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ESTOU DE ALMA LAVADA, MAS PREOCUPADO. “REPENTINAMENTE” A SAÚDE PÚBLICA EM GASPAR VIROU A GENI. ESTÃO ATIRANDO PEDRAS NELA. E QUEM FAZ ISTO? A PRÓPRIA BASE DO GOVERNO PAULO. EU APONTEI ESTE CAOS CONTRA OS GASPARENSES MAIS VULNERÁVEIS O ANO PASSADO, INTEIRO. E O PODER DE PLANTÃO – INCLUINDO OS VEREADORES – ACHAVA AS MINHAS OBSERVAÇÕES DESONROSAS. TEM GATO NESTA TUBA: É O DA INCORÊNCIA E DA INGRATIDÃO.

O governo de Paulo Norberto Koerich, PL, às vésperas das eleições, sem resultados para mostrar e ser compensado para animar à cata de votos, vejam só, dobrou a aposta contra ele próprio, e desesperadamente, tenta desviar a atenção do distinto público para se sair bem nesta foto montada. Quer agora, ser o salvador daquilo que ele próprio deixou e está em frangalhos. Depois de salvar parte da sua pele com o Hospital Santo Antônio, de Gaspar (foto de abertura), já arrumou uma Geni para jogar pedras nela e distrair a cidade. É muito cedo. Mas, revelador, mais uma vez. (A letra de Chico Buarque de Holanda, coloco ao final do TRAPICHE. É um explícito imaginário usa, desqualifica e joga fora. Sórdido e ingrato, ao mesmo tempo. A letra da velha canção que relata a hipocrisia humana e dos poderosos é só para reflexão poética.). Credo!

E ao mesmo tempo, mais uma vez, nesta jogada arriscada e perigosa, se não esclarecida, o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, lavou a minha alma, mais uma vez, e da quase inexistente oposição. Repito o que a cidade inteira sabe há anos: é caótica a situação na Saúde Pública. Salta aos olhos de qualquer um a desestruturação dos postinhos, as longas filas para exames e as de consultas de especialidades, assim como procedimentos de média e alta complexidade. Coisa de doido.

Este assunto eu já tinha abordado aqui em A CATÁSTROFE ADMINISTRATIVA E POLÍTICA DEVIDO À FALTA DE RESULTADOS PROMETIDOS E ESPERADOS, CHEGOU A GASPAR DEPOIS DE UM ANO E MEIO DA GESTÃO. ELA JUROU NOS PALANQUES IA MUDAR  A CIDADE. E ESTA TORMENTA VEIO COM MUITA INTENSIDADE, ANTES MESMO DO IMPREVISÍVEL E TEMIDO “EL NIÑO”. E NO RADAR ESTÁ A PRESSÃO DAS ELEIÇÕES. AO INVÉS DE DISCURSOS COMEMORATIVOS SÓ EXPLICAÇÕES, JUSTIFICATIVAS E MUITO FOGO AMIGO lá no dia seis de julho.

Mas, desta vez, a líder de governo na Câmara, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, resolveu dobrar as apostas já feitas por ela mesmas nas redes sociais contra o secretário de Saúde, o funcionário de carreira, Arnaldo Gonçalvez Munhoz Júnior. Não vou defender ele, até porque sempre fui um crítico da sua capacidade resolutiva antes da sua indicação. Ou seja, Paulo, Alyne e seus pares nunca souberam por mim disso, mas como eu, de que Arnaldo tinha como currículo de pouca resolutividade na área ao tempo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, agora no Podemos.

POR QUÊ ARNALDO VIROU A GENI? UM RETRATO COMPREENSÍVEL, MAS ESPANTOSO

A jogada armada pelo PL gasparense, o bolsonarismo radical, o governo Paulo Norberto Koerich, PL, e entidades secretas, é tão arriscada quanto foi tão imprevisível e surpreendente manifestação de Alyne para colocar mais gasolina no incêndio. Esta armação mostra à capacidade dessa gente de passar vergonha. E ao mesmo tempo, deixou sem chão a frágil oposição. A dita oposição ficou sem o discurso diante de um ano e sete meses de algo que não se resolveu até hoje.

Mesmo todos querendo soluções e não problemas, alguém possui alguma dúvida que o atual governo de Paulo é o único responsável pela doença crônica que está metida a Saúde Pública de Gaspar?

Alyne trata Arnaldo como um infiltrado do governo (2017/24) Kleber Edson Wan Dall, eleito pelo MDB e agora no Podemos para eleger Jorginho Mello, PL, como Alyne está fazendo. Arnaldo até foi secretário da Saúde ao tempo de Kleber e responsável quase o tempo todo pelo sempre péssimo funcionamento dos postinhos. Mas, quem escolheu Arnaldo, indicado ou não na composição de governabilidade pelo PP de José Hilário Melato e Mara Lúcia Xavier da Costa dos Santos foi, unicamente, Paulo. E não custa relembrar também de que Alyne era suplente e vereadora da base de Kleber. Sabia de tudo e não é de hoje.

UM DESGASTE PROPOSITAL. LIVRA-SE DE DOIS ANOS DE PROBLEMAS E TENTA SALVAR A CAMPANHA ELEITORAL

Retomando. O que está por detrás de tudo isso além da falta de escrúpulos e que explico mais adiante?

Arnaldo foi o bode colocado na sala para “resolver” o grave problema operacional, financeiro, clínico e credibilidade do Hospital sem que um a turma de Paulo, Alyne e PL bolsonarista ficasse exposto por um dos seus. Simples assim. 

Então, está na hora, do funcionário efetivo da prefeitura de Gaspar, Arnaldo, colocar tudo às claras o que teve que fazer – e quanto isso verdadeiramente custou, e que a prefeitura de Gaspar e o governo Paulo escondem de todos – para o Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro passar a ser gerenciado pelo Hospital Santo Antônio, de Blumenau. Se não fizer isso e está convocado par tal na Câmara, Arnaldo merece – ou tem parte no pecado – e merece o ataque da Geni que está sofrendo neste instante.

O Hospital Santo Antônio, de Gaspar, já avisou ao governo de Paulo Norberto Koerich, PL, que só irá para frente nas soluções mínimas esperadas, com muito dinheiro do município e substancial ajuda do governo do estado – e se mudar de governo, tudo será um problema a curto prazo. E quais são estas “soluções mínimas esperadas? A secretaria de Saúde fazer a parte dela no atendimento ambulatorial nos postinhos de saúde, ou de especialidades na Policlínica e que está em estado de miséria para o Hospital exercer a parte e o foco dele. Sem capacidade resolutiva e sendo cobrado por todos os lados, tanto Paulo como sua porta-voz Alyne, estão transferindo culpas.

Paulo e sua gente quer tirar de Arnaldo parte das glórias da transição do Hospital. Quer ter vantagens só para si e os seus. Quer iniciar uma “nova vida” na Saúde Pública, mas sem Arnaldo. Ou seja, quer zerar os problemas aos da cidade que não aguentam à precariedade dos postinhos e da Policlínica. Vão enganar, mais uma vez, em época de buscar votos. A culpa não é do governo Paulo, do PL, do bolsonarismo: é do Arnaldo, a Geni.

DEMISSÃO É O MELHOR PARA TODOS. A JUSTIFICATIVA DEVERIA SER O TÉRMINO DE UM CICLO. MAIS DIGNO. INCLUSIVE PARA O GOVERNO

No atual governo de Paulo Norberto Koerich, PL, já houve de tudo. Gente que chegou para trabalhar e não era mais secretário, mas na prefeitura juravam que o demitido tinha pedido as contas; gente enrolada em cabulosos inquéritos policiais substituindo gente decente, sendo santificada e agora, gente de primeiro escalão sendo fritada mas que continua na frigideira sob temperaturas insuportáveis. O que está faltando mais?

Há um claro erro de cálculo explícito aí: a falta de escrúpulos do governo que mais uma vez desgasta um dos seus. Antes, em qualquer lugar sério, o governo de Paulo deveria ter demitido Arnaldo. E uma vez feito isso, explicar à cidade a razão disso. Isto se chama autoridade, dignidade e transparência. É do jogo jogado. É da arrumação política e administrativa.

Por outro lado, Arnaldo já deveria ter pedido as contas de secretário e voltado a ser um simples servidor da prefeitura para o qual fez concurso, foi nomeado e passou pelo período probatório. Há 15 dias está sendo malhado e está quieto. Estranho. E por derradeiro: quem o PL, o bolsonarismo, Paulo, Alyne e as entidades secretas querem no lugar de Arnaldo? Sim se um não serve, outro já deveria estar na boleia.

Espera-se que não seja mais uma das indicações do chamado kit de Blumenau e que um deles teve que ir embora com tornozeleira eletrônica e que parte disso chegou muito próximo ao Hospital exatamente na parte mais sensível, a jurídica. No fundo, tudo isso, apenas convalida o que sempre escrevi aqui: o clima entre os servidores, inclusive os comissionados e os de confiança, é e sempre foi o pior possível. É uma administração que cria e vive de conflitos dos seus.

Por fim, e para encerrar o artigo desta segunda-feira, na área de comentários, eu republico um artigo do historiador e escritor Leandro Karnal, que pode ser lido na edição de domingo do jornal O Estado de S. Paulo. Ele se encaixa como uma luva aos do governo de Paulo Norberto Koerich, PL, e que se acham intocáveis às observações. Em “O limite da perfeição”, Karnal diz que, “sem amigos sinceros, capazes de nos criticar, apertamos parafusos sem saber quando parar“.

Depois deste textão, convido a lê-lo, complementarmente, para a reflexão. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

Vejo tudo e não morro (é assim mesmo). Agora, para o bolsonarismo, o radical deputado Federal, Zé Trovão, PL, é também um traidor? Quem diria. O que verdadeiramente está por detrás deste tipo de ataque? Um roteiro repetido que enfraquece a direita e o conservadorismo brasileiro tomado por uma família. O bolsonarismo fará de tudo para eleger um do clã, nada identificado com Santa Catarina, Jair Renan Bolsonaro, PL, no lugar de Zé Trovão na Câmara. Credo!

Só para lembrar. O estado de Santa Catarina, pela Constituição, tem direito a 20 vagas na Câmara. Continuou com 16, chancelado pelo Supremo Tribunal Federal, o guardião da Constituição, a pedido dos políticos. E as nossas vagas poderão ser apenas 15, pelo jeito. O que o bolsonarismo nacional e o PL fizeram para a Santa Catarina as 20 vagas que tem direito? O Rio de Janeiro, dos Bolsonaros, por sua vez, que deveria perder quatro vagas na Câmara Federal – pois se trata da representação proporcional de eleitores e eleitoras. O Rio dos Bolsonaros ficou com as quatro a mais.

A esperteza quando é demais, como o dono“, dizia o ex-primeiro ministro do Brasil, o mineiro Tancredo de Almeida Neves. O ex-prefeito de Ilhota, Érico de Oliveira, MDB, foi à Justiça pedir R$112 mil, mais correções, de suposta férias não gozadas no seu segundo mandato de 2021 a 2024. A Justiça negou.

Na decisão, o juiz alegou que a lei municipal 2027/2020, ou seja, dele próprio e ainda vigente. Ela dá esses 30 dias de férias, mas proibe expressamente a acumulação delas para fins de indenização das férias não gozadas. Hum!

É impressionante como somos trouxas. Estamos cada vez mais pagando mais altos impostos on line. Os nossos representantes que elegemos e vamos eleger em outubro deste ano, estão cada vez mais distantes dos nossos interesses e reais escândalos que consomem. Eles colocam no ralo esses mesmos pesados impostos.

A ponte Anita Garibaldi, na BR-101, que custaria pouco mais de R$500 milhões e ao final, depois de mais de uma década de atraso, chegou a R$800 milhões. A notícia desta semana é de que ela está se desmanchando com apenas 11 anos de uso. Nela, unidos, estão o PT de Dilma Vana Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva, bem como o PL que lhe dava apoio aos governos deles, com Valdemar da Costa Neto e pasmem, o DNIT catarinense que era o curral de Jorginho Mello, PL. Muitos daquele curral, passaram ou estão na secretaria de Infraestrutura estadual.

O governo de Paulo Norberto Koerich, PL, voltou a se orgulhar de máquinas e frota próprias para os serviços de Obras e Serviços Urbanos, secretaria de Agricultura e Aquicultura entre outras. Legal. Sabe o que está faltando agora? Operador e motorista. Previsão e planejamento zeros.

A Polícia Civil de Santa Catarina tem o seu candidato a deputado estadual pelo PL. Ele esteve em Gaspar. No press release do roteiro dele pelo Vale, a visita aqui com pompa paroquial no principal gabinete do paço municipal foi omitido. Curioso. Também dá noção dos conflitos de interesses, falta de liderança política e o congestionamento de candidatos que só se oficializarão a partir da segunda-feira que vem quando se iniciam as convenções partidárias.

Impressionante I. Nos discursos dos vereadores gasparenses, em quase dois anos de governo de Paulo Norberto Koerich, PL, o que mais se diz nos discursos na Câmara de Gaspar é que falta de planejamento e cronograma no Executivo. E não é de vereadores da oposição. É da própria base do governo Paulo.

Impressionante II. O vereador de suposta oposição, Giovano Borges, PSD, foi mais longe. Ele fingiu que o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, faz toda semana uma reunião para afinar o planejamento e cronograma com os seus do primeiro escalão, ao menos. Sabe Giovano que não se faz. E qualquer um sabe que isto é o mínimo do mínimo em qualquer grupo – seja no ambiente público e privado – que possui objetivos.

Impressionante III. O que falta em Gaspar não são reuniões semanais para afinar planejamento e cronogramas, mas o que vem antes disso: objetivos. Triste. O líder do PL na Câmara, Carlos Eduardo Schmidt Sobrinho, tentou colocar água fria nesta fervura, alegando que é um neófito no assunto e na política. Mas, nem isso colou.

Impressionante IV. Para ele, o governo deveria, ao final do ano, apresentar a todos os vereadores o Plano de Governo para o ano seguinte e ouvir as prioridades dos vereadores, para se não atendê-los, ao menos criar caminhos de solução deles para a comunidade. A alegação é de que o vereador está na ponta e é ele que sente o bafo – como agora em época de cata a voto. Já a maioria do primeiro escalão de Gaspar no atual governo precisa andar de GPS pela cidade, nem mora ou gasta o dinheiro deles por aqui para gerar impostos e retornos à cidade.

Impressionante V. Carlos Eduardo Schmidt Sobrinho, PL, sabe onde o calo está doendo, mas o que ele pede já acontece. Está no Plano Plurianual (PPA) que define as metas e diretrizes para os quatro anos (este ano ele deve estar na Câmara),  a Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) que define as metas e diretrizes para o ano que vem (e deve estar chegando a Câmara) e no Lei Orçamentária Anual (LOA) a que fixa as despesas e receitas do ano seguinte (e que também deve estar chegando a Câmara).

Impressionante VI. Os de Gaspar que tenho acompanhado fazem estas peças – que as chamo de ficção diante de tantos “anula e suplementa” – entre paredes com seus técnicos, muitos apegados a números e distante da cidade. Levam à Câmara e diante de vereador novo ou ingênuo, ou gado para a base, aprovam, sem qualquer discussão. Está aí uma oportunidade para Carlos Eduardo Schmidt Sobrinho, PL, mudar esta sina. Mas, adianto: será difícil. Há um vício.

Impressionante VII. Porque se o vereador não fizer, o Orçamento não só do ano que vem, mas dos quatro anos seguintes, eles serão da centralizadora, pouco acessível a qualquer cidadão e vereadores, Ana Karina Schramm Matuchaski Cunha, de Fazenda e Gestão Administrativa, e do chefe de gabinete Pedro Inácio Bornhausen, PP. A sorte de que Michael Jackson Schoenfelder Maiochi, do Planejamento Territorial – aquele que em reunião “secreta” no gabinete anunciou aos vereadores um plano de investimento de R$300 milhões e que virou em poucas horas R$360 milhões aos empresários, incluindo os da pedreira – e que participava, mandando e desmando, desse grupo, saiu. Karina e Pedro tocam de fato o Orçamento governamental gasparense.

Impressionante VIII. Agora, resta saber como vereador Carlos Eduardo Schmidt Sobrinho, PL, será convencido por quem manda e desmanda no governo de Paulo Norberto Koerich, PL, a não querer se meter em algo que se feito diferente e pede para mudar Carlos Eduardo Schmidt Sobrinho, PL. É que a visão do vereador tira o poder – e não o controle – da prefeitura.

Se tem uma coisa que não funciona em Gaspar e entre muitas, é a tal Diretoria da Causa Animal. Escolha política era um mau sinal. E foi. Estava avisada. A ida desta área para a Assistência Social, cheia de problemas com as pessoas vulneráveis, era outro péssimo sinalizador. Agora está o Diretor de Habitação, cuidando disso. Credo. E quando isto toma tempo na Câmara, em ano de eleições, sendo a causa animal, um puxador de votos, tudo se embrulha ainda mais.

Estamos num mato sem cachorro. Candidato a deputado federal sem discurso está preocupado com limpeza de valas de seu próprio bairro. Perguntar não ofende: quantos votos mesmo ele vai precisar para se eleger deputado Federal? Outro ao invés de pedir investigação do quilômetro mais caro malfeito aos olhos de todos (R$12 milhões há cinco anos), está nas redes pedindo para prefeitura tapar os buracos dela. Credo!

Geni e o Zepelim, por Chico Buarque de Holanda (1979) que integrava a ‘Ópera do Malandro’ 

De tudo que é nego torto/Do mangue e do cais do porto/Ela já foi namorada/O seu corpo é dos errantes/Dos cegos, dos retirantes/É de quem não tem mais nada

Dá-se assim desde menina/Na garagem, na cantina/Atrás do tanque, no mato/É a rainha dos detentos/Das loucas, dos lazarentos/Dos moleques do internato

E também vai amiúde/Com os velhinhos sem saúde/E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade/E é por isso que a cidade/Vive sempre a repetir

Joga pedra na Geni/Joga pedra na Geni/Ela é feita pra apanhar/Ela é boa de cuspir/Ela dá pra qualquer um/Maldita Geni

Um dia surgiu, brilhante/Entre as nuvens, flutuante/Um enorme zepelim/Pairou sobre os edifícios/Abriu dois mil orifícios/Com dois mil canhões assim

A cidade apavorada/Se quedou paralisada/Pronta pra virar geléia/Mas do zepelim gigante/Desceu o seu comandante/Dizendo: mudei de ideia

Quando vi nesta cidade/Tanto horror e iniquidade/Resolvi tudo explodir/Mas posso evitar o drama/Se aquela formosa dama/Esta noite me servir

Essa dama era Geni/Mas não pode ser Geni/Ela é feita pra apanhar/Ela é boa de cuspir/Ela dá pra qualquer um/Maldita Geni

Mas de fato, logo ela/Tão coitada, tão singela/Cativara o forasteiro/O guerreiro tão vistoso/Tão temido e poderoso/Era dela, prisioneiro

Acontece que a donzela/Isso era segredo dela/Também tinha seus caprichos/E a deitar com homem tão nobre/Tão cheirando a brilho e a cobre/Preferia amar com os bichos

Ao ouvir tal heresia/A cidade em romaria/Foi beijar a sua mão/O prefeito de joelhos/O bispo de olhos vermelhos/E o banqueiro com um milhão

Vai com ele, vai Geni/Vai com ele, vai Geni/Você pode nos salvar/Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um/Bendita Geni

Foram tantos os pedidos/Tão sinceros, tão sentidos/Que ela dominou seu asco/Nessa noite lancinante/Entregou-se a tal amante/Como quem dá-se ao carrasco

Ele fez tanta sujeira/Lambuzou-se a noite inteira/Até ficar saciado/E nem bem amanhecia/Partiu numa nuvem fria/Com seu zepelim prateado

Num suspiro aliviado/Ela se virou de lado/E tentou até sorrir/Mas logo raiou o dia/E a cidade em cantoria/Não deixou ela dormir

Joga pedra na Geni/Joga bosta na Geni/Ela é feita pra apanhar/Ela é boa de cuspir/Ela dá pra qualquer um/Maldita Geni

Joga pedra na Geni/Joga bosta na Geni/Ela é feita pra apanhar/Ela é boa de cuspir/Ela dá pra qualquer um/Maldita Geni

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13 comentários em “ESTOU DE ALMA LAVADA, MAS PREOCUPADO. “REPENTINAMENTE” A SAÚDE PÚBLICA EM GASPAR VIROU A GENI. ESTÃO ATIRANDO PEDRAS NELA. E QUEM FAZ ISTO? A PRÓPRIA BASE DO GOVERNO PAULO. EU APONTEI ESTE CAOS CONTRA OS GASPARENSES MAIS VULNERÁVEIS O ANO PASSADO, INTEIRO. E O PODER DE PLANTÃO – INCLUINDO OS VEREADORES – ACHAVA AS MINHAS OBSERVAÇÕES DESONROSAS. TEM GATO NESTA TUBA: É O DA INCORÊNCIA E DA INGRATIDÃO.”

  1. A causa animal vai de mau a pior…

    os cachorros tomaram conta do centro da nossa cidade.

    Nunca vi tantas fezes de cachorro nas calçadas de nossas ruas centrais, se não prestar atenção o cidadão gasparense volta pra casa com o calçado cheio de M…

    O vereador que ser federal podia pegar a vassoura do dia 1/1/25 pra limpar e recolher as cacas.

  2. Eu admiro sua coragem de apontar os erros dos agentes públicos e, principalmente, a humildade de pedir desculpas por ter sido um dos incentivadores da eleição de Paulo para prefeito. Foi uma demonstração de hombridade rara, embora, infelizmente, isso não seja suficiente para amenizar as mazelas enfrentadas pelo povo gasparense.

    No entanto, fica a minha pergunta: e os outros que também participaram desse processo? Quando irão se manifestar? Ou será que se afastaram da política por vergonha? Ou apenas estão esperando o tempo passar para, depois, estarem prontos para cometer os mesmos erros novamente?

    Fico com a dúvida: foi um erro de julgamento ou pura covardia? Enquanto isso, parece que está tudo bem, afinal, o dinheiro é público e o que vale é a festa

    1. No fundo eu não tenho coragem, tenho, isto sim, vergonha na cara. E ela falta a muitos que estão em igual situação. Igualmente, não tenho humildade, mas não posso ser menor do que a minha vergonha, causada pela incapacidade alheia de cumprir o que prometia e se dizia portador de soluções e mudanças à comunidade. E como sou parte dela…

  3. A EMENDA VALDEMAR, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo

    É claro que uma ferramenta legislativa disparadora de bilhões de reais – aplicada de maneira obscura e autoritária – chegaria às mãos de poderosos sem mandato parlamentar. Desenvolvimento natural da cultura de fachadas e laranjas que norteia a atividade pública entre nós.

    Falo do orçamento secreto. Instrumento obscuro, que, assaltando o Orçamento da União, ergue ode à falta de transparência como meio de ação. Instrumento também autoritário, porque a favor do desequilíbrio de forças em anos eleitorais. Falo de um Valdemar Costa Neto. É claro que essa ferramenta – com potencial para ser fundo eleitoral paralelo – chegaria a Valdemar, proprietário de partido, proprietário das lideranças partidárias de seu partido, senhor dos servidores legislativos de seu partido e sócio dos donos do Congresso.

    O cronista, então, lembra que Hugo Motta tentou emplacar nova categoria de emenda. Seria a “emenda de líder partidário”, destinada, na prática, a dar aos valdemares controle sobre emendas parlamentares. O troço não prosperaria. Não formalmente. Prosperaria por fora, como pacto entre partidos no Congresso. Está vigente. O “puxadinho Valdemar”.

    Chegamos à dupla, talvez tripla, camada de proteção para que poderosos não eleitos possam decidir, manipulando prerrogativa da representação política, o paradeiro de porções crescentes do Orçamento com base em seus interesses privados. Chegamos ao momento em que denunciar essa transgressão será chamado de “criminalização da política”. Por Motta, cujo Estado está entre os maiores beneficiados pelas “emendas de liderança partidária”.

    Chegamos a Valdemar e ao momento em que presidentes de comissões legislativas e líderes partidários no Parlamento, afinal laranjas, têm os mandatos instrumentalizados e servem de biombos para que os donos de partidos – os donos das lideranças – possam se apropriar do destino de emendas. Fundo eleitoral paralelo. A verdadeira criminalização da política.

    O orçamento secreto, perversão das emendas parlamentares que depreda o princípio da eficiência na administração pública, transitou – evoluiu – bem do governo Bolsonaro, quando teve origem, ao governo Lula, no curso do qual se sofisticaria, hoje baseado e multiplicando camadas de disfarce, variados os laranjas, sobre as emendas de comissão.

    A partir das emendas de comissão, abrigo forte, a criatividade seria ilimitada. Presidente de comissão, líder partidário – as fachadas eleitas, dupla fachada de submissão, para que um Valdemar, sem mandato, pudesse ter mandato sobre emendas parlamentares.

    Governo vai, governo vem – e os donos do Congresso continuam os mesmos. Aqueles, poucos liras, que apadrinham – autorizam, abençoam – os patronos das emendas, os vips do orçamento secreto. Não houve 8 de janeiro capaz de abalar essa verdadeira força de permanência, direito adquirido dos parlamentares. O orçamento secreto é estável. Estáveis também, os valdemares.

  4. ESCOLHAS LEGAIS ASFIXIAM A PREVIDÊNCIA, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    O Brasil envelhece em ritmo acelerado, e a conta dessa transformação demográfica só tende a crescer. Projeções do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada indicam que o número de idosos que necessitarão de cuidados custosos de longa duração saltará de 5,1 milhões para 17 milhões até 2050.

    Ao contrário de países europeus, que enriqueceram antes de ver sua pirâmide etária se inverter, o Brasil enfrenta essa transição com renda e produtividade ainda limitadas, o que amplia a pressão sobre as contas públicas.

    Em 2025, o déficit da Previdência Social superou R$ 320 bilhões (2,6% do PIB). Ainda assim, o desequilíbrio não decorre apenas da demografia ou da sonegação.

    Estudo da Equipe Tax Gap da Receita Federal mostra que o próprio desenho do sistema reduz sua eficácia. De cada R$ 100 de arrecadação potencial, só R$ 44 chegam aos cofres públicos.

    Metade dessa diferença resulta de escolhas legais. Imunidades constitucionais e regimes especiais —os chamados “gaps de política”— respondem por R$ 28 não arrecadados. A sonegação tradicional subtrai R$ 22; litígios e contestações, outros R$ 6.

    Essas distorções também afetam a distribuição do ônus. Trabalhadores formais arcam com as maiores alíquotas efetivas: somados encargos previdenciários e tributos sobre a folha de pagamento, a carga pode chegar a 77,7%. Entre os 5% mais ricos, ela é significativamente menor.

    No topo da renda, boa parte da lacuna decorre de mecanismos legais. A chamada pejotização permite converter rendimentos do trabalho em dividendos por meio de CNPJs enquadrados no Simples Nacional ou no regime do Microempreendedor Individual (MEI), reduzindo a contribuição ao sistema.

    Criado para formalizar trabalhadores de baixa renda, o MEI tornou-se vetor de erosão da base arrecadatória. Segundo o Banco Mundial, 51% dos novos microempreendedores migraram diretamente do mercado formal.

    Com uma contribuição de apenas 5% ao sistema previdenciário, o regime incentiva a substituição de empregos com carteira assinada por prestação de serviços.

    Distorções semelhantes aparecem em setores como saúde e educação, onde a ampla concessão de imunidades fiscais reduz a arrecadação e cria assimetrias.

    A sustentabilidade da Previdência não comporta a expansão indiscriminada de regimes especiais. Tampouco se deve buscar equilíbrio impondo mais encargos à classe média assalariada e às empresas, que já suportam parcela desproporcional do financiamento do sistema.

    É necessário recompor a base contributiva, reduzir privilégios e tornar o sistema progressivo. Cabe ao Congresso, por exemplo, não ampliar os limites de faturamento do MEI e do Simples e tributar mais a alta renda pejotizada. Em um país que envelhece rapidamente, não enfrentar hoje essas distorções significa ampliar o problema no futuro.

  5. VALDEMAR E CUNHA EXPÕEM O DESPROPÓSITO DAS EMENDAS, editorial do jornal O Globo

    As decisões do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino de bloquear R$ 6,1 milhões em bens do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (Republicanos-MG) e R$ 119 milhões do presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, por suspeita de atuação no direcionamento de verbas públicas são um alerta sobre o despropósito das emendas parlamentares. Sem mandato, Cunha e Valdemar seriam autores de mais de duas dezenas de repasses, segundo investigação da Polícia Federal (PF). Após o congelamento de bens de Valdemar, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse em nota que a decisão “não identifica desvio, abuso ou aplicação irregular de verbas públicas”. Para ele, o despacho tenta “criminalizar a atividade política”.

    Defensores de Valdemar alegam que presidentes de legendas exercem papel de coordenação política. Tal argumento é inócuo no caso de Cunha, suspeito de contar com o aval de Motta. O Supremo terá agora que avaliar se competências reservadas a parlamentares foram extrapoladas. Antes de qualquer decisão final, porém, o caso é prova do quanto as emendas parlamentares se tornaram uma aberração.

    Em troca de mensagens entre Cunha e a assessora parlamentar Miriângela Fialek, o ex-presidente da Câmara prioriza como destino das verbas cidades de Minas. O objetivo é eleitoral. Não há justificativa técnica para a definição dos municípios. “Boa tarde, desculpa, mas eu não aguento mais esses mineiros enrolados. Troca a de Governador Valadares (MG) por essa, pois lá também criaram caso pedindo ofício etc. É mais fácil trocar”, escreveu a Fialek. Em setembro, nova mudança, desta vez motivada por conflito local sobre autoria da emenda. “Bom dia. Trocar Manhuaçu por essas para acabar com a confusão.” Em outra ocasião o remanejamento foi justificado porque o trabalho em Minas “é muito pulverizado”.

    Oito em dez reais indicados por Valdemar foram enviados na semana anterior ao prazo final para as eleições de 2024. O critério usado foi o interesse paroquial. As verbas irrigaram cidades estratégicas para o PL. Fialek também aparece tratando de emendas pedidas por Valdemar. Em troca de mensagens em agosto, questiona Garigham Amarante Pinto, lotado na liderança do PL, sobre valores. O interlocutor responde: “Pode colocar o máximo que der. Ele tá querendo Turismos”. Não há referência alguma a análises econômicas sobre a viabilidade e a conveniência do investimento no setor.

    Países mais bem colocados em rankings de índices socioeconômicos centralizam a quase totalidade dos gastos no Executivo por uma boa razão. Políticas públicas são mais eficazes quando pensadas de forma integral e decididas a partir de estudos sobre urgências e demandas regionais e nacionais. Nesse ponto, o Brasil é uma anomalia na comparação internacional.

    Por aqui, o Congresso tem controlado fatia cada vez maior do Orçamento. De 2015 até o ano passado, as emendas saíram de R$ 5,7 bilhões para R$ 47 bilhões. Agora ficam com 22% da parcela não engessada do Orçamento sob controle do Executivo. Apesar das repetidas investidas do STF por transparência, continuam caracterizadas pela opacidade. Além do gigantismo, destacam-se pela alta incidência de casos de desvios de finalidade e corrupção. Difícil imaginar estratégia mais ineficaz de alocar recursos públicos.

  6. IVO CARLOS DUARTE

    Morreu nesta madrugada uma parte da história de Gaspar, mesmo não sendo gasparense, o empresário Ivo Carlos Duarte, aos 73 anos, em decorrência de problemas coronarianos.

    Não vou me alongar, porque gerações que já foram e estão aí antes da era digital, em algum momento, parte da vida e do contato com Ivo Carlos Duarte e seu negócio chamado de Foto Mary. Em festas – privadas e públicas -, casamentos, batismos, crismas, confirmação, encontros empresarias e políticos lá estavam Ivo, sua mulher e outros registrando da sua equipe, interagindo e sendo reconhecido.

    Ivo Carlos Duarte se tornou, ao seu modo, parte da história de Gaspar desde os 16 anos quando aqui chegou. O velório começa as 11h na Capela Bom Pastor. Este é o registro. Esta é a única homenagem que posso fazer ao repórter das pessoas e da cidade de Gaspar que ajudou a preservar a memória delas.

  7. Efetiva, Atenta e Observadora

    Olhar de uma Servidora que já viu muitas gestões

    Você sempre diz Heruclano, que a política em Gaspar não é para amadores, mas ultimamente tem parecido um roteiro mal ensaiado de filme de terror pastelão. A crise que se instalou na prefeitura não é apenas contábil ou administrativa; é uma crise de abstinência de promessas. O estoque de palavras vazias do gestor faliu, e o cidadão finalmente acordou da ressaca eleitoral.

    Para piorar o figurino, o GAECO resolveu vir fazer aquela “visita de cortesia” ao secretário municipal. Mas sabe o que é mais fascinante nessa ópera? Não é a viatura aqui na porta, é o silêncio ensurdecedor que vem do gabinete principal. Nos bastidores, o clima é de Salve-se Quem Puder. O prefeito Paulo já deixou claro — sem precisar dizer uma linha — que o seu instinto de sobrevivência é diretamente proporcional à sua capacidade de esquecer dos próprios aliados. Na primeira marola, o comitê de patriotas joga qualquer um ao mar da desmoralização pública só para manter o topo do comando seco.

    Essa cartilha, convenhamos, não é nova. É o puro suco do manual bolsonarista de governança: muita retórica, conflito fabricado para alimentar a militância e a boa e velha “fritura” de aliados em praça pública.

    Só que o prefeito esqueceu de um detalhe técnico: quem toca a máquina pública somos nos os servidores efetivos. E os concursados, que de bobos não temos nada, já entendemos o jogo. Percebendo que o navio é comandado por quem só liga para o próprio ego, a burocracia simplesmente tirou o pé do acelerador. Deixaremos o barco ir à deriva. Quer brigar com o espelho, prefeito? Brigue sozinho, porque a máquina parou.

    Não sabe defender o time, jogue sozinho.

    1. Excelente. Melhor que o meu próprio comentário. Até para um analfabeto, está claro como pregaram as tábuas deste barco sem as estopas. Obrigado pela leitura e interação, mesmo sabendo que não sou lido por ninguém segundo os poderosos de ontem, hoje e sempre.

  8. PAULISTAS QUEREM CHAMAR A POLÍCIA, por Carlos Alberto Sardenberg, no jornal O Globo

    Está em andamento um amplo debate sobre segurança pública no país. Muitas ideias estão na mesa, como a criação de um ministério específico e variados projetos de leis e emendas constitucionais. Tratam de redefinição de crimes, aumento de penas, nova classificação das facções e assim por diante. Não são discussões inúteis, mas a população se preocupa com coisas bem mais simples.

    O Datafolha obteve uma boa amostra em pesquisa feita com moradores do estado de São Paulo, divulgada na semana passada. O instituto perguntou: qual o maior problema de segurança pública? Resposta majoritária: a falta de policiamento efetivo nas ruas. Assim responderam 20% dos paulistas.

    A análise de outras respostas mostra que a demanda por mais policiamento é, de longe, a principal: 11% dos entrevistados disseram que se preocupam mais com os assaltos nas ruas e no trânsito. Outros 4% consideram que o maior problema está no despreparo da polícia e, pois, na má qualidade do serviço prestado. Para 3%, faltam investimentos no aparelho de segurança e não se valoriza o policial. E 2% dos paulistas responderam simplesmente: falta polícia. Tudo somado, chegamos a uma expressiva maioria de 40% que querem a polícia mais eficiente e presente nas ruas.

    A preocupação tem um ligeiro viés político. Tanto os eleitores do governador Tarcísio de Freitas quanto os de Fernando Haddad colocam a falta de polícia nas ruas como principal problema. Mas, ao contrário do que diria muita gente, os eleitores do petista são os mais preocupados: 25%, ante 19% dos que optam pelo governador. É interessante. Na pauta política, a proposta de colocar mais policiamento ostensivo aparece associada à direita. Mas são os eleitores da esquerda, pelo menos em São Paulo, que mais se queixam da falta de polícia.

    A denúncia dos excessos da polícia é um tema associado à esquerda. Mas não dá voto. Apenas 2% dos entrevistados pelo Datafolha colocaram a violência policial como principal problema de segurança. Tudo considerado, a pesquisa confirma o que muitos especialistas sustentam. Segurança pública exige mais policiamento.

    A resposta é simples, mas cara e de difícil implementação. Isso porque não basta contratar mais policiais e distribuí-los pelas cidades. É preciso treinar o pessoal, pagar bons salários e oferecer equipamentos, desde armas até material de investigação de crimes como tráfico de drogas.

    Na pesquisa, 11% dos entrevistados colocaram o tráfico como maior problema de segurança. E apenas 6% citaram as facções. Compreende-se. No dia a dia, as pessoas querem sair às ruas sem medo de assaltos. Querem circular falando ao celular, usando seus relógios e alianças de casamento. Para isso, querem ter a segurança de que há policiais por perto. E preparados.

    O crime organizado praticado pelas facções é um problema grave para a sociedade. O combate também exige mais policiamento — mas de organização complexa. É preciso articular as atividades de segurança nos três níveis — federal, estadual e municipal.

    E aqui caímos num debate rasteiro. À direita, se pede uma polícia “dura”, capaz de executar bandidos e suspeitos. À esquerda, prevalece a desconfiança em relação à polícia, combinada à tese de que a criminalidade é uma questão social, decorrente da desigualdade. Daí resultam políticas igualmente ineficientes. Ou uma polícia violenta ou falta de polícia. Em qualquer caso, prevalece entre os cidadãos a sensação de insegurança. Não se confia na polícia. Muitos a temem.

    As respostas políticas têm fracassado. A qualquer evento mais grave, logo aparecem propostas para mudar a legislação de modo a aumentar a pena para determinados crimes. Na pesquisa, apenas 6% dos entrevistados disseram que o maior problema de segurança está na legislação. De algum modo, os cidadãos sabem que não adianta ter uma lei rigorosa se não há polícia eficiente para prevenir e capturar os criminosos. Falta também um Judiciário capaz de processar e julgar em tempo razoável.

  9. NINGUÉM SOLTA A MÃO DE NINGUÉM, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    Já está clara a estratégia que o governo Lula usará para tentar evitar – ou postergar – a ruína dos Correios. Caberá a outros órgãos e empresas sob seu controle esticar artificialmente a vida da estatal zumbi. Só isso explica o fato de o Banco do Brasil (BB) ter firmado um novo acordo com a empresa para prestação de serviços postais em todo o País.

    O contrato anterior vencia em 10 de julho, e o novo, válido para os próximos cinco anos, poderá alcançar até R$ 2,3 bilhões. O BB garante que a decisão foi tomada de forma “independente”. A contratação, no entanto, se deu de maneira direta, ou seja, sem a realização de um procedimento de licitação. A justificativa do BB é de que a maior parte dos serviços demandados está sujeita ao monopólio postal.

    Sobre os demais serviços não monopolizados, entre as quais a entrega de encomendas expressas, a instituição financeira informou ter consultado outras duas empresas. Alegou, no entanto, que os valores eram similares aos cobrados pelos Correios e justificou que a estatal seria a única organização com “capilaridade, abrangência nacional e capacidade operacional” suficientes para assegurar atendimento integrado, contínuo e padronizado em todo o território nacional, inclusive em localidades remotas e de difícil acesso.

    É quase inacreditável que um dos maiores bancos do País em ativos, carteira de crédito, número de clientes e valor de mercado trabalhe dessa forma, mas é exatamente assim que opera o lulopetismo quando se trata de empresas estatais. No caso do BB, uma sociedade de economia mista com capital aberto, quase metade dos papéis da instituição financeira pertence a acionistas privados, mas é em momentos como esse que o governo abusa de sua posição de controlador para impor suas vontades de maneira velada.

    Os Correios tomaram um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a um consórcio de cinco bancos no ano passado, entre os quais o Banco do Brasil e a Caixa. As instituições financeiras só aceitaram emprestar porque o Tesouro Nacional – ou seja, o contribuinte – se comprometeu a honrá-lo em caso de calote.

    O Tribunal de Contas da União (TCU), no entanto, encontrou falhas na análise da operação e do plano de reestruturação da empresa e abriu um processo para apuração de responsabilidades – situação que pode atrapalhar a contratação do segundo empréstimo que a empresa pleiteia, entre R$ 7 bilhões e R$ 8 bilhões.

    Os Correios registram prejuízo há 14 trimestres consecutivos, encerraram 2025 com um rombo de R$ 8,5 bilhões e devem fechar o ano com um resultado negativo de R$ 10 bilhões. Somente no primeiro trimestre, a perda foi de R$ 3,16 bilhões, causada pelo aumento de despesas gerais e administrativas e pela queda de receitas líquidas, inclusive em itens relevantes como encomendas e postagens internacionais.

    Diante de números tão ruins, não é à toa que os bancos estejam reticentes em conceder um novo empréstimo. O governo, no entanto, assegura que a empresa está conseguindo recuperar contratos e logo voltará a registrar bons resultados. Aos poucos, começa a ficar claro que contratos são esses – e com quem eles têm sido fechados.

    No mês passado, a ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, disse que os Correios estavam prestes a anunciar uma parceria para gerenciar a logística dos galpões que recebem material apreendido pela Receita Federal – uma atividade que gera despesa para o órgão, mas que, de acordo com a ministra, sabe-se lá como, renderia receitas para os Correios.

    Agora, chegou a vez de o Banco do Brasil contribuir com os Correios, e a julgar pela tradição dos governos petistas, outras empresas e órgãos públicos serão “convidados” a participar dessa operação conjunta de socorro, no melhor estilo “ninguém solta a mão de ninguém”.

    Ainda que as receitas dos Correios voltem a crescer, é nas despesas que está seu maior desafio. Em vez de privatizar a empresa para dar fim a esse sorvedouro de dinheiro público de uma vez, o governo Lula não surpreende com suas falsas soluções, tampouco hesita em passar o custo de suas controversas escolhas à sociedade.

  10. O LIMITE DA PERFEIÇÃO, por Leandro Karnal, no jornal O Estado de S. Paulo

    Seu Walter veio instalar um filtro na parede da minha cozinha. A peça cilíndrica encaixa-se diretamente e deve ser girada até que a rosca fique bem vedada. Estava perto do fim da tarefa. Seria bom dar uma última volta para garantir vedação absoluta. É zelo. É prudência. Meia volta a mais e… tudo se estragou. Foi excessivo. A água jorrou. A tentativa de chegar à perfeição estragou tudo. A história foi real e ocorreu na minha cozinha, na Rua Cotoxó, bairro da Pompeia, em São Paulo.

    Guardem a ideia de que, para melhorar, por vezes chegamos ao excesso que coloca tudo a perder. Dei aula para uma simpática senhora. Em determinado momento, ela decidiu fazer um preenchimento. Lábios maiores, mais carnudos, costumam ser atributos de beleza. E lá foi ela. Surgiu mais “labiosa”, abundante, e com um toque novo de vitalidade. Olhávamos… e ela parecia melhor. Depois percebíamos o pequeno intumescimento da moldura da boca. Foi elogiada. Animou-se. Decidiu dar mais “uma volta” no parafuso da estética. Meses depois do primeiro passo do projeto, apareceu com um preenchimento mais generoso. Já pipocavam olhares negativos. Por fim, no semestre seguinte, a vontade de melhoria a fez “perder a mão”. O resultado foi considerado um desastre pela maioria. Surgiu algo estranho no rosto. Parecia sempre que ela fazia um enorme bico para mandar um beijo permanente aos habitantes da galáxia. A boca chegava antes. A melhoria discreta a animou e pareceu fazer-lhe perder a prudência. Todos conhecemos alguém que “perdeu a mão” com plásticas, acessórios de carros, relógios ou silicones. O entusiasmo produz uma cegueira.

    É muito importante ter um médico honesto e um amigo sincero no seu círculo. O primeiro impõe limites ao próprio lucro com procedimentos. O segundo é verdadeiro no olhar e diz diretamente que você ultrapassou uma fronteira. Os dois me ajudam a escapar da quase universal tendência de todo rei Lear que busca elogios fáceis: a falta de noção. O rei shakespeariano confiava em adulações de filhas falsas. Desejava-as. Perdeu tudo: o amor da única filha verdadei-* ra, o trono, os olhos e a razão. “Ficou velho antes de ficar sábio”, como constatou seu bobo da corte.

    O pior, minha querida leitora e meu estimado leitor, é que nunca teremos certeza de que temos condições de uma volta extra no parafuso do destino. Uma volta a menos e tudo fica frouxo. Uma volta a mais e tudo arrebenta. Como saber? No mínimo, tendo amigos sinceros e fiéis, capazes de me criticar com força, buscando meu bem. Quem não os possui fica apertando parafusos sem saber quando parar. A sinceridade dos inimigos existe para me destruir. A dos íntimos deseja meu equilíbrio e minha felicidade. Tenha bons amigos, consulte médicos equilibrados, aperte parafusos com prudência, cuide-se para não perder a sensatez. Entenda que o barro no carro indica que a trilha foi uma aventura, como deve ser sua vida. Tudo aquilo que vivemos é imperfeito. Carros reluzentes sempre indicam que ninguém os usou de verdade.

    O equilíbrio nasce de um olhar analítico sincero sobre si mesmo. Há outro dado: reconhecer o limite. Os japoneses identificam o conceito de “wabi-sabi”: a beleza suave do que não é perfeito, a aceitação da impermanência, a apreciação de uma beleza rústica sincera. Há outro conceito admirável na terra do Sol Nascente: “kintsugi”. Trata-se, por exemplo, de restaurar uma porcelana estilhaçada com ouro, fazendo da “gambiarra” um resultado ainda melhor do que o original. O quebrado vira algo superior. É uma lição de vida. Os dois conceitos mostram que a perfeição é um ideal regulador, mas devemos aprender a lidar com limites e trabalhar com o real. Coloque “kintsugi” no seu buscador, selecione imagens e faça essa reflexão. A vontade de restaurar, de não perder o que foi partido, acaba resultando em um item único e especial. Antes, era uma xícara bela e comum a muitas outras. Nas fraturas, surge o objeto único. A peça deixa de ser industrial e se torna biográfica.

    Tudo merece ser restaurado com ouro? Depende de muitos fatores, e ninguém pode indicar um manual de valor absoluto. Relações, por exemplo, possuem fronteiras que, ultrapassadas, implicam reflexão sobre uma segunda chance. Na minha visão, exclusivamente minha, a violência física é um território que, uma vez atingido, torna complexo prosseguir. E a traição? E a violência verbal? Daí entramos no caleidoscópio subjetivo em que cada um deve refletir por si. Jamais conseguiria aconselhar alguém.

    Mais radical do que os nipônicos, o Prêmio Nobel Sully Prudhomme (1839-1907) escreveu Le Vase Brisé (O Vaso Partido), indicando que mesmo o vaso de cristal, depois de rachado, não pode mais ser tocado (Il est brisé, n’y touchez pas: está quebrado, não lhe toqueis). Consertar ou descartar? O kintsugi japonês ou o vaso intocável de Prudhomme? Minha esperança é que tenhamos consciência dos nossos limites e identifiquemos os motivos para estar com uma pessoa. Se você não fizer isso, há chance de continuar aceitando cacos cerâmicos em outra relação.

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