Uma sucessão de erros previsíveis e nada contrariou as lógicas dos erros e do sistema
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ANOTAÇÕES DE MIGUEL TEIXEIRA CCCCX
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Um espaço plural para debater as obscuridades e incoerências dos políticos, bem como à incompetência combinada com sacanagens dos gestores públicos com os nossos pesados impostos.
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65 comentários em “ANOTAÇÕES DE MIGUEL TEIXEIRA CCCCX”
Ler faz a cabeça!
“Livros da semana: a crítica de ‘Feito bestas’, de Violaine Bérot, e MC Martina lança seu segundo livro”
– Semana tem ainda lançamentos da obra do filósofo jesuíta Baltasar Gracián, admirado por Nietzsche e Schopenhauer, e de livro sobre o artista paraense Emmanuel Nassar.
(Por O GLOBO — Rio de Janeiro, 29/11/25)
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“O destaque da semana é “Feito bestas”, de Violaine Bérot, descrito como um “conto de fadas noir” pela escritora Mariana Enriquez. A crítica de Mateus Baldi elogia seu suspense e análise social. MC Martina lança “Entre o banzo e a bala”, explorando o cotidiano psíquico de uma pessoa favelada preta. Lançamentos incluem obras de Baltasar Gracián e Emmanuel Nassar. Dan Brown e Clarice Lispector lideram ficção nos mais vendidos.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/cultura/livros/noticia/2025/11/29/livros-da-semana-a-critica-de-feito-bestas-de-violaine-berot-e-mc-martina-lanca-seu-segundo-livro.ghtml
“Centrão saliva pelo ‘xerife dos mercados’”
(Por Rennan Setti, O Globo, 29/11/25)
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“A diretoria da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está com duas vagas e a presidência interina, despertando o interesse do Centrão por essas posições. Observadores apontam uma pressão inédita sobre o governo para nomeações apoiadas por deputados. A presidência é a mais disputada, com até ministros do STF sugerindo nomes, como Otto Lobo, que conta com a simpatia de figuras como Luiz Fux.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/blogs/capital/post/2025/11/centrao-saliva-pelo-xerife-dos-mercados.ghtml
Pois é. . .
A geringonça cada vez mais “se-assemelha-ae” a uma cópula de sucuris:
https://www.youtube.com/watch?v=S7ysPnwLxm8
“. . .quem sabe faz a hora. . .” (*)
“Papa Leão XIV tira os sapatos em sinal de respeito ao visitar famosa mesquita na Turquia durante sua 1ª viagem internacional”
– Mesquita Azul de Istambul é o primeiro local de culto muçulmano que Pontífice visita desde que assumiu o cargo, dando continuidade aos passos de Bento XVI e Francisco.
(Por AFP — Istambul, Turquia, O Globo, 29/11/25)
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“Durante sua primeira viagem internacional, o Papa Leão XIV visitou a Mesquita Azul em Istambul, um marco de respeito e continuidade aos predecessores Bento XVI e Francisco. Tirando os sapatos, como é costume, o Papa explorou o local acompanhado por dignitários muçulmanos. O gesto simboliza um esforço por paz e unidade inter-religiosa. Em encontros prévios com líderes turcos, Leão XIV destacou a mediação em conflitos globais.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2025/11/29/papa-leao-xiv-tira-os-sapatos-em-sinal-de-respeito-ao-visitar-famosa-mesquita-na-turquia-durante-sua-1a-viagem-internacional.ghtml
(*) Geraldo Vandré, ao vivo, no Maracanãzinho em 1968:
https://www.youtube.com/watch?v=wkEGNgib2Yw
Lá como cá:
. . .”mas governo não tomou medidas concretas”!
“Autoridades foram alertadas sobre violações de segurança mais de um ano antes do incêndio em Hong Kong”
– Moradores dos apartamentos Wang Fuk Court manifestaram preocupações sobre os painéis de espuma inflamáveis e as redes de andaimes, mas governo não tomou medidas concretas.
(Por Amy Chang Chien, Selam Gebrekidan e Joy Dong, Em The New York Times — Hong Kong, O Globo, 29/11/25)
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“Mais de um ano antes de um incêndio devastar o complexo Wang Fuk Court em Hong Kong, moradores alertaram autoridades sobre materiais inflamáveis usados na reforma. O incêndio recente resultou em 128 mortes e 78 feridos. O Departamento do Trabalho foi criticado por ignorar preocupações de segurança, apesar de várias inspeções. A tragédia levantou questões sobre negligência e segurança em construções na cidade.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2025/11/29/autoridades-foram-alertadas-sobre-violacoes-de-seguranca-mais-de-um-ano-antes-do-incendio-em-hong-kong.ghtml
Maduro em fogo brando?
Quem será o próximo?
“Interferência GPS na Venezuela aumenta em meio à atividade militar dos EUA no Caribe”
– Presença do porta-aviões americano coincide com aumento de bloqueios de sinal e desvio de rotas.
(Por Krishna Karra, Em Bloomberg — Caracas, O Globo, 29/11/25)
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“A interferência de GPS na Venezuela aumentou significativamente, coincidindo com a presença militar dos EUA no Caribe. Desde a chegada do porta-aviões USS Gerald R. Ford, bloqueios de sinal impactaram voos comerciais, forçando desvios. As tensões regionais, exacerbadas por operações antidrogas dos EUA, colocaram o Exército venezuelano em alerta máximo, destacando a complexidade da situação geopolítica e os riscos para a navegação aérea.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2025/11/29/interferencia-gps-na-venezuela-aumenta-em-meio-a-atividade-militar-dos-eua-no-caribe.ghtml
“Autodeclaração e aumento das possibilidades de dispensa: veja as prioridades do governo ao judicializar o licenciamento”
– Itens já tinham a inconstitucionalidade atestada quando o projeto de lei chegou ao Senado, em maio.
(Por Lucas Altino — Rio de Janeiro, O Globo, 29/11/25)
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“O governo federal planeja judicializar a questão do Licenciamento Ambiental após o Congresso derrubar vetos de Lula, segundo a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. As preocupações centram-se em licenças autodeclaratórias para projetos de médio impacto e na transformação de órgãos como Funai e Iphan em apenas consultivos. ONGs e parlamentares também consideram a medida inconstitucional e perigosa para a segurança ambiental e jurídica.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/brasil/meio-ambiente/noticia/2025/11/29/autodeclaracao-e-aumento-das-possibilidades-de-dispensa-veja-as-prioridades-do-governo-ao-judicializar-o-licenciamento.ghtml
“Licenciamento: 90% dos projetos autorizados por estados e municípios podem virar autodeclaratórios com nova lei”
– Trecho havia sido vetado por Lula, em agosto, mas o Congresso devolveu o dispositivo ao texto após derrubar o veto na última quinta-feira.
(Por Lucas Altino e Luis Felipe Azevedo — Rio de Janeiro, O Globo, 29/11/25)
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“O presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, alerta que 90% dos empreendimentos licenciados são de médio impacto e poderão receber licenças autodeclaratórias, conforme a nova Lei de Licenciamento Ambiental. Essa mudança, vetada por Lula mas restaurada pelo Congresso, preocupa especialistas como Marina Silva e Suely Araújo, que temem um enfraquecimento das políticas ambientais e impactos negativos para comunidades indígenas e quilombolas.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/brasil/meio-ambiente/noticia/2025/11/29/licenciamento-90percent-dos-projetos-autorizados-por-estados-e-municipios-podem-virar-autodeclaratorios-com-nova-lei.ghtml
Como diria o “Manézinho da Ilha”:
“essa gente são fogo”!
E como será que se diria em “cearês”?
“Dino aponta ‘indícios robustos’ de desvios de emendas e superfaturamento em obras do Dnocs no Ceará”
– Fiscais do órgão público são suspeitos de omissão em esquema, que usou fotos falsas de empreendimentos não entregues.
(Por Daniel Gullino — Brasília, O Globo, 28/11/25)
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“O ministro do STF, Flávio Dino, destacou “indícios robustos” de desvio de emendas e superfaturamento em obras do Dnocs no Ceará, levando à operação da PF. A investigação, iniciada após auditorias da CGU, revelou fraudes como uso de fotos falsas para simular obras não realizadas. A Construmaster e fiscais do Dnocs são suspeitos de conluio. Não houve prisões, mas houve quebra de sigilo bancário de sócios.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/28/dino-aponta-indicios-robustos-de-desvios-de-emendas-e-superfaturamento-em-obras-do-dnocs-no-ceara.ghtml
Como se o derrotado fosse apenas o governo
do lula decaído, janja calamidade & a$$ociado$!
“Após derrubar vetos de Lula, Congresso prepara novas derrotas ao governo na área indigenista e de segurança”
– Líderes da oposição e partidos de centro passaram a articular, em diferentes comissões, a retomada de assuntos nos quais o Executivo tem dificuldade para fazer valer sua vontade.
(Por Camila Turtelli e Sérgio Roxo — Brasília, O Globo, 29/11/25)
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“O Congresso brasileiro, em meio a tensões com o governo de Lula, articula novas votações que podem resultar em derrotas para o Executivo nas áreas indigenista e de segurança. A Proposta de Emenda à Constituição que estabelece marco temporal para a demarcação de terras indígenas e a PEC da Segurança Pública são os focos principais. O clima de crise abre espaço para a oposição avançar com pautas como a anistia para Bolsonaro.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/29/apos-derrubar-vetos-de-lula-congresso-prepara-novas-derrotas-ao-governo-na-area-indigenista-e-de-seguranca.ghtml
“Veja onde estão todos os condenados da trama golpista após PGR recomendar prisão domiciliar para Heleno”
– ‘Papudinha’, sede da Polícia Federal e Estação de Rádio da Marinha acolhem alguns Bolsonaro e militares envolvidos nos crimes.
(Por Sarah Teófilo e Daniel Gullino — Brasília, O Globo, 29/11/25)
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“A Procuradoria-Geral da República recomendou prisão domiciliar para o general Augusto Heleno, de 78 anos, condenado a 21 anos por envolvimento em trama golpista, devido ao diagnóstico de Alzheimer. Heleno está no Comando Militar do Planalto, em Brasília. Outros condenados, como Jair Bolsonaro e Anderson Torres, estão em locais específicos, enquanto Mauro Cid cumpre regime aberto e Alexandre Ramagem é foragido.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/29/veja-onde-estao-todos-os-condenados-da-trama-golpista-apos-pgr-recomendar-prisao-domiciliar-para-heleno.ghtml
As pelegorias fazendo o que sabem,
quando não estou roubando:
infernizando a vida dos trabalhadores!
“Trabalhadores enfrentam fila em sindicato para evitar desconto”
– Imagens foram registradas em Osasco, na Grande SP; contribuição assistencial foi autorizada pelo STF em 2023…
(Poder360, 29/11/25)
Trabalhadores formaram filas para não pagar taxa de contribuição assistencial (*) na porta do Sindicado dos Metalúrgicos de Osasco, em São Paulo. O tempo de espera na fila foi de até 4 horas, segundo informações da Band (**). As imagens foram registradas pela emissora em 19 de novembro.
”É praticamente um descaso para cada um aqui que quando não é sol é chuva e quando não é chuva é frio e a gente poderia estar evitando esse momento aqui, poderia estar fazendo tudo digital como é a tecnologia hoje”, afirmou um profissional entrevistado pela reportagem da Band.
Como funciona a contribuição assistencial:
. . .
+em: https://www.poder360.com.br/poder-economia/trabalhadores-enfrentam-fila-em-sindicato-para-evitar-desconto/
(*) “Leia a íntegra da decisão do STF sobre a “contribuição assistencial””
– Corte divulgou o acórdão que determina a constitucionalidade da cobrança da taxa, inclusive para não sindicalizados.
+em: https://www.poder360.com.br/justica/leia-a-integra-da-decisao-do-stf-sobre-a-contribuicao-assistencial/
(**) https://www.youtube.com/live/qEX29xoLoDU?t=2245s
E o seu ex presidente?
– Relinchando de faceiro com a “quarentena” (*) que lhe foi imposta,
para poder churrasquear aLULAdamente,
como “soluções que aproximam”!
“Sob Lula, Correios acumulam prejuízo de R$ 6 bilhões em 2025”
– Rombo no acumulado de janeiro a setembro é mais que o dobro do registrado em todo o ano de 2024, de R$ 2,6 bilhões…
(Houldine Nascimento, Poder360, 28/11/25)
Os Correios registram prejuízo de R$ 6,1 bilhões no acumulado de janeiro a setembro de 2025. É quase 3 vezes maior do que o apresentado no mesmo período de 2024 (perda de R$ 2,1 bilhões) e mais que o dobro do rombo de R$ 2,6 bilhões no ano passado.
A empresa divulgou as demonstrações contábeis (**) do 3º trimestre nesta 6ª feira (28.nov.2025).
. . .
+em: https://www.poder360.com.br/poder-economia/sob-lula-correios-acumulam-prejuizo-de-r-6-bilhoes-em-2025/
(*) https://www.metropoles.com/colunas/tacio-lorran/correios-ex-presidente-vai-ganhar-r-319-mil-apos-pedir-demissao
(**) Leia a íntegra (PDF – 1 MB) do documento:
https://static.poder360.com.br/2025/11/Correios-demonstracoes-contabeis-3-tri-2025.pdf
Folha 105 (022)
“Para Nelson Rodrigues, o homem sempre vai amar errado”
– Nesse quesito, somos tão analfabetos quanto pássaros, escreveu o dramaturgo.
– Artigo faz parte de seção que republica colunas de grande repercussão da história da Folha.
Desde Adão e Eva, o homem teve tempo de sobra para aprender a amar (1). Mas não aprendeu nada. Nelson Rodrigues (2) escreveu isso em crônica publicada na Folha em 1980, poucos dias antes de sua morte.
“Essa experiência amorosa, que vem através dos milênios, não nos adianta de nada, nem nos abriu os olhos”, disse o dramaturgo. “O homem, que sabe de tudo, nada sabe de amor.”
E foi mais longe: “Eu diria, se me permitem, que em amor o homem é tão analfabeto como um pássaro. Ou melhor: o pássaro tem, a seu favor, a vantagem do instinto puro, livre e clarividente”.
Nelson observava os namorados ao redor e via erros, equívocos. “Não encontramos a palavra justa, exata, perfeita; não nos ocorre o galanteio que o ser amado desejaria escutar.”
O amor exigia uma linguagem própria, um idioma específico. Mas não usamos essa linguagem. “As pessoas que menos entendem —como se falassem línguas diferentes— são as que se amam.”
Para o dramaturgo, o momento mais doce era o flerte. “Um simples olhar, de uma luz mais viva; um sorriso leve é quanto basta para que dois seres experimentem a esperança de uma comunhão docemente infinita.”
Mas depois vinha o namoro, e com ele as brigas, os atritos. “Se o homem soubesse amar não elevaria a voz nunca, jamais discutiria, jamais faria sofrer.”
Nelson concluiu com pessimismo e beleza: “O amor é um eterno recomeçar. Cada novo amor é como se fosse o primeiro e o último. E é por isso que o homem há de sofrer sempre até o fim do mundo — porque sempre há de amar errado”.
Leia a seguir o texto completo, parte da seção 105 Colunas de Grande Repercussão (3), que relembra crônicas que fizeram história na Folha. A iniciativa integra as comemorações dos 105 anos do jornal, em fevereiro de 2026.
Analfabetos do amor (20/12/1980)
1 — Amigos, temos uma vastíssima experiência amorosa. A história do coração humano começou, precisamente, em Adão e Eva. Era o primeiro casal de terra e com uma vantagem considerável: — Não tinha parentes, não tinha vizinhos, não tinha fornecedores. Alguém poderá objetar (talvez com razão) que a serpente fazia às vezes de sogra, de cunhada, de amiga etc.
2 — Mas o que eu queria dizer é o óbvio ululante, ou seja: — Com Adão e Eva houve o primeiro flerte, o primeiro namoro, o primeiro casamento. Eu ia acrescentar — e a primeira infidelidade. Mas trair com quem? Quero crer que Eva foi, talvez confusa, talvez afoita, uma mulher rigorosamente fiel. Eu imagino o que teria sido, num confortável paraíso, a noite de núpcias, a primeira noite do primeiro casal.
3 — Pois bem. Isso ocorreu há muito tempo. E eu vos digo: essa experiência amorosa, que vem através dos milênios, não nos adianta de nada, nem nos abriu os olhos. O homem, que sabe de tudo, nada sabe de amor. Eu diria, se me permitem, que em amor o homem é tão analfabeto como um pássaro. Ou melhor: o pássaro tem, a seu favor, a vantagem do instinto puro, livre e clarividente. Ao passo que cada um de nós carrega, nas costas, não sei quantos preconceitos, não sei quantos equívocos. Eis a verdade: Falta-nos a espontaneidade de uma cambaxirra. E vou mais longe — o nosso amor é triste.
4 — Olhem em torno. Vejam os namorados que conhecemos. Eles amam em alegria, sim, todo o mundo ama em alegria. Essa tristeza, inerente ao sentimento amoroso, decorre de que não sabemos amar. O homem mais sensível e lúcido é, diante do ser amado, um incerto ou, pior do que isso, um inepto. Ele não sabe o que dizer, o que fazer, o que pensar. O que nós chamamos “romance” é a soma de erros, de equívocos engraçadíssimos. Vejam: — não encontramos a palavra justa, exata, perfeita; não nos ocorre o galanteio que o ser amado desejaria escutar.
5 — E, no entanto, a partir de Adão e Eva, o homem já teve bastante tempo para aprender como gostar, como amar. O amor exige, entre dois seres, uma linguagem própria, um idioma específico. Mas não usamos essa linguagem ou parecemos não entender esse idioma. As pessoas que menos entendem — como se falassem línguas diferentes — são as que se amam. Dir-se-ia que o amor, em vez de unir, separa. Cabe então a pergunta — por quê? É simples. Porque amamos errado, porque não sabemos amar.
6 — A rigor, o momento mais doce do amor é o flerte. O flerte não dilacera, não envenena. Um simples olhar, de uma luz mais viva; um sorriso leve é quanto basta para que dois seres experimentem a esperança de uma comunhão docemente infinita. Mas o flerte — eu prefiro o flerte à paquera — o flerte é, normalmente, uma promessa que não se cumpre. Pois, em seguida, o namoro abre uma fase de perspectivas inquietantes. Fala-se em “briga de namorados”, tão comum e, eu diria mesmo, obrigatória. Mas não são os pequeninos atritos que marcam e vão, pouco a pouco, ferindo e destruindo o sentimento amoroso.
7 — Se o homem soubesse amar não elevaria a voz nunca, jamais discutiria, jamais faria sofrer. Mas ele ainda não aprendeu nada. Dir-se-ia que cada amor é o primeiro e que os amorosos dos nossos dias são tão ingênuos, inexperientes, ineptos, como Adão e Eva. Ninguém, absolutamente, sabe amar. D. Juan havia de ser tão cândido como um namoradinho de subúrbio. Amigos, o amor é um eterno recomeçar. Cada novo amor é como se fosse o primeiro e o último. E é por isso que o homem há de sofrer sempre até o fim do mundo — porque sempre há de amar errado.
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha-105-anos/2025/11/para-nelson-rodrigues-o-homem-sempre-vai-amar-errado.shtml)
(1) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/amor-cronico/
(2) https://www1.folha.uol.com.br/folha-100-anos/2020/08/nelson-rodrigues-disse-a-folha-como-assassinato-do-irmao-influenciou-seu-teatro.shtml
(3) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/105-colunas-de-grande-repercussao/
“Atesto para os devidos fins”
TixaNews, 28/11/25)
Hoje é sexta, novembro está acabando e a gente faz o quê????? Jornalismo declaratório, claro, ao melhor estilo Tixa, sua linda maravilhosa que faz os melhores reacts. Vamos às declarações:
A defesa de Bolsonaro tentando dizer que o Xandão errou:
“A decisão que antecipou o trânsito em julgado da ação penal enquanto ainda transcorria prazo para a oposição de embargos infringentes — ainda que referendada pela 1ª Turma — caracteriza-se como erro judiciário e deve ser revista.”
Advogados advogando e tentando derrubar a prisão de Bolsonaro.
A Procuradoria-Geral da República sobre o general Heleno:
“Revela-se recomendável e adequada a concessão de prisão domiciliar humanitária, uma vez que os requisitos estabelecidos pela legislação infraconstitucional devem guardar compatibilidade com os princípios da proteção integral e prioritária do idoso (art. 230 da Constituição e art. 3º da Lei nº 10.741/2003) e da dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, da Constituição).”
Basicamente, a defesa do general disse que ele tem diagnóstico de Alzheimer desde 2018, e a Procuradoria concordou que isso seria o caso de colocá-lo em prisão domiciliar. Até porque ele não tentou fugir. A pergunta que fica é: desde 2018?
Carluxo querendo entrar na vibe do general Heleno:
“Comorbidades que Jair Bolsonaro possui, conforme documento e comprovação médica enviados ao STF: refluxo gastroesofágico com esofagite; hipertensão essencial primária; doença aterosclerótica do coração; soluços incoercíveis, acompanhados de refluxos constantes que geram vômitos.”
O pessoal já está ficando satisfeito só com a prisão domiciliar.
A Polícia Federal sobre emendas no Ceará:
“De maneira mais escrachada, foi identificado o uso de fotos falsas para comprovar a realização das obras. A utilização de imagens de outros locais ou manipuladas para simular a execução de serviços é uma grave irregularidade que compromete a transparência e a confiabilidade do processo de fiscalização.”
Esse foi o relatório da Polícia Federal que levou o ministro supremo Flávio Dino a dizer que viu “indícios robustos” de desvio de emendas e superfaturamento em obras do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs) no Ceará. As tais emendas teriam sido indicadas pelo deputado Roberto Monteiro, do PDT do Ceará, mas ele não foi alvo da operação.
O novo relator do projeto do devedor contumaz:
“Atualmente, a legislação esparsa já prevê alguns mecanismos para responsabilizar os sócios em caso de fraudes, mas a abertura de novas empresas por infratores reincidentes permanece um problema recorrente no Brasil, impactando diretamente a economia, a arrecadação tributária e a segurança jurídica das relações comerciais e trabalhistas entre os diversos agentes econômicos.”
Isso é o que acha o deputado Antonio Carlos Rodrigues, escolhido por Huguito Motta para ser o relator do caso dos devedores contumazes (não, não somos nós, darling, esses devedores são aqueles que sonegam impostos indefinidamente). O deputado tem um histórico interessante. Ele já foi ministro da Dilmita e já foi do PL, o partido do Bolsonaro, e foi expulso porque em algum momento defendeu o Xandão.
Weverton sobre o Messias:
“Eu sou aliado direto do presidente Lula. Se é indicado por ele, é automaticamente apoiado por mim. Não há qualquer resistência ao Messias, ele cumpre todos os requisitos para isto. Em momento algum, Alcolumbre me fez qualquer pedido ou orientação contrária sobre o relatório. Vou trabalhar para que eles se encontrem em breve.”
Esse foi o senador Weverton garantindo para o Messias que é melhor ele se agilizar porque o Alcolumbre vai fazer a sabatina no dia 10 de dezembro, como prometido.
Pablo Ortellado, professor de Gestão de Políticas Públicas na USP, dando a real sobre o Supremo:
“Agora que as lideranças principais foram condenadas e os processos em curso já estão encaminhados, é hora de encerrar os inquéritos e restaurar o entendimento anterior sobre liberdade de expressão. O primeiro passo é simples e urgente: dar transparência ao número de contas suspensas por ordem judicial.”
Ok, teve uma tentativa de golpe, mas está na hora de a normalidade voltar — isso é o que está dizendo o professor, e já começa uma corrente nesse sentido.
Sextou, BRASEW!
(TRPCE)
“Mapa do poder”
– O que acontece nos poderes em Brasília e você precisa saber.
(Brasília Hoje, FSP, 28/11/25)
1 – Congressistas ouvidos pela Folha entenderam as votações da última quinta-feira (27), em que a Câmara e o Senado derrubaram vetos do presidente Lula (PT) à nova lei do licenciamento ambiental e ao programa de socorro aos estados como um termômetro das futuras negociações (*) entre governo e Congresso. Um dos principais pontos de atenção é a indicação ao STF de Jorge Messias , que depende da aprovação do Senado para se concretizar.
(*) +em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2025/11/governo-e-centrao-renovam-embate-no-congresso-com-projecao-de-novos-capitulos-mirando-2026.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
(**) +em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painel/2025/11/messias-recebeu-cumprimentos-dos-ministros-do-stf-a-excecao-de-dino.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
2 – O ministro Alexandre de Moraes votou para condenar cinco ex-integrantes da cúpula da Polícia Militar do Distrito Federal acusados de omissão nos ataques golpistas do 8 de janeiro. Moraes considerou que os militares cometeram os crimes de tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2025/11/moraes-vota-para-condenar-5-membros-da-cupula-da-pm-do-df-por-omissao-no-81.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
3 – A dívida pública do Brasil atingiu 78,6% do PIB (Produto Interno Bruto), segundo divulgou nesta sexta-feira o Banco Central. No ano, a dívida bruta acumula elevação de 2,1 pontos percentuais do PIB. Ainda segundo dados do BC, o setor público consolidado brasileiro registrou superávit primário de R$ 32,4 bilhões em outubro, ante resultado superavitário de R$ 36,9 bilhões no mesmo mês do ano passado.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/11/divida-publica-bruta-do-brasil-atinge-786-do-pib-em-outubro-mostra-bc.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
Na Esplanada… A ministra Marina Silva (Meio Ambiente) afirmou que o governo brasileiro avalia contestar no STF a lei do licenciamento ambiental ratificada na última quinta-feira pelo Congresso Nacional. Segundo a ministra, a derrubada dos vetos representou “verdadeira demolição” da legislação ambiental brasileira.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2025/11/marina-diz-que-derrubada-de-vetos-foi-verdadeira-demolicao-e-que-governo-avalia-ir-ao-stf.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
“Relações perigosas’
(Bruno Boghossian, Brasília Hoje, FSP, 28/11/25)
A prisão de Daniel Vorcaro (1), do Banco Master (aliás solto na noite desta sexta-feira, dia 28, por decisão da Justiça (1) e a megaoperação contra Ricardo Magro (2), do Grupo Fit, provocaram abalos nos altos círculos da política nacional nas últimas semanas. As investigações ampliaram os holofotes sobre as relações perigosas desses empresários com personagens importantes de Brasília e sobre o uso dessa influência para ajudar nos negócios da dupla.
Ancorado numa negociação com um banco estatal, que dependia de reguladores oficiais para se concretizar, Vorcaro criou uma teia de relacionamentos que poderiam facilitar seu trânsito na capital, tendo como expoentes nomes como Ciro Nogueira (3), presidente do PP, e Antônio Rueda, presidente do União Brasil. O banqueiro foi preso na semana passada, acusado de emissão de títulos de crédito falsos.
Já Ricardo Magro foi alvo de uma operação contra a prática de sonegação, fraude e ocultação de patrimônio. O esquema teria causado prejuízo de R$ 26 bilhões (4) aos cofres estaduais e federal. Ciro Nogueira atuou no Congresso em projetos de interesse do grupo, como a proposta para ampliar a atuação do poder público contra o devedor contumaz.
Nenhum político foi citado nas investigações até aqui, mas a sombra dos dois casos provocou burburinho em rodas do poder. Os episódios acrescentaram ainda novos entraves para a formalização da federação partidária (5) entre União Brasil e PP, que já vinha enfrentando divergências internas e agora enfrenta a apreensão pela proximidade de seus líderes com os empresários enrolados.
(TRPCE)
(1) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2025/11/justica-manda-soltar-banqueiro-daniel-vorcaro.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
(2) https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/11/grupo-fit-da-refinaria-de-manguinhos-e-alvo-de-operacao-em-5-estados-e-no-df.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
(3) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painel/2025/11/investigacoes-atingem-aliados-de-ciro-nogueira-e-o-afastam-de-eleicao-presidencial.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
(4) https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/11/grupo-fit-usava-50-fundos-de-investimento-para-ocultar-bilhoes-de-sonegacao-diz-receita-federal.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
(5) https://www1.folha.uol.com.br/poder/2025/11/alianca-uniao-brasil-pp-vive-divisao-interna-saidas-e-apreensao-com-master-e-refit.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
Síntese da PeTezuela:
“Dívida sobe a 78,6% do PIB e se aproxima de R$ 10 trilhões”
– Subiu 7 pontos percentuais no governo Lula, o que corresponde a um estoque de R$ 2,6 trilhões de alta.
+em: https://www.poder360.com.br/poder-economia/divida-sobe-para-786-do-pib-e-se-aproxima-de-r-10-trilhoes/
“Rombo fiscal com juros da dívida soma R$ 1,025 trilhão em 1 ano”
– Despesa atingiu recorde no acumulado de 12 meses, totalizando R$ 987,2 bilhões até outubro…
+em: https://www.poder360.com.br/poder-economia/rombo-fiscal-com-juros-da-divida-soma-r-1025-trilhao-em-1-ano/
“Estatais federais têm deficit recorde de R$ 6,4 bi em 2025”
– Saldo negativo subiu 42,7% de janeiro a outubro em comparação com o mesmo período do ano passado …
+em: https://www.poder360.com.br/poder-economia/estatais-federais-tem-deficit-recorde-de-r-64-bi-em-2025/
“Setor público consolidado tem superavit de R$ 32,4 bilhões”
– Saldo positivo caiu 12,2% em relação ao mesmo mês do ano passado; contas públicas têm deficit de R$ 37,7 bi em 12 meses..
+em: https://www.poder360.com.br/poder-economia/setor-publico-consolidado-tem-superavit-de-r-324-bi-em-outubro/
E a corja vermelha. . .
se vangloriando que a economia PeTezuelana, vai muito bem, obrigado!
“Domiciliar para Heleno é prenúncio do futuro de Bolsonaro”
– Jair Bolsonaro, sabidamente, sofre com as sequelas da facada que recebeu do homicida Adelio Bispo em Juiz de Fora, em setembro de 2018.
(Ricardo Kertzman, O Antagonista, 28/11/25)
Condenado a mais de 21 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes, e preso no Comando Militar do Planalto, em Brasília, o general Augusto Heleno, com 78 anos, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para cumprir sua pena em casa, devido à idade avançada e problemas de saúde, sendo o mais grave o Mal de Alzheimer.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestou-se hoje, sexta-feira, 28, a favor da prisão domiciliar do ex-ministro de Jair Bolsonaro, também condenado – a mais de 27 anos de reclusão – e preso na Polícia Federal do Distrito Federal. Heleno é portador da doença, segundo atestado médico, desde 2018.
Se aceito pelo relator da ação penal 2668, o ministro Alexandre de Moraes, o pedido de prisão domiciliar para Augusto Heleno, tudo indica que outros réus, como o general Braga Netto, com 69 anos, e o próprio ex-presidente da República, com 70 anos, poderão, senão em curto, mas a médio prazo, gozar do mesmo benefício.
Quem pode, pode
Se Braga Netto não é portador de doenças graves, Jair Bolsonaro, sabidamente, sofre com as sequelas da facada que recebeu do homicida Adelio Bispo em Juiz de Fora, em setembro de 2018. O “mito” já passou por cirurgias e intervenções pontuais após o episódio, e precisa manter tratamento medicamentoso e alimentar.
Qualquer pessoa com idade avançada e problemas de saúde pode solicitar e receber, como medida alternativa à prisão em estabelecimento carcerário regular, a chamada “Prisão Domiciliar”. O igualmente ex-presidente Fernando Collor, por exemplo, cumpre pena em sua cobertura à beira-mar, em Maceió, capital de Alagoas.
O Brasil possui uma população carcerária superior a 700 mil detentos. Mais de 30% são “presos provisórios”, ou seja, pessoas que nem sequer receberam a pena definitiva de seus crimes, com o tal “trânsito em julgado” da sentença condenatória. Muitos deles, inclusive, são idosos e apresentam graves problemas de saúde.
Porém, são presos anônimos, sem advogados estrelados e amigos poderosos em Brasília. Como não têm acesso aos gabinetes dos supremos togados, mofarão – até que a morte os carregue – nas masmorras medievais brasileiras, salvo raríssimos casos, provando que o Brasil ou é o reino da impunidade ou o dos amigos da corte.
(Fonte: https://oantagonista.com.br/analise/domiciliar-para-heleno-e-prenuncio-do-futuro-de-bolsonaro/)
. . .”Narrativa de que o Congresso apenas “moderniza o país” esconde a captura legislativa por interesses que rejeitam o consenso científico sobre a necessidade de licenciamento rigoroso.”. . .
“Coalizão de predadores derruba vetos e instaura vale-tudo ambiental no Brasil”
(Luiz Carlos Azedo, Nas Entrelinhas em seu blog no Correio Braziliense, 28/11/25)
O Congresso Nacional derrubou, ontem, grande parte dos vetos presidenciais à Lei Geral do Licenciamento Ambiental, chamada por ambientalistas de “PL da Devastação”. Na Câmara, o placar foi de 295 votos pela derrubada e 167 pela manutenção dos vetos. No Senado, 52 votos a 15. Com isso, o Palácio do Planalto, cientistas, entidades da sociedade civil e ambientalistas sofreram a maior derrota da história na legislação ambiental, considerada, até então, referência para o mundo.
Entre os trechos que devem ser retomados, está a autorização para que atividades e empreendimentos considerados de baixo e pequeno porte — ou com baixo e pequeno potencial poluidor — obtenham licenças por um processo de adesão e compromisso (LAC), mais simples do que o procedimento regular. Ou seja, uma porta aberta para o vale-tudo ambiental, sobretudo na Mata Atlântica, no Cerrado e na Amazônia.
A derrubada dos vetos presidenciais à Lei Geral do Licenciamento Ambiental explicita a força de uma coalizão de predadores ambientais que opera dentro do Congresso Nacional. Não foi apenas uma derrota governamental, mas a consagração de uma agenda que combina negacionismo climático, captura institucional pelo agronegócio e desmonte calculado das salvaguardas socioambientais do país.
Leia também: Congresso vai na contramão do governo e da COP30
+em: https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2025/11/7302192-licenciamento-ambiental-congresso-vai-na-contramao-do-governo-e-da-cop30.html
O conceito de negacionismo, sistematizado aqui no Brasil pelo Instituto Butantan, define uma recusa deliberada de fatos científicos e evidências históricas. Vivemos dramaticamente as suas consequências, por exemplo, na saúde pública, durante a pandemia e, ainda hoje, pela recusa à vacinação contra todo e qualquer tipo de doença. No campo climático, trata-se da rejeição do consenso consolidado de que o aquecimento global é causado por ações humanas. Esse negacionismo é minoritário, mas persistente: cerca de 97% dos cientistas concordam sobre a origem antrópica das mudanças climáticas.
Pesquisas mostram que entre 5% e 8% das populações de países anglófonos contestam esse consenso, mas esse número no Brasil chega a 15%, segundo o Datafolha. Essa minoria é muito poderosa e se articula a setores econômicos que veem a proteção ambiental como entrave. Ontem, o Congresso materializou essa convergência entre negacionistas e predadores: grupos organizados que buscam erodir, de forma sistemática, os instrumentos de proteção ambiental para ampliar margens de lucro e acelerar obras sem estudos de impacto.
O veto derrubado mais danoso é o que não permitia o uso do sistema de Licença por Adesão e Compromisso (LAC) para atividades de médio potencial poluidor. Essa é a face mais perigosa, pois dispensa estudos de impacto ambiental e exige apenas um relatório simplificado, cuja análise pelos órgãos ambientais passa a ser facultativa. Isso favorece atividades com alto potencial de dano, como barragens de rejeito, que agora podem escapar do escrutínio técnico que teria evitado tragédias como Mariana e Brumadinho.
Guerra ambiental
Quando parlamentares predadores dizem que isso “destrava o desenvolvimento”, rejeitam o acúmulo de conhecimento científico sobre riscos geotécnicos e impactos acumulados. Outro retrocesso estrutural é a regionalização dos critérios de licenciamento, também restaurada com a derrubada dos vetos. Ao delegar a estados e municípios o poder de definir o que é “alto” ou “baixo” impacto, o Congresso promove uma corrida entre entes federativos, pressionados a flexibilizar normas para atrair empreendimento, numa verdadeira guerra ambiental.
Ambientalistas alertam que isso incentiva o chamado “turismo do impacto”: empreendedores migram para localidades com legislações permissivas, resultando em destruição ambiental desordenada. A União, cuja competência constitucional inclui editar normas gerais de proteção, fica esvaziada. A situação é grave no caso da Mata Atlântica, bioma reduzido a menos de 12% da cobertura original.
O veto que mantinha a proteção federal contra supressão irregular de vegetação foi derrubado, permitindo que avaliações fragmentadas substituam o controle centralizado e técnico da União. Essa mudança abre espaço para um novo ciclo de desmatamento, difícil de reverter e ainda mais difícil de monitorar.
Ainda mais simbólica é a derrubada do veto sobre povos indígenas e quilombolas. O Congresso decidiu que apenas territórios já homologados devem ser consultados, quando a maior parte das terras indígenas ainda não concluiu seu processo administrativo. Na prática, autoriza empreendimentos destrutivos em áreas tradicionais sem ouvir quem vive ali.
A votação também confirmou a crise política entre o Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, articulador das forças que defenderam as flexibilizações. Sua narrativa de que o Congresso apenas “moderniza o país” esconde a captura legislativa por interesses que rejeitam o consenso científico sobre a necessidade de licenciamento rigoroso. Essa coalizão atuou com disciplina: bancada do agronegócio, parlamentares de regiões de fronteira agrícola, grupos empresariais e operadores políticos descontentes com o governo.
Leia mais: Base de Lula dá 96 votos para derrubar vetos do licenciamento ambiental
+em: https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2025/11/7302067-base-de-lula-da-96-votos-para-derrubar-vetos-do-licenciamento-ambiental.html
Enquanto o país discursava na COP30, em Belém, sobre transição energética, economia verde e preservação, o Congresso preparava esse ataque frontal ao Conama, à política nacional de meio ambiente e aos direitos socioambientais. Fragmentos de biomas ameaçados, áreas urbanas sujeitas a enchentes e deslizamentos, reservas hídricas em risco, territórios indígenas pressionados, licenciamento enfraquecido formam uma tempestade perfeita. Ao derrubar os vetos, o Congresso normalizou a lógica do vale-tudo ambiental.
(Fonte: https://blogs.correiobraziliense.com.br/azedo/coalizao-de-predadores-derruba-vetos-e-instaura-vale-tudo-ambiental-no-brasil/)
. . .”A carga tributária opressiva, que recai especialmente sobre empresas produtivas e famílias, é apenas um dos sintomas mais visíveis desse processo. A cada novo conjunto de normas, decretos ou regulações, o Estado brasileiro reafirma uma tendência crônica de considerar o empreendedor como adversário, e não como parceiro no desenvolvimento nacional.”. . .
“Estado de graça”
(Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade, Coluna Visto, lido e ouvido, Blog do Ari Cunha, CB, 27/11/25)
A frase segundo a qual o Estado nunca tolerou rivais funciona como chave interpretativa para compreender a forma como se estruturam, historicamente, as relações de poder e a relação do indivíduo com a autoridade pública. Não se trata de mera provocação teórica, mas de uma constatação repetida em diferentes momentos da história ocidental: sempre que o Estado se sente ameaçado ou desafiado pela emergência de instituições independentes, a sua reação imediata é expandir mecanismos de controle, vigilância e regulação. Esse movimento, que vai do monopólio da força à imposição de códigos normativos cada vez mais intrusivos, tende a sufocar a pluralidade institucional que deveria sustentar uma sociedade madura. Sob essa lógica, comunidades locais, igrejas, associações civis, empresas privadas, famílias e até o próprio indivíduo passam a ser vistos como potenciais competidores, e não como componentes essenciais de uma ordem social saudável, capaz de equilibrar liberdades com responsabilidades.
O fenômeno torna-se ainda mais evidente num contexto em que o liberalismo, não como slogan, mas como tradição filosófica e prática de limitação do poder, é tratado com desconfiança ou como inimigo a ser anulado. O liberalismo, com todas as suas limitações e contradições ao longo dos séculos, sempre serviu como barreira contra as tendências expansivas do Estado, oferecendo um conjunto de princípios orientados à proteção da autonomia individual, da propriedade privada, da livre associação e da independência das esferas civil e econômica. Não surpreende, portanto, que regimes ou governos hostis a esses valores tenham promovido, ao longo da história, a concentração de poder em níveis incompatíveis com a convivência democrática. O repertório de adversários é conhecido: mercantilismo, absolutismo, socialismo autoritário, imperialismos de diversas naturezas, protecionismos sufocantes e até práticas moralmente indefensáveis, como a escravidão. Todas essas estruturas, embora distintas entre si, compartilham uma raiz comum: a crença de que o Estado deve prevalecer sobre o cidadão e que a liberdade, quando existe, é concessão, e não direito.
A carga tributária opressiva, que recai especialmente sobre empresas produtivas e famílias, é apenas um dos sintomas mais visíveis desse processo. A cada novo conjunto de normas, decretos ou regulações, o Estado brasileiro reafirma uma tendência crônica de considerar o empreendedor como adversário, e não como parceiro no desenvolvimento nacional. A burocracia sufocante, aliada a um sistema judicial que frequentemente legitima decisões intervencionistas, aprofunda um ambiente de insegurança jurídica que afasta investimentos e desestimula a iniciativa privada. Essa lógica perpetua um ciclo perverso no qual o Estado, incapaz de garantir eficiência mínima em áreas essenciais como saúde, educação, segurança e infraestrutura, insiste, paradoxalmente, em reclamar para si ainda mais funções, mais recursos e mais poder.
Ao mesmo tempo, observa-se, no campo político, um discurso cada vez mais hostil à crítica, à divergência e à própria ideia de oposição. A democracia, para prosperar, exige espaços de contestação, circulação de ideias, pluralidade de vozes e instituições capazes de limitar o poder, sejam elas parlamentares, judiciais, mediáticas ou civis. Quando essas barreiras começam a ser enfraquecidas, seja por meio de estratégias de intimidação, seja pelo uso seletivo de órgãos estatais para fins políticos, instala-se uma atmosfera de medo e autocensura que lembra mais regimes de exceção do que repúblicas democráticas. Esse tipo de ambiente, já alertado por analistas internacionais, acende sinais de alerta sobre a saúde institucional do país e coloca o Brasil no radar de nações preocupadas com o avanço global das tendências liberais.
Não há o que discutir sobre a necessidade de políticas públicas robustas, mas sim a transformação do Estado em um agente que se autopromove a guardião exclusivo do bem-estar social, desconsiderando a importância das redes comunitárias, do capital social e das iniciativas privadas que, em democracias sólidas, colaboram para um equilíbrio saudável entre solidariedade e autonomia.
A preservação de liberdades é a verdadeira base do progresso, da inovação, da justiça e da dignidade humana. Em tempos de crescente preocupação internacional com o risco de deriva autoritária em diversas partes do mundo, reafirma-se a urgência de um debate honesto e profundo sobre os rumos do país. A defesa da liberdade não é uma bandeira partidária, mas um compromisso civilizatório. Ignorá-la, relativizá-la ou subordiná-la a agendas de ocasião é abrir caminho para um Estado que, incapaz de tolerar rivais, passa a considerar seus próprios cidadãos como obstáculos e não como fundamento de sua existência. O futuro democrático do Brasil depende da capacidade de reconhecer esse risco e de reafirmar que a função do Estado é servir, não dominar.
A frase que foi pronunciada:
“Eu acreditava muito nos mecanismos governamentais, mas eles têm células cancerígenas que crescem incontrolavelmente. Há algo de doentio na máquina estatal. A experiência de jovem me tornou cético para as reais possibilidades do Estado.”
(Roberto Campos)
Fonte: https://blogs.correiobraziliense.com.br/aricunha/estado-de-graca/)
“Investigado do INSS comprou R$ 13 milhões em imóveis à vista em 1 ano”
– Aquisições foram feitas pela pessoa jurídica de Américo Monte Júnior, um dos “jovens ricaços” da Farra do INSS.
(Andre Shalders, Metrópoles, 28/11/25)
Um dos investigados na Farra do INSS comprou 13,2 milhões de reais em imóveis em apenas 13 meses. As aquisições foram feitas por Américo Monte Júnior, por meio de sua empresa Inovare Empreendimentos.
Américo Monte Júnior, de 46 anos, é um dos “jovens ricaços” investigados no esquema de desvio de aposentadorias de segurados do INSS.
O grupo dele controla uma série de entidades de fachada que desviaram centenas de milhões de reais do INSS.
Além dele, integram os “jovens ricaços” os empresários Igor Dias Delecrode, 28 anos, Felipe Macedo Gomes, 35, e Anderson Cordeiro, 38. Eles controlam as entidades Amar Brasil Clube de Benefícios, que faturou R$ 324 milhões com os descontos, a Master Prev (R$ 232 milhões), a ANDAPP (R$ 94 milhões) e a AASAP (R$ 63 milhões).
Os imóveis comprados por Américo Monte ficam todos no estado de São Paulo, nos municípios de Atibaia, Santana de Parnaíba, Guarulhos e Campos do Jordão, além da capital. As compras foram feitas entre janeiro de 2024 e março deste ano.
Um dos mais caros deles é um terreno no município de Santana de Parnaíba. A propriedade foi adquirida à vista, em fevereiro do ano passado, por R$ 2,8 milhões.
Pouco depois, em junho passado, Américo Monte pagou mais R$ 1,68 milhão por um apartamento no bairro de Santana, na zona norte de São Paulo (SP). O local tem 222 metros e quatro vagas de garagem.
Mas o título de propriedade mais caro na coleção de Américo é uma casa em Campos do Jordão (SP). O imóvel, localizado na Rua Lasar Segal, na Vila Inglesa, custou 3,1 milhões de reais e foi adquirido em fevereiro deste ano.
As informações sobre as aquisições da Inovare constam de relatório sigiloso da Receita Federal enviado à CPMI do INSS, obtido pela coluna.
Como mostrou a coluna, Américo Monte Júnior também fez um Pix de R$ 124 mil para uma igreja evangélica em Barueri.
Os dados enviados à CPMI mostram ainda que a empresa Inovare movimentou pouco mais de R$ 21 milhões só nos seis primeiros meses deste ano.
(Fonte: https://www.metropoles.com/colunas/andreza-matais/investigado-do-inss-comprou-r-13-milhoes-em-imoveis-a-vista-em-1-ano)
“O carimbador maluco do trânsito em julgado”
– Estamos perdidos nas mãos do STF e sem vontade de enxergar que aquilo que está por vir acabará por engolir a todos…
(André Marsiglia, Poder360, 27/11/25)
Raul Seixas compôs, em 1983, uma música que expunha sua rebeldia contra o Estado. A canção, chamada “O Carimbador Maluco” , virou hino infantil, mas, na realidade, denunciava a burocracia da máquina estatal, que exigia selos, assinaturas e autorizações para tudo.
Quarenta anos depois, ironicamente, o problema não é mais o excesso de formalidade, mas sua completa irrelevância quando confrontada com a vontade de 1 ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).
No processo da chamada tentativa de golpe, Alexandre de Moraes transformou-se em uma espécie de carimbador maluco às avessas. No caso de Bolsonaro, certificou o trânsito em julgado alegando ausência de protocolo de embargos de declaração, embora ainda coubessem embargos infringentes, determinados no próprio Regimento Interno do STF.
No caso de Braga Netto,
. . .
+em: https://www.poder360.com.br/opiniao/o-carimbador-maluco-do-transito-em-julgado/
Vão-se os furos. . .
Ficam os coturnos!
“Juristas experientes acham improvável que o Superior Tribunal Militar (STM) determine a perda de patente de militares acusados de suposta “tentativa de golpe”, como pretende o ministro do STF Alexandre de Moraes. Um ministro aposentado do STM, que, aliás, detesta Bolsonaro, mas nunca deixou de ser um magistrado na melhor acepção do termo, lembra que perda de patente, de acordo com o Código Penal Militar, somente se aplica em condenações por “indignidade”, como ele define.”
(Coluna CH, DP, 28/11/25)
De onde nos vem os “bons” exemplos?
“Avião que Motta declarou por R$100 mil vale até R$3,5 milhões no mercado”
(Cláudio Humberto, Coluna CH, DP, 28/11/25)
Consta na declaração de bens do presidente da Câmara, Hugo Motta (Rep-PB), à Justiça Eleitoral, 50% de um avião avaliado em R$100 mil, praticamente o valor de um carro popular no País. A coluna apurou detalhes que não aparecem na transparência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Registros na Agência Nacional de Aviação Civil revelam que é um modelo EMB-810D, mais conhecido comercialmente como Seneca III. Seu sócio no avião é a empresa AVPAR Participações Ltda.
Bala na agulha
Sites como aeronvaesavenda.com, avaliam o modelo entre R$1 milhão e R$3,5 milhões, mas a média do mercado se situa nos R$2,2 milhões.
Pra quem pode
O Seneca III foi projetado para piloto e mais cinco passageiros, e fabricado em 1983, pouco antes do nascimento de Motta, que é de 1989.
Funcionário rendido
Mês passado, bandidões tentaram roubar o avião do Clube Estância Ouro Verde, na Paraíba. Mas o calhambeque se negou a decolar.
Como explica?
A coluna procurou Motta para saber mais sobre essa diferença de preço entre o declarado e o praticado no mercado, mas ele ficou em silêncio.
(Fonte: https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/aviao-que-motta-declarou-por-r100-mil-vale-ate-r35-milhoes-no-mercado)
. . .”Choveu veto dos vetos, BRASEW. Huguito e Davi se uniram contra o imperador e saíram derrubando os vetos de Lula. O Congresso contra-ataca! Por causa de Messias. Not. Porque a Polícia Federal está nas ruas. Vem ler.”. . .
“O império, digo, o Congresso contra-ataca”
(TixaNews, 28/11/25)
Lembra que contamos ontem por aqui sobre a notinha do governo falando sobre a manutenção dos 63 vetos do Lula à nova lei do licenciamento ambiental? Pois é, hoje o Congresso derrubou 56 deles. O PL da Devastação, como os ambientalistas chamam, facilita as licenças para as obras país afora. E isso, claro, bota em risco total o meio ambiente. E quem mais queria derrubar vetos? Só digo que a bancada ruralista agradece.
E tudo isso com direito a Huguito Motta, que manda mais ou menos na Câmara frigorífica, e Davi Alcolumbre, a estrela mor do Senado, de mãos dadas dizendo que lutam juntos pelo Brasil. (E pensar que, há pouco tempo atrás, Alcolumbre não atendia nem as ligações de Huguito, naquela treta da PEC da Blindagem que o Senado enterrou, deixando os deputados chupando o dedo.)
Mas a notícia treta mesmo é a de que Davi e Motta não fazem questão de esconder que estão dando o troco no governo. E não, o rolê não é só por conta de o Lula ter indicado o Messias, o Jorge que é Advogado-Geral da União (Davi queria para o cargo de ministro supremo, no lugar do Pacheco, o Rodrigo mais alto do Senado).
A galera tá de cabelo em pé e bufando por conta desse monte de operação da Polícia Federal que vem pegando a galera da Faria Lima que opera o dinheiro do crime organizado e o Banco Master, que andou angariando dinheiros em governos do Centrão Brasil afora.
Grupo FIT
Não, darling, não estamos na editoria de saúde. Estamos falando do grupo que é dono da REFIT, a antiga refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro. E quem controla esse grupitcho todo é aquele empresário e advogado, Ricardo Magro.
Rolou uma nova operação hoje, chamada Poço de Lobato, que descobriu que esse poço é mais fundo do que se imaginava. Segundo a investigação, o grupo FIT usou mais de 50 fundos de investimentos para esconder dinheiro desviado de impostos.
Essa galera adulterava produtos, importava gasolina e declarava que era petróleo para pagar menos imposto. Tudo segundo os investigadores. Lavava o dinheiro nos postos de combustíveis e depois lavava de novo em offshores e fintechs. De novo, segundo os investigadores.
E não é dinheiro de cachaça, não, BRASEW. Estima-se um rombo de R$ 26 bi em sonegação ao longo de 17 anos. DEZESSETE anos sonegando! É mole? E nunca foram pegos? Nenhuma autoridade conseguiu ver isso antes? Aff.
E os estados mais afetados pela sonegação são São Paulo e Rio.
Meses atrás, rolou aquela operação Carbono Oculto, onde a polícia diz que outra empresa desse grupo tinha ligação com os postos de combustíveis do PCC. Durante a Carbono Oculto, Ricardo Magro deu entrevista para a Folha e basicamente disse que está sendo perseguido pelos concorrentes.
E o que queremos saber?
Da política, Tixa!!!!
Lembram que teve toda a treta entre governo Lula e Tarcísio para ver quem levava os louros? Hoje não foi diferente. Cada governo fazendo sua coletiva. Enquanto Haddad, nosso Fernandinho cabelo, falava em grave triangulação internacional e o secretário especial da Receita Federal dizia que a operação do Lobato é um desdobramento da Carbono Oculto, o governo do Tarcísio dizia que não tem nada disso e quer levar os créditos. Eleições 2026 na rua, meu povo!
Tixa do céu, só digo que esse Magro é magro de ruindade, hein? Darling, não comprometa essa lagartixa!
Devo não nego, ou nego?
Huguito Motta sentiu a pressão da operação de hoje e colocou de volta na pauta da Câmara frigorífica o projeto de lei que vai pra cima do devedor contumaz. Inclusive, também escolheu os relatores para os projetos que visam combater as fraudes no setor de combustíveis.
Tudo que o governo queria, pois, segundo ele, o tal devedor contumaz é uma peça-chave no rolê da sonegação de impostos. Inclusive, o tal Grupo FIT é considerado o maior devedor contumaz desse nosso BRASEW!
Pergunta que não quer calar: só eu acho que o governo, a polícia, o Congresso e todo o resto estão vindo atrás de mim quando falam em devedor contumaz?
Sem salário
E nosso ex, além de perder a liberdade e os direitos políticos, perdeu também o salário que recebia do PL, o partido do Valdemar Voldemort que abrigava Bolsonaro como presidente de honra. Por conta da condenação de 27 anos que ele já começou a puxar.
Será que o Centrão quer?
Aqui vale dizer que, a essas alturas, pro Centrão é melhor ficar como está. A essas alturas, o Centrão vai querer dar megafone pra Bolsonaro?
E o bolsonarismo quer aproveitar a treta de Davi e Huguito com Lula para tentar emplacar algum projeto novo que ajude Bolsonaro. E, segundo O Globo, nem é mais sobre anistia ou dosimetria de pena. Agora o tema é tirar o regime fechado de Bolsonaro. Resta saber se o Centrão vai mesmo querer um Bolsonaro em regime aberto e com megafone por aí. Como diz o Sostenes Cavalcanti, líder do PL na Câmara:
“Não temos acordo para texto, mas primeiro precisamos ajustar o procedimento e depois ver como vai ser em relação ao texto.”
Famoso: não temos nada, por enquanto.
(TRPCE)
Folha 105 (021)
“Ruth Guimarães não aceitou fim das feiras nem na xepa”
– ‘O povo vendendo para o povo’, escreveu a autora ao defender eventos como método democrático.
– Artigo faz parte de seção que republica colunas de grande repercussão da história da Folha.
Em 1965, queriam acabar com as feiras livres (1) de São Paulo. Sujeira, diziam. Desordem. Ruas atravancadas. Ruth Guimarães (2) ouviu os argumentos e não engoliu nenhum —nem na xepa.
“Querer acabar com as feiras por causa da sujeira resultante, ora essa! Então não temos prefeitança, nem caminhões da limpeza, nem água, nem lixeiros?”, rebateu a escritora paulista em crônica publicada na Folha, em 1965.
Ruth via nas feiras algo que nenhum supermercado asséptico poderia oferecer: democracia pura. “O primeiro argumento a favor das feiras é que se trata de um método democrático de negociar. O povo vendendo para o povo.”
A feira era espaço de liberdade selvagem. “Comprar na feira é praticar o analfabetismo mais gostoso e brasileiro que possa haver. Errar nas contas, no troco, pechincar, reclamar, divertir-se.”
Havia os pregões “sonoros, em vozes fortes de tenor e de barítono”, e aquela “ruidosa alegria matinal, livre, lírica”, com o sol nos cabelos e os olhos repousando “na abençoada fartura das pilhas coloridas de frutas”.
E fechou com uma estocada: “Estão falando em acabar com as feiras livres. Mas me parece que nós, as donas de casa, ainda não fomos consultadas a respeito e ninguém ignora que somos os ministros das Finanças”.
Leia a seguir o texto completo, parte da seção 105 Colunas de Grande Repercussão (3), que relembra crônicas que fizeram história na Folha. A iniciativa integra as comemorações dos 105 anos do jornal, em fevereiro de 2026.
Segunda sem feira (10/1/1965)
Há muito tempo que estão falando em acabar com as feiras, uns desejando e outros temendo que acabem mesmo. Não sei que providências foram ou não foram tomadas —elas estão aí. Inicia-se agora uma espécie de hiato, a extinção desse comércio livre às segundas-feiras, para descanso da companhia, isto é, dos feirantes, que não estão pleiteando descanso nenhum.
Um até respondeu a uma pergunta que não lhe foi feita, dizendo que o descanso pode ser espontâneo, e ele não vê motivo para que seja compulsório.
Os jornais falam da necessidade do intervalo de um dia, falam de leis trabalhistas, e também se noticia que se está em remanejamento. Aliás, a tal história do descanso das segundas-feiras, como nos teatros, é medida de caráter experimental. Remanejamento não sei o que é, talvez o meu Aulete dê. Caráter experimental, já vi muito disso, e alguns que duraram anos e anos a fio.
Os argumentos contra as feiras são principalmente três: primeiro que os preços são os mesmos das quitandas, segundo que atravancam as ruas, e depois a desordem que deixam. Oh! Que sujeira, que coisa desagradável, que cheiro de peixe! E quanto lixo, folhas e cascas, depois do meio-dia!
Mas querer acabar com as feiras por causa da sujeira resultante, ora essa! Então não temos prefeitança, nem caminhões da limpeza, nem água, nem lixeiros?
O primeiro argumento a favor das feiras é que se trata de um método democrático de negociar. O povo vendendo para o povo. Comprar na feira é praticar o analfabetismo mais gostoso e brasileiro que possa haver. Errar nas contas, no troco, pechincar, reclamar, divertir-se. As notas fiscais me tiraram muitas ilusões. Eu estava certa de que os feirantes não sabiam nem ler.
E a delícia completa de poder escolher? O mais caro, o mais barato, o mais verde, o mais doce, o mais fino, o mais viçoso, o mais engraçado, o mais claro, o mais miúdo, a pilha mais alta, o arranjo mais perfeito. E que lindos pregões, sonoros, em vozes fortes de tenor e de barítono, que lindos pregões!
Tudo isso em meio de uma ruidosa alegria matinal, livre, lírica, todos falando alto, à vontade, sem inibição nenhuma, o sol nos cabelos e os olhos repousando na abençoada fartura das pilhas coloridas de frutas, e a desajorada, descomedida abudância de verduras frescas, tão verdinhas!
Lugar de ver mulher risonha, de rosto lavado, com os cabelos apanhados de qualquer jeito, nesse gracioso despenteado de que os cabelereiros todos têm o segredo hoje em dia. Há muita pobre coitada cujo único passeio é ir a feira (às vezes também dão um pulinho até a maternidade).
Pois é. Estão falando em acabar com as feiras livres. Mas me parece que nós, as donas de casa, ainda não fomos consultadas a respeito e ninguém ignora que somos os ministros das Finanças.
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha-105-anos/2025/11/ruth-guimaraes-nao-aceitou-fim-das-feiras-nem-na-xepa.shtml)
(1) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/alimentacao/
(2) https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2020/11/centenario-da-autora-ruth-guimaraes-reaviva-obra-no-limite-entre-erudito-e-popular.shtml
(3) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/105-colunas-de-grande-repercussao/
“Lula e Boulos sobem no palanque e dão pistas do programa social e trabalhista para 2026”
– Presidente fala de automação, jornada menor e de imposto zero sobre participação em lucros.
– Boulos chega ao ministério tratando de tarifa zero, de escala 6×1 e isenção para pequenos empregadores.
(Vinicius Torres Freire, FSP, 27/11/25)
Os presidentes da Câmara e do Senado fizeram questão de faltar ao comício (*) em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei de isenção do Imposto de Renda, grande mote na campanha de 2026. Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) querem dar uma fritada no governo, por motivos diversos, em geral ruins.
Essa querela foi a notícia da política politiqueira. Para o universo das pessoas reais, importante foi Lula tratar nesta quarta, 26, de jornada de trabalho, de desemprego causado pela automação e de isenção total de imposto sobre pagamentos de participação de lucros e resultados (PLR). Teve jeito de anúncio de diretrizes do programa Lula 26.
Na terça, 25, o novíssimo ministro Guilherme Boulos (Secretaria Geral da Presidência) tratou de assuntos similares. Falou de estudos do governo que calculam a viabilidade de passagem grátis no transporte público. Falou enfaticamente do fim da escala 6×1 (seis trabalhados, um de folga); de como seria necessário subsidiar empresas pequenas, no caso de passarem emendas constitucionais e leis de redução de jornada.
“É difícil a gente antecipar qual é o formato [do fim da 6×1], porque isso demanda cálculos de impacto fiscal. Mas há caminhos, que podem ser com estímulo ou desoneração fiscal para os pequenos, ter um grau de compensação”, disse Boulos à Agência Brasil e à TV Brasil.
“Temos que separar muito bem o que é o grande empresário, a corporação, o banqueiro e o que é o pequeno. Aquele lá que tem uma oficinazinha, que tem um lugar para comer, que tem um negócio ali com três, com cinco funcionários. Para esse pequeno, você tem que ter um modelo de transição para que a sustentabilidade do negócio não seja prejudicada com fim da escala 6×1”, disse o novo ministro.
Automação é assunto que tem a ver com redução de jornada, novos tipos de tributação, incentivos para que a adoção de tecnologia complemente o trabalhador, em vez de substituí-lo totalmente —uma reforma grande de como se trata o trabalho.
Não importa que Lula não entenda muito bem o papel da automação na destruição e também na criação de empregos, entre outras reorganizações do trabalho (de início, quase todas desumanas, para dizer o mínimo, vide a história política e social do século 19 e do começo do 20). É um problema, será problema ainda maior. Se por mais não fosse, o medo da inteligência artificial está na cabeça de muito trabalhador.
“Não podemos continuar com a mesma jornada de trabalho de 1943 [data da CLT], os métodos são outros. Quando eu era metalúrgico, diziam que os robôs iam tirar o trabalhador do serviço pesado. Mentira.
Quanto mais tecnologia, de menos gente você precisa. Veja quanta gente foi mandada embora no setor metalúrgico”, disse o presidente, no palanque desta quarta.
“Vai chegar o momento em que o Estado terá que analisar como uma parcela da sociedade irá financiar o restante, classificado por ele como ‘inúteis’”, afirmou Lula.
Para os que odeiam e para os que amam a ideia, redução de jornada vai mais e mais ser tema fundamental. Transporte público também. Políticas que tratem do assunto podem ter custo fiscal, embora a estratégia deva ir muito além disso. Déficits contínuos, dívida publica que cresce sem limite e o esgotamento do arcabouço fiscal, o teto de Lula 3, serão o maior problema inicial de qualquer governo em 2027. Como um Lula 4 lidaria com isso?
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/viniciustorres/2025/11/lula-e-boulos-sobem-no-palanque-e-dao-pistas-do-programa-social-e-trabalhista-para-2026.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newscolunista)
(*) Todo mundo viu, só o TSE não viu!
“Radiografia do ‘falso 9′”
– ‘Falso 9’ é o 9 que não entra na área, não leva bico no tornozelo e raramente faz gol”.
– Tostão, em 1970, foi o protótipo do ‘falso 9’. Mas nunca mais houve um Tostão. Só falsos ‘falsos 9’.
(Ruy Castro, FSP, 27/11/25)
Rara a semana em que não escuto um comentarista de futebol se referir ao “falso 9”. Está aí um número que não consta nas costas das camisas dos jogadores: “Falso 9”. Nelas, lê-se apenas 9, e cada time tem um. O 9 é o centroavante, um sujeito grande, forte, pesado, e tem de ser assim. Pela sua posição —jogando de costas para o gol, prendendo os zagueiros na área e fazendo o pivô para os companheiros que vêm de frente—, o 9 é talvez o jogador mais sacrificado do time. Passa o jogo levando bicos no tornozelo, pisões no calcanhar, trompaços na bunda e sussurros ao ouvido, tudo aparentemente inócuo, mas cujo somatório vai doer e muito, no vestiário, depois do jogo.
O craque Tostão, na Copa do Mundo de 1970, no México, é considerado o protótipo do “falso 9”: um centroavante quase incorpóreo, que se desloca para os lados, sai da área para “buscar jogo”, abre espaços e está em todo lugar, menos na área para concluir —daí fazer poucos gols. Tostão comeu a bola naquela Copa e, com isso, consagrou-se o “falso 9”. Mas nunca houve um outro Tostão. Só falsos “falsos 9”. E o próprio Tostão sempre achou uma bobagem essa coisa de “falso 9”.
Aliás, por que só existe o “falso 9”? Por que não também o “falso 4”, o “falso 15”, o “falso 27”? E suponha que uma bola vadia cisque e perereque nos pés de um “falso 9” por acaso na pequena área e com o gol vazio. O que o “falso 9” deve fazer? Fingir-se de fantasma e ignorá-la ou, contrariando suas profundas características, mandar a bola para o barbante? Mas como, se ele é um “falso 9”, não um “verdadeiro 9”?
Um único jogador a cumprir bem a função de falso qualquer coisa foi Pelé. Além de maior 10 da história, maior goleador e maior em tudo, podia ser também… goleiro. Quando o Santos ficava sem goleiro, numa época em não havia substituições, Pelé ganhava uma camisa acolchoada de mangas compridas, com o número 1 às costas, ia para debaixo das traves e fechava-as.
Seria Pelé, então, um “falso 1”? Não, só ele era de verdade nas 11.
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2025/11/radiografia-do-falso-9.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newscolunista)
Vale a pens acessar o link acima, só par ver o flagrante: “Pelé brincando de goleiro em treino do Santos – José Dias Herrera/Museu do Futebol”
Se,
edu babananinha é o “camisa 10 do lula”,
então,
a lambisgóia das araucárias é a “camisa 10” da oposição!
“Lula enfrenta parada indigesta”
– Na democracia, presidente algum se sustenta em estado de contraposição acentuada ao Parlamento.
– Lula tem muito a perder se não assumir a tarefa de reequilibrar o jogo de forças com o Congresso.
(Dora Kramer, FSDP, 27/11/25)
Convites de presidente de República habitualmente não se recusam, ainda mais quando dirigidos a autoridades que estão na mesma cidade e sem afazeres que as impeçam de comparecer. A não ser que as ausências contenham significado e recado explícitos de contrariedade.
Foi assim interpretada a decisão dos presidentes da Câmara e do Senado de faltar à cerimônia de assinatura da lei de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000.
O deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) e o senador Davi Alcolumbre (União-AP) atiraram em várias direções: conseguiram que as ausências tivessem mais destaque que o projeto e mostraram que o desacerto vai além de atritos com líderes petistas —alcança o presidente Lula (PT).
Ademais, negaram prestígio aos festejos da bandeira de campanha pela reeleição; evitaram ouvir do presidente palavras de apreço para tentar desanuviar o clima e ainda procuraram produzir um efeito demonstração para as tropas mais fiéis aos comandantes nas duas Casas.
A história nos conta que, na vigência da democracia, presidente da República algum se sustenta em contraposição acentuada ao Congresso Nacional. Tanto pode ficar vulnerável ao extremo de um impeachment —o que não é o caso— quanto se tornar alvo de derrotas constantes ao ponto da ingovernabilidade.
O Parlamento é o dono do jogo e, portanto, cabe ao presidente calibrar os lances a fim ao menos de conseguir um empate. Lula não está se comportando assim, simplesmente porque trocou as tarefas de Estado pelas ações de candidato. Como tal, demarca terrenos no intuito de ganhar a parada.
Embora a campanha eleitoral já tenha começado, ainda há mais de um ano de governo. É muito chão para o presidente achar que a batalha está ganha. Motta e Alcolumbre não tiveram oponentes nas eleições para Câmara e Senado, são de partidos de oposição e se identificam ideologicamente com a maioria.
Lula não tem nada a ganhar e pode ter muito a perder se não descer do palanque para se dar ao sacrifício do beija-mão.
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/dora-kramer/2025/11/lula-enfrenta-parada-indigesta.shtml)
Bessias em fogo brando!
“CPI do INSS retira de pauta convocação de Messias, indicado de Lula para STF”
– Votação para chefe da AGU explicar atuação sobre descontos no INSS deve ser na próxima semana.
– Se aprovada, convocação aumentará desgaste de Messias, que tem indicação ameaçada no Senado.
. . .
+em: https://www1.folha.uol.com.br/blogs/brasilia-hoje/2025/11/cpi-do-inss-retira-de-pauta-convocacao-de-messias-indicado-de-lula-para-stf.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
“Mapa do poder”
– O que acontece nos poderes em Brasília e você precisa saber.
(Brasília Hoje, FSP, 27/11/25)
1 – O Congresso Nacional derrubou nesta quinta-feira (27) 52 dos 63 vetos do presidente Lula à lei de licenciamento ambiental. Comemorado por ruralistas e criticado por ambientalistas, o texto final aprovado hoje acelera o licenciamento de obras e empreendimentos e cria um trâmite especial facilitado para projetos considerados estratégicos.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2025/11/congresso-derruba-parte-dos-vetos-a-lei-de-licenciamento-ambiental-em-derrota-para-lula-apos-cop30.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
2 – O Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou material em texto e vídeo sobre o Complexo Penitenciário da Papuda –popular “Papudinha”– onde o ex-ministro Anderson Torres cumprirá pena após condenação por tentativa de golpe de estado. Segundo o tribunal, o local conta com chuveiro de água quente, cama de casal, TV e geladeira. Além disso, são servidas cinco refeições por dia.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2025/11/stf-divulga-video-sobre-condicoes-da-papudinha-onde-esta-preso-anderson-torres-veja.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
3 – O governo Lula (PT) anunciou o repasse de outros R$ 3,3 bilhões ao Rio Grande do Sul como parte dos esforços finais de reconstrução do estado após as enchentes de 2024. O valor representa um excedente do investimento previsto inicialmente e que, até agora, totalizou R$ 111 bilhões.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2025/11/governo-libera-r-33-bi-restantes-para-reconstrucao-do-rio-grande-do-sul.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
(TRPCE)
“Messias e o processo”
(Bruno Boghossian, Brasília Hoje, FSP, 27/11/25)
Jorge Messias atravessa um processo ímpar na tentativa de confirmar sua indicação ao Supremo Tribunal Federal. Nas últimas décadas, alguns nomes escolhidos para a corte enfrentaram a resistência de determinados grupos políticos, mas nenhum teve uma oposição tão direta e perigosa da cúpula do Senado (*) e de alguns ministros do tribunal.
Hoje, Messias não tem os 41 votos necessários para ser aprovado no plenário. A menos de duas semanas da decisão (**), o ministro de Lula precisa fazer uma maratona de reuniões com parlamentares que, sob a influência de Davi Alcolumbre, ainda pensam em dar um recado de insatisfação com a escolha e reforçar a preferência que tinham pelo nome de Rodrigo Pacheco.
Alcolumbre adota com Messias um método de tortura oposto (mas igualmente doloroso) ao aplicado sobre André Mendonça. Mendonça teve que esperar por 141 dias (***) para ser sabatinado, em meio a uma tentativa de forçar Jair Bolsonaro a desistir da indicação. Já Messias terá que fazer um beija-mão a jato para convencer os senadores a aprovarem seu nome.
A barreira no Senado se soma à resistência de ministros como Flávio Dino (****) e Alexandre de Moraes, que não participam da votação, mas influenciam políticos cada vez mais interessados em alimentar uma aliança com o STF.
Para virar o jogo, Messias precisa forjar sua própria conexão com os senadores, com a possível promessa de ser um ministro permeável a contatos políticos, como Pacheco seria. Além disso, Lula pode entrar em campo para entregar generosos prêmios de consolação para Alcolumbre, um senador sempre empenhado em ampliar seus domínios em outros cargos estratégicos.
(TRPCE)
(*) https://www1.folha.uol.com.br/poder/2025/11/congresso-esquece-bolsonaro-escala-crise-com-lula-e-poe-em-risco-agenda-do-governo.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
(**) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2025/11/governo-lula-ainda-nao-enviou-documentos-de-messias-ao-senado-e-estresse-aumenta.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
(***) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painel/2025/11/intervalo-entre-indicacao-e-sabatina-de-messias-segue-media-de-vagas-anteriores-ao-stf.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
(****) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painel/2025/11/messias-recebeu-cumprimentos-dos-ministros-do-stf-a-excecao-de-dino.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
. . .E venha a nós o vosso reino. . .
“Câmara cria penduricalho para TCU e supersalários chegarão a R$ 92 mil”
– Projeto relatado por Odair Cunha (PT-MG) cria “licença compensatória” para servidores com função no TCU e supersalários chegarão a R$ 92 mil.
(Andre Shalders, Metrópoles, 27/11/25)
A Câmara dos Deputados aprovou ontem um projeto de lei que cria um novo “penduricalho” para servidores do Tribunal de Contas da União (TCU). A benesse foi batizada de “licença compensatória” e surgiu no substitutivo preparado pelo relator Odair Cunha (PT-MG).
Com a nova vantagem, os salários no TCU poderão chegar a até R$ 91,9 mil, segundo estimativas de técnicos da Câmara dos Deputados. Por se tratar de uma “indenização”, o novo penduricalho é isento de imposto de renda. Também não entra no cálculo do teto constitucional das remunerações do serviço público.
A “licença compensatória” será devida a todos os servidores do TCU que têm função de confiança no tribunal. Atualmente, há 913 servidores com função na Corte, ou 34% do quadro.
Um levantamento do Movimento Pessoas à Frente e do Republica.org divulgado nesta quinta-feira (27/11) mostra que os supersalários consomem cerca de R$ 20 bilhões por ano — e beneficiam menos de 1% dos servidores públicos.
Segundo o estudo, o Brasil lidera o ranking internacional de supersalários no serviço público. A pesquisa foi conduzida por Sérgio Guedes-Reis, pesquisador da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD) e auditor da Controladoria-Geral da União (CGU).
O novo “penduricalho” consta do artigo 17-B do Projeto de Lei 2829/2025. Pela regra, o servidor receberá um dia de licença a cada três dias trabalhados — e esse dia de “folga” poderá ser trocado por dinheiro. Ou seja, na prática, é como se os servidores recebessem por um mês com 40 dias de trabalho.
À coluna, Odair Cunha disse que a “licença compensatória” surgiu no texto para substituir a chamada “indenização por regime especial de dedicação gerencial” (IREDG), que constava no texto original enviado pelo TCU.
Adicionais como a IREDG foram considerados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, diz Cunha. Ele afirma ainda que verbas de caráter indenizatório são isentas em todo o serviço público.
Segundo Odair Cunha, o novo penduricalho será pago a servidores concursados que se dedicam ao tribunal fora do horário regular, por conta da função de confiança. No serviço público, a função é um pagamento extra recebido por servidores que exercem cargos de chefia ou assessoramento.
Enviado pelo próprio TCU, o PL 2829/2025 (*) aumenta a remuneração do tribunal ao longo de quatro anos, entre 2026 e 2029. O texto segue agora para o Senado.
(Fonte: https://www.metropoles.com/colunas/andreza-matais/camara-cria-penduricalho-para-tcu-e-supersalarios-chegarao-a-r-92-mil
(*) Substitutivo do relator aprovado:
https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=3054076&filename=SBT+1+%3D%3E+PL+2829/2025
A incomPeTência premiada!
“Correios: ex-presidente vai ganhar R$ 319 mil após pedir demissão”
– Fabiano Silva dos Santos, ex-presidente dos Correios, ganhou quarentena remunerada da Comissão de Ética Pública.
(Tácio Lorran, Metrópoles, 27/11/25)
O ex-presidente dos Correios Fabiano Silva dos Santos precisará cumprir quarentena e vai ganhar mais seis meses de salário após pedir demissão da estatal.
Fabiano informou à Comissão de Ética Pública da Presidência da República (CEP) ter recebido uma proposta para trabalhar no escritório CM Advogados, que pertence ao advogado Marco Aurélio de Carvalho, presidente do Prerrogativas.
O órgão colegiado avaliou que a ida de Fabiano para a iniciativa privada configura potencial conflito de interesse e, por isso, autorizou o pagamento da quarentena remunerada ao advogado. Ao longo desse período de seis meses, ele está impedido de atuar profissionalmente na área.
No escritório, Fabiano foi convidado a exercer a função de consultor em temas relacionados a assuntos postais, logísticos, infraestrutura e imobiliário.
O valor da quarentena equivale ao salário do cargo que a pessoa ocupava. Atualmente, o presidente dos Correios ganha R$ 53.286,39 por mês. Isso significa que ao longo de um semestre Fabiano ganhará R$ 319.718,34.
Conforme mostrou o Metrópoles, Fabiano, enquanto esteve na presidência da estatal, reajustou o próprio salário em 14%, passando de R$ 46.727,77 para os atuais R$ 53.286,39.
O rombo dos Correios
O advogado deixou a presidência da estatal em meio a grave crise financeira. Os Correios tiveram prejuízo de R$ 2,6 bilhões em 2024 — quatro vezes o valor registrado no ano anterior. A situação continua se agravando em 2025.
(Fonte: https://www.metropoles.com/colunas/tacio-lorran/correios-ex-presidente-vai-ganhar-r-319-mil-apos-pedir-demissao)
“Hugo Motta foi estrela de jantar oferecido pela Refit em Nova York”
– Presidente da Câmara é criticado por não pautar projeto contra devedores contumazes.
(Por Bernardo Mello Franco, O Globo, 27/11/25)
. . .
“O presidente da Câmara, Hugo Motta, participou de um jantar em Nova York oferecido pela Refit, conhecida por sonegar ICMS, usando recursos públicos para a viagem. Ele tem sido criticado por não avançar com o projeto de lei que pune devedores contumazes, como a Refit. A demora na tramitação do projeto foi criticada pelo Instituto Combustível Legal, destacando que favorece infratores fiscais.” (irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/blogs/bernardo-mello-franco/post/2025/11/hugo-motta-foi-estrela-de-jantar-oferecido-pela-refit-em-nova-york.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“Resumão, O Globo” (I)
(Por Gabriel Cariello, 27/11/25)
REVÉS PARA O GOVERNO
O Congresso impôs derrotas ao governo Lula (1) ao derrubar vetos presidenciais e restabelecer trechos sensíveis do Orçamento de 2025, em uma demonstração de força ante o Executivo. Em vitória da bancada ruralista, deputados e senadores restabeleceram regras que flexibilizam etapas do licenciamento ambiental (2). Também foram derrubados vetos ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (3)(Propag). O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), negou se tratar de uma resposta política.
► Ambientalistas afirmam que a decisão sobre o licenciamento põe em risco metas assumidas na COP30 (4).
► Alcolumbre afirmou que o Senado vai votar o projeto de lei contra facções criminosas na próxima semana (5).
► A oposição tenta usar crise entre governo e Alcolumbre para emplacar proposta (6) que pode tirar Bolsonaro da prisão em regime fechado.
(TRPCE)
(1) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/27/congresso-impoe-serie-de-derrotas-ao-governo-e-derruba-vetos-em-meio-a-crise-com-o-planalto.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(2) https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2025/11/27/congresso-derruba-vetos-ao-licenciamento-ambiental-e-da-vitoria-expressiva-a-bancada-ruralista.ghtml
(3) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/27/acordo-entre-castro-governo-flavio-bolsonaro-e-conversa-com-messias-garantiram-a-estados-a-usar-compensacao-da-reforma-tributaria.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(4) https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2025/11/27/ambientalistas-dizem-que-derrubada-de-vetos-ao-licenciamento-ambiental-poe-em-risco-metas-assumidas-na-cop-30.ghtml
(5) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/27/davi-alcolumbre-diz-que-senado-vai-votar-pl-antifaccao-na-semana-que-vem.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(6) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/27/oposicao-tenta-usar-crise-do-planalto-com-alcolumbre-para-emplacar-proposta-que-tira-bolsonaro-do-regime-fechado.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“Resumão, O Globo” (II)
(Por Gabriel Cariello, 27/11/25)
FRAUDE BILIONÁRIA
O Grupo Refit, dono da antiga refinaria de Manguinhos, e dezenas de empresas do setor de combustíveis, foram alvo de uma megaoperação contra fraudes fiscais que causaram prejuízos de R$ 26 bilhões (1) a estados e à União. A ação mirou 190 empresas e pessoas. A Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de R$ 10,2 bilhões (2) em bens dos envolvidos.
► A Receita Federal trata o grupo Refit como o maior devedor contumaz (3) do país. Em um ano, o grupo movimentou R$ 72 bilhões para ocultar lucros. Empresas registradas em Delaware, nos EUA, foram usadas no esquema (4).
► Após a operação, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou os relatores (5) de projetos para combater fraudes no setor e punir devedor contumaz.
(TRPCE)
(1) +em: https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2025/11/27/operacao-mira-esquema-de-fraude-fiscal-em-sao-paulo.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(2) +em: https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2025/11/27/refit-justica-determina-bloqueio-de-r-102-bilhoes-em-bens-do-maior-devedor-contumaz-do-pais.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(3) +em: https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2025/11/27/alvo-de-megaoperacao-grupo-refit-e-o-maior-devedor-contumaz-do-pais-entenda-o-esquema.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(4) +em: https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2025/11/27/refit-como-delaware-nos-eua-foi-usado-para-blindar-r-72-bilhoes-do-maior-devedor-contumaz-do-pais.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(5) +em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2025/11/27/motta-anuncia-relatores-do-projeto-que-pune-devedor-contumaz-e-pacote-anti-fraude-no-setor-de-combustiveis.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“Resumão, O Globo” (III)
(Por Gabriel Cariello, 27/11/25)
SALÁRIO CORTADO
O PL anunciou a interrupção do pagamento dos salários (*) e das atividades partidárias do ex-presidente Jair Bolsonaro, em função da suspensão dos direitos políticos. Presidente de honra da legenda, Bolsonaro recebia um salário de R$ 42 mil do partido.
► A defesa de Bolsonaro afirmou ao STF que ele não usou o celular do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) durante visita na semana passada. Nikolas foi flagrado por reportagem do Jornal Nacional.
(TRPCE)
(*) +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/27/pl-anuncia-a-suspensao-dos-salarios-e-atividade-partidaria-de-bolsonaro.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(**) +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/27/defesa-de-bolsonaro-diz-ao-stf-que-ele-nao-usou-celular-de-nikolas-durante-visita.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“Resumão, O Globo” (IV)
(Por Gabriel Cariello, 27/11/25)
A SABATINA DE MESSIAS
Escolhido relator da indicação de Jorge Messias ao STF, o senador Weverton Rocha (PDT-MA) comparou sua tarefa à de segurar uma “granada sem pino”. Messias sofre resistência no Senado, capitaneada pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre, e acelerou encontro com senadores em busca de apoio. Sua sabatina foi marcada para 10 de dezembro.
(TRPCE)
+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/27/me-jogaram-uma-granada-sem-pino-diz-relator-da-indicacao-de-messias-no-senado.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“Resumão, O Globo” (V)
(Por Gabriel Cariello, 27/11/25)
PLANO CONTRA O RACISMO
O Supremo Tribunal Federal formou maioria para determinar que o governo federal deve tomar medidas para combater o racismo. Essas medidas incluiriam um plano de combate à violação dos direitos da população negra. Oito ministros já concordaram, mas há divergência sobre se deve ser declarado um estado de coisas institucional — faltam os votos de Gilmar Mendes e Edson Fachin. O julgamento foi suspenso.
(TRPCE)
+em: https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2025/11/27/stf-tem-maioria-para-obrigar-governo-a-tomar-medidas-contra-racismo.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“Direita se rebela em Santa Catarina para não ser ‘gado’ de Bolsonaro”
“Jogo Político”
(Thiago Prado, O Globo, 27/11/25)
Com cerca de 16 mil habitantes, Pouso Redondo é um dos 295 municípios de Santa Catarina onde Carlos Bolsonaro pretende buscar votos para senador no ano que vem. Há duas semanas, um vídeo gravado por Rafael Tambosi — prefeito da cidade e filiado ao PL do filho do ex-presidente — sintetizou o sentimento de parte considerável da direita local com a transferência do domicílio eleitoral do vereador carioca para o estado.
Dentro de um curral, com bois e vacas ao fundo, Tambosi abriu a câmera do celular e, durante dois minutos, disparou ataques contra o que se convencionou chamar entre os catarinenses de forçação de barra da família Bolsonaro:
— A gente gosta do nosso gadinho, trata bem os nossos bichinhos, mas o povo de Santa Catarina não é gado. E isso tem que ficar bem claro nesse momento em que as lideranças não se posicionam enquanto temos a imposição da candidatura do Carlos a senador.
A afirmação de Tambosi está em sintonia com declaração recente do prefeito de Joinville, a maior cidade de Santa Catarina, com 616 mil habitantes:
— Entendo isso como uma agressão ao Estado. Não conheço Carlos pessoalmente, mas essa crítica eu faria a qualquer outro que quisesse se mudar para um estado meramente por uma questão de oportunidade de voto — disse Adriano Silva (Novo), em entrevista ao podcast regional ‘Cabeça de Político’.
Dois dos prefeitos mais importantes de Santa Catarina aceitaram conversar sobre a revolta catarinense com a mudança de domicílio de Carlos — o vereador decidiu morar em São José, cidade com 270 mil habitantes. O pano de fundo para a gritaria na direita está no fato de a deputada federal Carol de Toni (PL) e do senador Espiridião Amin (PP) terem se colocado como candidatos antes. À frente de Chapecó, município com 254 mil habitantes, o prefeito João Rodrigues (PSD), ironiza o governador Jorginho Mello (PL), a quem caberá organizar a chapa da direita.
— O catarinense não tem aceitado muito bem o Carlos como candidato. Agora, por outro lado, essa gente só existe por causa do Bolsonaro. Não fosse o ex-presidente, não eram ninguém — afirma Rodrigues, minimizando pesquisas divulgadas recentemente que colocam Carlos competitivo para o Senado — As pessoas fora da bolha ainda não sabem direito que é o filho do ex-presidente que ainda não mora aqui que será candidato, só estão vendo o sobrenome da família sem entender.
Responsável por administrar Florianópolis, com população de 537 mil habitantes, Topázio Neto (PSD) reconhece que não é bom para a direita ir dividida para as urnas com três candidatos, enquanto a esquerda pode se unir em apenas um nome — hoje, o mais cotado é Décio Lima, presidente do Sebrae e segundo colocado nas eleições para governador em 2022 contra Jorginho.
— A resistência ao nome do Carlos é natural neste momento. Mas ainda há muita água para rolar, falta um ano para a eleição e não sabemos qual será o impacto da prisão de Bolsonaro no eleitor catarinense. Os sentimentos estão muito misturados. Mas o ideal é que haja apenas dois nomes para o Senado, tenho certeza que haverá uma composição — diz Topázio.
Antes de ser preso e sem clareza da rejeição a Carlos em Santa Catarina, Bolsonaro tinha certeza que resolveria o problema com uma estratégia machista. O colunista Tales Faria, do jornal Correio da Manhã, revelou que o ex-presidente procurou o marido de Carol de Toni, o ex-prefeito de Xanxerê, de 52 mil habitantes, Matheus Bortoluzzi, para ajudar a convencer a parlamentar a desistir de concorrer. Na conversa, Bolsonaro encontrou um homem incomodado com a possibilidade da mulher passar oito anos como senadora, em constantes deslocamentos para Brasília. O casal tem duas filhas — uma delas, recém-nascida.
A família Bolsonaro tem certeza que Santa Catarina e seus 8,1 milhões de habitantes aceitarão tudo que a família mandar baseada em dois números: em 2022, o ex-presidente teve 69% dos votos no estado contra Lula. Dois anos depois, Balneário Camboriú, de 139 mil habitantes, consagrou Jair Renan, seu quarto filho na política, como o vereador mais votado da cidade.
Assim como Carlos, o jovem de 27 anos, mais conhecido como “04”, também vem sendo rejeitado pela classe política local. Em agosto, o presidente da Câmara de Vereadores do município, Marcos Kurtz, o chamou de “Tiririca de Balneário Camboriú” após uma discussão no plenário. Em setembro, foi a vez da prefeita Juliana Pavan (PSD) dizer que o filho do ex-presidente precisava “ler mais”. Jair Renan virou chacota na cidade no segundo semestre após gravar um vídeo e utilizar erradamente a palavra “cidadões” ao se referir ao plural de “cidadão”.
— Ele quase nunca se posiciona sobre nada, e quando o faz, não consigo entender o que fala — alfinetou a prefeita Juliana Pavan, na semana passada, em entrevista ao Canal do Paulo Mathias, no Youtube.
(TRPCE)
“Oposição vê Lula enfraquecido após fiasco do IR”
(Cláudio Humberto, Coluna CH, DP, 27/11/25)
A oposição torce para ser irreversível o afastamento do Congresso da influência do Planalto, evidenciado no boicote dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Rep-PB), e Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ao factoide de Lula (PT), ontem (26), na sanção sobre isenção do imposto de renda, que a rigor só beneficia 20% dos trabalhadores que recebem até R$5 mil. Lula colocou na mesma foto os inimigos Arthur Lira (PP-AL) e Renan Calheiros (MDB-AL), mas nada de Motta e Alcolumbre.
Tem mais
A ausência caiu como uma bomba no Planalto, que ainda precisa do Congresso para andar com a indicação de Jorge Messias e Orçamento.
Já deu
À coluna, o deputado Capitão Alden (PL-BA) avalia que a desgastada relação de Lula com o Congresso está “marcada por falta de confiança”.
Arruinou de vez
Como estava previsto, a nomeação de Gleisi Hoffmann arruinou de vez a “articulação política”, que já era ruim demais com Alexandre Padilha.
Pode piorar
“O Planalto precisará readequar sua articulação se quiser evitar uma escalada de tensões”, sugere o opositor Alden.
(Fonte: https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/oposicao-ve-lula-enfraquecido-apos-fiasco-do-ir)
E a qualidade do serviço público?
“Brasil fica em primeiro em ranking de supersalários no funcionalismo, com gasto de R$ 20 bilhões”
– Estudo compara a elite do serviço público no país com o funcionalismo de outros dez países.
– Gasto com remuneração acima do teto é 21 vezes maior do que na Argentina, segundo país da lista.
(Adriana Fernandes e Luany Galdeano, FSP, 26/11/25)
O Brasil aparece em primeiro lugar em ranking que analisou supersalários do funcionalismo em 11 países.
O levantamento, divulgado nesta quarta-feira (26), compara a elite do serviço público no Brasil com os profissionais de Alemanha, Argentina, Chile, Colômbia, Estados Unidos, França, Itália, México, Portugal e Reino Unido. A pesquisa foi realizada pelo Movimento Pessoas à Frente e a República.org, duas instituições da sociedade civil voltadas à valorização do servidor público.
O estudo calcula que o Brasil possui 53,5 mil servidores ativos e inativos que recebem acima do teto constitucional remuneratório, de R$ 46.366,19.
Os gastos com esses supersalários chegam a R$ 20 bilhões em um ano, o equivalente a US$ 8 bilhões em PPC (paridade de poder de compra), que compara o poder aquisitivo de diferentes moedas.
A cifra é 21 vezes maior do que na Argentina, segundo país da lista que mais gasta com salários extrateto e que conta com 27 mil servidores públicos com supersalários.
Em seguida, aparecem os Estados Unidos, com pouco mais de 4.000 servidores acima do teto. Nenhum outro país pesquisado registrou mais do que 2.000 trabalhadores recebendo supersalários. A Alemanha não tem registro de casos.
O estudo considera como supersalários os vencimentos que ultrapassam o limite definido na legislação de cada país. Para os casos em que não há teto na lei, foi considerado como limite o salário recebido pelo presidente ou o primeiro-ministro. No caso do Brasil, o presidente da República também recebe o teto. Os dados são do período entre agosto de 2024 e julho de 2025.
No Brasil, os supersalários são pagos principalmente na magistratura, no Ministério Público e em carreiras como advogados da União e procuradores federais.
O Brasil tem também o maior número de funcionários públicos no top 1% da população mais rica, com renda anual acima de R$ 685 mil, em 2025. São 40 mil servidores que se encaixam nesse grupo. Em seguida, vem a Colômbia, onde apenas 2.774 estão no 1% mais rico.
O levantamento foi feito para subsidiar os parlamentares na decisão sobre a votação de medidas para impedir que os chamados penduricalhos (verbas extras) sejam utilizadas para furar o teto salarial do funcionalismo. A proposta tramita há quase uma década sem sucesso no Congresso por pressão maior do Judiciário.
Apesar do apoio popular à restrição, a proposta incluída no texto da reforma administrativa neste ano perdeu força, em meio a uma sucessão de crises políticas. Pesquisa Datafolha, divulgada em julho, mostrou que 83% da população reprovam os supersalários e defendem o resgate da autoridade do teto constitucional.
Brasil é primeiro em ranking de supersalários por país
Em PPC (paridade de poder de compra), em US$
(ver gráfico no link da matéria)
No Brasil, quase 11 mil juízes receberam mais de US$ 400 mil, cerca de R$ 1 milhão, no período entre agosto de 2024 e julho de 2025, valor superior ao pago a qualquer magistrado em sete dos outros dez países analisados. Em alguns casos no Brasil, juízes sem cargo de direção receberam mais de US$ 1,3 milhão, impulsionados por pagamentos retroativos.
A remuneração inicial de um magistrado brasileiro é a quarta maior entre os países analisados, sendo muito próxima ao salário dos juízes do Reino Unido e inferior apenas ao valor pago nos EUA e no México.
No topo dos salários do Judiciário, que não estão vinculados a funções de comando ou a cargos em tribunais superiores, um juiz brasileiro chega a ganhar quatro vezes mais do que ministros das cortes constitucionais da Alemanha, da França, da Argentina e dos Estados Unidos.
“Qualquer reforma do Estado no Brasil deve começar por regular melhor os salários. Em países com bom serviço público, servidores, de qualquer poder ou nível, não podem determinar seus próprios salários e benefícios”, diz Guilherme Cezar Coelho, fundador da República.org.
“Se aumentarmos a amostragem, o custo pode ser ainda bem maior, alcançando, possivelmente, R$ 40 bilhões, que é 40% do déficit fiscal previsto pelo governo neste ano”, alerta.
Para Jessika Moreira, diretora-executiva do Movimento Pessoas à Frente, os gastos com supersalários reduzem a capacidade de investimento em áreas essenciais. “Quando colocamos o Brasil em comparação com esses dez outros países, vemos que há uma anomalia”, afirma a executiva.
Panorama de supersalários
(ver gráfico no link da matéria)
O estudo mostrou que os 53,5 mil funcionários que recebem acima do teto remuneratório equivalem a apenas 1,34% de um grupo de 4 milhões de servidores ativos e inativos analisados.
Segundo Sergio Reis, autor da pesquisa, a força das remunerações excessivas no Judiciário é maior no Brasil. Esses servidores têm direito a uma série de verbas indenizatórias, como por acúmulo de função e férias não usufruídas, livres de imposto de renda e que podem ultrapassar o teto constitucional, um fenômeno que não existe em outros países.
“No caso dessas elites, a técnica de transformar as parcelas indenizatórias leva a um salário muito próximo entre o líquido e o bruto”, afirma Reis.
Segundo Alketa Peci, professora de administração pública da FGV (Fundação Getulio Vargas), o fato de que há categorias que decidem as próprias regras, como ocorre no âmbito do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), fortalece o corporativismo e interfere no combate aos supersalários.
Para ela, o estudo permite entender como esse fenômeno afasta o Brasil sobretudo de países desenvolvidos. “Confundimos autonomia institucional e financeira com a falta de responsabilização. Isso não existe nos países desenvolvidos, que têm consensos sobre o que é considerado razoável.”
O gasto de R$ 20 bilhões em um ano tem como grupo mais beneficiado a magistratura, sendo em torno de 21 mil juízes com remuneração acima do teto constitucional, somando R$ 11,5 bilhões. No Ministério Público, o gasto adicional é de R$ 3,2 bilhões, com 10,3 mil membros acima do limite.
No Executivo federal, 12,2 mil servidores estão nessa condição, representando R$ 4,33 bilhões pagos além do teto, concentrados em carreiras como advogados da União.
Para Ana Pessanha, especialista em conhecimento da República.org, as distorções salariais revelam um desequilíbrio estrutural: “A situação brasileira é totalmente bizarra em comparação com esses dez países. E a quantidade de supersalários daqui no Brasil é destoante.”
Pessanha ressalta que os servidores precisam ter uma remuneração justa, compatível com a complexidade do seu trabalho, e de forma sustentável.
SOLUÇÕES DE OUTROS PAÍSES
– Chile e Reino Unido dispõem de comissões salariais independentes, que definem faixas e reajustes com base em critérios técnicos
– Nos EUA, tudo que excede o limite anual deve ser pago no ano seguinte, sempre respeitando o teto de cada ano
– Na Alemanha, há um vínculo direto entre as remunerações dos servidores civis e das autoridades políticas. Postos de direção política e com maior responsabilidade são mais bem pagos
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/11/brasil-fica-em-primeiro-em-ranking-de-supersalarios-no-funcionalismo-com-gasto-de-r-20-bilhoes.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsfolha)
“Supersalários”
Enquanto Haddad e sua equipe passam o tempo imaginando formas cobrar ainda mais impostos, levantamento revela que o Brasil pagou R$20 bilhões nos últimos doze mesessomente em salários do serviço público acima do teto de R$46 mil.
(Coluna CH, DP, 27/11/25)
“Nossa conta”
A CCJ do Senado resolveu triplicar um acréscimo no salário de analista do judiciário com especialização e mandar a conta para quem paga impostos. Anote aí: o relatório é do senador Eduardo Braga (MDB-AM
(Coluna CH, DP, 27/11/25)
“Feliz no simples”
(Beatriz Pecinato, Mercado, FSP, 27/11/25)
Já pensou em ter uma clínica de estética inteira reservada apenas para você e sua família? Ou desembarcar de um avião, entrar em um carro que te leva até a entrada privada de um hotel e usar um elevador que chega direto no seu quarto?
É claro que estamos falando de experiências caríssimas, mas essas situações têm outro elemento em comum: a privacidade.
Ela é a nova tendência dos ultrarricos (1).
De acordo com uma reportagem do jornal The Wall Street Journal (2), a elite mundial está gastando cada vez mais para ocupar espaços exclusivos e evitar incômodos da vida comum.
Segue o fluxo. Restaurantes, clubes, resorts e outros serviços vendem, cada vez mais, experiências personalizadas.
Quer um exemplo?
Em Miami, um restaurante oferece uma área privada apenas para membros. Um casal, que fez um jantar no local, foi recebido com seus coquetéis preferidos, além de hashis personalizados com seus nomes.
De quem estamos falando?
De uma parcela bem pequena da população. O patrimônio líquido dos 0,1% americanos mais ricos, por exemplo, chegou a US$ 23,3 trilhões no segundo trimestre deste ano, segundo o Federal Reserve de St. Louis.
E como é aqui no Brasil?
Os super-ricos são um grupo de 140 mil contribuintes com ganhos acima de R$ 600 mil por ano (3).
Vale o lembrete:
com a sanção da isenção de IR até R$ 5.000 (3), o Ministério da Fazenda calcula que cerca de 15 milhões de brasileiros devem deixar de pagar o imposto. Para compensar, haverá cobrança maior para a parcela que vive cheia da grana.
↳ O Café da Manhã, podcast da Folha, tem um episódio que analisa o pertencimento de classe e quem são os ricaços brasileiros. Ouça aqui (4).
↳ No livro “Coisa de Rico”, o antropólogo Michel Alcoforado se infiltraou nesse mundo para fazer um raio-X de como a elite se porta. Saiba mais sobre a obra aqui (5).
(TRPCE)
(1) “Ultrarricos gastam fortunas para levar vida de luxo reservada”
– Hotéis, restaurantes e clubes apostam em experiências cada vez mais exclusivas para atrair elites.
– Miami acumula exemplos dos serviços em alta entre os endinheirados, mostra WSJ.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/11/ultrarricos-gastam-fortunas-para-levar-vida-de-luxo-reservada.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(2) “Os ultrarricos gastam uma fortuna para viver em extrema privacidade.”
– Em Miami e em outros lugares, os ricos estão se movendo em esferas cada vez mais privadas, desembolsando grandes quantias para evitar as indignidades da vida pública.
+em: https://www.wsj.com/lifestyle/travel/the-ultrarich-are-spending-a-fortune-to-live-in-extreme-privacy-3f400e55?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(3) +em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/11/lula-sanciona-isencao-de-imposto-de-renda-em-cerimonia-marcada-por-ausencias-de-motta-e-alcolumbre-acompanhe.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(4) https://www1.folha.uol.com.br/podcasts/2025/09/podcast-analisa-o-pertencimento-de-classe-e-discute-quem-sao-os-super-ricos-brasileiros.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(5) https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/08/michel-alcoforado-se-infiltra-entre-ricacos-para-fazer-raio-x-de-como-se-porta-a-elite.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
Cavalo de batalha da campanha do lula 4:
“Estudo prevê custo de R$ 78 bilhões para tarifa zero em ônibus no país”
+em: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2025/11/estudo-preve-custo-de-r-78-bilhoes-para-tarifa-zero-em-onibus-no-pais.shtml
Não basta quebrar!
Tem que arrasar!
“Seis senadores por dia: Messias tem apenas duas semanas para buscar 81 parlamentares após ‘armadilha’ de Alcolumbre”
– Indicado ao STF inicia encontros, mas ainda não conseguiu falar com dirigente do Senado.
(Por Gabriel Sabóia e Jeniffer Gularte — Brasília, O Globo, 27/11/25)
. . .
“O advogado-geral da União, Jorge Messias, enfrenta um desafio após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, marcar sua sabatina na CCJ para 10 de dezembro, considerada uma “armadilha” por aliados de Lula. Messias tem duas semanas para conquistar apoio de 81 senadores, precisando de 41 votos para aprovação ao STF. A articulação política é intensa, com Jaques Wagner e outros aliados ajudando na busca por votos.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/27/seis-senadores-por-dia-messias-tem-apenas-duas-semanas-para-buscar-81-parlamentares-apos-armadilha-de-alcolumbre.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
“Só piora”
Para piorar a vida de Jorge Messias no Senado, que tenta uma vaga no STF, a tese de doutorado do indicado de Lula foi a defesa do ativismo judicial como “parte da institucionalidade brasileira”.
(Coluna CH, DP, 27/11/25)
“Clã Bolsonaro tenta adiar debate sobre escolha de candidato enquanto cresce pressão na direita”
– Está em jogo um embate entre a manutenção do protagonismo da família e a ‘emancipação’ de outros quadros, sobretudo dos governadores que têm interesse em disputar a Presidência.
(Por Luísa Marzullo, Samuel Lima e Caio Sartori — Brasília, São Paulo e Rio, O Globo, 27/11/25)
. . .
“O clã Bolsonaro enfrenta pressão interna na direita sobre a escolha de um candidato para as eleições presidenciais de 2026, enquanto tentam adiar o debate. A prisão de Jair Bolsonaro gerou tensões na família, que busca manter seu protagonismo político. Governadores, como Tarcísio de Freitas, são cautelosos sobre suas intenções, evitando desafiar a liderança de Bolsonaro, mesmo com a família tentando controlar a narrativa política.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/27/cla-bolsonaro-tenta-adiar-debate-sobre-escolha-de-candidato-enquanto-cresce-pressao-na-direita.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
“Escalada da crise política dificulta missão da Fazenda de fechar buraco de R$ 30 bi no Orçamento de 2026”
– Clima azedo no Congresso traz novo obstáculo às propostas que elevam a arrecadação, parte delas já barradas pelos parlamentares em tentativas anteriores.
(Por Thaís Barcellos — Brasília, O Globo, 27/11/25)
. . .
“A intensificação da crise política no Brasil está complicando a tarefa do Ministério da Fazenda de solucionar um déficit de R$ 30 bilhões no Orçamento de 2026. As turbulências políticas dificultam a implementação de medidas de ajuste fiscal necessárias para equilibrar as contas públicas, aumentando a incerteza econômica e desafiando a governabilidade.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2025/11/27/escalada-da-crise-politica-dificulta-missao-da-fazenda-de-fechar-buraco-de-r-30-bi-no-orcamento-de-2026.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
Folha 105 (020)
“Manuel Bandeira escreveu sobre a obra e a timidez de Mario Quintana”
– ‘Moitou, disfarçou’, afirmou o poeta pernambucano sobre encontro com o colega gaúcho.
– Artigo faz parte de seção que republica colunas de grande repercussão da história da Folha.
Alguém gritou “Manuel!” no Passeio Público (1), histórico parque na região central do Rio. Bandeira (2) olhou para trás, viu uns vagos sujeitos nos bancos, ninguém se aproximou. Ele seguiu caminho. Só soube muito depois: quem tinha chamado era Mario Quintana (3).
O poeta gaúcho reconheceu seu colega pernambucano pelos retratos, chamou-o, mas quando ele se voltou, “deu-lhe um acanhamento súbito, e ele moitou, disfarçou, como se tivesse cometido uma inconveniência”.
Manuel Bandeira contou o episódio em crônica publicada na Folha, no ano de 1962, celebrando a obra reunida de Quintana. “Assim, perdi a ocasião, talvez única, de entrar em contato pessoal com esse raro poeta de minha especial predileção.”
A crônica era quase uma declaração de amor. Para o escritor, a poesia de Quintana era “um vício triste, desesperado e solitário”. Mas não parecia. “Antes parece lenitivo para aplacar outra fome, outra miséria, que não é a do corpo.”
Bandeira citou uma história em três linhas de “Sapato Florido”: “Uma formiguinha atravessa, em diagonal, a página ainda em branco. Mas ele, aquela noite, não escreveu nada. Para quê? Se por ali já havia passado o frêmito e o mistério da vida.”
E concluiu: “A poesia, para Quintana, é isso: o frêmito e o mistério da vida”.
Leia a seguir o texto completo, parte da seção 105 Colunas de Grande Repercussão (4), que relembra crônicas que fizeram história na Folha. A iniciativa integra as comemorações dos 105 anos do jornal, em fevereiro de 2026.
Sobre Mario Quintana (22/4/1962)
Quando morei na Lapa, um dia que atravessava o Passeio Público, ouvi que me chamavam: «Manuel!» Olhei para trás, havia uns vagos sujeitos nos bancos, nenhum veio ter comigo, continuei o meu caminho. Soube muito tempo depois que quem me tinha chamado havia sido ninguém menos do que Mario Quintana, o meu querido e admirado, lido e relido poeta gaúcho Mario Quintana, que nunca tivera a fortuna de «avistar» e não conhecia nem de fotografia. Quintana me viu passar, reconheceu-me pelos retratos, chamou-me, mas quando eu me voltei, deu-lhe um acanhamento súbito, e ele moitou, disfarçou, como se tivesse cometido uma inconveniência. Assim, perdi a ocasião, talvez única, de entrar em contacto pessoal com esse raro poeta de minha especial predileção. Espero que em futuro próximo Quintana saia de seus pagos e venha ao Rio dar-se a conhecer aos seus admiradores, que são muitos: o Rio agora é tão província quanto Porto Alegre e S. Pedro continua a pintar aqui, nos céus, crepúsculos tão belos quanto os de Porto Alegre.
Esta minha declaração de amor vem a propósito do volume “Poesias”, em que a Editora Globo reuniu toda a obra poética já publicada de Mario Quintana. Cinco livros: “Rua dos Cataventos”, “Canções”, “Sapato Florido”, “Espelho Mágico” e “O Aprendiz de Feiticeiro”. Diz Quintana que sua poesia “é um vício triste, desesperado e solitário”. Não nos dá, de todo, impressão disso. Antes parece lenitivo para aplacar “outra fome, outra miséria, que não é a do corpo”.
Quintana é vira-luas. Como aquele extraordinário estrangeiro de Baudelaire, ama sobretudo as nuvens. “… as nuvens que passam alto nos céus. … as maravilhosas nuvens. As nuvens que me ensinam a viver tão-só de momentos. … As nuvens que parecem as únicas coisas eternas”. Quintana não quer nada da vida, senão que o deixem “sozinho com os meus passos, com os meus caminhos, com as minhas nuvens”. A sua poesia, esteve sempre tão longe de todos os ismos! Sobretudo do ilusionismo: “Por causa dos ilusionistas é que hoje em dia se acredita que poesia é truque”.
“Sapato Florido”. Uma história em três linhas. “Uma formiguinha atravessa, em diagonal, a página ainda em branco. Mas ele, aquela noite, não escreveu nada. Para quê? Se por ali já havia passado o frêmito e o mistério da vida…” A poesia, p. Quintana, é isso: o frêmito e o mistério da vida. Em todos os quintanares se sente que passou a formiguinha.
Já transcrevi duas coisas do “Sapato Florido”. Poderia transcrever muitas outras, quase todas. É o livro de Quintana em que talvez haja mais o “humour” quintanesco, tão impregnado de ternura, de “far niente”, de puréis milagres. Vejam esta imagem do egoismo: “D. Comoda tem três gavetas. É um armário confortavel de senhoria rica. Nas gavetas guarda coisas de outrora, outros tempos, só para si. Foi sempre assim, dona Comoda: gorda, fechada, egoista.” Ninguém nunca acertou melhor com o mistério do ponto e vírgula do que Quintana quando disse: “Que moça culta a Maria Eduarda: usa o ponto e vírgula!”.
Agora, para terminar, um exemplo da ternura de Quintana para as pobres coisas deste mundo: os objetos perdidos (dentaduras, estojos de pince-nez), lenços com pequenas economias, notas soltas que o afinador de pianos arranca dos teclados…
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha-105-anos/2025/11/manuel-bandeira-escreveu-sobre-a-obra-e-a-timidez-de-mario-quintana.shtml)
(1) https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2025/08/primeiro-jardim-publico-do-brasil-passeio-do-rio-vive-degradacao-e-prefeitura-busca-eventos.shtml
(2) https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2018/10/morto-ha-50-anos-manuel-bandeira-encontrou-a-felicidade-no-modernismo.shtml
(3) https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/5/11/ilustrada/19.html
(4) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/105-colunas-de-grande-repercussao/
“Bolsonaro marcou palpites triplos e errou todos”
– Apostou na impunidade, na imortalidade e na invencibilidade, e se deu mal.
– Via-se como onipresente, onisciente e onipotente, mas não combinou com a vida real.
(Ruy Castro, FSP, 26/11/25)
Lembra-se da frase de Bolsonaro na Presidência? “Só saio daqui preso, morto ou vitorioso.” E completou, com ponto de exclamação: “Quero dizer aos canalhas que eu nunca serei preso!”. Pois, desapontando os canalhas a quem prometeu sua eternidade no Planalto, Bolsonaro está preso, vivo e derrotado. Marcou palpite triplo e conseguiu errar os três. Para quem se julgava senhor de um latifúndio de 8.509.379 quilômetros quadrados, terá de se contentar agora com um três por quatro —12 metros quadrados— e ainda lamber os beiços.
Vista do nosso atual e delicioso ponto de vista, aquela era uma afirmação intrigante. O que o levava a ter tanta certeza da impunidade, da imortalidade e da invencibilidade? Hoje sabemos. A impunidade se devia a Augusto Aras, seu salivante procurador-geral. A imortalidade, à exuberância que exibia em palanques, jet-skis e motocicletas. E a invencibilidade, aos votos de papel, às injeções ilegais de dinheiro no eleitorado, aos serviços exclusivos da Polícia Rodoviária e, se preciso, à intervenção do Exército, que ele julgava ter na manga.
As sucessivas derrotas nas urnas, nos tribunais e nas pesquisas de opinião não têm feito bem a Bolsonaro. Ativaram-lhe uma crise de soluços e vômitos que, até então, nunca se manifestara e, na semana passada, provocaram-lhe um confesso surto de alucinação. Por sorte, um surto benigno —é o único alucinado que consegue realizar uma operação tão delicada como manobrar um ferro em brasa contra um pequeno objeto acoplado ao seu tornozelo e cortar a fogo esse objeto sem se ferir horrivelmente.
Bolsonaro julgava-se onipresente (num único dia, podia ser visto em dez cenários diferentes, exceto na mesa de trabalho), onisciente (para isso montara seu serviço particular de informações) e onipotente (seu ego vivia permanentemente ereto). Mas esqueceu-se de combinar com a vida real.
Um dia, fará jus a uma estátua equestre — só que, como dizia Nelson Rodrigues, equestre ao contrário, com ele montado por um relinchante cavalo.
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2025/11/bolsonaro-marcou-palpites-triplos-e-errou-todos.shtml)
Nesse caso. . .
dá saudades da ditabranda!
“Como é”
As salas onde os generais Paulo Sérgio Nogueira e Augusto Heleno vão cumprir pena são semelhantes à de Jair Bolsonaro, têm 12m², TV, mesa, frigobar, ar-condicionado, cama de solteiro, guarda-roupa e armários.
(Coluna CH, DP, 26/11/25)
Mas cabe uma pergunta:
eles tem direito a um ordenança?
Ei, você ai . . .
. . . já conseguiu, honestamente,
juntar um milhão na poupança?
“Vorcaro comprou mansão de R$ 460 milhões em Miami este ano, diz site dos EUA”
(Por Rennan Setti, O Globo, 26/11/25)
. . .
“Daniel Vorcaro, envolvido no escândalo do Banco Master, comprou uma mansão em Miami por US$ 85,2 milhões (R$ 460 milhões) em janeiro, segundo The Real Deal. A aquisição, feita por meio da Goldbeach Properties LLC, ocorreu meses antes de tentar salvar seu banco. Vorcaro também adquiriu outra propriedade por US$ 6,9 milhões (R$ 27 milhões). A compra estabeleceu um recorde em Bay Point, superando a venda anterior de US$ 38,5 milhões. (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/blogs/capital/post/2025/11/vorcaro-comprou-mansao-de-r-460-milhoes-em-miami-este-ano-diz-site-dos-eua.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
Da série: “me-chamem- me” de bobo, que eu gosto!
“Ministros do Supremo Tribunal Federal indicados por Jair Bolsonaro entraram em campo para ajudar o indicado de Lula, o advogado-geral da União, Jorge Messias, a conseguir os 41 votos necessários no Senado. André Mendonça e Kássio Nunes Marques têm afirmado a parlamentares, principalmente da oposição, que Messias “não é militante” e tem perfil técnico e religioso (*). Enquanto isso, o governo tenta adiar a sabatina, marcada para 10 de dezembro.”
(*) “Ministros do STF indicados por Bolsonaro ligam para senadores para defender aprovação de escolhido de Lula”
– André Mendonça e Kassio Nunes Marques têm procurado parlamentares da oposição em defesa de AGU.
+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/26/ministros-do-stf-indicados-por-bolsonaro-ligam-para-senadores-para-defender-aprovacao-de-escolhido-de-lula.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
Da série: “me-chamem- me” de bobo, que eu gosto!
“Ministros do Supremo Tribunal Federal indicados por Jair Bolsonaro entraram em campo para ajudar o indicado de Lula, o advogado-geral da União, Jorge Messias, a conseguir os 41 votos necessários no Senado. André Mendonça e Kássio Nunes Marques têm afirmado a parlamentares, principalmente da oposição, que Messias “não é militante” e tem perfil técnico e religioso (*). Enquanto isso, o governo tenta adiar a sabatina, marcada para 10 de dezembro.”
(*) “Ministros do STF indicados por Bolsonaro ligam para senadores para defender aprovação de escolhido de Lula”
– André Mendonça e Kassio Nunes Marques têm procurado parlamentares da oposição em defesa de AGU.
+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/26/ministros-do-stf-indicados-por-bolsonaro-ligam-para-senadores-para-defender-aprovacao-de-escolhido-de-lula.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“Tudo a Ler”
(Isadora Laviola, FSP, 26/11/25)
“O papel do escritor contemporâneo é fazer uma acumulação de imaginários”, afirma o martinicano Patrick Chamoiseau em entrevista ao editor Walter Porto (*). O autor veio ao Brasil para participar da Flup, a Festa Literária das Periferias, que acontece no bairro de Madureira, no Rio de Janeiro.
Em um mundo de extremos, onde vozes se recolhem de lados opostos, o autor escolhe um caminho em que todos são ouvidos. Seu objetivo não é derrubar a língua dominante para colocar outra no lugar, mas abrir espaço para “todas as línguas do mundo”.
Essa língua dominante, como explica o escritor, sempre foi a da colonização, que por séculos limitou outros discursos. Mas, se a colonização terminou com as independências, a libertação da linguagem e da cultura é diferente.
Segundo Chamoiseau, todas as fontes linguísticas devem ser valorizadas igualmente. “São coisas que devemos guardar na bolsa para continuar o nosso caminho”, diz.
(*) https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2025/11/flup-convida-grandes-autores-ao-rio-para-pensar-novas-linguas-a-partir-da-negritude.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler
acabou de chegar
> “Salvamento” (trad. Floresta, Zahar, R$ 79,90, 248 págs.) é uma autobiografia construída pelas leituras que formaram Dionne Brand, poeta e ensaísta nascida em Trinidad e Tobago e radicada no Canadá. No livro, ela revisita clássicos britânicos, de Defoe às irmãs Brontë, em busca do colonialismo não contado nesses livros, mas indicado em seus silêncios. Como aponta a crítica Carolina Ferreira , Brand não propõe abandonar totalmente o cânone de autores brancos e, sim, adotar uma leitura crítica capaz de reconhecer “as palavras e seus contextos mais amplos”.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2025/11/em-salvamento-dionne-brand-pensa-a-vida-que-e-destruida-pelos-livros.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler
> “O Uso da Foto” (trad. Mariana Delfini, Fósforo, R$ 69,90, 144 págs) reconstrói o romance que a Nobel francesa Annie Ernaux viveu com o fotógrafo Marc Marie a partir de fotos tiradas durante seus encontros. Pelas imagens, a autora revisita o desejo extinguido pelo parceiro e também o câncer de mama que ela tratava durante a relação. Como escreve a repórter Raíssa Basílio, Ernaux mostra que a fotografia não congela apenas corpos, mas sentimentos.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2025/11/annie-ernaux-revisita-um-amor-e-o-cancer-por-meio-da-fotografia.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler
> “Descobrindo a Minha História” (Sextante, R$ 59,90, 48 págs.) trata de ancestralidade a partir da relação entre um avô e seus netos, que ouvem histórias de antepassados da comunidade do rio Omo, na Etiópia. O livro nasce do desejo do autor Lázaro Ramos de incentivar crianças a conversar com familiares e conhecer as próprias raízes. “Muitas vezes procuramos heróis longe da gente, enquanto histórias importantíssimas estão na nossa família e a gente não se preocupa em perguntar”, como ele diz ao jornalista Isac Godinho.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/folhinha/2025/11/lazaro-ramos-inspira-criancas-a-conhecer-as-suas-proprias-raizes.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler
agenda literária
> Nesta quarta (26) tem início a 27ª edição da Festa do Livro da USP, que se estende até domingo (30), na Cidade Universitária (av. Prof. Mello Moraes, travessa C), em São Paulo. O tradicional evento reúne 220 editoras de todo o país oferecendo 250 mil títulos com desconto mínimo de 50% sobre o preço de capa.
> Já na quinta (27), começa o segundo Flipetrópolis, Festival Literário Internacional de Petrópolis, que segue até o domingo (30), em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro. A programação gratuita, concentrada no histórico Palácio de Cristal (r. Alfredo Pachá s/n – Centro), reúne autores como Ana Maria Machado, Conceição Evaristo, Eduardo Giannetti, Eliana Alves Cruz, Itamar Vieira Junior, Mary del Priore e Míriam Leitão. A escritora cubana Teresa Cárdenas é a convidada internacional desta edição.
> E na sexta (28), a Fundação Casa Rui Barbosa (r. São Clemente, 134 – Botafogo), no Rio de Janeiro, recebe a primeira edição da FliRui, que vai até domingo (30). A festa literária ocupa os jardins e espaços internos da instituição promovendo encontros gratuitos com figuras diversas como Maria Bethânia, Ana Paula Tavares, Chico Alencar, Cármen Lúcia, Ailton Krenak, Ondjaki e mais.
e mais
> Às vésperas de seu nonagésimo aniversário, Raduan Nassar, que venceu o Camões em 2016, é um dos principais escritores brasileiros vivos. De sua produção, a pesquisadora Masé Lemos destaca o romance “Lavoura Arcaica”, pequeno em número de páginas mas grande em dimensão artística. Lemos descreve a obra como um “paralelepípedo lírico”, “difícil de ser engolido para os seguidores dos pressupostos rígidos da impessoalidade moderna”.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2025/11/raduan-nassar-90-soa-hoje-ainda-mais-radical-e-demolidor.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler
> Conceição Evaristo, autora de ficção celebrada, publicará sua pesquisa de mestrado pela primeira vez. Como conta o Painel das Letras, a dissertação “Literatura Negra: Uma Poética de Nossa Afro-Brasilidade” foi defendida na PUC do Rio de Janeiro em 1996 e chega às livrarias em janeiro pela Pallas com prefácio inédito da própria escritora.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/walter-porto/2025/11/conceicao-evaristo-publica-seu-mestrado-em-literatura-negra-pela-primeira-vez.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler
> Saiu no Peru a primeira biografia para a qual o papa Leão 14 cedeu entrevista depois de ocupar o cargo máximo da Igreja Católica. A autora americana Elise Ann Allen retrata o papa como um homem moderado e de fácil trato, mas capaz de enfrentar a extrema direita que cresce no mundo e na Igreja. O livro foi lançado primeiro em espanhol, decisão que o repórter Reinaldo José Lopes aponta como estratégica.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2025/11/biografia-de-leao-14-retrata-papa-como-moderado-de-mao-firme-contra-extrema-direita.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler
além dos livros
> Morreu Leonardo Fróes, poeta fluminense, aos 84 anos. Ele se notabilizou por obras como “Língua Franca”, “A Vida em Comum” e “Argumentos Invisíveis”, que lhe rendeu um Jabuti em 1996. Também foi tradutor premiado e verteu ao português grandes autores como Virginia Woolf, William Faulkner e Johann Wolfgang von Goethe.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2025/11/morre-leonardo-froes-poeta-que-leu-o-humano-por-meio-da-natureza-aos-84-anos.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler
> A escritora paulistana Mariana Salomão Carrara venceu pela segunda vez o Prêmio São Paulo de Literatura, agora pelo romance “A Árvore Mais Sozinha do Mundo”. Já na categoria de estreante, o vencedor foi Marcílio França Castro por “O Último dos Copistas”, seu primeiro romance após publicar três livros de contos.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2025/11/mariana-salomao-carrara-vence-premio-sao-paulo-de-literatura-pela-segunda-vez.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler
> Uma pesquisa publicada na revista americana Publishers Weekly aponta que a maioria dos escritores profissionais de ficção e não ficção usam inteligência artificial no dia a dia. A reportagem de Aline Esteves conta que a maioria desses profissionais usam IA para produzir rascunhos que depois serão editados e apenas 7% admitem publicar textos gerados artificialmente sem edição.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2025/11/maioria-dos-escritores-profissionais-usam-ia-como-ferramenta-aponta-pesquisa.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler
> Livro ‘A Palavra e o Poder’ tem lançamento em Lisboa nesta quarta
Publicação sobre os 40 anos de democracia no Brasil será tema de evento na Fundação Gulbenkian
+em:https://www1.folha.uol.com.br/poder/2025/11/livro-a-palavra-e-o-poder-tem-lancamento-em-lisboa-nesta-quarta.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler
> Ninguém tem a menor ideia de como viver fora da Terra, diz livro
Bióloga e cartunista americanos revelam como planos de colonização do espaço são vagos
+em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/reinaldojoselopes/2025/11/ninguem-tem-a-menor-ideia-de-como-viver-fora-da-terra-diz-livro.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler
> Líder indígena critica Congresso em lançamento de ‘A Palavra e o Poder’ em Belém
Alessandra Munduruku indica ‘paralisação na demarcação de terras indígenas’
+em: https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2025/11/lider-indigena-critica-congresso-em-lancamento-de-a-palavra-e-o-poder-em-belem.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler
(TRPCE)
“Quem ganha com a isenção do IR”
(Beatriz Pecinato, Mercado, FSP, 26/11/25)
Se você acompanha o noticiário de economia, sabe da lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda (1). Ela será sancionada hoje e entra em vigor em 2026.
Relembrando…
A medida isenta do IR quem ganha até R$ 5.000 mensais e diminui o imposto a pagar para quem recebe entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350,00.
O que comem? Onde vivem?
Um estudo da consultoria 4intelligence traçou o perfil de quem serão os maiores beneficiários (2):
Brasileiros de classe média que vivem no interior do país e votaram em Jair Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2022.
66% dos beneficiários (cerca de 13 milhões de pessoas) estão em municípios onde o petista perdeu.
Santa Catarina (42,2%),
Rio Grande do Sul (40,4%),
Paraná (39,4%),
Mato Grosso (38,7%),
São Paulo (38,6%) e
Mato Grosso do Sul (35,1%), onde Bolsonaro foi vitorioso, têm a maior proporção de trabalhadores formais beneficiados.
Mas…
Essa lógica não prevalece quando falamos de capitais.
Proporcionalmente, lideram Porto Alegre (36,1%), Curitiba (35,3%), São Paulo (34,9%) e Manaus (34,3%).
Na capital paulista, Lula foi vencedor.
Falando em Imposto de Renda, a Receita Federal pagará mais um lote residual de restituição na próxima sexta-feira (28). Saiba aqui (3) quem tem direito de receber.
(TRPCE)
(1) “Governo confirma sanção da reforma do Imposto de Renda na quarta (26)”
– Cerca de 15 milhões de brasileiros vão deixar de pagar imposto de renda com a nova lei.
– Proposta também cria um tributo mínimo para as chamadas altas rendas.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/blogs/que-imposto-e-esse/2025/11/governo-confirma-sancao-da-reforma-do-imposto-de-renda-na-quarta-26.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(2) “Isenção do IR vai beneficiar classe média do interior que votou em Bolsonaro, diz estudo”
– Mais da metade dos isentos vivem em cidades onde Lula perdeu no segundo turno.
– Medida atinge principalmente trabalhadores formais da região Centro-Sul.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/11/isencao-do-ir-vai-beneficiar-classe-media-do-interior-que-votou-em-bolsonaro-diz-estudo.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(3) “Receita Federal paga lote extra do Imposto de Renda nesta sexta (28); veja quem recebe”
– Consulta à restituição já está aberta no site do fisco ou pelo Meu Imposto de Renda, no site ou app da Receita.
– Governo paga R$ 494 milhões em 214,3 mil restituições.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/11/receita-federal-paga-lote-extra-do-imposto-de-renda-nesta-sexta-28-veja-quem-recebe.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
“Corrida dos varejistas”
(Beatriz Pecinato, Mercado, FSP, 26/11/25)
Faltam dois dias para a Black Friday.
Neste ano, a data marcada por grandes promoções acontecerá nesta sexta-feira (28) e quem vende aposta em cifras altas.
R$ 5,4 bilhões é a projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo para a data.
Arsenal de respeito.
Para suprir essa demanda bilionária e reduzir prazos de entrega, três grandes varejistas correm na disputa para entregar a Black Friday mais rápida (1).
O Mercado Livre investiu na automação de galpões: quase 500 robôs atuam nos centros de distribuições (2). Essa tecnologia acelera o processo de consolidação dos pedidos, diz Luiz Vergueiro, diretor sênior de logística.
A Amazon usa IA: a ferramenta ajuda a processar os pedidos e prever a demanda de consumidores. Ricardo Pagani, diretor de operações da Amazon Brasil, diz que a IA aprimora rotas de entrega e identifica produtos danificados antes do envio.
A Casas Bahia ampliou sua frota de veículos para entregar itens pesados: saiu de 776 para 1.392 carros. A empresa opera com aviões para acelerar entregas em regiões mais remotas.
Sim, mas…
Tem gente apreensiva com a gastança da data. A Prefeitura de São Paulo quer que a população quite suas dívidas (3) antes de fazer novas.
Como?
Lançou o programa #FiqueEmDia, que oferece condições especiais para regularização de débitos tributários e não tributários inscritos em dívida ativa.
↳ Não à toa o governo está preocupado; São Paulo teve um pico de endividamento em setembro (4): cerca de 3 milhões de famílias têm algum tipo de dívida em aberto.
🇺🇸 Origens.
A Black Friday foi importada dos EUA, onde ela acontece sempre na sexta após o feriado de Ação de Graças. Não há uma certeza sobre a origem do nome da data comercial. São duas as teses mais conhecidas:
Em 1869, dois investidores tentaram controlar o mercado de ouro na Bolsa de Nova York. A artimanha foi descoberta pelo governo, que aumentou a oferta do metal e derrubou os preços. O dia ficou conhecido como Black Friday.
Outra versão diz que a expressão surgiu na Filadélfia nos anos 1990. O apelido teria sido dado pela polícia local que chamava assim o dia seguinte ao feriado de Ação de Graças, quando havia enormes congestionamentos nas ruas.
↳ Veja mais curiosidades sobre a data aqui (5).
Quero comprar.
Se você chegou até aqui e pretende gastar na data, trago duas dicas para…
… você não cair em golpes (6).
… aproveitar os melhores dias e horários das promoções (7).
(TRPCE)
(1) “Robôs, IA e aviões marcam corrida de varejistas para entregar a Black Friday mais rápida”
– Empresas ampliam automação e malha logística; desafio é manter velocidade sem elevar custos.
– Mercado Livre tem 500 robôs, Amazon prevê 75% dos pedidos com IA e Casas Bahia amplia frota em 79%.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/11/robos-ia-e-avioes-marcam-corrida-de-varejistas-para-entregar-a-black-friday-mais-rapida.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(2) “Mercado Livre começa a usar robôs no lugar de humanos para separar produtos; veja vídeo”
– Novidade permite que cliente faça pedido até as 14h para receber no mesmo dia; antes limite era 13h.
– Jornada de separação de produtos dentro do CD é exaustiva e colaborador caminha 8 km por dia.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/09/mercado-livre-comeca-a-usar-robos-no-lugar-de-humanos-para-separar-produtos.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(3) “Black Friday: Prefeitura de SP pede que pessoas quitem dívidas ao invés de fazer novas”
– Com pico de endividamento das famílias paulistanas, gestão Ricardo Nunes tenta emplacar seu novo programa de renegociação.
– #FiqueEmDia oferece redução de até 95% dos juros e multas e parcelamento em até 120 vezes.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painelsa/2025/11/black-friday-prefeitura-de-sp-pede-que-pessoas-quitem-dividas-ao-inves-de-fazer-novas.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(4) “São Paulo tem pico de endividamento, apesar de inadimplência ficar estável; entenda”
– Segundo FecomercioSP, cartão de crédito é o pagamentos que mais compromete o orçamento das famílias com 80%.
– Em apenas um mês, mais de 50 mil famílias entraram para a lista de endividadas.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/10/sao-paulo-tem-pico-de-endividamento-apesar-de-inadimplencia-ficar-estavel-entenda.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(5) “De onde veio o nome ‘Black Friday’? Quando aparecem as melhores promoções? Veja dicas e curiosidades”
– Dia de descontos deve levar 49% dos brasileiros às compras nesta sexta.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2023/11/de-onde-veio-o-nome-black-friday-quando-aparecem-as-melhores-promocoes-veja-dicas-e-curiosidades.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(6) “Veja os principais golpes da Black Friday e saiba como evitá-los”
– Entidades recomendam cuidado com ofertas irresistíveis, vídeos falsos e promoções-relâmpago.
– Antes de finalizar as compras, clientes devem fazer pesquisa de preços e checar a reputação de lojas.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/11/veja-os-principais-golpes-da-black-friday-e-saiba-como-evita-los.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(7) “Virada de quinta para sexta tem os maiores descontos da Black Friday; veja melhores horários”
– Ofertas com melhores promoções devem acontecer entre 22h e 1h.
– Estudo do Promobit indica que, neste período, o desconto médio é de 36%.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/11/virada-de-quinta-para-sexta-tem-os-maiores-descontos-da-black-friday-veja-melhores-horarios.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
“Sem espaço para viradas de mesa”
– Brasil segue o caminho da normalidade institucional, superando cada uma das tentativas fracassadas de golpe.
(Por Vera Magalhães, O Globo, 26/11/25)
. . .
“O Brasil avança na normalidade institucional, superando tentativas de golpe associadas à família Bolsonaro. A derrota eleitoral de 2022, a transferência de poder e a condenação de Jair Bolsonaro e aliados não geraram a esperada comoção social. A prisão de Bolsonaro, sem espetáculo, e sua inelegibilidade até 2060, destacam a responsabilidade de suas escolhas. A busca por anistia enfrenta resistência, enquanto o país foca na estabilidade democrática.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/blogs/vera-magalhaes/coluna/2025/11/sem-espaco-para-viradas-de-mesa.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
“‘Inspiração’ de Bolsonaro, general Heleno produziu provas que o puseram no xadrez”
– Soma de destempero e desinteligência complicaram ex-ministro no julgamento do golpe.
(Por Bernardo Mello Franco, O Globo, 26/11/25)
. . .
“O Supremo Tribunal Federal condenou três militares, incluindo o general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional, por traição à farda e à Constituição. Heleno, considerado uma inspiração por Bolsonaro, tem histórico de apoio a regimes autoritários e complicou sua situação no julgamento ao produzir provas contra si mesmo, incluindo anotações de planos golpistas.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/blogs/bernardo-mello-franco/coluna/2025/11/inspiracao-de-bolsonaro-general-heleno-produziu-provas-que-o-puseram-no-xadrez.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
“A direita dispensa Bolsonaro”
– O ex-presidente virou um encosto.
(Elio Gaspari, O Globo, 26/11/25)
. . .
“A direita brasileira, que já teve figuras como Roberto Campos, se distancia de Jair Bolsonaro, considerado agora um “encosto”. Apesar de ter impulsionado o conservadorismo, seus excessos e teorias desacreditadas, como a defesa da cloroquina e desconfiança sobre vacinas, desgastaram sua imagem. Figuras de destaque como Tarcísio de Freitas agora representam o futuro da direita, enquanto Bolsonaro começa a cumprir pena.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/opiniao/elio-gaspari/coluna/2025/11/a-direita-dispensa-bolsonaro.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
Folha 105 (019)
“Samuel Wainer questionou quem falhou em 1954: Vargas ou o povo”
– Jornalista perguntou se população ‘não soube transmitir a mensagem de resistência à luta’ para Getúlio.
– Artigo faz parte de seção que republica colunas de grande repercussão da história da Folha.
Vinte e cinco anos depois, Samuel Wainer (1) ainda se perguntava: quem falhou em 24 de agosto de 1954? Getúlio Vargas (2), que apertou o gatilho (3), ou o povo, que não lhe transmitiu “a mensagem de resistência à luta”?
O jornalista, fundador do jornal Última Hora e amigo próximo de Vargas, escreveu em crônica publicada na Folha, nos anos 1979, sobre os dias que antecederam o suicídio do presidente. E lembrou que o clima de tragédia já estava presente desde a campanha de 1950.
“Se for para o bem do povo, levai-me convosco”, exclamou Getúlio ao aceitar a candidatura. E alertou sobre “os perigos e as ameaças que rondavam a sua porta”, aventando “o sacrifício eventual de sua própria vida”.
Wainer relatou um episódio revelador em Natal (RN) (4), durante a campanha. Quando recebeu um telegrama de Assis Chateaubriand (5) perguntando sobre um suposto atentado, Getúlio ditou pessoalmente a resposta: “Se atentado houvera, só poderia ser por excesso de amor popular”.
Eleito com quase 50% dos votos, Vargas tentou um ministério de união nacional. “De nada adiantou essa estratégia conciliatória”, escreveu Wainer. A oposição crescia: empresários, militares ressentidos pela deposição de 1945, interesses internacionais temerosos do nacionalismo getulista.
O jornalista terminou com a pergunta que não calava: “Falhou Getúlio, que jamais fora o líder revolucionário que seus adversários procuravam tendenciosamente pintar? Ou falhou o povo, que não soube lhe transmitir a mensagem de resistência à luta?”
Leia a seguir o texto completo, parte da seção 105 Colunas de Grande Repercussão (6), que relembra crônicas que fizeram história na Folha. A iniciativa integra as comemorações dos 105 anos do jornal, em fevereiro de 2026.
24 de agosto de 1954: falhou Getúlio ou falhou o povo? (24/11/1979)
Quem teve o privilégio de acompanhar de perto o retorno de Getúlio Vargas ao poder, em 1950, sentiu frequentemente o clima de tragédia que acompanhava a marcha do reencontro do ex-ditador com o povo do seu País. No seu patético discurso de aceitação da candidatura à sucessão do general Dutra, por volta de junho de 1950, Getúlio pintou em cores sombrias os dias que o aguardavam. “Se for para o bem do povo — exclamou ele — levai-me convosco”. Mas alertou seus correligionários e amigos para os perigos e as ameaças que rondavam a sua porta. E aventou mesmo o sacrifício eventual de sua própria vida, exposta à sanha dos que temiam um eventual revanchismo na sua retomada do poder pelo voto democrático.
Não foi, aliás, sem razão que sua família, especialmente Alzira, sua filha mais atuante politicamente, procurou afastá-lo do desafio que o esperava nas urnas.
Mas, em vão. O crescente clamor nacional do “queremismo”, a extensão cada vez mais espalhada do “Ele voltará”, acabaram por quebrar as resistências de Getúlio. Provavelmente, a possibilidade de seu mito populista ser absorvido por alguém que ele não considerava digno de herdá-lo — no caso, em especial, Ademar de Barros — também teria influído na sua decisão de reiniciar a sua grande jornada, iniciada em 30, reformulada em 37 e cortada em 45. Mas, sem dúvida, foi seu sentimento de compromisso com o povo e sua convicção de que o povo não lhe falharia mais que pesou definitivamente na sua decisão.
“ATENTADO? SÓ POR EXCESSO DE AMOR”
A esse propósito, recorda-se o repórter de um episódio ocorrido em julho de 50, que marca significativamente os laços emocionais que prendiam Vargas ao povo. Estávamos em Natal, em plena campanha eleitoral. As avassaladoras multidões que percorriam o chão calcinado e seco do Norte ao encontro de Getúlio vinham num crescendo incontrolável à medida que a caravana avançava mais para o Sul. Em certos momentos, o transbordamento passional daquelas multidões fanatizadas, como que tomadas pela presença hipnótica do grande caudilho, faziam lembrar a figura de Gandhi e seu fascínio sobre as massas hindus; tão parecidas fisicamente com o nosso nordestino.
Essa quase apocalíptica explosão de sentimento popular em torno de Getúlio acabaria por chegar ao Sul. Estranhamente ali continuava prevalecendo a convicção de que a máquina oficial eleitoral do PSD, mais uma vez fortalecida pela divisão da classe média que optava, em sua maioria, pelo brigadeiro Eduardo Gomes, acabaria dando a vitória ao seu inexpressivo candidato, o mineiro Cristiano Machado.
Nessa oportunidade, este repórter recebeu um telegrama urgente de Assis Chateaubriand, o todo poderoso comandante dos “Diários Associados”, para os quais fazia a cobertura da campanha de Getúlio. Pedia Chateaubriand confirmação ou desmentido de que teria ocorrido no capital do Rio Grande do Norte um atentado contra a vida de Getúlio Vargas. Mas, este, ao ler o despacho, ditou pessoalmente a sua resposta: “Informe o Assis, de que não houve atentado algum. Mas se atentado houvera, só poderia ser por excesso de amor popular”.
Carregado nos braços do povo, eleito por quase 50% do povo, enquanto os outros 50% pulverizavam-se entre o brigadeiro Eduardo Gomes, Cristiano Machado e votos nulos e em branco. Getúlio sabia que não poderia contar com a tolerância e a compreensão de seus velhos adversários. E aos quais agora se aliavam novos e poderosos interesses monopolistas internacionais, temerosos da linha nacionalista e de justiça social que Vargas havia prometido na sua campanha.
A criação de Volta Redonda e a nacionalização das riquezas minerais do subsolo, a primeira em 42 e a segunda ainda em 1939, faziam temer justamente uma extensão menos controlável das tendências emancipacionistas de Getúlio. Além do mais, o fato de ser candidato oficial do PTB atraía contra ele a feroz oposição dos grupos empresariais mais conservadores do País, especialmente os da área do comércio. Finalmente, o surgimento do peronismo na Argentina, em plena ascensão nos anos iniciais da década de 50, contribuía para aliar com seu “justicialismo” que Perón dizia inspirado em Vargas, as inquietações das classes dirigentes menos esclarecidas do Brasil. Que não hesitaram, como pôde comprovar a UDN, em tentar sob sofismas jurídicos, mais absurdos inclusive do que tentaram abolir a impossibilidade de reconhecimento da vitória eleitoral de Getúlio.
AMPLIA-SE A FRENTE ANTI–VARGAS
Finalmente, não deve ser minimizada larga parcela das Forças Armadas que, depois de conspirar contra Getúlio Vargas durante largos anos, conseguiu finalmente sua deposição em 1945.
A exacerbada oposição civil naturalmente não deixou de capitalizar ressentimentos militares nascidos pela volta de um homem por eles deposto. Volta que era explorada como uma humilhação e uma revanche contra os vitoriosos de 29 de outubro de 45. A frente anti–Vargas se consolidava e ampliava suas ambições.
Assim, depois da posse de Getúlio, que representou um doloroso parto político, partiu ele à busca da consolidação do seu governo. E constituiu como meta um ministério de união nacional. Dele faziam parte o PSD, representado por homens como Horácio Lafer; a UDN, por dirigentes como João Cleofas, mitos nacionais como Osvaldo Aranha. E naturalmente homens do PTB, além de franco atiradores como Simões Filho, o todo poderoso dono de “A Tarde”, da Bahia, e Ricardo Jafet, o industrial e financista mais chegado a Ademar de Barros, o líder do PSP.
De nada adiantou essa estratégia conciliatória de Getúlio. Talvez tenha sido até mesmo prejudicial, enfraquecendo a sua autoridade e debilitando os seus laços com o povo. Além do mais, durante 15 anos de poder contínuo, ora como ditador, ora como presidente, indiretamente eleito pelo Congresso em 34, novamente como ditador em 37 e finalmente como presidente, esmagadoramente consagrado pelo eleitorado em 50, Getúlio deixou em sua esteira ódios e apoios incandescentes.
Mas, os que conheciam a sua ação e o seu pensamento, sabiam que ele era um homem tranquilo. A sua maneira, tão contraditória e imprevisível quanto a própria natureza do povo que o idolatrava, Getúlio parecia ter consciência de que apesar dos zig-zags de sua ascensão, queda e retorno ao poder ele nunca se afastara dos rumos que o levaram a chefiar a primeira revolução popular do Brasil. Algumas vezes mencionava a Revolução Mexicana de 1910, a primeira revolução popular deste século. E não escondia certo desdém pelo precipício do autoritarismo e o monopólio partidário que enterrou num passado obscuro; sem glória, nem culto, os verdadeiros heróis populares da derrubada da oligarquia feudal e clerical mexicana, os Pancho Villa e Zapatas.
FALHOU GETÚLIO OU FALHOU O POVO?
Getúlio, nos raros momentos de confidência que concedia aos que o cercavam, deixava transparecer que sua decisão de retornar ao poder, em 50, era um corolário lógico dos compromissos que o levaram a chefiar a Revolução de 30. E cuja bandeira politicamente reformista, socialmente progressista e anticolonialista economicamente, ele desejaria manter em suas mãos até o fim de seus dias.
Assim, quando a tempestade que não lhe deu uma noite de paz desde que voltou ao poder assumiu as proporções de avalanche em fins de 1953, Getúlio não pareceu surpreendido.
São hoje amplamente divulgadas algumas de suas frases no apogeu da campanha que a grande frente nacional anti-getulista, com a UDN no comando de Carlos Lacerda na sua linha de frente, conseguiram levar ao ponto de uma aparente iminente insurreição armada.
“O tiro no Lacerda é uma punhalada nas minhas costas”, disse Getúlio quando soube do atentado da rua Toneleros, em que tombou morto o Major Rubens Vaz. “Quando eles tomarem assento à mesa do banquete, puxarei a toalha”; foi seu malicioso comentário quando sua deposição já parecia inevitável. Comentário feito horas antes do tiro fatal no seu coração, às 8h25 de uma manhã cinzenta de agosto de 54.
Chegamos finalmente a uma etapa em que interpretações e comentários pela era getuliana vêm finalmente despertando nos nossos atuais círculos de ciência política do conviver com Getúlio desde 1949, em seu auto-isolamento na Fazenda do Itu, até o dia de sua morte no Palácio do Catete, limitou-se a oferecer aqui apenas algumas informações objetivas sobre acontecimentos concretos que teriam levado Vargas ao suicídio. Espero que sejam úteis ao debate.
Sobre uma pergunta, cuja resposta o repórter sobre que a ciência política procure: O que falhou na ação getuliana pós-1950, que o levou ao mais dramático holocausto da história latino-americana depois do massacre heróico de Salvador Allende?
Falhou Getúlio, que jamais fora o líder revolucionário que seus adversários procuravam tendenciosamente pintar? Ou teria ele apenas um reformista conservador, incapaz portanto de operar, em 24 de agosto, o “botão” que levaria o País inevitavelmente à guerra civil? Ou falhou o povo, que não soube lhe transmitir a mensagem de resistência à luta, como lhe comunicara com tanta intensidade a mensagem de amor e ternura na sua épica jornada eleitoral de 1950?
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha-105-anos/2025/11/samuel-wainer-questionou-quem-falhou-em-1954-vargas-ou-o-povo.shtml)
(1) https://www1.folha.uol.com.br/folha-100-anos/2021/12/samuel-wainer-encerrou-sua-carreira-como-colunista-da-folha.shtml
(2) https://www1.folha.uol.com.br/poder/2025/11/getulio-vargas-foi-forcado-a-definir-sucessor-em-1945-diante-de-pressao-por-renuncia.shtml
(3) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/samuelpessoa/2024/08/70-anos-do-suicidio-de-getulio-vargas.shtml
(4) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/natal-rn/
(5) https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/7/30/ilustrada/2.html
(6) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/105-colunas-de-grande-repercussao/
Matutando sobre a charge!
Se,
as atabalhoadas estratégias do capitão zero zero e seus filhos zeros, finalmente chegaram à hora zero,
então,
é hora da Nação sair do zero!