que, na disputa pelo Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fica atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL) e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em cenários de 2º turno. Eis a íntegra do estudo (PDF – 668 kB): https://static.poder360.com.br/2026/02/pesquisa-futura-fevereiro.pdf
O estudo testou ainda outros embates de Lula contra os governadores Ratinho Junior (PSD), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Eduardo Leite (PSD). O petista empata com todos dentro da margem de erro do levantamento, de 2,2 pontos percentuais.
. . .
A pesquisa foi realizada pela Futura/Apex de 3 a 7 de fevereiro de 2026. Foram entrevistadas 2.000 pessoas com 16 anos ou mais no Brasil. O intervalo de confiança é de 95%. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O levantamento está registrado no TSE sob os códigos: BR-02276/2026. Segundo a empresa que fez o levantamento, o custo do estudo foi de R$ 160 mil. O valor foi pago com recursos próprios.
. . .
+em: https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes/lula-fica-atras-de-flavio-e-tarcisio-no-2o-turno-diz-futura/
“O que Lula aprendeu na igreja”
– Dois anos após regulamentar apostas esportivas de olho na arrecadação de impostos, presidente diz que aprendeu na igreja a “ser contra jogos de azar”.
(Rodolfo Borges, O Antagonista, 10/02/26)
Lula (foto) mencionou em discursou na segunda-feira, 8, feito durante cerimônia de anúncio de investimentos em saúde e educação em Mauá (SP), uma criação religiosa que não destacou ao longo de sua longa carreira política.
“Eu aprendi [a] ser contra jogo. Eu era contra cassino. Eu era contra jogo do bicho, porque a igreja me ensinava que eu tinha que ser contra jogo de azar”, discursou o petista, cujo governo sancionou, no fim de 2023, a lei que regulamentou as apostas esportivas (1), de olho na arrecadação de impostos para sustentar a gastança de sua gestão.
“O que que está acontecendo hoje? O cassino foi para dentro da casa da gente. O cassino está na sala, está na mão do filho de vocês de 14 anos, pois ele pega o celular de vocês, ele joga nas bets, muitas vezes gastando o que não tem. E nós vamos tomar uma atitude muito séria com essas bets, porque ela está tomando o dinheiro do povo pobre desse país”, prometeu, aparentemente arrependido de ter regulamentado as apostas esportivas.
Lula tem falado muito em Deus (2). E feito gestos para cortejar os evangélicos, como a criação do Dia do Pastor (3) e a instituição da música gospel (4) como manifestação cultural nacional. Mas a mudança de discurso não parece sensibilizar esse eleitorado (5).
“Ano da verdade”
O presidente disse também que considera este “o ano da verdade” e convocou os apoiadores para a uma guerra de narrativas:
“Quando vocês ouvirem uma bobagem muito grande, não passem para a frente. Se puder, xinga a pessoa que fez a bobagem, mas não passem para a frente, porque, senão, a gente não destrói a mentira.”
Na sequência, o petista disse que “nós temos hoje a menor inflação acumulada em quatro anos da história do Brasil”, sem mencionar, como de costume, que seu governo não fez nada para controlar a inflação.
Pelo contrário: gastou demais, levando o Banco Central a impor aos brasileiros por meses a maior taxa básica de juros da história.
“Magnatas da corrupção”
Lula disse ainda que “é a primeira vez na história do Brasil que nós estamos perseguindo os magnatas da corrupção nesse país”.
Ele se referia ao escândalo do Banco Master, do qual tenta se distanciar apesar da proximidade de aliados como Guido Mantega e Ricardo Lewandowski com Daniel Vorcaro.
Nesse caso, o presidente omitiu a Operação Lava Jato, que levou para a cadeia não apenas os maiores empreiteiros do Brasil, mas o próprio Lula.
É esse o presidente que se apresenta como aspirante ao quarto mandato como o candidato “antissistema” (6). Vai ter de convencer muito mais do que os evangélicos disso.
(Fonte: https://oantagonista.com.br/analise/o-que-lula-aprendeu-na-igreja/?utm_medium=email&utm_campaign=newsletter_-_resumo_da_manha_1002&utm_source=RD+Station)
(1) https://oantagonista.com.br/brasil/com-vetos-lula-sanciona-lei-das-apostas-esportivas/
(2) https://oantagonista.com.br/brasil/de-olho-nos-evangelicos-lula-incorpora-deus-e-milagres-em-seus-discursos/
(3) https://crusoe.com.br/diario/por-evangelicos-lula-cria-dia-do-pastor/
(4) https://oantagonista.com.br/brasil/lula-encerra-o-ano-com-aceno-aos-evangelicos-de-olho-em-2026/
(5) https://oantagonista.com.br/analise/e-lula-ainda-nao-conseguiu-convencer-os-evangelicos/
(6) https://oantagonista.com.br/brasil/pt-se-pinta-de-antissistema/
“Dino põe Justiça na encruzilhada dos penduricalhos”
– Ministro respalda veto de Lula ao Congresso e dá chance ao Supremo de recuperar seus danos de imagem.
– Judiciário vai escolher se adere à cruzada contra privilégios ou se cede ao canto das regalias das quais se beneficia.
(Dora Kramer, FSP, 10/02/26)
Na semana passada, o ministro Flávio Dino de uma tacada tirou dois coelhos de uma enrascada. Ao expor a ferida dos privilégios no serviço público (*), abriu espaço para um reposicionamento de imagem do Supremo Tribunal Federal e deu respaldo ao presidente da República para vetar o projeto do Congresso de criação de novos penduricalhos.
O bom andamento dos trabalhos dependerá do que será feito da determinação de que os três Poderes suspendam a concessão de qualquer remuneração feita sem base legal. Ficam faltando as gambiarras oficiais, mas já é um ótimo começo.
Ou melhor, um razoável começo, porque convém esperar o transcorrer dos 60 dias do prazo dado pelo ministro antes de se aplicar adjetivos superlativos à iniciativa. De todo modo, Lula (PT) fica a cavaleiro para fazer o veto sem maiores constrangimentos com o Legislativo, que tomou uma decisão errada, na hora inapropriada e da pior forma possível: sem transparência, ao arrepio da decência.
Derrubar o ato presidencial é sempre possível —nos últimos tempos algo até corriqueiro—, mas no caso colocaria deputados e senadores na contramão do atual debate sobre a necessidade de se melhorarem as condutas no poder público. Veremos se Lula vetará junto a criação do instituto federal de educação da terra de Hugo Motta, que está embutido no projeto.
Agora, o Judiciário. É lá que se acumulam as mais fartas e escandalosas concessões de auxílios e ali também é que deve se concentrar a resistência; senão ao fim, ao menos a uma reorganização da farra com o dinheiro público.
Quando Dino partiu ao encalço do uso indevido de emendas parlamentares, o Congresso fez de conta que aderiu ao pacto proposto em 2024 e até hoje cria atalhos para fugir das correções.
O silêncio das associações de profissionais da Justiça diante da nova ordem evidencia o desagrado e sinaliza a intenção de defenderem seus alegados direitos. Está nas mãos do STF levar adiante a cruzada ou ceder ao canto das regalias das quais também se beneficia.
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/dora-kramer/2026/02/dino-poe-justica-na-encruzilhada-dos-penduricalhos.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newscolunista)
(*) https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/02/dino-manda-suspender-penduricalhos-nao-previstos-em-lei-nos-tres-poderes-e-da-60-dias-para-revisao.shtml
“Resumão, O Globo” (V)
(Por Gabriel Cariello, 10/02/26)
MINISTRO AFASTADO
O Superior Tribunal de Justiça afastou temporariamente (1) o ministro Marco Buzzi, acusado de importunação sexual por duas mulheres. Horas antes, Buzzi apresentou pedido de licença de 90 dias por motivo de saúde (2). Ele enviou carta (3) aos colegas da Corte negando as acusações. Seus advogados criticaram o afastamento: “precedente arriscado” (4).
► Terceiro ministro (5) a ser afastado na história do STJ, Buzzi está impedido de frequentar o gabinete e exercer qualquer prerrogativa do cargo, mas continuará recebendo salário de R$ 44 mil (6).
(TRPCE)
(1) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/02/10/stj-determina-afastamento-de-ministro-acusado-de-importunacao-sexual.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(2) https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/02/10/ministro-do-stj-acusado-de-importunacao-sexual-apresenta-licenca-medica-e-pede-afastamento-por-90-dias.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(3) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/02/10/ministro-do-stj-acusado-de-importunacao-sexual-envia-carta-a-colegas-e-diz-que-nunca-teve-conduta-que-envergonhasse-a-familia-ou-a-magistratura.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(4) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/02/10/defesa-de-marco-buzzi-diz-que-afastamento-determinado-pelo-stj-e-desnecessario-arriscado-precedente.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(5) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/02/10/ministro-do-stj-e-o-terceiro-magistrado-da-corte-a-ser-afastado-desde-a-criacao-do-tribunal.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(6) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/02/10/ministro-do-stj-acusado-de-importunacao-sexual-recebera-salario-de-r-44-mil-enquanto-estiver-afastado.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“Resumão, O Globo” (II)
(Por Gabriel Cariello, 10/02/26)
PROGRAMAS SOCIAIS
O ministro Fernando Haddad (Fazenda) sugeriu a possibilidade de uma reorganização de programas sociais (*), semelhante à unificação de ações no Bolsa Família durante o primeiro mandato de Lula. Haddad citou como alternativa “mais racional” a instituição de uma renda básica. A ideia circula reservadamente entre técnicos do governo, conta Fabio Graner, e pode vir a ser o embrião da política fiscal (**) caso Lula seja reeleito.
(TRPCE)
(*) https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/02/10/haddad-diz-nao-ter-data-para-deixar-fazenda-e-fala-em-arquitetura-nova-para-gastos-sociais.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(**) https://oglobo.globo.com/economia/fabio-graner/post/2026/02/fala-de-haddad-sobre-nova-arquitetura-de-programas-sociais-e-embriao-de-politica-fiscal-em-eventual-reeleicao-de-lula.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“Resumão, O Globo” (III)
(Por Gabriel Cariello, 10/02/26)
FIM DA ESCALA 6×1
A PEC que acaba com a escala 6×1 pode ser votada pela Câmara em maio (*), afirmou o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Motta se declarou favorável à revisão da jornada de trabalho e disse que há “boa vontade” tanto de governistas quanto da oposição. A proposta ganhou tração no ano eleitoral. O governo articula o envio de um projeto alternativo. Motta e Lula devem se reunir ainda nesta semana.
(TRPCE)
(*) https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/02/10/pec-que-acaba-com-escala-6×1-pode-ser-votada-pela-camara-ate-maio-diz-motta.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“Resumão, O Globo” (IV)
(Por Gabriel Cariello, 10/02/26)
A CONTA DO CASO MASTER
Bancos associados ao Fundo Garantidor de Crédito deverão antecipar sete anos de contribuições (*) para cobrir o rombo causado pela crise do Banco Master. Uma proposta aprovada pelo Conselho do FGC prevê também o pagamento de uma taxa extra. O objetivo é recompor cerca de R$ 40 bilhões — a cobertura aos investidores do grupo Master é estimada em R$ 55 bilhões.
(TRPCE)
(*) https://oglobo.globo.com/economia/negocios/noticia/2026/02/10/bancos-devem-antecipar-sete-anos-de-contribuicao-ao-fgc-e-pagar-taxa-extra-para-compensar-baque-de-master.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“Resumão, O Globo” (V)
(Por Gabriel Cariello, 10/02/26)
A EXTRADIÇÃO DE ZAMBELLI
A Justiça da Itália rejeitou pedido de Carla Zambelli para trocar os magistrados que vão decidir sobre a sua extradição. A defesa da ex-deputada alegava parcialidade do colegiado, o que gerou incômodo no tribunal. Com a decisão, o caso pode entrar na pauta da Corte de Apelação nesta quarta-feira.
(TRPCE)
(*) https://oglobo.globo.com/blogs/lauro-jardim/post/2026/02/justica-italiana-nega-pedido-de-zambelli-para-trocar-magistrados-que-julgam-extradicao.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“Dica de carreira”
(Beatriz Pecinato, Mercado, FSP, 10/02/26)
O modelo presencial de trabalho voltou para ficar (1).
Nas últimas semanas, casos como o do Nubank, que anunciou o retorno total ao presencial (2) e a construção de novos escritórios (3) para comportar o modelo, inflamaram as redes. Como pode uma empresa que oferece serviços totalmente digitais reforçar a necessidade de ir até o escritório para trabalhar?
Hoje em dia…
A noção de produtividade está fortemente alinhada com a ideia de escritório.
Para Diego Rondon,
CEO da e-volve-one e headhunter especializado em performance, a tendência tem raízes em crenças daqueles que ocupam os cargos mais altos das empresas: pessoas que, em geral, passaram uma carreira inteira trabalhando presencialmente.
Rondon chama a atenção:
o presencial é uma vitrine constante. Aproveite para sentir o clima do escritório e mapear relações hierárquicas, como quem manda, quem obedece, e quem é amigo de quem.
Na lupa.
Ser visto é uma grande vantagem do presencial (4). Pode até parecer papo de “coach”, mas o CEO garante que essa é uma máxima do universo corporativo —quem não é visto, não é lembrado.
Tome cafés, almoce e puxe papo com várias pessoas. Ser agradável e criar relações pode te render convites para projetos e até, quem sabe, uma promoção.
“As pessoas gostam de quem elas conhecem”.
Quer mais dicas de como se adaptar à rotina no retorno ao escritório?
Leia a edição da newsletter Folha Carreiras desta semana (*) e inscreva-se para recebê-la no email:
(*) https://www1.folha.uol.com.br/sobretudo/carreiras/2026/02/entenda-como-se-adaptar-a-rotina-no-retorno-total-aos-escritorios.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(TRPCE)
(1) “Trabalho presencial nos EUA atinge nível mais alto desde 2020 enquanto empresas reduzem trabalho remoto”
– Na última semana de janeiro, ocupação de escritórios atingiu média recorde de 54,2% em dez grandes cidades americanas.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/02/trabalho-presencial-nos-eua-atinge-nivel-mais-alto-desde-2020-enquanto-empresas-reduzem-trabalho-remoto.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(2) “‘Teria feito antes’, diz CEO do Nubank sobre fim do home office”
– David Vélez, presidente global da fintech, afirma que híbrido é modelo ideal.
– Instituição prepara escritórios em BH, Rio e Campinas.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/12/teria-feito-antes-diz-ceo-do-nubank-sobre-fim-do-home-office.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(3) “Nubank vai investir mais de R$ 2,5 bi em escritórios nos próximos cinco anos”
– Fintech terá novas unidades em São Paulo, Campinas, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.
– Anúncio ocorre após instituição anunciar novo modelo de trabalho híbrido a partir de julho de 2026.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/01/nubank-vai-investir-mais-de-r-25-bi-em-escritorios-nos-proximos-cinco-anos.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(4) “Trabalho presencial vira métrica de desempenho em empresas que lutam pelo retorno ao escritório”
– Chefes ainda divergem sobre redução do home office, que pode eliminar funcionários com baixo desempenho mas também afastar talentos.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/02/trabalho-presencial-vira-metrica-de-desempenho-em-empresas-que-lutam-pelo-retorno-ao-escritorio.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
Como.posso opinar, se sou das antigas, e já sou descartado na minha visão por ser das antigas?
“O risco de a OpenAI perder liderança em IA e a bolha estourar”
– Se, repentinamente, há desconfiança a respeito do negócio da inteligência artificial e ocorre uma corrida de venda de papéis, o estrago é grande.
(Por Pedro Doria, O Globo, 10/02/26)
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“A OpenAI pode perder sua liderança em IA até 2026, desencadeando o temido estouro da bolha tecnológica, segundo o JPMorgan. As ações de IA representam 44% do índice S&P 500, e uma crise de confiança poderia causar um grande impacto. A OpenAI enfrenta desafios, como a concorrência da Anthropic e a necessidade de captar investimentos, enquanto lida com custos elevados e a popularidade do ChatGPT.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/opiniao/pedro-doria/coluna/2026/02/o-risco-de-a-openai-perder-lideranca-em-ia-e-a-bolha-estourar.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
Alô, bolsonaristas!
Será que haverá uma invasão de
chineses para votarem no
“cumpanhêru” lula?
“Brasil abre mais as portas para China”
– Após divisão no governo, isenção de visto a chineses remove o que era tido como o último ‘problema’ na relação bilateral.
(Por Marcelo Ninio — Pequim, O Globo, 10/02/26)
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“O Brasil anunciou a isenção de visto para cidadãos chineses, removendo o último obstáculo significativo nas relações bilaterais. A decisão surpreendeu muitos, especialmente nas representações diplomáticas brasileiras na China. Com a volta de Lula à presidência, os investimentos chineses no Brasil aumentaram significativamente, pressionando pela facilitação de vistos. A medida visa principalmente o setor de negócios, mas enfrenta desafios como imigração ilegal e reações dos EUA.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/blogs/marcelo-ninio/post/2026/02/brasil-abre-mais-as-portas-para-china.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
(*) A toga transparente?!?!?!
“Risco de cassação de senador bolsonarista mobiliza cúpula do Congresso”
– Jorge Seif é acusado de abuso de poder econômico nas eleições de 2022 em ação movida por coligação de adversário político; ministros do TSE apostam em preservação do mandato. (*)
(Por Rafael Moraes Moura — Brasília, O Globo, 10/02/26)
O julgamento de cassação do senador bolsonarista Jorge Seif (PL-SC), que será retomado na noite desta terça-feira (10) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mobilizou a cúpula do Congresso, que entrou em campo para tentar afastar o risco da perda do mandato do parlamentar.
Segundo relatos obtidos pelo blog, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), procurou integrantes do TSE e interlocutores no meio jurídico para defender a preservação do mandato do Seif, sob a alegação de que não há provas de abuso de poder econômico para cassá-lo. Alcolumbre também tem afirmado que é preciso respeitar a vontade popular expressa nas urnas.
“Se o Seif sair, vem um pior”, diz um aliado de Alcolumbre ouvido pelo blog.
A expectativa de quatro ministros do TSE ouvidos em caráter reservado é a de que o senador escape da cassação no julgamento marcado para esta noite. “Não creio que será cassado”, disse um magistrado ouvido pelo blog, que pediu para não ser identificado.
O processo, que se arrasta no TSE desde 2024, resultou num dos episódios mais nebulosos da história da Corte Eleitoral, marcado por lobby nos bastidores e uma guinada radical na posição do relator.
Em 30 de abril de 2024, o julgamento foi interrompido para a coleta de mais provas, por decisão do relator, Floriano de Azevedo Marques, que decidiu ir atrás de provas que nem a acusação tinha pedido. Floriano fez a manobra após o blog revelar que ele passou a defender a absolvição de Seif, após ter preparado e compartilhado com os colegas um voto pela cassação.
Agora, todos os sete ministros do TSE, inclusive Floriano, vão ler o seu voto e dar um desfecho ao caso.
Acusação
A ação contra Seif gira em torno da suspeita de que o empresário Luciano Hang mobilizou a frota aérea da varejista Havan, além de sua equipe de funcionários, utilizando a estrutura da empresa para alavancar a candidatura do senador, o que se enquadraria como abuso de poder econômico.
Seif nega as acusações e pediu rapidez na análise da ação movida pela Coligação Bora Trabalhar, formada pelo Patriota, PSD e União Brasil de Santa Catarina, que lançou em 2022 a fracassada candidatura do ex-governador Raimundo Colombo (PSD) para o Senado Federal.
Integrante da tropa de choque bolsonarista no Senado, Seif saiu do pleito de 2022 com 1,48 milhão de votos, o equivalente a 39,79% dos votos válidos de Santa Catarina e mais do que a soma das votações do segundo colocado, Colombo (608 mil) e do terceiro, o ex-senador Dário Berger (605 mil).
Votos opostos
Em 2024, Floriano de Azevedo Marques elaborou dois votos com conclusões diametralmente opostas – o ministro foi indicado pelo presidente Lula em 2023, com o apoio de Alexandre de Moraes, de quem é amigo há 40 anos.
O primeiro entendimento de Floriano era pela condenação de Seif e foi distribuído por e-mail aos demais gabinetes na véspera do início do julgamento, em 4 de abril de 2024.
Depois, em 30 de abril, ele escreveu um voto pela absolvição e compartilhou com os outros ministros num envelope lacrado, em papel impresso, para impedir vazamentos. O teor foi revelado pela equipe da coluna antes da sessão, o que irritou Moraes.
O primeiro entendimento de Floriano era pela condenação de Seif e foi distribuído por e-mail aos demais gabinetes na véspera do início do julgamento, em 4 de abril de 2024.
Depois, em 30 de abril, ele escreveu um voto pela absolvição e compartilhou com os outros ministros num envelope lacrado, em papel impresso, para impedir vazamentos. O teor foi revelado pela equipe da coluna antes da sessão, o que irritou Moraes.
Pousos e decolagens
Após a reviravolta no caso, Floriano determinou que o Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) intimasse 34 aeródromos regionais cobrando informações sobre deslocamentos aéreos feitos na campanha de 2022 por aeronaves da Havan.
“As respostas, no entanto, revelaram a total falta de lastro da acusação: recebidos mais de 15 ofícios, as respostas oscilaram entre ‘ausência de pousos ou decolagens daquelas aeronaves’, ou, em caso positivo, ausência do nome do senador ou de qualquer pessoa de sua equipe de campanha entre as pessoas que acessaram os respectivos hangares. E isso por um motivo simples: jamais ocorreu qualquer utilização de aeronaves da Havan por este recorrido”, alega a defesa de Seif, capitaneada pela ex-ministra do TSE Maria Claudia Bucchianeri.
No memorial entregue aos ministros do TSE, obtido pelo blog, a advogada nega as acusações e pede que a campanha de Colombo seja investigada por má-fé processual.
Procurado, o advogado Mauro Prezotto, que atua em nome da coligação de Colombo, disse que “se tem algo que beira a má-fé é a prestação de contas do candidato, que apresentou informações falsas quanto aos deslocamentos com a aeronave da campanha”.
“Aguardamos com tranquilidade a decisão que haverá de ser tomada pelo TSE, que esperamos seja pela cassação do diploma do candidato”, afirmou Prezotto.
Em novembro de 2023, Seif foi absolvido por unanimidade pelo TRE de Santa Catarina, que concluiu não haver provas suficientes para caracterizar o abuso de poder econômico. (**)
(Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/02/risco-de-cassacao-de-senador-bolsonarista-mobiliza-cupula-do-congresso.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha)
(**) Irá o TriSuEl desmoralizar o TriRegEl?
“Republicanos temem que ataque de Trump a latinos e a show de Bad Bunny custe maioria no Congresso”
– Levantamentos de janeiro registraram mais de 55% de desaprovação dos hispânicos com relação ao presidente americano.
(Por Eduardo Graça — São Paulo, O globo, 10/02/26)
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“Os republicanos estão preocupados que os ataques de Trump aos latinos e a Bad Bunny possam prejudicar sua maioria no Congresso. As críticas de Trump ao show do porto-riquenho no Super Bowl, que emocionou muitos e destacou o orgulho latino, podem alienar eleitores hispânicos, um grupo crucial para as eleições de meio de mandato. Pesquisas já mostram alta desaprovação de Trump entre hispânicos, o que pode favorecer os democratas.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/02/10/republicanos-temem-que-ataque-de-trump-a-latinos-e-a-show-de-bad-bunny-custe-maioria-no-congresso.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
“Entenda o decreto que o governo prepara para restringir acesso de jovens a bets, jogos de azar e pornografia on-line”
– Texto prevê verificação obrigatória de idade em aplicativos e sites e deve ser publicado até o fim de fevereiro.
(Por Bloomberg — Brasília, O Globo, 10/02/26)
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“O governo brasileiro prepara um decreto para restringir o acesso de jovens a apostas, jogos de azar e pornografia online, com verificação obrigatória de idade em aplicativos e sites. A medida, parte de um esforço para proteger menores de conteúdo prejudicial, deve ser publicada até fevereiro de 2025. A proposta inclui salvaguardas de privacidade e busca enfrentar conteúdos tóxicos, em linha com tendências globais de regulamentação digital.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/02/10/entenda-o-decreto-que-o-governo-prepara-para-restringir-acesso-de-jovens-a-bets-jogos-de-azar-e-pornografia-on-line.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
“Vendeu seu terno
Seu relógio e sua alma
E até o santo
Ele vendeu com muita fé
Comprou fiado
Prá fazer sua mortalha
Tomou um gole de cachaça
E deu no pé”
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“Entorno de Lula se divide sobre tour no carnaval e teme vaias com cortes nas redes sociais”
– Há receio entre aliados do presidente que ele fique exposto às críticas, além de questionamentos de campanha eleitoral antecipada.
(Por Victoria Azevedo e Jeniffer Gularte — Brasília, O Globo, 10/02/26)
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“O entorno do presidente Lula está dividido sobre sua participação no carnaval em três capitais brasileiras, temendo vaia e críticas, que poderiam ser exploradas por adversários nas redes sociais. Enquanto alguns consideram a presença positiva para mostrar vitalidade, outros destacam o risco de parecer campanha eleitoral antecipada. A preocupação é ampliada pelo apoio financeiro governamental à escola que homenageará Lula.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/02/09/entorno-de-lula-se-divide-sobre-tour-no-carnaval-e-teme-vaias-com-cortes-nas-redes-sociais.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
O Saudoso Tremendão, Erasmo Carlos: https://www.youtube.com/watch?v=6ccLStpm3yg
Diz-se popularmente que,
“amor de 𝜋k sempre fica”!
“Ciro Nogueira interrompe bombardeio digital a Lula e se reaproxima do PT por palanque na eleição”
– Presidente do PP cessou os ataques ao petista após fazer mais de 90 postagens com críticas ao governo somente no ano passado.
(Por Rafaela Gama, Victoria Azevedo e Camila Turtelli — Rio e Brasília, O Globo, 10/02/26)
. . .
“Ciro Nogueira, presidente do PP, interrompeu ataques a Lula para se reaproximar do PT visando as eleições. Após mais de 90 postagens críticas em 2025, Ciro busca neutralidade do Centrão, enquanto o PT tenta afastá-lo de Flávio Bolsonaro. Encontros com Edinho Silva indicam negociações políticas regionais. União Brasil e PP avaliam alianças estratégicas no Nordeste, visando fortalecer suas posições eleitorais.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/02/10/ciro-nogueira-interrompe-bombardeio-digital-a-lula-e-se-reaproxima-do-pt-por-palanque-na-eleicao.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
O óbvio uLULAntemente, uLULAnte!
“‘Estagnado’, Brasil repete pior posição em índice de corrupção da Transparência Internacional: ‘Impunidade generalizada'”
– País repetiu a segunda nota mais baixa (35 pontos, numa escala de 0 a 100) da série histórica iniciada em 2012.
(Por Luis Felipe Azevedo — Rio de Janeiro, O Globo, 10/02/26)
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“O Brasil manteve-se estagnado no Índice de Percepção da Corrupção 2025 da Transparência Internacional, repetindo a segunda pior nota da série histórica, com 35 pontos. O país ocupa a 107ª posição entre 182 nações, abaixo da média global e das Américas. A ONG destaca a impunidade generalizada e critica a atuação dos Três Poderes, apesar de avanços no combate à lavagem de dinheiro.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/02/10/estagnado-brasil-repete-pior-posicao-em-indice-de-corrupcao-da-transparencia-internacional-impunidade-generalizada.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
“Anvisa alerta para risco grave no uso de canetas para emagrecer e tratar diabetes”
– Alerta cita aumento de notificações de pancreatite no Brasil e no exterior.
(Por Bruna Lessa — Brasília, O Globo, 10/02/26)
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“A Anvisa emitiu um alerta sobre o uso de “canetas emagrecedoras” sem prescrição médica, destacando o risco de pancreatite, uma condição grave que pode ser fatal. Desde junho de 2025, a venda requer receita retida. O uso não supervisionado dificulta diagnósticos e aumenta complicações. A agência recomenda evitar compras online e buscar orientação médica ao sentir dores abdominais intensas.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/02/09/anvisa-alerta-para-risco-grave-no-uso-de-canetas-para-emagrecer-e-tratar-diabetes.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
“O tabuleiro está armado, e as peças do xadrez do Lula parecem ser todas do Centrão, não deixando muita margem para Flavitcho Bolsonaro entrar no game. O Centrão não quer muito o Flavitcho, e o Lula está espertamente tentando pegar o Centrão todo. É Ciro Nogueira, do PP, e Rueda, do União Brasil, se encontrando com Edinho Silva, o presidente do PT. É Kassab dizendo que vai ter candidato próprio, sem descartar apoio a Lula em um segundo turno. É a PF indo atrás dos aliados de Alcolumbre. É Hugo Motta fazendo andar o projeto do 6×1, que está na pauta das promessas de campanha de Lula. E ainda tem o Planalto sondando o MDB para ter um vice. Vem entender esse tabuleiro eleitoral, BRASEW.”
“O jogo de xadrez do Lula”
(TixaNews, fev 10)
A treta é a seguinte. O Centrão nunca deixou dúvidas de que queria o Tarcísio de Freitas como candidato a presidente. The Bolsonaros bateram o pé e estão nessa de que o candidato vai ser o Flavitcho. E, ao que tudo indica, o Centrão em peso não anda querendo endossar esse rolê. E os motivos são vários. Vamos aos details.
Centrão 1
Ciro Nogueira, o homem amigo do Tigrinho, do Master, ex-de Bolsonaro, senador e um dos caciques do PP, anda de charme com Lula. O senador está cheio de fantasmas do Master rondando sua vida. Outro que foi acusado por um delator de ter um avião que era usado para transportar dinheiro do PCC é Antonio Rueda, do União Brasil, que também é um ex-de Bolsonaro (ex-tesoureiro de campanha). Pois bem, eis que as duas figuras andaram fazendo reunião com o presidente do PT dia desses, como noticiou O Globo.
Vocês lembram que já contei aqui que Ciro já procurou Lula para que o presidente apoie apenas um senador no Piauí, para ele tentar garantir a segunda vaga ao Senado (Lula é muito forte no Piauí).
Centrão 2
Huguito Motta, que é do Republicanos e atual dono da Câmara frigorífica, está, desde o fim do ano passado, muito próximo de Lula. E eis que hoje ele contou para a imprensa, por meio de sua assessoria de imprensa, que fez andar a proposta de emenda à Constituição da redução da jornada de trabalho e fim da escala 6×1. Essa é uma pauta que estará na campanha de Lula. Mas é claro que, na Câmara, sempre tem um toma lá dá cá básico. Eles querem que o Lula sancione o projeto que dá jornada 3×1 ao povo dos supersalários da Casa.
Centrão 3
Gilberto Kassab, o dono do PSD, reuniu três governadores presidenciáveis no seu partido: Ratinho Jr. (Paraná), Ronaldo Caiado (Goiás) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). Nos últimos dias, deu várias entrevistas falando que o PSD terá um candidato próprio e que já avisou ao Lula. Mas, quando questionado sobre quem vai apoiar no segundo turno, não descarta apoio a Lula. Se restringe apenas a dizer: estaremos no segundo turno (com o candidato próprio). Kassab nunca deixou dúvidas de que queria Tarcísio, mas tem dito, mesmo sem cravar 100%, que essa candidatura é página virada.
Centrão 4
As notícias dão conta de que o Palácio do Planalto tem dado uma sondada no MDB para que indique o candidato a vice de Lula. Tem ficado claro que Lula quer que Alckmin venha fazer palanque em São Paulo. E o MDB é forte em vários estados, com muitas prefeituras, deputados e governadores. Nunca podemos esquecer que Simone Tebet é do MDB. Just saying.
Centrão 5
Sempre tem o caso Master para dar aquela pressionada. Vocês sabem que a negociação política sempre abrange um pouco de tudo, né? Pois bem, quem anda pressionado é Davi Alcolumbre, a estrela mais alta do Senado e que é do União Brasil. Acontece que a Polícia Federal anda dizendo que o aliado de Davi, que comandava o fundo de previdência do Amapá, andou fazendo uns aportes no Banco Master sem a devida autorização de outros pares.
Centrão 6
A questão dos partidos do Centrão é que eles são muito diferentes em cada estado. No Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes, que é do PSD de Kassab, já disse que vai dar palanque para Lula. A Raquel Lyra, que é do PSD de Pernambuco, foi até Lula dizer que, se o presidente ficar neutro por lá, vai apoiar sua reeleição (o problema é que João Campos, do partido do Alckmin, que é vice do Lula, também será candidato e vai fazer reunião com Lula nesta semana).
O MDB também tem várias situações diferentes em cada estado, e ainda tem o Michel Temer, que o Lula ainda faz questão de chamar de golpista.
A direita
Enquanto isso, lá em Mauá, Lula tirou uma foto com vários prefeitos do PL, que é o partido que abriga os Bolsonaros e pertence a Valdemar Costa Neto. Lula ainda brincou que o Valdemar ia brigar com os prefeitos.
Pensamento aleatório: eu ainda custo a acreditar que Valdemar, o homem mais Centrão de todos, é assim tão direita.
A pesquisa
A Real Time Big Data soltou sua pesquisa hoje e disse que a rejeição de Lula nada na casa de 48%. Já a de Flavitcho, na casa dos 49%. Por isso, tem uma galera confiante de que um terceiro candidato teria muitas chances. Isso porque a rejeição é o índice mais importante a ser observado.
E a IA, hein, TSE?
O Tribunal Superior Eleitoral tem recebido várias preocupações sobre como a IA poderá melar o rolê eleitoral. Achei interessante que uma das preocupações são os nudes falsos. Mas até óculos inteligentes na hora de votar vão precisar de regulamentação pelo tribunal. Não quero nem ver o tamanho desse barata voa, BRASEW.
Lula lampião
O Lula agora diz que tem sangue de Lampião (*) e que, se o Donald J. Trump (J de João, juro) soubesse disso, não ficaria provocando ele. Aff.
Por falar em Trump
O Super Bowl, que é a final do campeonato americano de futebol e que tem a maior audiência da TV, virou um case contra Trump. Bad Bunny, o cantor, fez o show do intervalo. Esse Bunny é aquele que ganhou o Grammy e disse ICE out (ICE é a polícia de imigração que anda matando pessoas nos EUA). Durante o show do intervalo, o cantor porto-riquenho estava todo trabalhado no espanhol e desejou que Deus abençoe a América, lembrando que a América é toda a América (incluindo o Brasil, darling). Não é só os Estados Unidos. Imagina, né? Foi aquele auê.
Mas o Trump passou o devido recibo ao final do show do intervalo ao postar que foi “absolutamente terrível” e uma “afronta à grandeza da América”. Por que passou recibo, Tixa? Porque havia um movimento para que ninguém do MAGA (o bolsonarismo do Trump) assistisse ao Super Bowl. Dã.
E Portugal?
O candidato a presidente da esquerda ganhou de lavada do candidato de direita. Uma das pautas da direita também de Portugal é o discurso anti-imigração. Sempre vale dar esse contexto.
E é isso, BRASEW, vou ali jogar damas e volto amanhã.
(TRPCE)
(*) Faz sentido!
Ladrão, sanguinário, amigo do alheio assim como Lampíão, lula também o é!
Só falta a Maria Bonita!
“Acorda, Maria Bonita
Levanta, vai fazer o café
Que o dia já vem raiando
E a polícia já está em pé”
. . .
Ary Cordovil: https://youtu.be/WwRUvw1kDNY
Mas por aqui, a “maria bonita do lampião PeTezuelano” está desperta e a polícia está dormindo!
Folha 105 (093)
“Demétrio Magnoli disse que errou ao defender impeachment de Dilma”
– ‘Legítimo e legal, o impedimento foi um erro político grave’, disse sociólogo.
– Artigo faz parte de seção que republica colunas de grande repercussão da história da Folha.
O sociólogo Demétrio Magnoli (1) publicou um meaculpa sobre sua posição no impeachment de Dilma Rousseff (2): “Escrevi aqui, em março de 2016, uma coluna intitulada ‘Impeachment, urgente!’. Era uma mudança da opinião (3) contrária ao impedimento de Dilma Rousseff que expressei desde o início de 2015 —e, claramente, um erro de avaliação política”.
No texto, publicado na Folha, em 2022, Magnoli explicou o que o levou a mudar de posição na época. “Passei a encarar o impeachment como necessidade ‘urgente’ pelas reações de Rousseff e da direção petista ao processo judicial contra Lula”, escreveu, citando ameaças de “venezuelanização” e a tentativa de nomear Lula ministro (4) para lhe dar foro privilegiado.
Com o distanciamento temporal, Magnoli reconheceu o equívoco. “O STF tinha a prerrogativa de afastar o foro privilegiado de um Lula alçado ao ministério — e certamente a utilizaria. O país podia suportar mais dois anos de desgoverno, até o veredicto das urnas”. As consequências do impeachment foram “funestas”: fortaleceu os “conspiradores da Lava Jato” que “abriram as portas para a ascensão de Bolsonaro” e deu ao lulismo “um álibi narrativo capaz de ocultar, ao menos parcialmente, o fracasso de suas doutrinas”.
Leia a seguir o texto completo, parte da seção 105 Colunas de Grande Repercussão (5), que relembra crônicas que fizeram história na Folha. A iniciativa integra as comemorações dos 105 anos do jornal, em fevereiro de 2026.
Errei sobre o impeachment (26/12/2022)
Escrevi aqui, em março de 2016, uma coluna intitulada “Impeachment, urgente!”. Era uma mudança da opinião contrária ao impedimento de Dilma Rousseff que expressei desde o início de 2015 — e, claramente, um erro de avaliação política.
Passei a encarar o impeachment como necessidade “urgente” pelas reações de Rousseff e da direção petista ao processo judicial contra Lula. Gilberto Carvalho, prócer do PT, acenava com uma ameaça explícita de “venezuelanização”, a militância petista promovia um cerco a um fórum de São Paulo e a presidente manobrava para elevar Lula à condição de ministro, a fim de tirá-lo da jurisdição de Sergio Moro. O Planalto transformava-se num santuário destinado a proteger o ex-presidente do sistema judicial. A democracia, concluí, precisava cortar pela raiz a deriva autoritária.
A acusação formal que provocou a queda de Rousseff era verdadeira: as “pedaladas” violaram a Lei de Responsabilidade Fiscal. Mas, como escrevi em fevereiro de 2015 (na coluna “A hora e a história”), o desvio não valia um remédio tão extremo.
As “pedaladas fiscais” refletiam uma política econômica desastrosa, que acabou fabricando a depressão de 2014-16, a segunda mais profunda da história brasileira, atrás apenas do cataclismo do início da década de 1930. Argumentava-se, entre os defensores do impeachment, que a obra dilmista terminaria num outro tipo de “venezuelanização”: o colapso da economia. A demissão do ministro da Fazenda Joaquim Levy, em dezembro de 2015, sob bombardeio implacável do PT, conferia peso ao argumento.
Nunca comprei aquele diagnóstico. Na Venezuela, o chavismo controlava o poder inteiro: Executivo, Legislativo e Judiciário. No Brasil, o PT não comandava uma maioria ideológica no Congresso e o STF conservava sua independência (mas, para desespero de Lula, nem sempre a indispensável isenção política). A folia econômica impunha sofrimento, mas seria interrompida antes da catástrofe.
Contudo, o que fazer diante de uma presidente e um partido dispostos a confrontar o sistema de justiça?
Hoje se sabe, via Vaza Jato, que Moro e seu Partido dos Procuradores guiavam-se por um projeto de poder. Na época, isso era desconhecido —mas a corrupção desenfreada na Petrobras não o era. Mesmo assim, o certo teria sido seguir criticando a saída do impeachment.
O STF tinha a prerrogativa de afastar o foro privilegiado de um Lula alçado ao ministério —e certamente a utilizaria. As sentenças agourentas de Gilberto Carvalho e as manifestações mais tresloucadas da militância petista não colocavam em risco a estabilidade institucional. O país podia suportar mais dois anos de desgoverno, até o veredicto das urnas.
O impeachment trouxe consequências funestas. Numa ponta, fortaleceu os conspiradores da Lava Jato que, com o auxílio de um STF rendido, encarceraram Lula e destruíram tanto o PSDB quanto o governo Temer. Moro et caterva abriram as portas para a ascensão de Bolsonaro. Na outra, interrompeu o processo de aprendizado nacional sobre o populismo econômico. A queda da presidente propiciou ao lulismo um álibi narrativo capaz de ocultar, ao menos parcialmente, o fracasso de suas doutrinas —que, tudo indica, voltarão a assombrar o país.
“Golpe do impeachment”? Não: isso é uma narrativa política esperta, destinada a reescrever a história do lulopetismo. O impeachment subordinou-se ao rito legal, supervisionado pelo STF —como, aliás, no caso de Collor. Presidentes sofrem impedimento quando perdem o apoio da esmagadora maioria dos cidadãos e uma sustentação mínima no Congresso. Só não funciona assim nas ditaduras —entre elas, algumas comandadas por “companheiros” de esquerda.
Legítimo e legal, o impedimento de Rousseff foi um erro político grave. Entendi isso no começo. Depois, fui tragado pelo turbilhão. Mea culpa.
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha-105-anos/2026/02/demetrio-magnoli-disse-que-errou-ao-defender-impeachment-de-dilma.shtml)
(1) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/demetriomagnoli/
(2) https://www1.folha.uol.com.br/especial/2015/brasil-em-crise/o-impeachment-de-dilma/
(3) https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/
(4) https://m.folha.uol.com.br/opiniao/2016/03/1751291-lula-ministro-para-que.shtml
(5) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/105-colunas-de-grande-repercussao/
(*) + 1 estratégia equivocada dos bolsonaro!
“Oposição flerta com o abismo”
– Se não abrir o olho e ficar esperta, direita pode acabar perdendo uma eleição praticamente ganha em São Paulo (*).
– Lula canta vitória na retórica, mas trabalha consciente de que há dificuldades a superar na batalha eleitoral.
(Dora Kramer, FPS, 09/02/26)
Se a direita não ficar esperta, se insistir em confrontar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), pode acabar perdendo uma eleição praticamente ganha em São Paulo. Esse flerte com o abismo geralmente assola quem sobe no salto antes do tempo.
É dessa altura traiçoeira que o PL e Jair & filhos parecem enxergar a cena eleitoral em alguns territórios que consideram dominados. Em Santa Catarina, o partido rifa a candidatura ao Senado da deputada Caroline de Toni (*) — ultradireitista, bolsonarista de todos os costados disponíveis— para apostar num Carlos Bolsonaro importado do Rio de Janeiro e, com isso, produzir um racha na direita local.
Em São Paulo, há ameaças de lançamentos de nomes ao governo do estado para competir com Tarcísio no mesmo campo. A briga entra pela indicação de candidatos a vice e ao Senado mais identificados com o bolsonarismo, contrariando a lógica da aliança de políticos da centro-direita para ampliar o escopo de atração do eleitorado.
Enquanto a oposição desorganiza o próprio terreiro, o presidente Luiz Inácio da Silva (PT) mostra que não está para brincadeiras. Entra em campo pintado para a guerra. E com a vantagem de reconhecer as desvantagens.
No palanque, Lula canta vitória na retórica, mas na prática atua com consciência das dificuldades. Soou claríssima a convocatória pública para Geraldo Alckmin (PSB) e Fernando Haddad (PT) cumprirem “papel importante” (**) em São Paulo.
Está ainda obscura, mas evidentemente em curso, qual a jogada que o presidente fará para compor a chapa à reeleição. O impacto da aliança com Alckmin em 2022 passou. Precisará de outro lance igualmente impactante para afastar os oponentes da direita dos calcanhares.
Na boca de cena desenha-se a cooptação do MDB. No bastidor, no entanto, é que se rabisca o roteiro dos próximos capítulos. Neles, não é prudente descartar o papel de protagonista engajado que venha a desempenhar Gilberto Kassab com um capital de três pretendentes (***) à Presidência no PSD.
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/dora-kramer/2026/02/oposicao-flerta-com-o-abismo.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newscolunista)
(*) https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/02/pl-define-carlos-bolsonaro-para-o-senado-em-sc-e-empurra-candidata-de-michelle-para-fora-do-partido.shtml
(**) https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/02/lula-diz-que-haddad-e-alckmin-tem-papel-a-cumprir-em-sp-nas-eleicoes.shtml
(***) https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/01/kassab-joga-como-kassab-na-disputa-presidencial.shtml
“Nudes falsos e outros riscos eleitorais da IA na mira do TSE”
(Bruno Boghossian, Diretor da Sucursal de Brasília da Folha, Brasília Hoje, FSP, 09/02/26)
Preocupado com as eleições em outubro deste ano, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) avalia medidas para combater riscos associados ao avanço do uso de IA (inteligência artificial). A disseminação de nudes falsos, a responsabilização de influenciadores criados artificialmente e a utilização de óculos inteligentes na hora de votar são alguns dos pontos considerados pela corte.
A Folha apurou que, entre as soluções estudadas pelo TSE, estão acordos com empresas desenvolvedoras e fornecedoras de IA e a criação de uma força-tarefa de peritos para identificar conteúdos manipulados. O objetivo seria dar mais agilidade no processo e segurança técnica às decisões dos ministros, atendendo a uma sugestão do decano do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes.
O TSE já possui uma regulamentação sobre IA, elaborada para as eleições municipais de 2024. No entanto, a avaliação de técnicos do tribunal é que há um vácuo legislativo sobre influenciadores digitais artificiais, além de dúvidas se a responsabilização nesses casos caberia ao desenvolvedor da IA ou a quem contratou o serviço. As resoluções com as novas diretrizes serão votadas pelo plenário da corte até 5 de março.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/02/tse-avalia-riscos-nas-eleicoes-com-nude-falso-influenciador-criado-por-ia-e-oculos-inteligentes.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
Mapa do poder
O que acontece nos poderes em Brasília e você precisa saber
1 – Levantamento da Folha mostra que o gasto da Câmara com o pagamento de diárias para alimentação e hospedagem de deputados em viagens oficiais cresceu 78% no primeiro ano da gestão de Hugo Motta (Republicanos-PB). O valor foi de R$ 2,1 milhões, em 2024, para R$ 3,8 milhões, em 2025 –sem considerar a inflação de cerca de 5% no período. O total de diárias no ano passado aumentou para 1.482, sendo requisitadas por 202 dos 513 parlamentares da Casa.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/02/gasto-da-camara-com-viagens-aumenta-78-no-primeiro-ano-de-motta.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
2 – Ministros que apoiam a criação de um código de ética para o STF estão preocupados com o momento escolhido para o debate e avaliam que a discussão pode fomentar ataques à corte em meio a uma crise de imagem e questionamentos à conduta de ministros. O presidente do Supremo, Edson Fachin, considera ter o apoio de parte de seus 10 colegas, como Cármen Lúcia (relatora do projeto), Luiz Fux, André Mendonça e Flávio Dino.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/02/estrategia-de-fachin-para-codigo-de-conduta-no-stf-divide-ate-ministros-favoraveis-a-ideia.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
(TRPCE)
Thomas Traumann,
newsletter, O Globo, 09/02/26 (*)
A eleição do contra
De um lado, políticos correm para enterrar as investigações do maior escândalo desde a Lava Jato. Do outro, uma multidão de eleitores pretende usar seus votos como vingança. Bem-vindos a 2026, a eleição do “hay sistema, soy contra!”.
A informação de que está em curso um acordão para trocar o fim da CPMI do INSS pelo enterro das investigações no Congresso do caso Master, revelada pela repórter Andréia Sadi, da GloboNews, é a faísca de um plano de queima de arquivo. As conversas para proteger políticos do PP, União Brasil, PL, PT e MDB no caso Master; a blindagem do Congresso às relações do filho do presidente Lula (1) e da sócia do senador Flávio Bolsonaro com o lobista conhecido como “careca do INSS” (2); a resistência no STF a um código de ética (3); a aprovação do projeto que permite aos servidores da Câmara trabalharem apenas 12 dias por mês (4); o reajuste que pode aumentar em 76% os salários dos servidores do Senado; as armadilhas para impedir as investigações da PF sobre a distribuição das emendas parlamentares (5); e o comportamento exótico do ministro Dias Toffoli na condução do inquérito sobre o banqueiro Daniel Vorcaro (6) sugerem que Brasília vive num mundo paralelo ao dos demais brasileiros. A história mostra que a realidade é teimosa.
O discurso antissistema no Brasil sempre foi monopólio da direita, de Jânio Quadros a Fernando Collor e Jair Bolsonaro, mas, para as próximas eleições, até o PT quer se dizer do contra. A principal conclusão do encontro dos 46 anos do partido neste fim de semana, em Salvador (7) , foi a de que, para vencer as eleições de outubro, não basta enumerar os feitos do governo Lula; é preciso se mostrar antissistema. “Não tem mais essa história de Lulinha, paz e amor”, decretou em discurso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “O sistema que está aí não é nossa responsabilidade. Nós não defendemos esse modelo de produção de riqueza e de acumulação de riqueza. O PT é o partido que não aceita o sistema”, disse o presidente do partido, Edinho Silva.
É uma hipocrisia evidente que o partido que, desde 2003, governou o País por 16 anos se diga antissistema, assim como é absurdo achar que Bolsonaro, deputado federal por 27 anos e que presidiu de mãos dadas com o Centrão, se apresente contra tudo o que está aí. O relevante, no entanto, não é o cinismo dos políticos, mas o fato de eles perceberem uma saturação do eleitor com a política tradicional.
Em outubro, antes de o caso Master vir à tona, uma pesquisa Genial/Quaest já havia indicado o potencial de um candidato antissistema. Perguntados “para o Brasil hoje, qual seria o melhor resultado da eleição”, os eleitores deram as seguintes respostas:
26% alguém fora da política
24% Lula
19% Jair Bolsonaro
12% outro candidato de direita fora Bolsonaro
6% candidato de centro
5% outro candidato de esquerda fora Lula
Quatro meses depois, a imagem do sistema político brasileiro só piorou, levando de roldão, além do Congresso e do Executivo, também o STF.
O vento está mudando.
(TRPCE)
(1) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/02/04/cpi-do-inss-vira-batalha-eleitoral-antecipada-de-aliados-de-lula-e-flavio-bolsonaro.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(2) https://oglobo.globo.com/blogs/lauro-jardim/post/2026/02/cpmi-do-inss-pt-dobra-aposta-e-vai-pedir-quebra-de-sigilo-de-flavio-bolsonaro-e-escritorio-dele.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(3) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/02/04/fachin-busca-presidentes-de-outras-cortes-por-apoio-a-codigo-de-conduta-apos-definir-carmen-como-relatora.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(4) https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/02/03/camara-aprova-reestruturacao-da-carreira-e-cria-gratificacao-de-ate-100percent-do-salario-base.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(5) https://oglobo.globo.com/opiniao/editorial/coluna/2026/02/em-vez-de-blindar-emendas-congresso-deveria-se-esforcar-por-reduzi-las.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(6) https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/01/17/master-atuacao-de-toffoli-gera-incomodo-e-criticas-nos-bastidores-do-stf.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(7) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/02/07/lula-diz-que-pt-precisa-refletir-sobre-erros-e-que-brigas-internas-acabaram-com-a-sigla-na-grande-sp.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(*) Na newsletter recebida pelo correio eletrônico, pontuava 8 itens. Houve repetição do número 6, Portanto. . .os outros 7 estão abaixo replicados.
Thomas Traumann,
newsletter, O Globo, 09/02/26 (1)
O Master rachou o STF
O que Jair Bolsonaro uniu, o caso Master desuniu. Em 2020, os ministros do STF esqueceram anos de divergências para se unir pela sobrevivência de um Judiciário independente sob Jair Bolsonaro. Com o ex-presidente preso, a divisão dos ministros ressurgiu não por visões distintas de matérias constitucionais, mas em torno de assuntos mundanos, como sociedades em empresas, palestras cobradas e participação em convescotes com lobistas e advogados. Não é sobre a lei, é sobre ganhar mais dinheiro.
Durante a semana, os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli (*) — ligados, por meio de parentes, ao caso Master — aproveitaram seus votos no julgamento de duas ações sobre manifestações públicas de magistrados para deixar clara sua posição em favor de juízes poderem dar palestras e fazer outras atividades remuneradas. Desafiado publicamente, o presidente do STF, Edson Fachin (**), prega no deserto na defesa de um código de ética que limite a ação dos ministros.
Há dois riscos na despreocupação de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com a opinião pública. O primeiro, como apontou no domingo o colunista Lauro Jardim, é o avanço das investigações sobre a Maridt Participações (***) , empresa dos irmãos do ministro Toffoli. O segundo é o Senado recuar no acordo com Gilmar Mendes para elevar o quórum mínimo para o impeachment de ministros do STF.
Dividido, o STF está mais fraco.
(TRPCE)
(*) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/02/04/moraes-defende-limite-a-uso-de-redes-sociais-por-juizes-e-envia-recado-sobre-codigo-de-etica-nao-ha-nenhuma-carreira-com-tantas-vedacoes-quanto-a-magistratura.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(**) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/02/03/os-desafios-e-resistencias-de-fachin-e-carmen-lucia-para-implementar-codigo-de-conduta-no-stf.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(***) https://oglobo.globo.com/blogs/lauro-jardim/post/2026/02/as-duvidas-sobre-a-maridt-empresa-dos-irmaos-de-toffoli-que-o-caso-master-pode-esclarecer.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
Thomas Traumann,
newsletter, O Globo, 09/02/26 (2)
O debate da maioridade
Maior preocupação dos brasileiros, a segurança pública é um tema em que políticos de direita e de esquerda falam idiomas diferentes. Nos próximos dias, a direita vai transformar a PEC da Segurança, que originalmente pretendia aumentar a responsabilidade da Polícia Federal no combate às facções, num debate sobre a redução da maioridade penal, de 18 para 16 anos . O PT é contra a proposta, mas a ideia é amplamente majoritária mesmo entre os eleitores de Lula.
Espremido contra a parede, o novo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, estuda um projeto obrigando o uso de câmeras corporais por todos os agentes de segurança, inclusive os PMs. O projeto começaria pelos agentes da PF, PRF e Guarda Nacional.
(TRPCE)
(*) https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2026/02/03/cachorro-orelha-relator-considera-incluir-reducao-da-maioridade-penal-para-crimes-contra-animais-na-pec-da-seguranca.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
Thomas Traumann,
newsletter, O Globo, 09/02/26 (3)
O fator Nikolas
O ex-presidente Jair Bolsonaro deve aproveitar o encontro com o deputado federal Nikolas Ferreira, no dia 21, no presídio da Papudinha, para pedir que ele seja candidato ao governo de Minas (*). Com o PT sem palanque forte no estado e com Nikolas como cabo eleitoral, o senador Flávio Bolsonaro tem uma rara oportunidade de reverter o atual favoritismo do presidente Lula.
Em duas entrevistas recentes a podcasts de direita, Nikolas se antecipou e descartou a proposta. Ele disse preferir a reeleição como deputado e eleger aliados no estado (**). Embora tenha reafirmado seu apoio a Flávio, Nikolas disse não querer carregar o peso de uma eventual derrota, como quando Eduardo Bolsonaro tentou culpá-lo pela rejeição generalizada às sanções dos EUA contra o Brasil.
Sem apoio efetivo da madrasta, Michelle, e do líder evangélico Silas Malafaia (***) , e com o governador Tarcísio de Freitas ainda amuado, Flávio tem como único ativo ser filho de Jair Bolsonaro. Com 21,5 milhões de seguidores no Instagram, 8,9 milhões no TikTok, 5,5 milhões no X e 3,3 milhões no Facebook, Nikolas poderia dar adrenalina à campanha tanto em Minas quanto nacional.
Segundo maior colégio eleitoral, com 16,5 milhões de eleitores, Minas Gerais é o estado-pêndulo do Brasil. Desde 1955, quem ganhou em Minas acabou sendo eleito presidente. Jair Bolsonaro, que venceu no estado em 2018 e perdeu em 2022, viveu isso. Falta convencer Nikolas.
(TRPCE)
(*) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/02/07/plano-de-flavio-bolsonaro-em-minas-tem-resistencia-de-nikolas-e-atrapalha-projeto-de-sucessao-de-zema.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(**) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/02/06/pressionado-por-flavio-a-se-lancar-em-minas-nikolas-descarta-candidatura-ao-governo-nao-penso-so-em-eleicao.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(***) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/01/22/nao-empolgou-a-direita-diz-malafaia-sobre-candidatura-de-flavio-bolsonaro-a-presidencia.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
Thomas Traumann,
newsletter, O Globo, 09/02/26 (4)
Corrida de obstáculos
A sugestão de Fernando Haddad para que o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, assuma uma das diretorias do Banco Central tem um caminho íngreme pela frente.
Tanto o presidente do BC, Gabriel Galípolo, quanto o ministro da Casa Civil, Rui Costa, jogam para que Lula não aceite a ideia. Se a indicação for para o Senado, a pressão contrária virá do mercado financeiro, que enxerga em Mello um economista heterodoxo.
E, se mesmo assim Mello for nomeado, há um último obstáculo: cabe ao presidente do BC decidir qual a área de cada diretor. No caso de Mello, dificilmente será uma cadeira ligada à definição da taxa de juros, como a diretoria de Política Econômica sugerida por Fernando Haddad.
(TRPCE)
(*) https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/02/06/guilherme-mello-diz-que-esta-a-disposicao-de-lula-mas-que-nao-recebeu-convite-para-diretoria-do-bc.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
Thomas Traumann,
newsletter, O Globo, 09/02/26 (5)
Dino, o fiscalista
Ironicamente, os executivos da Faria Lima apreensivos, corretamente, aliás, com as contas públicas têm mais em comum com o ex-comunista Flávio Dino do que com os líderes supostamente liberais do Congresso. Ao suspender o pagamento de penduricalhos produtores de supersalários que custam R$ 20 bilhões anuais, o ministro Dino fez mais responsabilidade fiscal do que o Congresso em um ano.
Durante a semana, os mesmos parlamentares que são aplaudidos em eventos de bancos ao atacar Lula e Haddad e defender o corte de gastos aprovaram rapidamente um privilégio que concede supersalários a seus servidores e pode custar R$ 790 milhões neste ano. O fiscalismo do Congresso é tão real quanto os curupiras.
(TRPCE)
(*) https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/02/06/penduricalhos-veja-os-tipos-de-auxilios-suspensos-por-dino-que-favorecem-supersalarios-no-servico-publico.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
Thomas Traumann,
newsletter, O Globo, 09/02/26 (6)
O ministro e o sociólogo
Contando os dias para deixar o posto, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, lançou no sábado, dia 7, um livro que retoma textos acadêmicos dos anos 1980 e 1990 para falar do futuro do capitalismo no século 21. Em “Capitalismo Superindustrial: Caminhos diversos, destino comum” (editora Zahar, 456 páginas, livro: R$ 99,90; e-book: R$ 39,90), Haddad parte da radiografia do fracasso do modelo de produção da extinta União Soviética, tema de seu mestrado em economia, para avançar sobre os conceitos de classe de Karl Marx, presentes em sua tese de doutorado em Filosofia.
O livro ganha fôlego quando chega ao século 21. Conversando com teses do francês Yann Moulier-Boutang e do grego Yanis Varoufakis, entre vários outros, Haddad registra como a revolução digital gerou uma nova classe baseada não na posse dos meios de produção, mas no conhecimento e na inovação, batizada de “cognitariado”. É o fenômeno que Haddad chama de “capitalismo superindustrial”, que incorpora a ciência como fator de produção.
É um texto de acadêmico para acadêmicos. Usando o conceito marxista de classe, Haddad afirma que existem divergências, mas não contradições entre os bilionários de hoje. “Há tensões entre os proprietários que auferem superlucros, lucros e rendas, mas a propriedade é a fonte comum de riqueza e felicidade. Quanto às classes não proprietárias — proletariado (forças produtivas), o cognitariado (forças criativas) e o precariado (forças destrutivas) —, elas não têm um solo comum a não ser pela negação. Cabe aqui a paráfrase: todas as classes proprietárias se parecem na felicidade; cada classe não proprietária é infeliz à sua maneira”.
E, pela primeira vez como político, e não como sociólogo, Haddad conclui: “Há, sim, uma contradição entre proprietários, de um lado, e não proprietários, do outro: os primeiros, naturalmente coesos; os últimos, socialmente fragmentados e dispersos. Cabe à política articulá-lo”.
(TRPCE)
(*) https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/02/07/nao-acredito-que-a-humanidade-vai-ficar-parada-diz-haddad-sobre-ascensao-da-extrema-direita.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
Thomas Traumann,
newsletter, O Globo, 09/02/26 (7)
Fique Atento – A agenda da semana
> Você vai trabalhar, mas já é Carnaval no Congresso. Com sessões semipresenciais, o principal tema na Câmara será o calendário para, depois de nove meses, os deputados começarem a analisar a PEC da Segurança.
> No Senado, há preocupação com as consequências da operação da Polícia Federal no fundo de pensão do Amapá, sob controle de Davi Alcolumbre.
> Na terça-feira, dia 10, uma nova audiência na Justiça italiana decide se autoriza a extradição da ex-deputada bolsonarista Carla Zambelli.
> Sai na quarta-feira, dia 11, a nova pesquisa presidencial Genial/Quaest.
>O governo busca o melhor momento para anunciar o veto do presidente Lula aos aumentos de salário dos servidores do Congresso.
> A oposição tenta impedir na Justiça a propaganda eleitoral antecipada a Lula no desfile homenagem da escola de samba Acadêmicos de Niterói, no domingo de Carnaval, dia 15.
(TRPCE)
Vi, li & repliqui:
Na China:
O sistema de escadas rolantes da montanha de Liangshan, na província de Langxi, é a maior instalação do tipo a céu aberto no mundo.
Inaugurada em maio de 2025, tem uma extensão de 1.236 metros. Além de tornar o pico da montanha mais acessível, reduziu um trajeto de 2 horas para cerca de 30 minutos. O custo total foi de aproximadamente US$ 17,8 milhões….
Vídeo em:
https://x.com/Poder360/status/2020837159523983524
+em: https://www.poder360.com.br/poder-china/escadas-rolantes-gigantes-viram-solucao-de-mobilidade-na-china/
E o “Seguro” preocupado:
– E, se faltar energia elétrica?
“América LaChina”
(Paulo Passos, Editor de Newsletters na Folha, Mercado, FSP, 09/02/26)
Goste Trump ou não, a América do Sul está cada vez mais economicamente ligada à China (1). Nos últimos 25 anos, o continente viu a relevância americana ser eclipsada pelo gigante asiático.
Em 10 dos 12 países sul-americanos, a influência chinesa é hoje maior (caso do Brasil).
Há 20 anos, todas essas nações tinham os EUA como parceiro econômico mais importante.
↳ Os dados foram apresentados pelo pesquisador Francisco Urdinez, no livro “Economic Displacement: China and the End of US Primacy in Latin America”.
Entenda:
para mensurar a influência econômica, ele criou uma métrica que agrega investimento, crédito, comércio e ajuda externa em relação ao PIB dos países.
Gradualmente, e então de repente. Parece que foi assim que os chineses “ocuparam” a economia da América do Sul.
O mapa abaixo(*) mostra a migração da influência ao longo dos anos em cada país: 🟦 maior dos EUA, 🟥 maior da China.
(*) Acesse: https://ci3.googleusercontent.com/meips/ADKq_NYFxvUoKxQ5RpoBrnnhOD1qU4RUfgwiK6UBt2VhQqXLpUQwrQUQrNAlAi9xFu4sCjj9mQq-jc2MDbuIP3i9ghXa11XcXkQgKFRSzy6eBQCxsC1dVHK3PLOmYOOfhUGVN5sWVe3tIEnyEz_wFukQJiKdGkxEka4sRgz125zOra7s=s0-d-e1-ft#https://image.folhadespaulo.com.br/lib/fe3b11737164047d741477/m/1/5faec80a-985f-4655-b9f2-420277a72786.gif)
O volume do comércio ampliou-se após a entrada de Pequim na OMC, em 2001. Nos anos seguintes, houve o desembarque de empresas chinesas nos países sul-americanos.
No Brasil chegaram gigantes do setor elétrico (State Grid (2) e CTG). Depois, vieram empresas de mineração, setor em que a China tem forte presença na Argentina, na Bolívia e no Chile.
Na Venezuela, o país asiático virou o maior comprador de petróleo (3).
Quem não gostou?
Donald Trump. A perda de influência no continente está elencada no plano de segurança nacional (4) do seu governo, divulgado em dezembro, como um ponto a ser revertido. Um mês depois, os EUA capturaram o ditador (5) da Venezuela, Nicolás Maduro, agora deposto.
“A resposta americana ao deslocamento econômico migrou da competição econômica, que eles perderam, para a intervenção coercitiva”, afirma Urdinez.
E agora?
Além da força, os americanos tentam ampliar investimentos no continente em setores estratégicos, como terras raras. Na semana passada, a mineradora Serra Verde, de Goiás, teve um financiamento de um banco estatal dos EUA ampliado para R$ 2,5 bi (6).
Ao mesmo tempo…
Os chineses ampliam sua participação na economia do continente. O Brasil viu a chegada de montadoras de veículos elétricos e híbridos (7), de equipamentos eletrônicos e de serviços de delivery (8) nos últimos anos.
(TRPCE)
(1) “Aos EUA só resta a força para superar a China na América Latina, diz pesquisador”
– América do Sul viu 10 dos 12 países migrarem para área de influência econômica de Pequim.
– Pesquisa de Francisco Urdinez aponta deslocamento gradual desde os anos 2000 e vê limitação em reação de Washington.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/02/aos-eua-so-resta-a-forca-para-superar-a-china-na-america-latina-diz-pesquisador.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(2) “State Grid assumirá controle da CPFL em negócio que pode superar R$ 25 bi”
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/09/1817822-state-grid-assumira-controle-da-cpfl-em-negocio-que-pode-superar-r-25-bi.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(3) “Principal destino do petróleo venezuelano, China deve compensar perda com importações do Irã”
– Bloqueio americano não deve afetar abastecimento energético do país asiático
– Refinarias independentes chinesas, chamadas ‘teapots’, são as principais compradoras da commodity da Venezuela.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/01/principal-destino-do-petroleo-venezuelano-china-deve-compensar-perda-com-importacoes-do-ira.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(4) “EUA priorizam América Latina e revivem Doutrina Monroe em novo plano de segurança nacional”
– Governo fala em preeminência na região e faz referência a doutrina que pregava a ‘América para os Americanos’
– Documento defende segurança migratória e reajuste da presença militar global para combater ‘ameaças urgentes’.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2025/12/trump-anuncia-estrategia-para-acabar-com-migracoes-em-massa-no-mundo-e-reforcar-fronteiras.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(5) “Ataque de Trump à Venezuela testa nova estratégia dos EUA”
– ‘Presidente da paz’ vai às vias de fato contra Maduro, cumprindo promessa de tratar América Latina como seu quintal.
– Brasil e vizinhos não têm o que fazer ante a nova realidade, mas é preciso saber qual o próximo passo do americano.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/01/ataque-de-trump-a-venezuela-testa-nova-estrategia-dos-eua.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(6) “Mineradora de terras raras brasileira recebe financiamento maior dos EUA, que pode se tornar sócio do negócio”
– Anúncio do DFC representa US$ 100 milhões a mais do que o valor divulgado no ano passado.
– Serra Verde tem operações em Goiás e exporta para a China.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/02/mineradora-de-terras-raras-brasileira-recebe-financiamento-maior-dos-eua-que-pode-se-tornar-socio-do-negocio.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(7) “BYD inicia na próxima semana distribuição de veículos montados em Camaçari”
– Fábrica baiana opera em regime SKD, em que carros chegam da China parcialmente montados.
– Empresa recebe Lula e representantes da indústria em evento na Bahia.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/10/byd-inicia-na-proxima-semana-distribuicao-de-veiculos-montados-em-camacari.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(8) “Brasil importa ‘capitalismo chinês’, com concorrência agressiva em carros, tecnologia e serviços”
– Multinacionais repetem no Brasil disputa por mercados que começa na China.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/07/brasil-importa-capitalismo-chines-com-concorrencia-agressiva-em-carros-tecnologia-e-servicos.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
Dúvida atroz:
O que é menos ruim?
América LatChina
ou
América Latrina?
Celularfobia!
“Alunos sem celular: chegou a vez das faculdades”
– Os ganhos de aprendizagem nas salas de aula sem celulares foram significativos, e numa magnitude comparada a outras ações ações bem-sucedidas.
(Por Antônio Gois, O Globo, 09/02/26)
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“Instituições de ensino superior, como Insper, FGV e ESPM, implementaram restrições ao uso de celulares em sala de aula, medida que já mostrou ganhos significativos na aprendizagem comparáveis a outras intervenções pedagógicas. Estudos na Índia e China associam a proibição a melhorias no desempenho acadêmico, enquanto pesquisa nos EUA indica aumento na concentração e satisfação. As evidências sugerem que as universidades seguiram o caminho certo, mas o uso consciente da tecnologia ainda é um desafio.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/brasil/antonio-gois/coluna/2026/02/alunos-sem-celular-chegou-a-vez-das-faculdades.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
Só dar um basta no
“Chega”, não chega!
“Novo presidente de Portugal precisa combater a desumanização dos imigrantes”
– António José Seguro não pode esquecer brasileiros e estrangeiros que passam noites na fila e no frio atrás de documentos ao fiscalizar leis de um governo preso à pauta anti-imigração.
(Por Gian Amato, Blog Portugal Giro, O globo, 09/02/26)
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“António José Seguro, novo presidente de Portugal, promete governar para todos, incluindo imigrantes, contrariando a retórica anti-imigração de André Ventura, da ultradireita. Seguro enfrenta o desafio de assegurar direitos e dignidade a imigrantes, especialmente brasileiros, que enfrentam burocracia e desumanização em busca de regularização. O presidente busca liderar discussões sobre cidadania e imigração, promovendo a igualdade constitucional.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/blogs/portugal-giro/post/2026/02/novo-presidente-de-portugal-precisa-combater-a-desumanizacao-dos-imigrantes.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
Saqueiam o povão
e enganam o leão!
“Auxílio-peru, folga fictícia e dinheiro limpo são privilégios”
> Por que em dinheiro e por que o nome da coisa é auxílio?
– Para aumentar o salário sem pagar mais imposto de renda!
(Por Carlos Alberto Sardenberg, O Globo, 09/02/26)
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“O artigo discute os privilégios no serviço público brasileiro, como auxílios financeiros que aumentam salários sem incidir em impostos, burlando o teto salarial. Destaca o esquema 3×1, que permite folgas fictícias convertidas em “indenizações”, resultando em ganhos extras isentos de IR. Critica a desigualdade e a falta de regulamentação, ressaltando a disparidade entre setores público e privado.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/opiniao/carlos-alberto-sardenberg/coluna/2026/02/auxilio-peru-folga-ficticia-e-dinheiro-limpo-sao-privilegios.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
100 comentários. . .
“‘Braille zero’: pela primeira vez, MEC deixa 45 mil deficientes visuais sem livros didáticos no início do ano letivo”
– Cerca de 45 mil estudantes pelo país estão começando o ano letivo hoje precisando lidar, pela primeira vez, com a falta do material adaptado.
– Entidades veem decisão política, não orçamentária, e alertam para déficit cognitivo irrecuperável’.
(Por Bruno Alfano — Rio de Janeiro, O Globo, 09/02/26)
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“Pela primeira vez, 45 mil estudantes com deficiência visual no Brasil iniciam o ano letivo sem livros didáticos em Braille. A Abridef denuncia falta de cronograma e orçamento para materiais acessíveis, sinalizando decisão política. Sem o Braille, essencial para alfabetização, alunos enfrentam déficit cognitivo. O MEC afirma que contratos vigentes garantem atendimento, mas entrega ainda é incerta.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2026/02/09/braille-zero-pela-primeira-vez-mec-deixa-45-mil-deficientes-visuais-sem-livros-didaticos-no-inicio-do-ano-letivo.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
“Entrevista: É preciso naturalizar discussão de mudanças na Previdência, defende secretário do Tesouro”
– Rogério Ceron afirma que foco da equipe econômica neste ano é atingir a meta de resultado das contas públicas, um superávit de 0,25% do PIB, e reconhece possibilidade de aporte nos Correios
(Por Bernardo Lima e Manoel Ventura — Brasília, O Globo, 09/02/26)
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“O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, destaca a necessidade de naturalizar a discussão sobre mudanças na Previdência para controlar o crescimento das despesas obrigatórias e abrir espaço para investimentos. O foco atual do governo é atingir um superávit de 0,25% do PIB. Ceron também menciona a possibilidade de aportes nos Correios e a continuidade das obras de Angra 3, além de ressaltar a importância de ajustes fiscais.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/02/09/entrevista-e-preciso-naturalizar-discussao-de-mudancas-na-previdencia-defende-secretario-do-tesouro.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
“Socialista António Seguro derrota candidato da extrema direita e vence eleição presidencial em Portugal”
– Com 99% das urnas apuradas, ex-secretário-geral do Partido Socialista recebeu 67% dos votos em segundo turno contra André Ventura, da extrema direita.
(Por O Globo e agências internacionais — Lisboa, 09/02/26)
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“António José Seguro, ex-secretário-geral do Partido Socialista, venceu de forma contundente o segundo turno da eleição presidencial em Portugal, com projeções indicando entre 67% e 71% dos votos, derrotando André Ventura, do partido de extrema direita Chega. Seguro conquistou apoios da esquerda à direita moderada, destacando-se como símbolo da democracia portuguesa. Ventura, apesar da derrota, reforçou a presença da extrema direita no país.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/02/08/projecoes-apontam-para-vitoria-de-antonio-seguro-na-eleicao-presidencial-em-portugal.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
“De saída do governo, ministros enviam verbas a seus estados e dão tom eleitoral a inaugurações”
– Prestes a deixar as pastas que comandam, auxiliares de Lula tem intensificado agenda em redutos eleitorais.
(Por Patrik Camporez e Jeniffer Gularte — Brasília, O Globo, 09/02/26)
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“Ministros do governo Lula intensificam a destinação de verbas federais para seus estados de origem, com foco eleitoral, antes de deixarem seus cargos. André Fufuca (Esporte), Camilo Santana (Educação) e Carlos Fávaro (Agricultura) aumentaram investimentos em seus redutos, enquanto Waldez Góes (Integração) priorizou aliados no Amapá. A prática levanta questionamentos sobre o uso da máquina pública para fins eleitorais.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/02/09/de-saida-do-governo-ministros-enviam-verbas-a-seus-estados-e-dao-tom-eleitoral-a-inauguracoes.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
“Dívida de 17 estados com a União será corrigida apenas pela inflação”
– Maioria das unidades da federação adere ao Propag, novo programa de negociação de débitos.
(Por Bernardo Lima — Brasília e Rio, O Globo, 09/02/26)
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“A maioria dos estados brasileiros (22 de 27) aderiu ao novo programa de parcelamento de dívidas com a União, que prevê juros reais zerados, corrigindo débitos apenas pela inflação. O Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag) oferece um prazo de 30 anos e opções de pagamento flexíveis. Porém, a transferência dessas dívidas para a União pode resultar em um impacto fiscal significativo.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/02/09/divida-de-17-estados-com-a-uniao-sera-corrigida-apenas-pela-inflacao.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
Folha 105 (092)
“Djamila Ribeiro criticou termo ‘pessoas que menstruam'”
– ‘Me perturba sermos restringidas às nossas funções biológicas’, escreveu filósofa.
– Artigo faz parte de seção que republica colunas de grande repercussão da história da Folha.
A filósofa e escritora Djamila Ribeiro (1), uma das principais vozes do feminismo negro brasileiro e autora de “Lugar de Fala”, confrontou uma tendência da linguagem inclusiva (2) contemporânea.
Em 2022, ela publicou na Folha uma crítica ao uso de expressões como “pessoas que menstruam” (3) para se referir a mulheres: “Como mulher, me perturba o fato de sermos restringidas às nossas funções biológicas, como se não fôssemos seres humanos completos, seres sociais e sujeitos políticos”.
A filósofa argumentou que a tentativa de inclusão criava novos apagamentos. “Uma mulher (4) não é uma pessoa que gesta, até porque existem mulheres que não podem ou não querem engravidar. Nesse caso, como vamos nos referir a elas? ‘Pessoas que não gestam?'”, questionou. Ribeiro notou a assimetria de gênero: “É interessante que a categoria homem segue intocável —não há publicações se referindo a eles como ‘pessoas que ejaculam’, por exemplo”.
Como feminista negra, Djamila via a questão pela ótica da interseccionalidade. “Mulheres negras, por exemplo, interseccionam as opressões de sexo, classe e raça, sendo necessário nomear essa realidade para que seja possível compreendê-la”, explicou. Citou Sojourner Truth e seu histórico discurso “E Eu Não Sou uma Mulher?” para mostrar como o apagamento das categorias impossibilita a luta por direitos: “Sem esses dados não se geram demandas por políticas públicas”.
Leia a seguir o texto completo, parte da seção 105 Colunas de Grande Repercussão, que relembra crônicas que fizeram história na Folha. A iniciativa integra as comemorações dos 105 anos do jornal, em fevereiro de 2026.
Nós, mulheres, não somos apenas ‘pessoas que menstruam’ (1/12/2022)
Recentemente tenho visto publicações e posts em redes sociais que utilizam a expressão “pessoas que menstruam” para se referir a mulheres e homens trans. Também já vi coisas como “pessoa gestante”, “pessoas com mamas” com o mesmo objetivo.
Confesso que me senti profundamente incomodada, tanto como mulher quanto como teórica feminista. Como mulher, me perturba o fato de sermos restringidas às nossas funções biológicas, como se não fôssemos seres humanos completos, seres sociais e sujeitos políticos.
Uma mulher não é uma pessoa que gesta, até porque existem mulheres que não podem ou não querem engravidar. Nesse caso, como vamos nos referir a elas? “Pessoas que não gestam?” Mulheres que precisaram retirar as mamas por motivo de doença ou qualquer outro serão chamadas de que forma? Isso remete ao sexismo biológico tão bem explicado por Simone de Beauvoir em “O Segundo Sexo”.
É interessante que a categoria homem segue intocável —não há publicações se referindo a eles como “pessoas que ejaculam”, por exemplo.
Como feminista negra, vejo essas atitudes como um retrocesso. Historicamente, as feministas negras refutam a universalidade da categoria mulher trazendo a reflexão da necessidade de nomear as diferentes possibilidades de ser mulher.
Mulheres negras, por exemplo, interseccionam as opressões de sexo, classe e raça, sendo necessário nomear essa realidade para que seja possível compreendê-la e, a partir daí, pensar em saídas emancipatórias. Como afirma a teórica Kimberlé Crenshaw, pensar as avenidas das identidades e nomeá-las.
Eu sistematizei o conceito de lugar de fala em um livro, o qual trata justamente de pensar “locus social”, de entender como os diferentes grupos estão posicionados dentro da matriz de dominação. O lugar social determina as condições de determinados grupos e nos faz compreender quais são as experiências que esses grupos compartilham por partir desse lugar social.
Por exemplo, para se compreender qual é a realidade das mulheres negras como grupo, é necessário entender quais são as experiências que essas mulheres compartilham. No Brasil, compartilham alta taxa de feminicídio, grande parte do trabalho doméstico e funções precarizadas, falta de acesso à moradia digna, entre outras.
Sem esses dados não se geram demandas por políticas públicas. Justamente por isso, o feminismo negro foi e é tão importante ao pensar a interseccionalidade como ferramenta analítica. Se essa realidade é apagada com a afirmação de que somos todas mulheres, negando as opressões de raça e classe, ou de que somos “pessoas que menstruam”, o grupo social mulher negra não se torna visível como sujeito de direitos.
Sojourner Truth, importante ativista abolicionista, em 1841, em Ohio, na Conferência dos Direitos das Mulheres, fez um discurso histórico chamado “E Eu Não Sou uma Mulher?”, enfatizando a necessidade de se pensar nas mulheres negras como categoria e refutar uma ideia universal de mulher.
Truth fala da realidade dela como mulher negra confrontada com a realidade apresentada sobre as mulheres brancas e termina perguntando “e eu não sou uma mulher?”, mostrando o quanto a realidade das mulheres negras nem sequer era mencionada.
A feminista negra bell hooks nomeou com esse discurso seu primeiro livro publicado em 1981. Audre Lorde, Grada Kilomba, Patricia Hill Collins —e no Brasil, Lélia Gonzalez, Luiza Bairros, Sueli Carneiro— são alguns nomes que vêm há tempos refletindo criticamente e produzindo obras sobre a importância de se refutar essa tentação de universalidade que apaga diferentes formas de ser mulher.
Sendo assim, o termo “pessoas que menstruam”, mesmo com a pretensa ideia de querer incluir, apaga a realidade concreta das mulheres, pois se está criando uma nova categoria universal que não nomeia a materialidade delas.
Essa realidade ficará implícita dentro dessa nova norma que se pretende hegemônica, assim como apaga a realidade de homens trans. Homens trans não são pessoas que gestam e menstruam, são sujeitos políticos.
Trata-se de um backlash e de violência porque, mais uma vez, decidem invisibilizar a realidade material de mulheres no quinto país do mundo em número de feminicídios, de alta taxa de violência física e sexual e onde a pobreza menstrual é uma realidade que as atinge majoritariamente. Não faz o menor sentido ter medo de usar a categoria mulher ou de mantê-la implícita. É necessário estudar as teóricas e ativistas que se dedicaram a refletir de maneira honesta sobre a condição feminina.
Sim, eu sou uma mulher.
(Fomte: https://www1.folha.uol.com.br/folha-105-anos/2026/02/djamila-ribeiro-criticou-termo-pessoas-que-menstruam.shtml)
(1) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/djamila-ribeiro/
(2) https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2025/10/conhecimento-pode-desmitificar-transexualidade-diz-pesquisadora.shtml
(3) https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/12/expressao-pessoas-que-menstruam-defende-vidas-trans-diz-elle-de-bernardini.shtml
(4) https://www1.folha.uol.com.br/todas/
(5) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/105-colunas-de-grande-repercussao/
“Os jovens já começam a apresentar sinais de uma espécie em extinção”
– O mundo digital está monetizado e não deixará de existir.
– Nova geração é incapaz de lidar com hostilidades.
(Luiz Felipe Pondé, FSP, 08/02/26)
A área de estudos do futuro, muitas vezes, é tomada por delírios. Ou por agentes que querem vender seu peixe tecnológico. Ou por gente que quer ninar as almas assustadas. Essa área não pode ser edificante porque se assim o for, perde o foco.
Pensar o futuro é olhar as condições materiais, sociais e econômicas que determinam o mundo e checar se elas deverão sofrer alguma mudança significativa. Se não houver indícios de tais mudanças, a tendência em questão deve permanecer e, possivelmente, se radicalizar. Vejamos.
As redes sociais estão causando transtornos nas democracias (2). Assim como a invenção da imprensa e a tradução da Bíblia para línguas vernáculas, por volta de 1500, foram algumas das causas das guerras religiosas na Europa, que, por sua vez, criaram condições materiais, sociais e políticas para o surgimento do Estado laico e da liberdade religiosa, depois de muito sangue derramado e destruição. O rádio catapultou o fascismo na primeira metade do século 20, e as redes estão estremecendo os mecanismos representativos nas democracias.
Esse processo vai mudar? Provavelmente não. O mundo digital está radicalmente monetizado e dificilmente deixará de existir. A tendência é que seus feitos sejam radicalizados e se frutifiquem em formas ainda desconhecidas.
Tentativas de regular implicam em perda de competitividade nas sociedades que reprimem os avanços na área. A Europa, em comparação com os Estados Unidos e a China, sabe bem disso. Esperemos, sim, mais transtornos, e a esperança de que alguma forma de acomodação ocorra.
É possível esperar que uma educação para esse impacto aconteça a curto prazo? Difícil crer. No Brasil, por exemplo, assim como na maior parte do mundo, a educação é um lixo em quase todas as áreas. Como esperar que crianças que mal sabem ler, escrever e contar possam enfrentar os transtornos sociais, econômicos e políticos que virão pela frente?
Com a entrada da inteligência artificial no mundo, em todas as suas esferas, inclusive na política, o processo tende a se agravar. Muito desemprego e muitas pessoas inutilizadas surgirão. O que fazer com elas? Ninguém sabe.
O mundo será dos idosos. Jovens serão raros. Os jovens já começam a apresentar sinais de uma espécie em extinção. Desordem cognitiva. Incapacidade de lidar com um meio ambiente hostil —vale salientar que o meio ambiente sempre foi hostil, do contrário, não existiria seleção natural.
Instabilidade emocional. Insegurança estrutural. Radicalização de comportamentos contrários ao convívio coletivo. Redução drástica na capacidade reprodutiva e na habilidade de garantir a própria sobrevivência. Enfim, todo o processo de adoecimento mental das gerações mais jovens deveria ser analisado desde o ponto de vista da seleção natural e da decorrente extinção de espécies não adaptadas.
Claro que jovens em risco de extinção implicam também na extinção da própria espécie, da qual eles são o futuro. A espécie sapiens nunca deveria ter sido compreendida como uma espécie racional, mas, sim, como passionalmente desequilibrada e tendendo à entropia. Entropia esta que vemos hoje em dia.
Por sua vez, essa redução do número de jovens é consequência das decisões individuais de mulheres e homens que chegaram à conclusão de que filhos são ônus e não bônus, o que, por sua vez, é desdobramento histórico necessário da emancipação feminina que tem, como um dos seus pilares, a redução do número de filhos a fim de facilitar a sobrevida das mulheres no mercado de trabalho.
Causa deste fenômeno é, também, a decisão de jovens, homens e mulheres, acerca do grande estresse que são os compromissos amorosos e sexuais excessivamente sólidos. O amor atrapalha os negócios. Os departamentos de compliance sabem bem disso.
Esse fenômeno vai mudar? A emancipação feminina vai acabar? Evidentemente que não. A menos que uma catástrofe leve a humanidade de volta ao neolítico e, assim, as mulheres voltem a ficar grávidas todo o tempo devido ao aumento de atividade sexual voluntária ou involuntária.
Por fim, o capitalismo é um sistema baseado em contratos de concupiscências. Concupiscência é um termo teológico usado pelo filósofo Agostinho para descrever a tendência do comportamento humano a buscar furiosamente seus objetos de desejo. Concupiscências são destrutivas porque fazem dos seres humanos crianças velhas loucas para atingir o que desejam. O capitalismo é a política da concupiscência. Você acha que isso vai mudar? Não.
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizfelipeponde/2026/02/os-jovens-ja-comecam-a-apresentar-sinais-de-uma-especie-em-extincao.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newscolunista)
(1) “Futuro dos negócios será feito por enxame de agentes de IA, diz Álvaro Machado na CasaFolha”
– Rede social exclusiva para robôs ilustra cenário concebido pelo neurocientista.
– Para ele, interação entre máquinas, sem interface humana, é a grande tendência de 2026.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/tec/2026/02/futuro-dos-negocios-sera-feito-por-enxame-de-agentes-de-ia-diz-alvaro-machado-na-casafolha.shtml
(2) https://comentarios1.folha.uol.com.br/comentarios/6119556?skin=folhaonline
“Era uma vez o digital”
– O computador quântico será bilhões de vezes mais rápido. Tudo bem, mas, e daí?
– Com ele, nenhum código digital estará a salvo, embora ainda não se saiba o que se ganhará com isso.
(Ruy Castro, FSP, 08/02/26)
Acabo de ler uma declaração apavorante do físico americano Michio Kaku (*): “A computação quântica (**) mudará tudo. Os computadores quânticos serão bilhões de vezes mais rápidos e mais assertivos do que o computador digital”. Já me assusto com tudo que seja “assertivo”, palavra que, usada hoje como se fosse banana, não se sabe mais o que significa. Mas o pior é: para que essa pressa toda? Logo agora que achávamos que o computador digital viera para ficar, somos informados de que ele ficará tão superado que não poderá ser usado nem como ábaco.
O que significa um computador “bilhões de vezes mais rápido”? Como uma coisa pode ser bilhões de vezes mais rápida do que outra? Como medir a velocidade em bilhões? Até há pouco, a coisa mais rápida de que eu tinha conhecimento era a ejaculação ultraprecoce que me foi tristemente confessada por um amigo. Talvez ele se anime ao saber que a do computador quântico será mais precoce ainda.
Segundo Kaku, o computador quântico terá várias vantagens. Será capaz de “quebrar” — decifrar — em microssegundos o código digital de empresas de seguros, bancos (***), governos e até do Tesouro dos EUA. Temos de concluir que nenhum cofre estará a salvo, embora me escape o que ganharemos com isso. Outra é de que ela permitirá a fabricação de uma lente de contato com a qual, se você se interessar por alguém numa festa, poderá, num literal piscar de olhos, “baixar” a biografia da pessoa e, talvez, até descobrir a cor de suas calcinhas.
Que Kaku é “assertivo”, não duvido. Além de físico, é “pensador futurista”, autor de livros de ficção científica e apresentador de programas de televisão dedicados à ciência.
Só me tranquilizei ao lembrar que, no Brasil, não faz muito, suspirávamos pelo sistema 4G, já corriqueiro em outros países enquanto seguíamos com o pré-histórico 3G. Pois hoje temos o 5G e, quando ele falha, as pessoas resmungam, “Saco, estou no 4G!”, como se este fosse um contemporâneo da manivela. Daí que, um dia, o computador quântico também será movido a manivela.
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2026/02/era-uma-vez-o-digital.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newscolunista)
(*) “‘A essência da inteligência é ver o futuro e não saber das coisas’: as previsões do físico visionário Michio Kaku”
– Ele se tornou conhecido por seu trabalho na ciência popular, especialmente por suas observações sobre o futuro.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2024/03/a-essencia-da-inteligencia-e-ver-o-futuro-e-nao-saber-das-coisas-as-previsoes-do-fisico-visionario-michio-kaku.shtml
(**) “Na corrida pela computação quântica, Google promete o multiverso; Microsoft, um novo estado da matéria”
– Inovação deve ser decisiva na próxima década, no entanto, é necessário se manter cético sem perder o otimismo.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/tec/2025/02/na-corrida-pela-computacao-quantica-google-promete-o-multiverso-microsoft-um-novo-estado-da-materia.shtml
(***) “Digitalização incentiva competição entre bancos e atualiza segmento de seguros”
– Acesso a serviços online, taxas mais baixas e crédito simplificado estão entre atrativos.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/tec/2022/07/digitalizacao-incentiva-competicao-entre-bancos-e-atualiza-segmento-de-seguros.shtml
“Monetização do jeitinho brasileiro ganha escala com amizade do poder com bandidos”
– Crime comum negocia com elite política e econômica; poderosos agem como bandidos comuns.
– Mais que desviar dinheiro, corrupção cria feudos políticos e sistema que apodrece economia.
(Vinicius Torres Freire, FSP, 08/02/26)
Em 2024, Ricardo Lewandowski comprou uma casa de Anajá de Oliveira Santos Yang por R$ 9,4 milhões, segundo relato de O Estado de S. Paulo (*), confirmado pelo próprio Lewandowski. Anajá é casada com Alan de Souza Yang. Faz década e meia, Alan, o “China”, é investigado por adulteração de combustível, pelo que já foi condenado, e rolos maiores.
Não há indício de que a compra de Lewandowski tenha relação com rolos de China. Na verdade, o ex-ministro da Justiça e do STF deve ter sido vítima de golpe. Se a empresa de administração de patrimônio imobiliário de Lewandowski e família, que comprou a casa, tivesse verificado quem era o marido de Anajá, poderia ter descoberto com pesquisa corriqueira de internet que China era enrolado.
Mas esse é um problema privado, até onde se sabe. Interessa é que os “Chinas” passeiam no mundo do poder. Por outro lado, cada vez mais gente da elite é flagrada agindo como “Chinas” —negocia imóveis com dinheiro vivo, oculta participações societárias por meio de fundos de investimento, faz do crime ambiental um negócio ou escraviza trabalhadores.
China é associado a cabeças de empresas criminosas de combustíveis, segundo investigações da Carbono Oculto. São eles Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, foragidos e que negociam delação premiada.
Beto Louco e Primo se valiam de fintechs e fundos de investimento para lavar dinheiro, em parte talvez do PCC, segundo investigadores. Alguns desses fundos eram geridos pela Reag. Antes da ruína, era a maior empresa do ramo, afora aquelas de bancões. A Reag era de João Carlos Falbo Mansur, acusado de se associar a rolos de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Vorcaro contratou serviços de Lewandowski, da família de Alexandre de Moraes e de Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda. Fundos da família de Vorcaro tinham negócios com a família de Dias Toffoli.
Tudo isso é sabido, quanto a indícios gritantes do esquemão criminoso. No mais, inexiste indício material de associação de Lewandowski, Moraes, Mantega e Toffoli com irregularidades.
Evidente é que a elite se relaciona ou confraterniza com “Chinas” ou é variante “lavada” de “Chinas”. Não deveria causar escândalo novo. Por exemplo, um só, Jair Bolsonaro e família além de tudo confraternizavam e trocavam dinheiros com gente da milícia do Rio de Janeiro. Por falar nisso, Flávio Bolsonaro, pré-candidato a presidente, comprava imóveis com dinheiro vivo, na tradição familiar.
Sob certo aspecto, o problema da corrupção é superestimado. É a explicação preferida da ciência política e da economia dos pobres de espírito e assunto de demagogo. Sem corrupção e “gastos com político”, haveria dinheiro até para tapar déficits, se diz —não é o caso, nem de longe.
Mas a corrupção é um sistema de apodrecimento institucional que se autoperpetua, não só porque o dinheiro financia carreiras e feudos da política. É fator de desgraça econômica, como na ineficiência no uso do Orçamento. No mínimo corrupção moral (networking de favores) pode ser o motivo de tanta lei de efeito econômico desastroso ser aprovada, de subsídios para empresas, como no setor elétrico, a favores como escapar da reforma tributária ou do corte de benefícios tributários.
Tem gente que chama de “lobby” essa variante da monetização do jeitinho nacional. O “lobista” pode ser um “China” muito maior e pior.
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/viniciustorres/2026/02/monetizacao-do-jeitinho-brasileiro-ganha-escala-com-amizade-do-poder-com-bandidos.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newscolunista)
(*) “Lewandowski comprou imóvel de alvo da PF por R$ 9,4 milhões um mês antes de bloqueio judicial”
– Ex-ministro da Justiça diz que não conhecia os proprietários e que vem cobrando a regularização da residência ou a rescisão da venda.
+em: https://www.estadao.com.br/politica/lewandowski-imovel-alvo-pf-bloqueio-judicial/?srsltid=AfmBOoolwaG0iCsDbLntQzbCHtO09MtZEd9YCVyln-C1RDjvEKnGmTqg)
“Impeachment e renúncia de juízes”
– Quando a corrupção alcança as instituições contramajoritárias, a solução via eleições deixa de ser opção.
– Quando a autocontenção é mera retórica, sobram escracho, anomia e o cinismo cívico.
(Marcus André Melo, FSP, 08/02/26)
As menções a impeachments e renúncias de juízes de supremas cortes dispararam — e com razão (1). Tais eventos são incomuns, mas dois casos contrastantes, na Argentina e no Chile, revelam como se forma uma espiral de degradação institucional associada a comportamentos desviantes no topo do sistema. Ao mesmo tempo, oferecem um contrafactual: a possibilidade de uma resposta institucional virtuosa.
Líderes populistas tendem a atacar ou manipular instituições autônomas da República, como cortes superiores e bancos centrais. A Argentina possui longa tradição de intervenções no Judiciário, mas, no ciclo democrático iniciado em 1983, a primeira manifestação relevante ocorreu no governo Carlos Menem (1989-1999). Menem justificou sua intervenção candidamente: “Por que eu vou ser o único presidente da Argentina a não ter a sua própria corte (2)?” Em seguida, aumentou o número de ministros de cinco para nove, o que lhe permitiu nomear quatro novos magistrados, dentre parceiros e copartidários desqualificados.
A reputação da corte entrou em parafuso. Quando outro peronista, Néstor Kirchner, chegou ao poder, acusou o tribunal de estar acovardado e politicamente capturado e decidiu destituir os nomeados por Menem (3). No Senado, o assalto institucional foi liderado por Cristina Kirchner. Paralelamente, a militância peronista organizou numerosos escrachos, inclusive diante das residências dos juízes. As pressões políticas e denúncias de corrupção levaram à renúncia de dois magistrados e à abertura de processos de impeachment contra outros dois. Um deles também renunciou; o outro, Moliné O’Connor, resistiu e acabou impedido.
O episódio argentino ilustra como a degradação institucional iniciada por Menem produziu uma contrarreação populista sob os Kirchners, gerando uma espiral autodestrutiva marcada por escrachos violentos, perseguições e reformas extremadas. A pergunta inevitável é: O que garante que dinâmica semelhante não possa ocorrer no Brasil (4)?
No Chile, há dois casos instrutivos: um juiz foi impedido por fornecer informação privilegiada à filha em um litígio imobiliário sob sua relatoria, e uma juíza foi destituída pela própria corte por tráfico de influência na instituição e conluio com um advogado.
O Congresso deflagrou um processo de impeachment, mas a corte, percebendo a ameaça à sua reputação e integridade institucional, destituiu a magistrada antes mesmo da conclusão do processo, que acabou resultando apenas na sanção adicional de proibição de exercício de funções públicas.
O desenho institucional facilitou essa resposta: no Chile, na Alemanha e no Canadá, juízes das supremas cortes podem ser destituídos tanto pelo Parlamento quanto pela própria corte. Na Itália, França e Espanha, o controle é predominantemente interno. No Brasil, nos Estados Unidos e na Argentina, a destituição ocorre exclusivamente via impeachment.
A nossa situação é gravíssima. Ao fim e ao cabo, o que irá importar é a força da reação social à espiral de degradação institucional. Quando a corrupção alcança as instituições contramajoritárias, a solução via eleições deixa de ser opção, como mostrei aqui (5). Quando a autocontenção é ilusória, sobram escracho, a anomia social e o cinismo cívico avassalador (6).
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marcus-melo/2026/02/impeachment-e-renuncia-de-juizes.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newscolunista)
(1) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marcus-melo/2026/01/de-lima-barreto-ao-banco-master.shtml
(2) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marcus-melo/2021/04/por-que-o-stf-esta-na-berlinda.shtml
(3) https://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft0506200320.htm
(4) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marcus-melo/2025/12/tensoes-no-supremo-tribunal-federal.shtml
(5) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marcus-melo/2026/01/o-entulho-institucional-a-ser-enfrentado.shtml
(6) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marcus-melo/2025/04/o-supremo-e-sua-reputacao.shtml
“Castas do funcionalismo afrontam a República”
– Não há razão para que servidores e autoridades sejam vítimas especiais nos crimes contra a honra, nem para reajustes dos já altos salários de funcionários do Congresso.
– Seja na Justiça, seja nas remunerações, privilégios revelam instrumentalização do poder para benefício próprio, em detrimento das necessidades da população .
(Lygia Maria, FSP, 08/02/26)
Medidas tomadas pelo STF e pelo Congresso na última semana (*) reiteram que o Brasil pode ser uma República formal, mas, na prática, se apresenta como sociedade estamental, em que grupos do funcionalismo pairam acima do chamado cidadão comum.
Na quinta (5), o STF validou o dispositivo do Código Penal que prevê aumento de pena para crimes contra a honra cometidos contra funcionários públicos (**) em razão de seus cargos.
Segundo o ministro Flávio Dino, ofensas afetam não só a honra dos agentes, mas a dignidade institucional da função pública.
Tal argumento, contudo, não justifica que servidores e autoridades (presidentes do STF, do Senado e da Câmara, de acordo com alteração de 2021 no diploma) sejam tratados de modo especial.
Quando o indivíduo é percebido como encarnação do órgão no qual atua, ofensas pessoais tendem a ser classificadas como ataques institucionais. Minam-se os princípios da impessoalidade e da igualdade.
No Reino Unido, uma democracia liberal robusta, difamação passou da esfera penal para civil em 2009 e agentes públicos não têm proteção específica. A lógica é a de que esse estrato está sujeito a maior escrutínio e, por isso, os limites do aceitável para críticas e ofensas são mais amplos.
Já o Congresso resolveu aprovar reajustes em salários e gratificações dos seus servidores capazes de superar o teto constitucional e de impactar no longo prazo as despesas permanentes.
Trata-se de oferecer mais benesses para uma das castas do funcionalismo —outra é a do Judiciário—, que já recebe remunerações muito acima da média nacional. E isso com o Orçamento federal em frangalhos, engessado por gastos obrigatórios (entre eles, o de pessoal), sem margem de manobra para investimentos.
Seja na Justiça, seja nas remunerações, os privilégios concedidos a algumas parcelas do funcionalismo brasileiro são sintoma de um sistema fundado em um estamento burocrático que instrumentaliza o poder público para benefício próprio, em detrimento das reais necessidades de uma população repleta de carências.
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/lygia-maria/2026/02/castas-do-funcionalismo-afrontam-a-republica.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newscolunista)
(*) https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/02/stf-retoma-trabalhos-com-divisao-interna-e-se-ve-alvo-do-congresso-em-ano-eleitoral.shtml
(**) https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/02/stf-tem-maioria-para-validar-aumento-de-pena-por-crime-contra-presidentes-do-senado-camara-e-stf.shtml
“O reino de Bolsonaro por um cavalo”
– “Ele não tem amigos, a não ser aqueles que são amigos por medo”, diz um dos desafiantes de Ricardo III na peça de Shakespeare.
(Rodolfo Borges, O Antagonista, 08/02/26)
“Ele não tem amigos, a não ser aqueles que são amigos por medo, que, em sua maior necessidade, fugirão dele”, diz um dos aliados do futuro rei Henrique VII antes da batalha em que o maligno Ricardo III seria derrotado, na peça de Shakespeare que leva o nome deste último.
Na versão do bardo inglês, Ricardo III chega ao trono admitindo sua vilania, descartando aliados e se livrando de quem está em seu caminho, inclusive o irmão e os sobrinhos. O monarca abraça a própria deformidade — inclusive física — para chegar ao poder, mas acaba sozinho.
Após a prisão de Jair Bolsonaro, os filhos do ex-presidente penam para manter os aliados submetidos aos planos da família. Eduardo e Carlos Bolsonaro, em especial, passam recados públicos para aqueles que ousam não subscrever suas decisões e estratégias.
Servem de exemplo todos os aliados da família que ficaram pelo caminho, como Joice Hasselmann, Wilson Witzel, Gustavo Bebianno, João Doria, Santos Cruz e Luciano Bivar, entre outros.
Monarquia?
O recado mais recente foi passado pelo deputado cassado, por meio de uma declaração do deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) que soa como a homenagem do súdito de uma família real: “Não existe direita no Brasil, só existe Jair Messias Bolsonaro” (1).
Segundo Pollon, “é responsabilidade de todos aqueles que são leais ao presidente Bolsonaro hoje parar o que está fazendo e ir lá fortalecer o Carlos Bolsonaro”.
O deputado se refere à pretensão aleatória e injustificada do ex-vereador carioca de se eleger senador por Santa Catarina, que tumultuou os acordos do PL no estado (2).
Eduardo aplaudiu esse “apoio sem condicionantes” e o usou como exemplo, destacando que “o resto quem faz o julgamento é o povo” — Pollon é pré-candidato ao governo do Mato Grosso do Sul.
Traidores?
Os principais alvos da família na tentativa de manter o comando total da direita no Brasil são os aliados que parecem ter vida própria para além do bolsonarismo.
Entre eles estão a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Esses foram e são criticados por não aderirem totalmente à pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e não se engajarem nos planos dos filhos de Bolsonaro com o empenho que de eles gostariam — por mais que esses planos tenham se mostrado equivocados.
A deputada estadual de Santa Catarina Ana Campagnollo (PL-SC) foi um pouco mais longe e alertou sobre a confusão (3) que seria causada pela candidatura de Carlos ao Senado em seu estado, além de dizer que Bolsonaro acabou preso por “estratégias ruins” (4).
Na cena mais conhecida da Tragédia do rei Ricardo III, o protagonista perde seu cavalo no campo de batalha e profere em vão a célebre frase “meu reino por um cavalo”, logo antes de sucumbir.
Quem prestar atenção direito ouvirá os filhos de Bolsonaro gritando o mesmo.
(Fonte: https://oantagonista.com.br/analise/o-reino-de-bolsonaro-por-um-cavalo/?utm_medium=email&utm_campaign=newsletter_-_resumo_da_manha_802&utm_source=RD+Station)
(1) https://oantagonista.com.br/brasil/nao-existe-direita-no-brasil-so-existe-jair-messias-bolsonaro/
(2) https://oantagonista.com.br/analise/e-nao-e-que-carluxo-baguncou-o-jogo-mesmo/
(3) https://oantagonista.com.br/brasil/campagnollo-sobre-carluxo-em-sc-confirmado-o-que-apontei/
(4) https://oantagonista.com.br/analise/prisao-familiar/
Concordo integralmente,
ou seja:
sem “rachadjinhas”!
“Janaina: “Flávio não tem nenhuma chance de se eleger presidente”
– Vereadora afirma que afastamento de lideranças expõe fragilidade da pré-candidatura do senador.
(Redação O Antagonista, 08/02/26)
A vereadora de São Paulo Janaina Paschoal (PP) voltou a criticar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto e afirmou que ele “não tem nenhuma chance de se eleger Presidente”.
Em publicação nas redes sociais, Janaina disse que o distanciamento de lideranças partidárias da pré-candidatura do senador indicaria a fragilidade do projeto eleitoral.
“Reparem como líderes partidários estão se distanciando da candidatura de Flávio. Isso não está ocorrendo sem motivo. Essas pessoas sabem onde está e onde estará o poder. Flávio não tem nenhuma chance de se eleger Presidente. Petistas e psolistas estão comemorando o fato de ele ter sido escolhido candidato da direita. Peço, pelo amor de Deus, que acordem. Ainda há tempo de construirmos uma opção de verdade. O Brasil merece! O Brasil precisa! Seria muito mais cômodo eu me calar e jogar para a torcida. Ganhar seguidores, likes… Mas minha preocupação é o País. Bolsonaro já teve a sua chance, infelizmente, deu no que deu. Não escolhemos a Monarquia. Acordem, pelo amor de Deus!”, escreveu.
Em outra publicação, a vereadora afirmou concordar com a declaração de Lula sobre clima de guerra (1) nas eleições deste ano.
“Sou obrigada a concordar com Lula: esta eleição será uma guerra! E nós estamos entrando com alguém que não tem nada a mostrar! E iniciou uma campanha xarope de postagens xaropes que dizem: meu amigo Flávio … só Jesus para nos ajudar!”, escreveu.
Lula e Ciro Nogueira negociaram acordo?
Segundo a Folha de S.Paulo, Lula recebeu o senador Ciro Nogueira (PP) (**) em 23 de dezembro, na Granja do Torto, em encontro fora da agenda oficial. A reunião contou com a presença do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), e teria ocorrido a pedido de Nogueira.
A conversa tratou de uma reaproximação política com foco na reeleição de Nogueira ao Senado pelo Piauí. O acerto incluiria apoio de Lula ao senador Marcelo Castro (MDB), abrindo espaço para a renovação do mandato do dirigente do PP.
Em troca, Nogueira manteria o PP em posição de neutralidade na disputa presidencial, afastando o partido da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). PP e União Brasil hoje formam a maior bancada da Câmara.
“Essa eleição vai ser uma guerra”
Como mostramos (3), Lula afirmou neste sábado, 7, em Salvador, que a eleição de 2026 será marcada por confronto político e disse que não haverá espaço para o discurso de “Lulinha paz e amor”.
A fala ocorreu durante o ato que celebrou os 46 anos do PT, na Bahia.
Segundo Lula, o partido precisará se preparar para uma disputa dura.
“Essa eleição vai ser uma guerra, e nós vamos ter de nos preparar para para não poder deixar a mentira governar (*) este país”, disse. Lula afirmou estar “motivado para cacete”.
O petista disse ainda que o resultado da eleição não dependerá apenas das ações do governo. “O que vai ganhar é nossa narrativa política”, afirmou, ao defender a construção de um discurso capaz de enfrentar a direita nas urnas.
(Fonte: https://oantagonista.com.br/brasil/janaina-flavio-nao-tem-nenhuma-chance-de-se-eleger-presidente/)
(1) https://oantagonista.com.br/brasil/lula-essa-eleicao-vai-ser-uma-guerra/
(2) https://oantagonista.com.br/brasil/ciro-nogueira-e-lula-negociaram-acordo-fora-da-agenda-oficial/
(3) https://oantagonista.com.br/brasil/lula-essa-eleicao-vai-ser-uma-guerra/
(*) A mentira vai desistir da reeleição?
Cadê o Sistema
TriSuEl/TriRegEl ???
“Plano de Janja para desfilar em carro alegórico é barrado”
– Primeira-dama manifestou interesse em desfilar no último carro alegórico da Acadêmicos de Niterói e convidar ministros para acompanhá-la.
(Redação O Antagonista, 08/02/26)
A primeira-dama, Janja, participou, na sexta-feira, 6, do ensaio técnico da Acadêmicos de Niterói, que neste ano levará à Marquês de Sapucaí um samba-enredo em homenagem a Lula.
Para o desfile oficial, previsto para o próximo domingo, 15, a assessoria jurídica da Presidência recomendou cautela e desaconselhou a participação da primeira-dama em ações que pudessem ser interpretadas como pré-campanha antecipada, segundo O Globo.
Janja, de acordo com o jornal, chegou a manifestar interesse em desfilar no último carro alegórico da escola e convidar ministros para acompanhá-la, mas a ideia foi descartada após avaliação do risco de questionamentos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
No ensaio, realizado no Rio de Janeiro, sob chuva, a primeira-dama esteve acompanhada da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. Janja dançou, sambou, acenou para apoiadores e participou das atividades da escola, que fará sua estreia no Grupo Especial em 2026.
A Acadêmicos de Niterói agradeceu a presença da primeira-dama em publicação nas redes sociais:
“Estamos unidos para o amor vencer o medo no dia 15 de fevereiro.”
Propaganda eleitoral antecipada?
O samba-enredo percorre a trajetória de Lula desde a infância em Pernambuco até a chegada à Presidência da República.
A homenagem ocorre no ano em que o petista disputará a reeleição, o que motivou ações de opositores na Justiça e no Tribunal de Contas da União (TCU).
Entre os questionamentos, está o fato de a escola ter recebido R$ 1 milhão da Embratur.
Um dos carros alegóricos, por exemplo, promete representar a transformação do Lula operário em presidente, com uma escultura de 13 metros de altura, número associado ao PT.
Técnicos do TCU recomendam veto
Para a área técnica do órgão, o repasse de R$ 1 milhão para a agremiação “fere os princípios da impessoalidade, da moralidade e da indisponibilidade do interesse público utilizar recursos do erário, em desvio de finalidade, para a promoção de autoridades ou servidores públicos.”
Os técnicos entenderam que o repasse “pode ensejar a nulidade total ou parcial do contrato, a obrigação de ressarcimento ao erário, entre outras consequências”.
“Por fim, as alegações apresentam alta relevância, devido a possível direcionamento de recursos públicos para a prática de promoção pessoal de autoridade pública, agravado pelo fato de que o homenageado deve concorrer à Presidência da República nos pleitos que ocorrerão no ano corrente de 2026”, acrescentaram.
(Fonte: https://oantagonista.com.br/brasil/plano-de-janja-para-desfilar-em-carro-alegorico-e-barrado/)
Folha 105 (091)
“Luiz Felipe Pondé criticou o ‘hype’ em torno do autismo”
– ‘Como o que ontem era um diagnóstico psicopatológico se transformou numa tendência?’, questionou filósofo.
– Artigo faz parte de seção que republica colunas de grande repercussão da história da Folha.
O filósofo e escritor Luiz Felipe Pondé (1) criticou o que chamou de ‘fetichização’ do autismo (2). Em 2022, Pondé publicou na Folha uma análise provocativa: “Como o que ontem era um diagnóstico psicopatológico se transformou numa tendência de estilo de vida hype? Atenção para o componente altamente irônico da seguinte afirmação: agora todo mundo quer ter um filho autista”.
O filósofo usou a série “Uma Advogada Extraordinária” (3) da Netflix (4) como exemplo do fenômeno. “A sinopse ilustra claramente a fetichização do sofrimento de uma psicopatologia. Inteligência e memória de gênio, traços com grande vocação a ferramenta de alto valor de mercado no capitalismo contemporâneo”, escreveu. Para ele, o autismo estava sendo transformado em “um ‘plus’ com qualidades cognitivas invejáveis”, destacando especialmente a capacidade de concentração.
Pondé relatou um episódio polêmico num evento de saúde mental (5) no qual uma psicanalista que seguia a teoria de Winnicott sobre causas ambientais do autismo “quase foi apedrejada como uma herege maldita”. O problema, segundo ele: “O pecado está no fato de ela apontar para o ambiente destrutivo — inclusive sendo a mãe parte essencial dessa destrutividade —como causa essencial do autismo. Isso é imperdoável para uma sociedade que elegeu o otimismo como virtude cívica”.
Leia a seguir o texto completo, parte da seção 105 Colunas de Grande Repercussão (6), que relembra crônicas que fizeram história na Folha. A iniciativa integra as comemorações dos 105 anos do jornal, em fevereiro de 2026.
O diagnóstico de autismo se transformou numa tendência de estilo hype (28/8/2022)
O conceito de tendência de comportamento não pode ser confundido com moda de comportamento. Esta, quando alçada à condição de tendência —conceito de vocação sociológica que transcende a alma mesquinha do marketing—, confunde fetiches de riquinhos —como salvar crianças na Nigéria num sabático ou pedir demissão de empregos porque não encontram “propósitos”— com movimentos sociais não feitos para consumo imediato de nichos afluentes, apesar de movimentar o mercado de bens e gestos.
Toda tendência de comportamento tem vocação a se tornar commodity. Uma tendência atual que merece a nossa atenção é a do autismo como moda de comportamento hype.
“O autismo tá bombando!” Ouvi essa frase outro dia de um profissional na área. Como o que ontem era um diagnóstico psicopatológico se transformou numa tendência de estilo de vida hype? Atenção para o componente altamente irônico da seguinte afirmação: agora todo mundo quer ter um filho autista.
Talvez hoje valha mais do que um filho trans no mercado das vanguardas de comportamento. Como um sofrimento humano gigantesco pode se transformar numa commodity hype de comportamento?
A série sul-coreana “Uma Advogada Extraordinária”, da Netflix, ilustra esse fenômeno. Sinopse básica: brilhante advogada autista, com inteligência muito acima da média e capacidade de memória monstruosa, sofre com dificuldades de relacionamento.
A sinopse acima ilustra claramente a fetichização do sofrimento de uma psicopatologia. Inteligência e memória de gênio, traços com grande vocação a ferramenta de alto valor de mercado no capitalismo contemporâneo calcado em “conhecimento” —com aspas sim—, apontam para a tendência de fazer do autismo um “plus” com qualidades cognitivas invejáveis. O filme “O Contador”, com Ben Affleck, já fazia de um autista um assassino profissional, e contador, como ninguém.
Ali já aparecia a grande qualidade autista para o mercado de bens e gestos: ser concentrado. Nossa advogada brilhante sofre com dificuldades de relacionamento. Alguém poderia dizer, com propriedade, quem hoje não sofre com dificuldades de relacionamento? Tal tipo de dificuldade pode ser o preço a pagar para você ser um gênio, não? Além do fato que relacionamentos somam menos ao modelo de sucesso no século 21 do que inteligência e memória somam ao mercado de trabalho.
A suspeita de que altas qualidades cognitivas podem caminhar passo a passo com dificuldades afetivas no mundo já existia com relação à melancolia. Do ponto de vista do melancólico, só pessoas superficiais seriam alegres. A questão é que a melancolia caiu de moda porque ela não oferece qualidades cognitivas que agregam valor ao “capitalismo de conhecimento” —com aspas sim, porque a expressão é miserável e não deve ser confundida com valor do conhecimento real— que marca o século 21.
O novo autista é um comportamento filho da diversidade psíquica, não vítima de um drama ambiental familiar gravíssimo. O sofrimento dos familiares, claro, tende a abraçar o autismo hype como forma de investimento na autoestima do grupo.
Esse salto qualitativo anima o mercado da saúde mental de modo promissor. Num evento de profissionais de saúde mental recente no Brasil, uma psicanalista, seguindo a teoria de D.W. Winnicott (1896-1971), segundo a qual podemos entender o autismo como consequência do incômodo materno radical com a criança indesejada, fazendo do ambiente afetivamente hostil um espaço do qual a criança deve se isolar de modo radical —o conhecido isolamento autista—, quase foi apedrejada como uma herege maldita.
Qual o pecado dessa teoria? O pecado está no fato de ela apontar para o ambiente destrutivo —inclusive sendo a mãe parte essencial dessa destrutividade— como causa essencial do autismo. Isso é imperdoável para uma sociedade que elegeu o otimismo como virtude cívica.
O autismo deve ser cada vez mais uma personalidade positiva que oferece um bem fundamental para o mundo do trabalho: ser concentrado. O autista real, que você tem em casa, deve ser trocado pela advogada extraordinária.
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha-105-anos/2026/02/luiz-felipe-ponde-criticou-o-hype-em-torno-do-autismo.shtml)
(1) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizfelipeponde/
(2) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/autismo/
(3) https://guia.folha.uol.com.br/streaming/2022/10/gostou-de-uma-advogada-extraordinaria-assista-a-outros-k-dramas-no-streaming.shtml
(4) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/netflix/
(5) https://www1.folha.uol.com.br/blogs/saude-mental/
(6) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/105-colunas-de-grande-repercussao/
Faz sentido:
7 é conta de mentiroso!
“Sete é pouco?”
Apesar de não concordar com o pedido da defesa por prisão domiciliar, peritos da PF apontaram que o ex-presidente Bolsonaro sofre de sete doenças, incluindo hipertensão, apneia grave e doença do refluxo.
(Coluna CH, DP, 08/02/26)
Matutando bem. . .
Doenças repentinas ou consequência do consumo de cloroquina em excesso?
Já perceberam que certos marginais quando são pegos em flagrante adoecem repentinamente?
Todo$ junto$ & mi$turado$ !
“Lula faz vista grossa para evitar briga com centrão”
(Coluna CH, DP, 08/02/26
Contrariando boa parte do PT, sempre de olho em boquinhas no governo, Lula não vai exigir que partidos de centro, ainda que lancem candidatos ao Planalto, desocupem os cargos que ocupam na administração federal. É o caso, por exemplo, do PSD, de Gilberto Kassab, que já anunciou três pré-candidatos, e ocupa os ministérios Agricultura, com Carlos Fávaro; Minas e Energia, com Alexandre Silveira; e Pesca, com André de Paula.
O tempo cuida
Lula entende que nomes com projeção eleitoral sairão naturalmente e, em ano eleitoral, ações midiáticas são travadas pela legislação.
Na mesma
Progressistas e União Brasil também devem manter as boquinhas. Lula está de olho no apoio de governadores e parlamentares dos partidos.
Ramificações
Além dos sete ministérios, PP, União Brasil e PSD têm boquinhas na Caixa, Codevasf, DNIT, Sudene e mais de 140 cargos de confiança.
(Fonte: https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/desemprego-real-no-brasil-pode-chegar-a-166)
. . .”O IBGE, com base na PNAD Contínua, considera desempregado apenas quem está ativamente procurando trabalho nas últimas semanas.”. . .
“Desemprego real no Brasil pode chegar a 16,6%”
(Cláudio Humberto, Coluna CH, DP, 08/02/26)
Em análise sobre os dados pelo governo Lula (PT) sobre o desemprego, o professor e escritor David Gertner (*) destacou em artigo (**) para o Diário do Poder que a taxa real de desocupação não é os 5,1% anunciados pelas estatísticas do IBGE para 2025 e, sim, alarmantes 16,6%. A discrepância, mostra o Gertner, é pela exclusão sistemática de milhões de pessoas que, sem emprego, não são consideradas desempregadas. Com isso, subestima-se a real extensão dos excluídos no mercado de trabalho.
Assim é se lhe parece
O IBGE, com base na PNAD Contínua, considera desempregado apenas quem está ativamente procurando trabalho nas últimas semanas.
Desalentados invisíveis
Gertner destaca que a metodologia ignora os “desalentados”, por exemplo, que desistiram de buscar emprego por falta de oportunidades.
Milhões deletados
O IBGE petista criou ilusão de prosperidade, tirando subocupados, com jornada menor, e beneficiários de programas sociais como Bolsa Família.
Desemprego elevado
Os cálculos de Gertner incluem milhões de brasileiros ignorados pelo IBGE, por isso, a taxa de desemprego real salta para 16,6%.
(Fonte: https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/desemprego-real-no-brasil-pode-chegar-a-166)
(*) David Gertner, Ph.D. – Nascido no Brasil e radicado há mais de trinta anos nos Estados Unidos, é professor aposentado e Ph.D. pela Northwestern University. Escritor e ensaísta, dedica-se a refletir sobre economia, ética, política, tecnologia e a condição humana. É autor de IA e Eu: A Inesperada Jornada de Liora e David, disponível na Amazon. Dois novos livros têm lançamento previsto para 2026.
(**) “5,1% ou 16,6%? O desemprego que o Brasil não quer enxergar”
– O que fica fora da conta oficial e por que isso distorce o debate econômico.
+em: https://diariodopoder.com.br/opiniao/51-ou-166-o-desemprego-que-o-brasil-nao-quer-enxergar
. . .”Quando membros da mais alta Corte se envolvem em comportamentos que confundem o papel institucional com preferências pessoais, protagonismo político ou disputas públicas, o que está em jogo não é apenas a imagem do tribunal, mas a própria confiança da população no sistema de justiça.”. . .
“Ética de todos”
(Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade, Blog do Ari Cunha, CB, 08/02/26)
Os dicionários costumam definir a ética como um ramo da filosofia que estuda e analisa os fundamentos da moral, bem como os princípios que orientam e dão sentido ao comportamento humano. Trata-se de uma definição correta, porém insuficiente para dar conta da dimensão prática e civilizatória que a ética representa. Afinal, sem princípios éticos minimamente compartilhados não pode haver civilização digna desse nome, tampouco paz social, harmonia coletiva ou relações humanas baseadas no respeito mútuo. A ética não é um ornamento teórico. Ela é o alicerce invisível que sustenta a vida em sociedade.
Sob essa perspectiva, toda conduta humana considerada justa e correta precisa, necessariamente, estar ancorada em princípios éticos. A ética não se submete a modismos, conveniências políticas ou circunstâncias históricas passageiras. Ao contrário, ela tem caráter universal, pois diz respeito às relações humanas sadias em qualquer tempo e lugar. Onde a ética se enfraquece, a dignidade humana passa a ser relativizada e o indivíduo deixa de ser reconhecido como sujeito de direitos para tornar-se objeto, instrumento ou meio, uma verdadeira coisificação do ser humano. É justamente por isso que a ética se torna ainda mais imprescindível no campo da política e da gestão da coisa pública. Se todo cidadão deve pautar sua conduta por princípios éticos, espera-se que homens e mulheres investidos de funções públicas, especialmente aqueles que exercem poder decisório, estejam submetidos a um grau ainda mais elevado de responsabilidade moral. O poder público, por sua própria natureza, exige não apenas legalidade, mas legitimidade ética.
Nesse contexto, causa profunda inquietação o fato de que a mais alta Corte do país tenha passado a discutir, recentemente, princípios mínimos de ética interna. Quando uma instituição dessa magnitude se vê obrigada a debater regras básicas de conduta entre os próprios membros, o sinal que emite à sociedade é inequívoco: algo deixou de ser observado ao longo do caminho. Não se trata de um avanço espontâneo da consciência institucional, mas de uma reação tardia a um processo de desgaste público e perda de credibilidade. É possível que o clamor popular, amplificado pelas redes sociais, pela imprensa e pelo crescente sentimento de indignação coletiva, tenha servido como catalisador dessa nova postura. A sociedade brasileira, cansada de escândalos, contradições e decisões que parecem desconectadas do senso comum de justiça, passou a exigir maior coerência ética das instituições que deveriam zelar pela Constituição e pelo Estado de Direito. No entanto, reconhecer essa pressão não significa ignorar o caráter superficial das medidas que vêm sendo propostas ou debatidas. O que se tem visto, até agora, tanto nas discussões quanto nos gestos subsequentes, aponta mais para um simulacro de ética do que para a ética em seu sentido pleno. Um placebo institucional, destinado a acalmar os ânimos e oferecer uma aparência de correção, sem enfrentar as causas profundas do problema. Ética não se resolve com discursos protocolares, códigos genéricos ou declarações de boas intenções. Ela se manifesta na prática cotidiana, na coerência entre palavras e ações, na disposição de submeter o próprio poder a limites morais claros.
Quando membros da mais alta Corte se envolvem em comportamentos que confundem o papel institucional com preferências pessoais, protagonismo político ou disputas públicas, o que está em jogo não é apenas a imagem do tribunal, mas a própria confiança da população no sistema de justiça. A ética exige discrição, imparcialidade, autocontenção e, sobretudo, respeito ao papel que a Constituição atribui a cada instituição. Sem isso, a linha que separa justiça e arbitrariedade torna-se perigosamente tênue. É preciso dizer, com franqueza, que ainda estamos longe de um cenário em que essa Corte aceite, de forma plena e inequívoca, os ditames da ética conforme deseja a grande maioria do povo brasileiro. A distância entre o discurso institucional e a percepção social permanece grande. Enquanto decisões continuam a ser interpretadas como seletivas, contraditórias ou excessivamente personalistas, qualquer tentativa de resgatar a credibilidade ética soará incompleta. A ética verdadeira exige renúncia. Renúncia ao excesso de exposição, à tentação do poder sem freios, à vaidade que, frequentemente, acompanha cargos elevados. Exige, também, humildade institucional para reconhecer erros e corrigi-los sem subterfúgios. Não se trata de atender a pressões momentâneas, mas de compreender que a legitimidade de uma Corte constitucional não deriva apenas da letra da lei, mas da confiança moral que inspira na sociedade.
Ao viver uma crise profunda de referências éticas, essa ética não será superada enquanto suas principais instituições não assumirem, de forma clara e inequívoca, o compromisso com princípios que transcendam interesses individuais ou corporativos neste país. A ética não pode ser negociável, relativizada ou instrumentalizada conforme as conveniências do momento. Ela deve ser o norte permanente da vida pública. A ética pela qual o país clama não é cosmética; é estrutural. E sem ela não há justiça que se sustente.
A frase que foi pronunciada:
“Você parece considerar os juízes como os árbitros finais de todas as questões constitucionais; uma doutrina realmente muito perigosa, que nos colocaria sob o despotismo de uma oligarquia.”
(Thomas Jefferson (*)
(Fonte: https://blogs.correiobraziliense.com.br/aricunha/etica-de-todos/)
(*) https://pt.wikipedia.org/wiki/Thomas_Jefferson
Portanto, a chance de renovação
é praticamente zero!
“‘Publi’ oficial: para alavancar ações, governos bancam postagens de influenciadores e consolidam nova tática digital”
– Com estilo próprio, criadores de conteúdo usam de humor e ironia para divulgação de ações usadas como vitrines das administrações.
(Por Hyndara Freitas e Samuel Lima — São Paulo, O globo, 08/02/26)
Em ano eleitoral, o governo federal tem apostado estrategicamente em influenciadores conhecidos nas redes sociais para divulgar ações, serviços públicos e programas-vitrine do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Esse movimento não é isolado: ele se repete com frequência nos perfis oficiais de gestões estaduais e prefeituras pelo país, consolidando uma nova era da publicidade institucional, sob alertas de especialistas pela falta de transparência e regulação.
Somente em janeiro, foram contabilizados 21 vídeos publicitários com criadores de conteúdo no perfil Gov.BR no Instagram — às vezes, com mais de uma publicação por dia. A estratégia começou a ganhar tração em agosto do ano passado. De lá para cá, ao menos 42 influenciadores contribuíram para as páginas do governo, muitos deles com participações recorrentes. Entre os temas mais divulgados estão as mudanças no Imposto de Renda e o programa Luz do Povo.
O investimento digital é a marca da condução de Sidônio Palmeira à frente da Secretaria de Comunicação Social (Secom). Sob seu comando, o orçamento para publicidade na internet recebeu reforços robustos: entre 2024 e 2025, houve um acréscimo de 200% nos gastos, atingindo um total de R$ 144 milhões, montante que considera todos os anúncios e as ações publicitárias na internet.
A tendência, porém, é que a cifra esteja subestimada, uma vez que representa apenas o quanto a pasta gastou para veicular peças e anúncios, o que deixa fora da conta os custos de produção e cachês, por exemplo. Em termos comparativos, em 2025, os gastos na esfera digital representaram 27,1% do total de publicidade do governo, um salto considerável frente aos 11,5% registrados em 2024, quando foram investidos R$ 47 milhões.
Ironia e humor
As publicações geralmente mimetizam o estilo já característico dos criadores de conteúdo. Em alguns casos, a abordagem tem ironia e humor; em outros, o governo opta por influenciadores que já têm histórico de debate sobre questões sociais, como Gleisi Damasceno, que produziu conteúdos didáticos sobre o Imposto de Renda e o programa Reforma Casa Brasil.
Rodrigo Góes, que acumula mais de dois milhões de seguidores no Instagram e tornou-se um fenômeno ao avaliar o físico de celebridades, defende que a contratação de influenciadores pelo poder público é um movimento “natural e cada vez mais consolidado”. Para ele, esses profissionais “conseguem traduzir mensagens importantes de forma acessível”. Góes colaborou com o Ministério da Saúde para incentivar a vacinação, utilizando seu bordão clássico para avaliar o “shape” do Zé Gotinha.
— No caso de saúde pública, vacinação e prevenção, não enxergo como pauta política, mas como pauta de interesse coletivo e segurança nacional. São temas que ultrapassam governos e ideologias. Avalio sempre se a mensagem é responsável, baseada em evidências e se gera benefício real para a população — afirma o influenciador ao GLOBO.
Apesar de as postagens serem sinalizadas com hashtags de publicidade, os valores exatos recebidos por cada influenciador permanecem sob sigilo. Isso ocorre porque a contratação é feita por meio de agências de publicidade que prestam serviço ao poder público. Questionada sobre cachês e critérios de escolha, a Secom não deu detalhes.
Em nota, a Secom justificou que “a participação de influenciadores e de produtores de conteúdo na elaboração de campanhas do governo do Brasil reflete os novos hábitos dos brasileiros na hora de buscar informações, com aumento marcante do tempo dedicado à navegação nas redes sociais”. A pasta reforçou que a ação está em conformidade com a legislação e que a remuneração é gerida por agências licitadas, sem contato direto entre governo e contratados.
Material escolar e obras
A estratégia está longe de ser exclusividade do Planalto e se espalha por governos estaduais e prefeituras, com foco em criadores de conteúdo locais. O governo do Rio Grande do Sul, por exemplo, contratou criadores para mostrar os novos materiais escolares da rede pública, em um período no qual o orçamento da Secom estadual cresceu 41% entre 2025 e 2026. Em Minas Gerais, o destaque foi Jonas Camilo, a Barbie das Obras, que apresentou o projeto da Linha 2 do Metrô de Belo Horizonte de forma irreverente:
— As obras aqui “tão” babado, tá? São mais de dez quilômetros de extensão — diz o influenciador no vídeo, enquanto lixa as unhas nos trilhos do trem.
Em São Paulo, o governo estadual realizou ações sobre o Programa Bolsa Estágio, a Defesa Civil e ações de proteção à mulher. Pâmela Costa, do perfil Casa da Pam, com mais de 600 mil seguidores, detalhou sua motivação para participar da campanha SP por Todas:
— Acho uma ótima forma de se comunicar com a população de maneira mais “informal” e direta, com pessoas nas quais eles acreditam e acompanham diariamente. No caso dessa ação, usei uma experiência pessoal para tratar do assunto. Vi a realidade do relacionamento abusivo da minha mãe e trouxe isso no conteúdo.
Mesmo com o orçamento da Secom-SP reduzido de R$ 342 milhões, em 2025, para R$ 212 milhões este ano, o governo paulista reforçou sua estratégia digital. Um contrato de R$ 19 milhões foi firmado para gerir redes sociais, monitorar temas de interesse e mapear influenciadores.
Em nível municipal, Salvador faz uso frequente de produtores de conteúdo para divulgar o turismo e a orla, com um incremento orçamentário na comunicação que saltou de R$ 85 milhões para R$ 112 milhões entre 2025 e 2026. São Paulo e Recife também seguem a trilha, focando em eventos como o carnaval ou ações de saúde pública.
Falta de transparência
O crescimento do setor gera debates sobre a precificação e a qualidade da informação. Sem uma tabela de preços oficial, cada influenciador cobra conforme seu alcance e o cliente. Tatiane Medeiros, da agência Side, observa o fenômeno com cautela:
— A comunicação pública tem um papel informativo muito claro e, quando passa a seguir a lógica do engajamento, corre o risco de perder profundidade e credibilidade, especialmente quando falamos de criadores não especializados nas respectivas pautas.
Por outro lado, há esferas que exploram encontros não remunerados. Recentemente, 20 influenciadores visitaram as obras da transposição do Rio São Francisco na Paraíba a convite do governo federal. Thulyo do Vale, um dos participantes, afirmou que a experiência foi informativa e que virou conteúdo posteriormente, de maneira orgânica:
— A gente passou por três locais onde a transposição está acontecendo, eles explicaram como a obra funcionava, falaram das fake news sobre o projeto. E a gente estava livre para fazer o que a gente achasse de bom tom nas nossas redes sociais, a gente não foi convidado com a determinação de “vocês têm criar conteúdo”.
Marcelo Vitorino, professor de marketing político da ESPM, critica tal ecossistema:
— Há uma lacuna de regulação e transparência. Como os influenciadores são subcontratados, não aparece no portal de transparência quanto ganharam nem para quê.
A preocupação aumenta com a proximidade das eleições. Embora a Lei das Eleições proíba a propaganda paga na internet durante a campanha (exceto impulsionamento oficial), Vitorino alerta para o “efeito residual”:
— A lei eleitoral não pode proibir o influenciador, de livre e espontânea vontade, de se manifestar em favor de um candidato. Mas se um governo passa anos investindo em determinados influenciadores, no período eleitoral será natural que ele faça campanha para o político de quem recebeu.
O governo de São Paulo afirmou que a seleção de criadores “considera aderência ao tema, público-alvo, alcance e conteúdo, sempre respeitando o princípio da impessoalidade” e que o valor pago “varia conforme perfil e tamanho da página correspondente”, e os preços são definidos pelos fornecedores e solicitados a partir de cotações realizadas em cada campanha. Os demais citados não responderam.
(Fonte: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/02/08/publi-oficial-para-alavancar-acoes-governos-bancam-postagens-de-influenciadores-e-consolidam-nova-tatica-digital.ghtml)
Sacaram?
“Apesar de as postagens serem sinalizadas com hashtags de publicidade, os valores exatos recebidos por cada influenciador permanecem sob sigilo.”
(*) E em algum dia,
por alguns segundos,
lula posuiu ética?
“Samba-exaltação a Lula é nítida propaganda indevida”
– O desfile da Acadêmicos de Niterói pode não influir no resultado da eleição, mas exibe a desigualdade de armas na campanha.
– O presidente atropela regras sem ser impedido, mas isso não evita que seja um infrator do código de ética da vida real.
(Dora Kramer, FSP, 07/02/26)
Não serão os 80 minutos de desfile da Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí (*), no domingo de Carnaval, que garantirão a Luiz Lula Inácio da Silva (PT) um quarto mandato de presidente. O filme “Lula, o Filho do Brasil”, de 2009, tampouco foi o responsável pela vitória com Dilma Rousseff no ano seguinte.
Os dois episódios, no entanto, escancaram o uso de manifestações culturais na construção de mitologias políticas com fins eleitorais. É velha conhecida a ideia do PT de obter hegemonia em todas as áreas da vida nacional.
Quem falou pela primeira vez sobre o plano de dominação foi José Genoino (**) — prócer petista da época— no início de 2003. Ao longo daquele ano outras pessoas diriam o mesmo, com a impertinência dos vencedores.
De lá para cá, o Brasil passou por escândalos que resultaram no aperfeiçoamento dos instrumentos de controle de abusos de poder, mas o país segue desatento e algo leniente diante de desacatos quando cometidos no mais alto escalão.
Jair Bolsonaro (PL) precisou extrapolar e reincidir até perder o poder e a liberdade. Ainda assim, quase ganhou a reeleição e talvez não estivesse preso se tivesse enfrentado policiais, procuradores e juízes condescendentes.
Há no Brasil um sentimento difuso de que certas regalias são permitidas a presidentes, e há um certo pudor em apontá-las até que ultrapassem os limites devidos à reverência ao posto. Isso em nome do respeito à legitimidade conferida pelas urnas.
Prerrogativa que não fornece salvo-conduto a infrações ilimitadas. Nem a mentiras, como a que contou Lula na quinta-feira (5) em entrevista ao UOL.
Disse que só assumiria candidatura nos 45 dias regulamentares de campanha.
“Até lá, serei apenas presidente”, afirmou em desinibida agressão às evidências do uso cotidiano do cargo na difusão da própria candidatura.
Lula afronta regras e consegue não ser admoestado devido à complacência que protege o mito. Mas não pode esconder o fato de que isso faz dele um transgressor do código de ética da vida real.
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/dora-kramer/2026/02/samba-exaltacao-a-lula-e-nitida-propaganda-indevida.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newscolunista)
(*) https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/02/enredo-sobre-lula-atrai-desde-estreantes-no-carnaval-a-idosos-que-nao-pisam-na-sapucai-ha-decadas.shtml
(**) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painel/2025/12/genoino-descarta-se-candidatar-em-2026-e-diz-que-seu-lugar-e-nas-ruas.shtml
“Hitchcock a lápis”
– Ele era dos poucos cineastas que tiravam seus filmes de minuciosos storyboards.
– Para Hitchcock, se o storyboard fosse perfeito, nem era preciso olhar pela câmera para filmar.
(Ruy Castro, FSP, 07/02/26)
Tenho escrito muito sobre Alfred Hitchcock neste espaço (1). Os americanos, ingleses, franceses e italianos, em seus respectivos espaços, também. E não se limitam a artigos em jornais e revistas. Morto desde 1980, Hitchcock é o cineasta mais estudado da história. Já são quase 200 livros a seu respeito (em francês, mais de 100), incluindo biografias, entrevistas, filmografias, making-ofs, memórias de colaboradores e ensaios sobre desde sua preferência pelas louras até o surpreendente fundo religioso —católico— de seus filmes.
É uma admiração justa. Incrível foi o menosprezo com que a crítica americana o tratou até os anos 1970. Considerava-o um brincalhão, um manipulador de plateias, raso e comercial —para ela, os diretores sérios, dos grandes temas, eram William Wyler, George Stevens, Fred Zinnemann (2), Elia Kazan. Mas, 20 anos antes, os franceses e até os brasileiros já viam em Hitchcock o que os americanos só passaram a enxergar muito depois. Hoje, naturalmente, Hitch é deles e ninguém tasca.
Um dos livros mais recentes, “Alfred Hitchcock Storyboards”, de Tony Lee Moral, revela a técnica de que Hitchcock se valeu como ninguém: o storyboard, ou seja, a adaptação do roteiro em sequências de desenhos para orientar as etapas da filmagem, como cenografia, direção de atores, iluminação, angulação, filmagem propriamente dita, efeitos especiais, corte e montagem. Não era uma prática comum entre diretores.
Para Hitchcock, o storyboard representava a própria criação do filme, a ponto de, ao rodar uma cena, ele nem precisar espiar pela câmara —já sabia como a cena sairia. O livro traz fartos exemplos dos storyboards criados para “A Sombra de uma Dúvida” (3), “Interlúdio”, “Um Corpo Que Cai” (4), “Intriga Internacional”, “Psicose”, “Os Pássaros” etc. Por eles, ficamos sabendo da arte (5) de Oscar Werndordf, Dorothea Holt, Henry Bumstead, Robert Boyle, Saul Bass e outros de seus desenhistas, autores dos storyboards.
Os lápis estavam nas mãos deles. Mas o que ia para o papel saía da cabeça de Hitchcock.
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2026/02/hitchcock-a-lapis.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newscolunista
(1) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2025/10/hitchcock-enciclopedico.shtml
(2) https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq170315.htm
(3) https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1411200726.htm
(4) https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2018/05/um-corpo-que-cai-de-hitchcock-completa-60-anos.shtml
(5) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/arte/
O paraiso da corja vermelha PeTezuelana está definhando?
“Cuba fecha hotéis e realoca turistas diante de crise energética”
– Medida busca reduzir consumo de energia e enfrentar escassez de combustível em meio a apagões.
(Redação O Antagonista, 07/02/26)
A ditadura de Cuba iniciou o fechamento de hotéis na ilha e transferiu turistas para outras unidades como parte de medidas para enfrentar a grave crise energética e a escassez de combustível.
Segundo o vice-primeiro-ministro Oscar Pérez-Oliva Fraga, “se desenhou um plano no turismo para reduzir os consumos energéticos, compactar as instalações turísticas e aproveitar a temporada alta que decorre neste momento no país”.
Os hotéis afetados estão principalmente em Varadero e no norte da ilha, incluindo unidades de redes como Meliá, Iberostar e Blue Diamond.
O turismo cubano, tradicional motor da economia, registrou em 2025 o pior ano desde 2002, com 1,8 milhão de visitantes internacionais, ante 4,7 milhões em 2018.
Crise energética
O país enfrenta apagões desde o final de 2024, com eletricidade produzida em quantidade insuficiente para atender à demanda.
O ditador Miguel Díaz-Canel afirmou que o plano anticrise se inspira nas estratégias do “Período Especial” dos anos 1990, incluindo racionamento extremo, autosuficiência e adaptações aulas semipresenciais.
Além da falta de combustível, Cuba sofre com escassez de alimentos e medicamentos, colapso do turismo pós-pandemia e grande êxodo populacional.
À beira do colapso
A pressão econômica sobre Cuba aumentou com um decreto assinado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, na última quinta. O documento prevê tarifas adicionais para países que comercializem petróleo com a ilha, sob alegação de proteger a segurança nacional americana.
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A ditadura de Cuba iniciou o fechamento de hotéis na ilha e transferiu turistas para outras unidades como parte de medidas para enfrentar a grave crise energética e a escassez de combustível.
Segundo o vice-primeiro-ministro Oscar Pérez-Oliva Fraga, “se desenhou um plano no turismo para reduzir os consumos energéticos, compactar as instalações turísticas e aproveitar a temporada alta que decorre neste momento no país”.
Os hotéis afetados estão principalmente em Varadero e no norte da ilha, incluindo unidades de redes como Meliá, Iberostar e Blue Diamond.
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O turismo cubano, tradicional motor da economia, registrou em 2025 o pior ano desde 2002, com 1,8 milhão de visitantes internacionais, ante 4,7 milhões em 2018.
Crise energética
O país enfrenta apagões desde o final de 2024, com eletricidade produzida em quantidade insuficiente para atender à demanda.
O ditador Miguel Díaz-Canel afirmou que o plano anticrise se inspira nas estratégias do “Período Especial” dos anos 1990, incluindo racionamento extremo, autosuficiência e adaptações aulas semipresenciais.
Além da falta de combustível, Cuba sofre com escassez de alimentos e medicamentos, colapso do turismo pós-pandemia e grande êxodo populacional.
Leia também: “Cuba está disposta a dialogar com os EUA”, diz ditador
À beira do colapso
A pressão econômica sobre Cuba aumentou com um decreto assinado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, na última quinta. O documento prevê tarifas adicionais para países que comercializem petróleo com a ilha, sob alegação de proteger a segurança nacional americana.
Díaz-Canel chamou Washington de “governo imperial” e disse que as medidas provocaram “desabastecimento agudo de combustível” no país. A
A situação se agrava com o inverno rigoroso. Havana registrou temperatura histórica de 0°C, aumentando a demanda por energia em um momento de escassez de combustível para as termelétricas.
(Fonte: https://oantagonista.com.br/mundo/cuba-fecha-hoteis-e-realoca-turistas-diante-de-crise-energetica/)
Será que foi por isso que o “caxinguelê do PeTê” pediu à corja que ajudasse CUba?
“Lula defende que PT ajude Cuba e critica os EUA”
– Em aniversário do partido, presidente afirma que país caribenho é alvo de “massacre de especulação” dos norte-americanos.
+em: https://www.poder360.com.br/poder-governo/lula-defende-que-pt-ajude-cuba-e-critica-os-eua/
Bom. . . com a dinheirama que a quadrilha já amealhou dos pornográficos fundos eleitoral e partidário, fora os por fora. . .
Ooops. . .replitruncadamente!
Matutando sobre a charge. . .
Pelo que temos “visto, lido e ouvido”:
“Dê o poder ao homem, e descobrirá quem ele realmente é.”
(Maquiavel(*)
(*) https://pt.wikipedia.org/wiki/Nicolau_Maquiavel