Enquanto políticos eleitos por nós e a casta de servidores dos três poderes têm criados a todo momento privilégios, indenizações e penduricalhos milionários nos seus contra-cheques, no outro lado estão os pagadores disso tudo estão o povo, empreendedores, empresários – incluindo os pequenos e micros que bancam tudo isso, com juros caros se endividando, falindo.
A cada dia, surgem ou são aumentados os cada vez mais altos Tributos (impostos, taxas e contribuições) cobrados compulsoriamente on line pelos governos Federal, Estadual e Municipal, quase sem – ou difíceis acessos e resoluções – canais de contestações e compensações. Esta derrama é para cobrir esta anomalia de desiquilíbrio e farra fiscal. É para sustentar a pesada máquina burocrática governamental.
No final do mês, não sobra quase ou nada, além do aumento da dívida, para quem verdadeiramente trabalha, empreende, inova, sacrifica-se pelo sonho, e verdadeiramente, faz a economia girar e criar riqueza, dinheiro tomado em sucessivas etapas pelos impostos sem fim e assim mesmo, a dívida e a inflação só aumentam contra o povo.
Este é ano de reflexões e eleições. E nos discursos dos candidatos, incluindo os deputados local por onde passam as discussões e se aprovam, até agora, não há claras propostas e compromissos de combate ou propostas de mudanças a este quadro de assalto ao dinheiro de todos nós no governo de continuidade ou de mudanças. A briga é apenas para se manter na ponta da disputa, no salve-se quem puder com os nossos votos. (by Herculano)
32 comentários em “ANOTAÇÕES DE MIGUEL TEIXEIRA CDLXX”
“Fernando Haddad existe de verdade?”
– Ainda é caso de perguntar se Fernando Haddad, o transcandidato de 2018 que deverá levar outra sova nas urnas, existe mesmo.
(Mario Sabino, Metrópoles, 13/07/26)
Ao que as pesquisas indicam, Fernando Haddad sofrerá uma derrota humilhante em São Paulo. Mas ele não tem problema com humilhações: é um quadro do PT disposto a enfrentar qualquer vexame para atender às conveniências eleitorais do chefão Lula.
Contra Fernando Haddad, e o petista é o único concorrente (mais ou menos) digno deste nome na disputa pelo governo paulista, Tarcísio de Freitas teria 52% das intenções de votos válidos já no primeiro turno.
A provável vitória acachapante de Tarcísio de Freitas fará com que, no segundo turno da eleição presidencial, Lula fique sem palanque no estado mais importante da federação.
Não é que o chefão tivesse opção a Fernando Haddad, há de se convir. O PT só tem ele no berço em que nasceu. Ou seja, não tem ninguém. Isso fala muito da genialidade política de Lula, bom como da sua grandeza de Luís XV (depois de mim, o dilúvio).
Se as projeções se confirmarem, será a segunda humilhação sofrida por Fernando Haddad nas urnas. A primeira delas foi em 2016, quando perdeu a prefeitura de São Paulo para João Doria também no primeiro turno.
Naquela ocasião, o petista tentava reeleger-se, mas obteve pouco mais de 16% dos votos. Fernando Haddad sofreu com os efeitos do desastre Dilma Rousseff, mas certamente não será lembrado como um dos melhores prefeitos que a capital paulista já teve. Ao contrário, figura entre os piores para grande parcela de paulistanos.
Outra derrota histórica de Fernando Haddad foi na eleição presidencial de 2018, contra Jair Bolsonaro. Histórica não tanto pela derrota, mas pela forma como ela se deu.
O poste de Lula despiu-se da sua própria identidade para representar o chefão que estava na cadeia, na campanha “Haddad é Lula e Lula é Haddad”.
Na época, em outra encarnação jornalística, escrevi um artigo a respeito desse fenômeno jamais visto. Chamei Fernando Haddad de “transcandidato”. Reproduzo alguns parágrafos:
Poste, fantoche, marionete, boneco de ventríloquo, vassalo, lacaio, capacho (*). Nenhuma dessas imagens dá conta do estranho caso de Fernando Haddad e Lula. Trata-se de um fenômeno que vai muito além da total submissão política da qual a história está cheia em quaisquer latitudes. Dmitri Medvedev, por exemplo, é poste, fantoche, marionete, boneco de ventríloquo, vassalo, lacaio e capacho do déspota Vladimir Putin. É o preposto de plantão nos mais altos cargos de comando da Rússia para fingir que existe alternância de poder no país. Mas Medvedev, ao que consta, jamais colocou uma máscara de Putin e disse que ele é Putin e que Putin é ele.
Ser ou não ser Lula esteve longe de ser uma questão para Haddad, a julgar pela tranquilidade com que aceitou despir-se da própria identidade e vestir a do chefe. E já que citei Shakespeare na diagonal, Haddad talvez até se dispusesse de forma espontânea a dar uma libra da própria carne ao Shylock de Garanhuns apenas para exibir nove dedos – e, desse modo, corporificar a renúncia de identidade que serve tão somente ao projeto de liberdade e revanche do condenado. “Você não pode comer carne humana, mas se ela nada mais alimenta, alimentará a minha vingança”, diz o agiota Shylock, ao justificar o preço que cobrou de Antonio. Para o ressentido Lula, todos os que o condenaram e aplaudiram a sua condenação são Antonio (leia O mercador de Veneza, vale a pena).
Embora não conheça pessoalmente Haddad, e o seu cotidiano me seja tão interessante quanto o meu a ele, fico intrigado com as eventuais repercussões cotidianas do fenômeno. Ao se olhar no espelho, ele perturba-se ao ver refletidas as suas próprias feições, a ponto de perguntar-se “onde está a minha barba”? Depois de um dia inteiro sendo Lula, ele volta a ser Haddad, ao sentar-se para jantar com a sua família, ou o ex-aluno de escolas de elite pede para que lhe passem “as travessa”? Na sequência do jantar, ele assiste a uma série da Netflix ou enche a cara de cambuci, lembrando os tempos de sindicato e “aquelas gostosa”? Haddad é Lula enquanto dorme? Explico: ele sofre de apneia e sonha em traçar uma rabada com polenta fora da cadeia?
Passada quase uma década, com Lula de volta ao poder graças a um trambique aplicado ao direito e metade dos eleitores esquecidos do motivo que levou o chefão a entrar em cana, ainda é caso de perguntar quem é, afinal, Fernando Haddad. Se ele existe de verdade ou seria um cavaleiro inexistente, como o personagem do escritor Italo Calvino, protagonista do romance ambientando no tempo de Carlos Magno. Colado ao próprio papel, disciplinado e obediente à hierarquia, o personagem era uma armadura vazia, sem ninguém dentro.
(Fonte: https://www.metropoles.com/colunas/mario-sabino/fernando-haddad-existe-de-verdade)
Matutando bem. . .
(*) Se lula, então presidiário, não conseguiu eleger seu “Poste, fantoche, marionete, boneco de ventríloquo, vassalo, lacaio, capacho”, conseguirá bolsonaro, o imbrochável, hoje presidiário, eleger o seu???
“Terceira via sobe de 11% para 27%”
– Pesquisa BTG/Nexus aponta aumento dos brasileiros que não querem Lula nem alguém indicado por Jair Bolsonaro.
(Duda Teixeira, Crusoé, 13/07/2.6)
Pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda, 13, aponta um forte aumento dos brasileiros que preferem um candidato que não seja “apoiado nem por Lula nem por Jair Bolsonaro”.
É a terceira via.
Em março deste ano, 11% dos brasileiros estavam nesse grupo.
No último levantamento, datado de 13 de julho, o valor subiu para 27%.
O índice chega próximo ao dos que preferem Lula (36%) e os que querem Flávio ou outro candidato indicado por Jair Bolsonaro (32%).
Esse avanço, que tem sido constante ao longo dos meses, animou os demais pré-candidatos, que esperam conquistar esse eleitorado.
A razão mais provável para esse aumento da terceira via é o desgaste das campanhas de Lula e de Flávio.
Lula comanda um governo com 39% de ruim/péssimo e 32% de ótimo/bom, segundo o Lulômetro. O petista ainda viu Jaques Wagner, então líder do governo no Congresso, ser tragado para o escândalo do banco Master.
Impedido de inaugurar novas obras, o petista também perdeu uma importante ferramenta de propaganda governamental.
Flávio, depois da divulgação das suas conversas com Daniel Vorcaro e das disputas com Michelle Bolsonaro, perdeu tração e não consegue voltar ao patamar anterior.
Como a campanha eleitoral só começa em 16 de agosto, data do primeiro debate na televisão, muitos nomes ainda são desconhecidos do grande público.
Segundo a pesquisa BTG/Nexus, Caiado é desconhecido por 32% dos brasileiros, Romeu Zema por 30%, Joaquim Barbosa por 43% e Renan Santos por 46%.
Quando a campanha começar de verdade, eles poderão arrebanhar esse eleitorado.
Para que isso ocorra, segundo o cientista político Leonardo Barreto, será preciso que os eleitores desistam de Lula ou de Flávio.
“Para que a terceira via cresça, é preciso, antes, haver uma desistência de eleitores dos polos. Só a partir daí essas pessoas vão começar a considerar outros nomes, que ainda são maciçamente desconhecidos”, afirma Leonardo Barreto, colunista de Crusoé.
“Pode ser, portanto, que a pesquisa Nexus tenha captado o início da primeira etapa: a desistência dos polos. Novas pesquisas confirmarão ou não esse movimento, dentro de uma dinâmica mais veloz, à medida que a eleição entra definitivamente na agenda das pessoas com o período oficial de campanha”, afirma.
(Fonte: https://crusoe.com.br/diario/terceira-via-sobe-de-11-para-27/)
“Índio malandro”
O cacique Mário Juruna (*) foi eleito deputado em 1982, pelo PDT carioca, e fez história, de gravador em punho, cobrando promessas e compromissos dos políticos com a causa indígena.
Mas, curiosamente, o deputado Mário Juruna não nomeou índios xavantes para a sua assessoria; só escolheu brancos.
A um repórter que perguntou o motivo, ele explicou:
-“Branco entende malandragem de branco”.
(Poder sem pudor, Coluna CH, DP, 13/07/26)
(*) Mário “Juruna” Oniuou Dzurunã Butsé (Barra do Garças, 3 de setembro de 1943 — Brasília, 17 de julho de 2002) foi um líder indígena e político brasileiro. Filiado ao Partido Democrático Trabalhista, foi o primeiro deputado federal indígena do Brasil.
. . .
+em: https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A1rio_Juruna
“Venezuela: Lula chama ditadora em exercício de ‘presidenta’”
(Cláudio Humberto, Coluna CH, DP, 13/07/26)
Humilhado pelo ex-amigo e ex-ditador da Venezuela Nicolás Maduro, Lula, após muita pressão interna, não reconheceu a fraudulenta eleição venezuelana, mas parece ter mudado de ideia. Nota sobre o telefonema à ditadora em exercício Delcy Rodrigues, que mantém os hábitos do tirano que a precedeu, da Secretaria de Comunicação Social do petista, comandada pelo marqueteiro Sidonio Palmeira, reconhece Delcy como “presidenta designada”, sem explicar quem designou.
São detalhes
O telefonema foi em razão do trágico terremoto no país vizinho. Mas a nota não traz qualquer menção sobre democracia ou o processo eleitoral.
Vai ficando
O “mandato interino” de 180 dias da ditadora expirou assim que julho pontou, mas veio o terremoto e Delcy nunca mais falou em eleições.
Reprovação nas alturas
Pesquisa AtlasIntel na Venezuela mostra reprovação de Delcy em 63,3% em junho. Sobre o enfrentamento à tragédia, desaprovação de 52,4%.
Lula ignora
Apesar da tragédia, 45,7% dos entrevistados disseram que eleger um novo presidente é prioridade, contra 32,6% para reconstruir o país.
(Fonte: https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/venezuela-lula-chama-ditadora-em-exercicio-de-presidenta)
“‘Sudeste cresceu nas costas do Nordeste por décadas, agora é a nossa vez’, diz ex-J.Macêdo, que investe no sertão do Ceará”
– Acionista de referência da empresa fundada por seu pai, Amarílio Macedo investe em ZPEs no sertão do Ceará.
– Porto do Pecém serve como modelo para a nova zona de processamento de exportação.
(Luana Franzão, Painel S/A., FSP, 11/07/26)
Amarílio Macêdo, 81, passou 50 anos trabalhando na empresa construída por seu pai, José Macêdo, a J.Macêdo (1) — especialista em moagem de trigo que gerencia marcas como Dona Benta, Sol e Petybon —, metade deles no comando da companhia. Agora, ele usa sua fatia na fortuna acumulada para investir na estruturação de ZPE (Zona de Processamento de Exportação) (2) perto de Quixeramobim, no sertão do Ceará (3), estado de origem dos Macêdo.
ZPE é um distrito industrial planejado para empresas que produzem para exportar.
Quixeramobim recebe um porto seco e trecho da ferrovia Transnordestina (4), o que gera expectativa de novos negócios. Macêdo investe R$ 20 milhões no negócio em um primeiro momento, mas com a ideia de mais injeções e a procura por investidores no exterior.
> Por que uma ZPE? Por que entrar nesse negócio agora, depois de tantos anos em um setor diferente?
– O Brasil está aprovando a reforma tributária, que prevê para as ZPEs 20 anos de isenção de imposto, desde a compra de equipamentos até tudo o que a fábrica precisa para produzir e exportar. Isso interessa a chineses, americanos, canadenses. Interessa a todo mundo. Quem não quer ficar isento de imposto? Mas, para transformar isso em algo real, é preciso ter como trazer e escoar a produção, e é aí que entra a ZPE.
> A relação da região com o governo foi importante para esse processo?
– No Brasil, existe uma queixa recorrente do Sudeste, que se sente prejudicado ao ver o Nordeste sendo beneficiado por políticas públicas. Mas paciência: o Sudeste cresceu nas costas do Nordeste por décadas; agora é a vez de o Nordeste crescer com as próprias pernas, menos dependente do mercado nacional e mais voltado à exportação. Há quem diga que o porto do Pecém [nos arredores de Fortaleza], em 30 anos, vai deixar o porto de Santos para trás por uma questão física simples: Santos não tem mais para onde crescer, enquanto Pecém tem dezenas de quilômetros de mar para se expandir.
> Projetos de ZPE não chegam à conclusão, ou ficam com menos relevância do que se esperava. O que o sr. planeja para que a ZPE de Quixeramobim avance?
– É seguir o passo de quem já testou. Temos uma parceria com quem foi fundamental na construção da ZPE do Pecém. Com 36 anos de experiência, aprendi a não escolher qualquer um.
> Você pode falar quem são esses parceiros?
– Posso dizer que temos interessados no setor agroindustrial, de mineração e de telefonia também.
> Depender da conclusão da ferrovia Transnordestina não é um risco para o projeto?
– Esse risco é calculado. Mas o governo já confirmou a conclusão da ferrovia em 2028, estamos seguros.
> A reforma tributária deve eliminar benefícios tributários que tornaram o Nordeste atrativo.
– Vai eliminar um fator de desigualdade histórico que é o incentivo fiscal. O incentivo que não é voltado para viabilizar um novo investimento é o maior transferidor de riqueza de quem aporta para quem recebe.
> Mão de obra é um problema?
– Não é problema se você pagar decentemente. O grande problema da mão de obra é que o Bolsa Família remunera melhor do que o empregador, que não quer pagar o imposto da carteira assinada. Então fica nesse “me engana que eu gosto” e, no final, todo mundo perde. Todo empregador tem como pagar decentemente, mas quem é insaciável faz qualquer coisa para ganhar mais.
> Qual é a diferença entre ZPE, uma zona incentivada, e esse incentivo fiscal que não faria sentido?
– Incentivo fiscal se justifica quando gera riqueza real para a sociedade, não quando transfere renda de quem paga imposto para quem recebe o benefício.
> Vale empreender no Brasil?
– Nós temos mania de reclamar. Ainda vale muito a pena investir no Brasil. E te digo que o chinês também acha.
Amarílio Macêdo, 81
1945, Fortaleza
É acionista de referência do Grupo J.Macêdo, organização empresarial fundada por seu pai José Macêdo no Ceará. Trabalhou por 50 anos na empresa e deixou a liderança da holding em 2025. Foi presidente do CIC (Centro Industrial do Ceará), membro do Conselho Estratégico da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo), presidente do Uniemp (Instituto Universidade Empresa) e cofundador do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial).
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painelsa/2026/07/sudeste-cresceu-nas-costas-do-nordeste-por-decadas-agora-e-a-nossa-vez-diz-ex-jmacedo-que-investe-no-sertao-do-ceara.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newspainelsa)
(1) “Dona Benta uniformiza massa da Pizza Hut”
+em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1996/1/08/dinheiro/3.html
(2) “Exportação brasileira de sucata de alumínio cresce 51% em cinco anos e pressiona reciclagem local”
– Associação defende imposto para reduzir comércio exterior, enquanto instituto apoia livre mercado.
– China se tornou a principal compradora do material, e Ministério da Indústria diz que analisa a situação.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/05/exportacao-brasileira-de-sucata-de-aluminio-cresce-51-em-cinco-anos-e-pressiona-reciclagem-local.shtml
(3) “Lula promete a empresas do Ceará unidade da Embrapa no estado”
– Empresários do sertão pedem empresa para desenvolver atividade leiteira na região.
– Consultada pela coluna por e-mail, a assessoria da Presidência não respondeu.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painelsa/2026/07/lula-promete-a-empresas-do-ceara-unidade-da-embrapa-unidade-da-embrapa.shtml
(4) “ransnordestina quer mudar ligação com Ferrovia Norte-Sul e trocar Maranhão por Tocantins”
– Ferrovia controlada pela CSN propõe ao governo alteração do corredor ferroviário, trocando ligação em Porto Franco (MA) por Guaraí (TO).
– Ministério dos Transportes tem análise positiva sobre novo traçado e vai contratar estudo técnico sobre a mudança.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/06/transnordestina-quer-mudar-ligacao-com-ferrovia-norte-sul-e-trocar-maranhao-por-tocantins.shtml
O piNçador Matutildo, piNçou:
> Mão de obra é um problema?
– Não é problema se você pagar decentemente. O grande problema da mão de obra é que o Bolsa Família remunera melhor do que o empregador, que não quer pagar o imposto da carteira assinada. Então fica nesse “me engana que eu gosto” e, no final, todo mundo perde. Todo empregador tem como pagar decentemente, mas quem é insaciável faz qualquer coisa para ganhar mais.
Qualquer semelhança com a OrCrim oficial será mera coincidência?
(Ver texto abaixo, intitulado “O teorema de Buscetta: ‘mob lawyers’ e facções judiciais”
“CV tem ‘diretor de governança’ que toma decisões para todo o país de dentro de presídio do Rio”
– Conversas interceptadas revelam que a cúpula da facção transformou Gericinó em um centro de decisões do tráfico, com ordens para disputas, invasões de territórios e punições em diferentes estados do país.
(Por Rafael Soares — Rio de Janeiro, O Globo, 13/07/26)
. . .
“Interceptações revelam que o Comando Vermelho (CV) criou um “diretor de governança” no Complexo de Gericinó, Rio de Janeiro, para coordenar atividades criminosas nacionais. O CV, liderado de dentro da prisão, orienta invasões de territórios e media conflitos. A facção tem centralizado poder, influenciando decisões em diversos estados, inclusive Rondônia, após acordo de trégua com o PCC.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/rio/noticia/2026/07/13/comando-vermelho-cria-diretor-de-governanca-em-presidio-do-rio.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
Carlixo, volte para o Rio!
O e$quema clama por você!
“A encruzilhada de Flávio Bolsonaro na definição dos novos candidatos ao Senado no Rio”
– Após desistência de Cláudio Castro e prisão de Márcio Canella, cenário do palanque bolsonarista no estado é de terra arrasada.
(Por Johanns Eller no Blog da Malu Gaspar, O Globo, 13/07/26)
O pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (RJ), está diante de uma encruzilhada na definição dos candidatos ao Senado Federal em sua chapa no Rio de Janeiro.
Com o esfacelamento da chapa prevista antes das operações sobre Cláudio Castro (PL) — e agora sobre Márcio Canella (União Brasil) — tinha ficado definido que os novos candidatos do partido seriam escolhidos a partir de pesquisas internas e com a chancela de Jair Bolsonaro.
Só que essas pesquisas já foram feitas e o ex-presidente já foi consultado pelo assunto, e até agora nada foi decidido — o que preocupa os aliados e chegou inclusive a levantar especulações de que o próprio Flávio esteja “guardando lugar” na chapa para o caso de algo implodir sua candidatura presidencial. A carta do pai divulgada pelo próprio Flávio neste final de semana, em que Bolsonaro se refere ao filho como seu porta-voz e confirma a candidatura, diminuiu a boataria, mas não resolve o principal dilema da direita bolsonarista no Rio.
A escolha dos Bolsonaro para o Senado, entre o senador Carlos Portinho e os deputados federais Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante, não é simples.
Primeiro porque as pesquisas internas vêm indicando de forma consistente que os três têm mais ou menos a mesma pontuação, com oscilações muito pequenas, em diversos cenários testados.
Jordy e Portinho, respectivamente, têm demonstrado um desempenho ligeiramente melhor do que Sóstenes, líder da bancada na Câmara. Em todos os cenários, a disputa é liderada por Benedita da Silva (PT), da chapa do ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD).
Mas, com a sequência de operações sobre os políticos fluminenses, pontuar bem nesses levantamentos já não é mais um indicador decisivo.
Na última quarta-feira, Márcio Canella foi preso durante a sexta etapa da Operação Unha e Carne. O ex-prefeito de Belford Roxo é apontado pelas investigações como o braço político de um esquema de fraudes em postos de combustíveis que sustentava a lavagem de dinheiro de organizações criminosas. Ele foi solto neste sábado por decisão do ministro Alexandre de Moraes, mas continuará na mira da PF.
Além disso, no início de julho houve também uma operação sobre pessoas ligadas a Sóstenes, batizada de Operação Rent a Car, como parte de uma investigação da PF de desvio do dinheiro da cota que os parlamentares tem para gastos com o mandato.
O problema maior agora é escolher um candidato e correr o risco de ele ser alvo de novas operações. Jordy, por exemplo, já esteve na mira da primeira fase da Rent a Car, junto com Sóstenes. “Fica difícil decidir com o risco de o candidato receber a PF outra vez e a chapa acabar implodida”, diz um dos interlocutores dos Bolsonaro sobre esse assunto.
Costura política
Além de arrumar a casa no PL, Flávio terá de apontar outro substituto, desta vez em uma costura política com a federação formada entre o União de Canella e o PP. Aliado próximo do presidenciável, o ex-prefeito havia acolhido a mãe do filho 01 de Jair Bolsonaro, Rogéria, como sua primeira suplente.
Até o momento, Canella e a federação União-PP não sinalizaram que ele deixará a disputa, mas esse desfecho já está precificado na cúpula do PL. A avaliação é que a apreensão do fuzil sem registro comprometeu seriamente a pré-candidatura, já que o principal mote do PL e de Ruas será a segurança pública. Mas os levantamentos internos também não eram muito animadores.
Nos trackings que apontavam um congestionamento entre os possíveis candidatos do PL, Márcio Canella aparecia atrás dos candidatos da sigla do Flávio e também do ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella (Republicanos), que tenta disputar a raia do bolsonarismo. Além disso, também pontuou abaixo dos candidatos ao Senado da chapa de Paes, Benedita e Pedro Paulo (PSD).
A corrida para o Senado no Rio já estava engarrafada antes da operação da Polícia Federal nesta semana. A demora levou inclusive alguns aliados do PL a especular que Flávio estaria, na realidade, “guardando” a vaga do partido para si próprio caso sua campanha presidencial não vá adiante, como publicou a colunista Bela Megale.
Em um cenário de terra arrasada, o palanque do presidenciável do PL no Rio só tem a chapa de governador definida hoje, com Douglas Ruas à frente e o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (PP) como vice.
A lista de reveses de Flávio no seu estado natal, porém, precede o inferno astral de Cláudio Castro e Márcio Canella. O candidato original do clã Bolsonaro ao Palácio Guanabara era Rodrigo Bacellar (União Brasil), mas o então presidente da Alerj foi preso em novembro passado acusado de conexões com o Comando Vermelho.
Diante da expectativa de novas operações da Polícia Federal contra deputados estaduais da base do PL, o perigo é a solução de Flávio Bolsonaro para o imbróglio já vir acompanhada de prazo de validade.
(Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/07/a-encruzilhada-de-flavio-bolsonaro-na-definicao-dos-novos-candidatos-ao-senado-no-rio.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde)
“Ala do STF vê erro de Moraes ao questionar carta de Bolsonaro lida por Flávio”
(Por Bela Megale, O Globo, 13/07/26)
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) acreditam que Alexandre de Moraes erra ao questionar a carta escrita por Jair Bolsonaro (*) e lida pelo filho, Flávio, no último sábado (11). A coluna ouviu três magistrados que defenderam cautela quanto a uma decisão neste sentido.
A avaliação desses integrantes do STF é que seria discutível afirmar que Bolsonaro tenha infringido as medidas cautelares impostas por Moraes apenas pela carta. Para eles, seria controverso suspender o regime de prisão domiciliar ou aplicar outras punições só com base em um documento manuscrito, especialmente porque não há nenhuma proibição para que o capitão reformado escreva cartas.
Além disso, os ministros acreditam que a postura de Moraes pode acabar vitimando Bolsonaro, dando a ele protagonismo político justamente no ano eleitoral. Para eles, aplicar punições com base no texto apenas reforçaria a estratégia da campanha de Flávio, que usa as críticas ao ministro para mobilizar eleitores.
Na decisão desta segunda-feira (13), Moraes suspendeu por 90 dias o direito de visita do senador Flávio Bolsonaro ao pai e determinou que a defesa explique se o ex-presidente tinha ciência de que a carta, escrita durante a prisão domiciliar, seria divulgada nas redes sociais do filho. O caso foi encaminhado ao procurador-geral eleitoral para apuração de propaganda eleitoral antecipada.
Para Moraes, Flávio teria usado a visita para captar um material voltado exclusivamente para divulgação nas redes, em desrespeito à restrição imposta a Bolsonaro de usar plataformas digitais direta ou indiretamente. Essa condição integra as regras da prisão domiciliar humanitária concedida em março e mantida recentemente.
Na carta, Bolsonaro chama Flávio de seu “porta-voz” e pede apoio para a pré-campanha presidencial do filho, sem citar Michelle Bolsonaro, que mantém rompimento com o enteado.
Bolsonaro permanece em prisão domiciliar acusado da tentativa de golpe de Estado.
(Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/bela-megale/post/2026/07/ala-do-stf-ve-erro-de-moraes-ao-questionar-carta-de-bolsonaro-lida-por-flavio.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde)
(*) “Moraes suspende visitas de Flávio Bolsonaro ao pai e manda apurar possível propaganda eleitoral antecipada”
– Ministro do STF também dá 48 horas para a defesa esclarecer se ex-presidente sabia que carta seria divulgada nas redes sociais.
+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/13/moraes-suspende-visitas-de-flavio-bolsonaro-ao-pai-e-manda-apurar-possivel-propaganda-eleitoral-antecipada.ghtml
“Resumão, O Globo”
(Por Gabriel Cariello, 13/07/26)
Vetado.
Banner cobre cartaz de casa de apostas em Copacabana: prefeitura do Rio proíbe propagandas de bets em espaços públicos e eventos patrocinados ou realizados pelo município.
+em: https://oglobo.globo.com/rio/noticia/2026/07/13/prefeitura-do-rio-proibe-propagandas-de-bets-em-espacos-publicos-e-eventos-do-municipio.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(TRPCE)
“Resumão, O Globo” (I)
(Por Gabriel Cariello, 13/07/26)
VISITAS SUSPENSAS
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, suspendeu por 90 dias o direito de visita do senador Flávio Bolsonaro ao pai, Jair Bolsonaro, após o parlamentar divulgar uma carta escrita pelo ex-presidente — o prazo expira após o primeiro turno das eleições. Moraes também determinou que Bolsonaro explique se sabia que a carta seria veiculada nas redes sociais, o que pode configurar uma burla às restrições impostas pelo STF. E ordenou investigação sobre eventual propaganda eleitoral antecipada.
+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/13/moraes-suspende-visitas-de-flavio-bolsonaro-ao-pai-e-manda-apurar-possivel-propaganda-eleitoral-antecipada.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(TRPCE)
“Resumão, O Globo” (II)
(Por Gabriel Cariello, 13/07/26)
PEDÁGIO EM ORMUZ
O presidente dos EUA, Donald Trump, quer cobrar pedágio (*) dos navios que atravessarem o Estreito de Ormuz. Ao anunciar a retomada do bloqueio aos portos iranianos, Trump informou que vai aplicar uma taxa de 20% sobre todas as cargas, alegando necessidade de financiar as operações norte-americanas na região. O Irã rejeitou a tentativa de controle da travessia e advertiu países do Golfo Pérsico de que a cooperação com os EUA será considerada um “ato de guerra”.
► O presidente Lula chamou de “pirataria” (**) as pretensões de Trump: “O Estreito de Ormuz não estava fechado. Foi ele que inventou essa guerra”.
+em:
(*) https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/07/13/trump-retoma-bloqueio-dos-portos-iranianos-e-diz-que-vai-cobrar-20percent-sobre-cargas-que-passarem-por-ormuz.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(**) https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/07/13/lula-diz-que-trump-faz-pirataria-ao-prometer-desobstrucao-do-estreito-de-ormuz-no-ira.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(TRPCE)
“Resumão, O Globo” (III)
(Por Gabriel Cariello, 13/07/26)
O PLANO DE ISRAEL
Israel tentou recrutar o ex-presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad para assumir o poder no país após uma eventual queda do regime dos aiatolás, objetivo da ofensiva militar conjunta com os EUA. Autoridades israelenses tiveram ao menos dois encontros com Ahmadinejad em Budapeste, em 2024 e 2025, segundo o jornal New York Times . O iraniano chegou a ser resgatado pelo Mossad durante os bombardeios de fevereiro. No entanto, o plano fracassou. O ex-presidente foi visto pela última vez durante o funeral de Ali Khamenei e seu paradeiro é incerto.
+em: https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/07/13/israel-tentou-recrutar-mahmoud-ahmadinejad-para-mudar-regime-no-ira-diz-jornal.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(TRPCE)
“Resumão, O Globo” (IV)
(Por Gabriel Cariello, 13/07/26)
OS CRIMES DE BEIRA-MAR
Vídeos obtidos pelo jornal Extra mostram o traficante Fernandinho Beira-Mar explicando à Justiça seu acordo com as Farc para trocar armas e munições por cocaína. Nos depoimentos que integram um processo em Washington, Beira-Mar relata também como viveu por mais de dois anos escondido na Colômbia e narra sua captura. O chefe do Comando Vermelho foi classificado pelos EUA como um dos principais traficantes estrangeiros e está na lista de sanções do governo norte-americano. Assista.
+em: https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2026/07/13/na-lista-de-sancoes-dos-eua-fernandinho-beira-mar-detalha-em-depoimento-esquema-com-as-farc.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(TRPCE)
“Resumão, O Globo” (V)
(Por Gabriel Cariello, 13/07/26)
EMENDAS OCULTAS
A Câmara dos Deputados destinou R$ 1,3 bilhão em emendas de comissão em 2025 sem identificar os parlamentares que realmente indicaram os beneficiários dos recursos, aponta a Transparência Brasil. Foram 1.341 indicações associadas à liderança partidária, modalidade operada de forma semelhante ao “orçamento secreto”. O Rio foi o estado que mais recebeu esses recursos.
+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/13/camara-destinou-r-13-bilhao-em-emendas-de-comissao-sem-identificar-deputados-que-indicaram-recursos.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(TRPCE)
“O teorema de Buscetta: ‘mob lawyers’ e facções judiciais”
– Caso Master e escândalo do Rio de Janeiro revelam estrutura de proteção institucional ao crime.
– Integrantes da própria comunidade jurídica atuam em múltiplos níveis em casos de corrupção.
(Marcus André Melo (*), FSP, 12/07/26)
É assustador assistir à crescente interpenetração entre a corrupção política e a criminalidade violenta em nosso país. Referindo-se ao escândalo Master, o ministro André Mendonça afirmou: “Aqui há contornos de máfia. Há contornos de crime organizado, mafioso… Não é simplesmente um crime de colarinho branco. É mais do que isso. Não são simplesmente atores … que praticaram fraudes, corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro”.
Mais assustadores, porém, são os indícios do envolvimento de atores individuais e institucionais do próprio sistema de Justiça. Estendem-se a advogados e ao que podemos chamar de facções judiciais. Não estamos falando de advogados “pombos-correio” de organizações criminosas. Falamos de estruturas, em diferentes graus de institucionalização, voltadas à proteção dessas organizações.
Na literatura sobre a máfia, os “mob lawyers” — advogados que deixam de ser meros defensores de criminosos para se tornarem componentes da própria arquitetura de proteção da organização — tornaram-se personagens emblemáticos (1). A figura paradigmática é Tom Hagen, de “O Poderoso Chefão” (2). Hagen não é simplesmente o advogado que aparece quando um Corleone é acusado. Ele é o “consigliere”.
Mas o que caracteriza uma organização mafiosa não é a existência de “mob lawyers”. O verdadeiro perigo não está na corrupção individual, mas na formação de redes coordenadas de proteção institucional. Antes de Tommaso Buscetta (3) — um dos “capi” da Cosa Nostra, preso no Brasil e depois transformado em “pentito” (arrependido)— a máfia era vista como uma multiplicidade de grupos locais, delitos, relações clientelísticas e episódios de violência. O salto produzido por suas revelações ao juiz Giovanni Falcone (4) foi mostrar que fatos aparentemente desconectados faziam parte de uma mesma estrutura organizada, dotada de coordenação, divisão de funções e mecanismos de proteção mútua. Essa mudança de perspectiva ficou conhecida como teorema de Buscetta (5). A expressão, inicialmente cunhada de forma pejorativa pela defesa dos acusados para contestar a tese da existência de uma estrutura coordenada, acabou sendo usada para designar essa rede de coordenação e proteção.
É esse padrão emergente que os escândalos do Master e do Estado do Rio de Janeiro (6) parecem revelar: coordenação, penetração em instituições do sistema de Justiça, estruturas de vigilância e espionagem (7), além de um braço armado. Soma-se a isso uma atuação tentacular (8) voltada à influência sobre a esfera pública, por meio do controle de empresas de mídia, da cooptação de jornalistas e da mobilização de redes sociais.
O que singulariza o caso brasileiro nos casos de corrupção é o papel desempenhado por membros da própria comunidade jurídica. Sua atuação ocorre em múltiplos níveis: na defesa perante os tribunais, na ocupação de posições estratégicas no aparelho de Estado e na mobilização organizada de lobby judicial voltado a influenciar a produção legislativa, as nomeações para cargos do sistema de Justiça e a formação da opinião pública. A recorrência de atores presentes em escândalos anteriores, como a Lava Jato, sugere que esses episódios talvez não sejam eventos isolados, mas manifestações sucessivas de redes que se sobrepõem e se reconfiguram ao longo do tempo.
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marcus-melo/2026/07/o-teorema-de-buscetta-mob-lawyers-e-faccoes-judiciais.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newscolunista)
(1) https://scholarship.law.vanderbilt.edu/cgi/viewcontent.cgi?params=/context/faculty-publications/article/2437/&path_info=The_Mob_Lawyer_s_Constitution__Mayeux.pdf&utm_source=chatgpt.com
(2) “‘O Poderoso Chefão’, aos 50 anos, é o monumento de Francis Ford Coppola”
– Clássico que retorna aos cinemas em cópia remasterizada teve produção turbulenta, mas segue impecável, sem tirar nem pôr.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/02/o-poderoso-chefao-aos-50-anos-e-o-monumento-de-francis-ford-coppola.shtml
(3) https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0504200019.htm
(4) “Veja quem foi Falcone, que inspirou Moro a deixar toga e assumir ministério”
– Juiz italiano, que enfrentou a máfia, foi um dos responsáveis por deflagrar a Operação Mãos Limpas.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/11/veja-quem-foi-falcone-que-inspirou-moro-a-deixar-toga-e-assumir-ministerio.shtml
(5) “O Etnólogo e o Magistrado”
– A investigação de Giovanni Falcone sobre a máfia siciliana.
+em: https://shs.cairn.info/journal-ethnologie-francaise-2001-1-page-15?lang=en
(6) “PF prende pastor Márcio Poncio em apuração sobre ramificação do jogo do bicho na política do Rio”
– Rodrigo Bacellar, contraventor Adilsinho e Marco Antônio Cabral também são alvos da operação; OUTRO LADO: Defesa de Cabral nega as acusações e a de Adilsinho diz rechaçar imputação de pagamentos
– Ação é uma nova fase da operação Unha e Carne, que investiga o crime organizado no Rio.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/07/pf-mira-bacellar-e-pastor-marcio-poncio-em-operacao-sobre-ramificacao-do-jogo-do-bicho-no-executivo-e-legislativo-do-rio.shtml
(7) “Vorcaro pagou propina de R$ 400 mil ao mês a agente aposentado da PF por informações sigilosas”
– Policial federal aposentado liderava grupo de ex-banqueiro e intermediou pagamento a colegas.
– Um dos agentes está em prisão preventiva e outra foi afastada do cargo por ordem do STF.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/06/vorcaro-pagou-r-400-mil-ao-mes-e-bonus-a-agentes-da-pf-por-informacoes-sigilosas.shtml
(8) “Caso Master teve espionagem e envolveu uma teia de 216 fundos e 143 empresas”
– Folha conta em série a história da derrocada do banco de Daniel Vorcaro.
– Dia da liquidação teve enredo de filme policial com informantes, hackers, tentativa de driblar o BC e simulação de compra do banco.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/04/caso-master-teve-espionagem-e-envolveu-uma-teia-de-216-fundos-e-143-empresas.shtml
(*) Professor da Universidade Federal de Pernambuco e ex-professor visitante do MIT e da Universidade Yale (EUA).
(*) Na PeTezuela, uma
respeitável gama de “otoridades”
já são escravas do vil metal!
“Quer ser empregado de um robô?” (*)
– Robôs já são capazes de fazer tudo, exceto pinçar um pelo encravado ou descascar uma banana.
– Para isso, uma empresa de IA criou um serviço para eles: Rent a Human, ou Alugue um Humano.
(Ruy Castro, FSP, 12/07/26)
Diminuir fonte Aumentar fonte
Estava demorando. Depois de aprender a fazer em microssegundos operações que levariam uma eternidade para um humano (1), os robôs estão se aventurando agora naquelas que são naturais para nós, mas, por enquanto, inalcançáveis para eles. Exemplo: “Hei, Robby, me traz um café!”.
Para tanto, o robô precisará saber identificar as portas e gavetas certas do armário, abri-las e reunir os apetrechos: coador, filtro, pó de café, colher, xícara e açúcar ou adoçante. Feito isso, terá de aprender a abrir o saco de pó sem rasgá-lo, pôr a água para ferver, despejá-la sem molhar seus eletrodos, encher a xícara, mexer com a colherinha e, no caso de adoçante em cubinhos, desfazer o invólucro —façanha de respeito mesmo para humanos. Até agora, os robôs estão fracassando. Como são mais cérebro do que corpo, e ainda por cima eletrônico, não têm muito jeito com as mãos.
Ao contrário deles, qualquer criança já nasce sabendo segurar um objeto com o polegar. Logo conseguirá executar os 27 movimentos de que, segundo a ciência, a mão é capaz (**) e, em pouco tempo, servirá um competente café. Posso garantir isso porque, há pouco, até eu, analfabeto na cozinha, fui capaz dessa proeza —digo, servir um café. Donde os robôs estão tentando chegar aonde as crianças e eu já chegamos.
Enquanto não chegam lá, os robôs, cientes de suas limitações, resolveram agir. Uma empresa de IA nos EUA acaba de criar um serviço, Rent a Human (2) —Alugue um Humano —, para desempenhar missões ainda supercomplexas para eles, como fazer truques com cartas de baralho, pinçar um pelo encravado ou descascar uma banana. Já há até sites com anúncios classificados em que humanos oferecem seus serviços profissionais para robôs, cada qual descrevendo sua especialidade.
Ao saber disso, comecei a preparar um currículo para o caso de ter de me colocar na praça. Passei a vida me esforçando para escrever com clareza, objetividade e verdade. Mas, se preciso for, sou capaz também de simular uma tese de pós-doc, um poema-piada ou um texto da IA.
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2026/07/quer-ser-empregado-de-um-robo.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newscolunista)
(1) “OpenAI libera ao público nova série de modelos de IA nesta quinta-feira”
– Modelo GPT-5.6 será disponibilizado após ser aprovado pelo governo dos EUA.
– Temor de analistas é que versão tenha capacidade de identificar falhas de programação que podem ser usadas por hackers.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/tec/2026/07/openai-libera-ao-publico-nova-serie-de-modelos-de-ia-nesta-quinta-feira.shtml
(2) “Que os humanos deem continuidade a isso.”
– Sua IA não consegue tocar na grama. Contrate um humano quando precisar de alguém no mundo real.
+em: https://rentahuman.ai/
Matutando bem. . .
(**) Isso explica porque o lulampião, desprovido de um dedo em uma das mãos, para compensar a desfasagem, usa a língua em excesso!
Huuummm. . .
Segundo o Jornal Folha de São Paulo,
“O Brasil lidera exportações de jogadores de futebol, gerando US$553,7 mi em receitas e saldo positivo de US$319 mi em 2025.
Clubes da Série A obtiveram 30% das receitas com vendas.
Palmeiras liderou negociações com €145,9 mi, incluindo Estêvão ao Chelsea por €45 mi.”
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/07/venda-de-atletas-ao-exterior-rende-quase-r-3-bi-ao-brasil-em-2025.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsdicas
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 13/07/26
Oi,
Enquanto sofria com os percalços da seleção brasileira na Copa do Mundo, conversei com ministros e ex-ministros de Lula para tentar antecipar o que pode vir a ser o seu quarto mandato. Ao contrário de 2022, quando insistiu até o dia da eleição que poderia vencer no primeiro turno, Lula hoje repete que o resultado de outubro será apertado. Ele ouve mais do que fala, pergunta muito e deixa o interlocutor sem a certeza se conseguiu convencê-lo.
— O que eu podia fazer na área social eu já fiz. O fim da jornada 6×1 encerra um ciclo. — disse Lula a pelo menos dois interlocutores. — Agora, é fazer o país crescer sem ser voo de galinha.
No consenso dos interlocutores, o voo do Brasil deixa de ser de galinha para ser de condor com mais investimentos públicos e privados, um Orçamento menos engessado, curva da dívida pública apontando para baixo e juros de um dígito. É mais fácil falar do que fazer, e nesta edição trago os pontos que os interlocutores de Lula concordam e os que eles discordam.
Escrevo ainda sobre o maior fenômeno político das redes sociais, o “conde Binface”, um personagem que usa uma lata de lixo no rosto e que transformou em inferno a vida do até agora possível primeiro-ministro do Reino Unido Nigel Farage. Com propostas como alistamento militar obrigatório para quem usa fones de ouvido no transporte público, instalação de secadores de cabelo nos banheiros públicos para as pessoas secarem suas mãos e punição a ciclista que cometer infrações ao dirigir monociclos, o conde Binface já lidera as pesquisas. Uma lição de como o humor é uma arma incontrolável na política.
Boa leitura!
TT
Nesta edição (abaixo replicadas):
(1) Lula e o desafio do voo de galinha
(2) Flávio Bolsonaro pede socorro
(3) Sem coincidências
(4) Lavagem nos céus
(5) O vizinho golpista
(6) O outsider do outsider
(7) Crítica: ‘A Oligarquia dos Poderes’
(8) Fique atento
(TRPCE)
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 13/07/26 (1)
Lula e o desafio do voo de galinha
Dias atrás, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ouviu de um ministro que, se não conseguisse promover uma reforma no Orçamento, reduzindo os gastos obrigatórios, passaria os quatro anos de um eventual quarto mandato como um síndico de um prédio velho com goteiras. Noutra semana, Lula ouviu de um político amigo que a pauta do impeachment de ministros do STF deve eleger mais de 30 senadores e o ano de 2027 será perdido com uma crise institucional entre Legislativo e Judiciário. Outro ministro alertou o presidente que seu eventual novo governo enfrentará um choque inflacionário provocado pela combinação do aumento do dólar pela sua vitória, o fenômeno climático El Niño, o repasse de preços de serviços com a reforma tributária e o início da escala de trabalho 5×2.
Desde o início da Copa do Mundo, conversei com cinco ministros e ex-ministros de Lula 3 e três de Lula 1 e 2 para entender quais os cenários de um eventual mandato Lula 4. Os interlocutores do parágrafo anterior descreveram um presidente preocupado e mais aberto a ouvir do que meses atrás. Ao contrário de 2022, quando insistiu até o dia da eleição que poderia vencer no primeiro turno, Lula hoje está cauteloso.
Mesmo depois da divulgação do envolvimento de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, Lula repete que o resultado será apertado e que uma ação coordenada das plataformas de redes sociais a favor da oposição pode interferir na campanha.
Há quatro meses, o presidente chama auxiliares e ex-auxiliares para discutir a campanha e o eventual novo governo. Como seria de se esperar, há muitas convergências no diagnóstico sobre os desafios de um novo governo e um sem-número de divergências sobre como resolvê-los. Com o cuidado de que essas são avaliações do início do processo eleitoral, este é o quadro desenhado pelos assessores e ex-assessores do que pode vir a ser Lula 4:
Lula fará 81 anos em outubro e terá 85 se completar um novo mandato. É natural que esteja preocupado com o seu lugar na história:
— O que eu podia fazer na área social eu já fiz. O fim da jornada 6×1 encerra um ciclo. — disse Lula a pelo menos dois interlocutores. — Agora, é fazer o país crescer sem ser voo de galinha.
No consenso dos interlocutores, o voo do Brasil deixa de ser de galinha para ser de condor com mais investimentos públicos e privados, um Orçamento menos engessado, curva da dívida pública apontando para baixo e juros de um dígito. É bem mais fácil falar do que fazer.
> Ciclo de gastos:
– Ao contrário de 2023, quando recebeu de Bolsonaro um orçamento fictício e decidiu politicamente começar o mandato com o pé no acelerador, Lula quer voltar ao ciclo tradicional de gastos da máquina pública brasileira. Faz-se um ajuste no primeiro ano e os gastos vão num crescendo até o fim do mandato.
> Reforma do Orçamento
– Os lulistas concordam que é impraticável seguir governando com as regras do Orçamento atual, com mais de 90% do gasto engessado em despesas obrigatórias e as emendas parlamentares tomando 25% dos investimentos.
Existem estudos internos, ainda sem o aval final do presidente, para que o ritmo de crescimento das despesas obrigatórias passe a seguir o arcabouço fiscal (entre 0,6% e 2,5% por ano acima da inflação). Nas conversas, Lula disse que o dinheiro economizado dos gastos obrigatórios será usado para investimento público.
> Controle de gastos
– O PLDO (Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias) enviado em abril prevê medidas de revisão de benefícios sociais, menos concursos públicos, controle de subsídios, gatilho que proíbe novas renúncias fiscais e que a despesa de pessoal cresça 0,6%, o piso do arcabouço fiscal. Em agosto, o governo vai confirmar esse projeto, prometendo não aumentar impostos, reduzir os gastos fora do Orçamento e mirar um superávit de 1% do PIB em 2028.
> Reforma do Judiciário
– É constante a preocupação do presidente com a crise de imagem do Supremo Tribunal Federal. Se for reeleito, Lula quer adotar a proposta do ministro Flávio Dino (*) de uma reforma do Judiciário, que deve incluir um mandato para os ministros do STF.
> Supersalários
– O governo quer recuperar a proposta que enviou no ano passado de proibir penduricalhos (**) no serviço público.
> Política externa
– Lula acredita que a relação com Donald Trump voltará ao normal depois das eleições, mas tem mostrado contrariedade com as seguidas sobretaxas criadas pela União Europeia para produtos brasileiros.
Os interlocutores de Lula divergem muito sobre outros temas:
>> Reforma da Previdência
– Como o PT tem ojeriza ao nome, podem chamar de outra coisa, mas há ideias de uma reforma tanto na arrecadação patronal (que pode ser sobre receita bruta para todos os setores e não apenas alguns), como de categorias específicas do serviço público, como os militares. A resistência a mudanças na Previdência (***) é grande no PT.
>>Juros subsidiados
– Parte da equipe considera que não há condições de se ampliar o investimento com o Tesouro emprestando para as empresas abaixo da taxa de mercado. O subsídio pode funcionar no curto prazo, mas o Brasil não tem fôlego para crescer assim por quatro anos. A única saída seria criar as condições para uma queda não artificial da Taxa Selic, com a redução da dívida pública e recuperação da credibilidade com o mercado financeiro.
Outra ala acredita que a saída para mais investimentos está justamente em linhas de longo prazo de fundos públicos, como o do pré-sal, e bancos como o BNDES. Lula terá de arbitrar essa questão.
>> Relação com o Congresso
– A missão impossível do eventual próximo governo será convencer o Legislativo a diminuir o volume de emendas parlamentares, que dão a garantia de reeleição, sem o ônus de ser governo.
>> Papel de Haddad
– A crença generalizada fora de Brasília de que Fernando Haddad terá um papel central no Lula 4 revela mais desejo do que um fato consumado. Primeiro, porque Haddad ainda é candidato ao governo de São Paulo. Segundo, porque nenhum dos interlocutores de Lula acredita que o presidente esteja disposto a ter um primeiro-ministro. Como a relação dos dois é cheia de nuances, a decisão será tomada por eles mesmos.
>> Sucessão de 2030
– O PT sabe que, sem Lula, torna-se uma legenda comum e, por isso, a escolha do candidato em 2030 será antecipada para impedir a implosão do governo com uma disputa interna. Hoje, Fernando Haddad é o favorito, e nomes como Camilo Santana e Guilherme Boulos (que ainda está filiado ao PSOL) correm por fora.
+em:
(*) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/04/20/dino-defende-reforma-do-judiciario-com-penas-mais-rigorosas-para-corrupcao-de-juizes.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(**) https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/03/20/regras-mais-rigidas-para-limitar-supersalarios-poderiam-gerar-economia-de-r-1864-bi-em-10-anos.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(***) https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/02/09/entrevista-e-preciso-naturalizar-discussao-de-mudancas-na-previdencia-defende-secretario-do-tesouro.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastrauman?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(TRPCE)
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 13/07/26 (2)
Flávio Bolsonaro pede socorro
Pela segunda vez em sete meses, o candidato Flávio Bolsonaro precisou usar uma carta manuscrita do pai (1), Jair Bolsonaro, para manter sua candidatura viva. Na primeira vez, em dezembro, Flávio precisava mostrar que sua candidatura era para valer. Na segunda, revelada em transmissão pela internet no sábado (11), ele leu no YouTube um texto em que o pai pede que “possíveis diferenças sejam deixadas de lado”, uma estocada na mulher, Michelle Bolsonaro.
O ex-presidente demorou 17 dias para divulgar uma carta de apoio ao filho e críticas à mulher por óbvias questões familiares, mas também judiciais. Como afirma o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, a divulgação do texto representa uma violação das medidas cautelares impostas pelo STF. Na manutenção da prisão domiciliar de Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes proibiu o uso de redes sociais, direta ou indiretamente, inclusive por meio de terceiros, para divulgar mensagens, vídeos ou manifestações.
Assumir o risco de uma nova punição de Alexandre de Moraes ao pai mostra o nível de tensão da campanha de Flávio Bolsonaro, mergulhada há quase três meses numa espiral de intrigas, erros de avaliação e medo de novos escândalos. A sua participação na audiência pública sobre o novo tarifaço dos EUA na quarta-feira (8) foi patética e, como não pode ser filmada, sequer rendeu cortes de internet. No Rio de Janeiro, o PL está desmoronando em denúncias de corrupção (2), agora contra o candidato ao Senado da aliança estadual, Márcio Canella. Na sexta-feira (10), o Supremo Tribunal Federal determinou o bloqueio de bens do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, por ser suspeito de direcionar emendas parlamentares mesmo sem ter mandato no Congresso. Ao longo da semana, o entorno do irmão Eduardo coordenou ataques públicos à comunicação da campanha e iniciou um processo de fritura do coordenador-geral, Rogério Marinho. O medo da divulgação de vídeos do candidato com mulheres ronda a agenda de eventos.
Confira as desventuras de Flávio Bolsonaro só nos últimos dias (note que nenhum percalço foi causado pela campanha de Lula):
• Como revelou a colunista Bela Megale, de O GLOBO, o temor de um novo escândalo não gira em torno de vídeos de festas com o banqueiro Daniel Vorcaro, mas de imagens de outro episódio (3) que, quatro anos atrás, provocou uma crise no casamento de Flávio. A esposa, Fernanda, se dispôs a defender o marido publicamente, com o discurso de que ele agora frequenta uma igreja evangélica e que a família “está mais forte do que nunca”.
• Como noticiou a repórter Andréia Sadi, da GloboNews, o coordenador da campanha, Rogério Marinho, é atacado por centralizar as decisões e dificultar a acomodação de outras lideranças. Há uma suspeita espalhada pela guerrilha digital de Eduardo Bolsonaro de que Marinho gostaria de ser o candidato, em uma chapa com a madrasta Michelle Bolsonaro como vice.
> Em vídeo, o porta-voz de Eduardo, Paulo Figueiredo, afirmou que há um “desastre de comunicação” e que a campanha é “insossa” e se preocupa demais com a imprensa. No X, o ex-secretário de comunicação do governo Bolsonaro Fábio Wajngarten afirmou que “time que não performa tem que mexer” e sugeriu a substituição do time de marketing liderado pelo publicitário Eduardo Fisher. A equipe foi contratada por Rogério Marinho.
• Na quinta-feira (9), Michelle Bolsonaro lançou o movimento “Imparáveis” (4), para apoiar suas candidatas em outubro. No primeiro post do novo perfil, seus assessores postaram trecho do filme Mulher Maravilha, de 2017, com a legenda “em meio a dificuldades, é preciso coragem para avançar. Mulheres e Homens de Bem jamais desistem de lutar por justiça e liberdade”. No domingo (12), a senadora Damares Alves anunciou sua saída da campanha de Flávio Bolsonaro. Michelle não vai parar.
• Durante a semana, a PF prendeu Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, na chapa de Flávio Bolsonaro. Canella tinha um fuzil no carro. Afinal, quem mora no Rio e nunca saiu de casa com um fuzil, não é mesmo?
> Canella é o segundo pré-candidato ao Senado de Flávio derrubado por operações policiais. O primeiro foi Cláudio Castro, pego no caso Master e nas investigações sobre benefícios concedidos à Refit, do empresário Ricardo Magro. O primeiro candidato de Bolsonaro ao governo, o ex-deputado Rodrigo Barcellar, está preso, suspeito de vazar informações de operações policiais (5) aos traficantes do Comando Vermelho.
> No domingo (12), o colunista Merval Pereira, de O GLOBO, informou que as investigações promovidas pelo governo interino do Rio de Janeiro indicam que Flávio Bolsonaro está envolvido diretamente (6) no esquema criminoso montado pelo ex-governador Cláudio Castro.
• Como informou Lauro Jardim, em O GLOBO, enquanto faz campanha atacando a política de segurança do PT, Flávio Bolsonaro não colocou para andar (7) o projeto que endurece penas para o furto, roubo e receptação de combustíveis. O projeto foi avocado por Flávio Bolsonaro como presidente da Comissão de Segurança Pública do Senado em 12 de junho e engavetado.
• A recente pesquisa Datafolha (8) dá uma dimensão de como essas crises em série afetam as chances de Flávio Bolsonaro no Estado de São Paulo. Em 2022, Jair Bolsonaro venceu Lula com uma vantagem de 10,6 pontos percentuais em votos válidos. Agora, diz a pesquisa, essa vantagem no estado foi reduzida a 3,4 pontos percentuais dos votos válidos.
> O caso fica mais grave quando esse cenário é comparado com a eleição para governador. No segundo turno, diz o Datafolha, o governador Tarcísio de Freitas teria 59% e Fernando Haddad 41%.
> Atacado dia sim, noutro também pela guerrilha digital de Eduardo Bolsonaro, Tarcísio faz uma campanha sobre o seu governo, não sobre Bolsonaro. A distância é intencional. Pesquisas internas da campanha de Tarcísio mostram que o escândalo Master afetou duramente a imagem de Flávio Bolsonaro e teria potencial para contaminar o governador.
• Nesta quarta-feira (15), o Escritório de Comércio dos EUA deve confirmar uma sobretaxa de 25% sobre 4.187 produtos brasileiros, afetando 20% das exportações entre os dois países.
> Nos menos de cinco minutos em que falou na audiência pública sobre o novo tarifaço, Flávio Bolsonaro não concatenou argumentos (9) para convencer os EUA. Disse que a sobretaxa viria “no pior momento”, como se houvesse um bom. Numa carta anterior, havia proposto sair do Mercosul e isentar as empresas americanas de cartão de crédito. Mesmo empresários antipetistas se assustaram com a tibieza de Bolsonaro na defesa dos interesses das indústrias brasileiras.
> É possível sustentar que o efeito econômico dessa medida é inferior aos da cota de exportação de carne para a China e das restrições sanitárias que a União Europeia vai implantar em setembro, mas, afinal, que outro candidato tem um irmão que faz lobby contra o Brasil?
Em Brasília se diz que a primeira coisa a fazer para sair de um poço é parar de cavar. Faltando 16 semanas para o segundo turno, Flávio Bolsonaro precisa parar de aumentar o buraco em que está metido.
+em:
(1) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/11/em-carta-lida-por-flavio-bolsonaro-reforca-apoio-ao-filho-momento-de-deixar-de-lado-as-diferencas.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(2) https://oglobo.globo.com/rio/noticia/2026/07/13/rio-tem-r-718-bilhoes-em-contratos-e-recursos-publicos-sob-investigacao-por-corrupcao.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(3) https://oglobo.globo.com/blogs/bela-megale/post/2026/07/estrategia-para-lidar-com-video-privado-de-flavio-bolsonaro-ja-esta-tracada.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(4) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/13/apos-crise-com-flavio-michelle-troca-comando-do-pl-mulher-por-candidatas-igrejas-e-movimento-imparaveis.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(5) https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/07/a-encruzilhada-de-flavio-bolsonaro-na-definicao-dos-novos-candidatos-ao-senado-no-rio.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(6) https://oglobo.globo.com/blogs/merval-pereira/coluna/2026/07/mudanca-de-rumo.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(7) https://oglobo.globo.com/blogs/lauro-jardim/post/2026/07/flavio-bolsonaro-segura-ha-um-mes-pl-que-asfixia-lavagem-de-dinheiro-no-setor-de-combustiveis.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(8) https://oglobo.globo.com/brasil/sao-paulo/noticia/2026/07/08/datafolha-lula-e-flavio-bolsonaro-empatam-em-sp-petista-tem-rejeicao-maior.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(9) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/09/faria-lima-ve-atuacao-de-flavio-bolsonaro-em-novo-tarifaco-dos-eua-como-inocua-e-decepcionante.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(TRPCE)
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 13/07/26 (3)
Sem coincidências
Não existe acaso em Brasília. O vazamento de documentos da Comissão de Valores Mobiliários que atestam a prosperidade do advogado Kevin Nunes Marques, filho do ministro Kássio Nunes Marques, do STF, e atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral, não é aleatório.
Como revelaram os repórteres Lucas Marchesini e Thaísa Oliveira, da Folha, documentos obtidos pela CPI do Crime Organizado mostram que o patrimônio de Kevin em fundos de investimento cresceu R$ 22 milhões — de R$ 5 milhões para R$ 27 milhões — em 2025. Kevin tem 25 anos e dois anos de formado. É uma ascensão notável, até mesmo para o notoriamente alto padrão de desempenho demonstrado por filhos de ministros de tribunais superiores e do TCU na advocacia.
O vazamento das informações três meses depois do fim da CPI indica que o árbitro da eleição estará sob julgamento.
(TRPCE)
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 13/07/26 (4)
Lavagem nos céus
Foi-se o tempo dos postos de gasolina e das empresas de ônibus como instrumentos preferidos de lavagem de dinheiro ilegal. As empresas de táxi aéreo são uma nova vertente desse mercado, como mostram as recentes operações da Polícia Federal.
Além de desfrutar do conforto de viajar quando quiser, o dono de aviões pode atuar num mercado de aluguel sem preços regulados e pouco controle.
No passado, combustíveis e transporte eram atrativos por permitirem pagamento em dinheiro vivo. Os tempos mudaram. O uso dos postos de combustíveis por facções criminosas já é alvo de grandes investigações. Empresas de ônibus se tornaram menos atrativas desde a drástica redução dos pagamentos em dinheiro.
O aluguel de aviões tem preços livres. É um meio flexível: é comum que donos de aviões usem o expediente informal da troca de horas de voo, que não envolve pagamentos diretos. O menor controle em aeroportos privados permite o superfaturamento do número de voos, de horas de voo e dos preços, que escondem a receita real. Investigações da PF mostram a predileção de alguns políticos do PP e do União Brasil por essa nova modalidade de lavagem de dinheiro.
(TRPCE)
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 13/07/26 (5)
O vizinho golpista
Atitudes simbólicas dificilmente geram votos, mas evitam a perda deles. A postura de Lula da Silva em relação ao arroubo trumpista-bolsonarista do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, não vai lhe garantir um voto a mais de eleitores indecisos, mas fecha a porta para acusações de leniência com aliados de esquerda.
Em 21 de junho, o candidato de Petro, Iván Cepeda, foi derrotado pelo candidato da extrema direita, Abelardo de la Espriella, um outsider apoiado por Donald Trump, por uma diferença de 0,96 ponto percentual — cerca de 200 mil votos num universo de mais de 25 milhões de eleitores.
Num arroubo digno de Jair Bolsonaro, Petro primeiro alegou fraude no primeiro turno, quando Cepeda passou em segundo lugar. Voltou a falar em fraude (*) após a vitória de Abelardo, sem apresentar nenhuma prova. Na segunda-feira, botou fogo no país ao tuitar: “O presidente da Colômbia não reconhece a legitimidade do novo governo. Abelardo não venceu as eleições”.
O Brasil estava vacinado. Em 25 de junho, logo depois do resultado oficial, Lula da Silva reconheceu a vitória de La Espriella. Em telefonema na quinta-feira, Lula deu um corretivo em Petro (**).
+em:
(*) https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/07/07/presidente-eleito-da-colombia-acusa-petro-de-tentar-dar-um-golpe-de-estado-e-suspende-transicao-de-governo.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(**) https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/07/09/lula-liga-para-petro-em-meio-a-impasse-sobre-eleicoes-na-colombia.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 13/07/26 (6)
O outsider do outsider
Líder do partido populista Reform UK, Nigel Farage (*) sempre foi bem-sucedido no papel de outsider na política britânica. Político de extrema direita, radical anti-imigração, Farage foi um dos maiores responsáveis pelo Brexit, o maior erro do reino desde a não adoção do sistema métrico.
Na terça-feira (7), Farage renunciou ao cargo de deputado pelo distrito de Clacton, na costa leste da Inglaterra, devido a investigações por não declarar doações de 5 milhões de libras de um bilionário investidor em criptomoedas — coisa comum aos políticos do sistema que ele costuma criticar. Em seguida, se candidatou à própria vaga. “Esta será uma eleição suplementar do povo contra o establishment”, disse.
A estratégia de Farage era simples: uma reeleição consagradora provaria que seus eleitores não ligam para as acusações, constrangeria as investigações e o fortaleceria para a disputa para primeiro-ministro em uma próxima crise do governo trabalhista. Temendo legitimar a tática de Farage, os partidos Conservador e Trabalhista decidiram não lançar candidatos. Achavam que com isso esvaziariam Farage, mas essa é a reação de quem joga pelo modo antigo.
Fora dos partidos, no entanto, surgiu um concorrente à altura de Farage pela vaga: Count Binface (“conde cara de lata de lixo”) (**), uma figura bizarra com capacete em formato de lixeira e estética dos vilões clássicos da minissérie “Doctor Who”. Criação do humorista Jonathan Harvey, Count Binface é uma daquelas maravilhas só possíveis num país que produziu o grupo Monty Python e cujo sistema político permite que qualquer um se candidate por qualquer distrito, independentemente de morar ou não nele.
Em seu perfil no X, Binface diz ter vindo do planeta Sigma IV para defender ideias claras como deputado por Clacton: estatizar a cantora Adele; estabelecer o alistamento militar obrigatório para quem usa fones de ouvido no transporte público; acabar com as renovações automáticas dos serviços online; instalar secadores de cabelo nos banheiros públicos para as pessoas secarem suas mãos; obrigar CEOs de empresas de saneamento a nadar em rios poluídos; tabelar o croissant a 1 libra; punir ciclistas que cometerem infrações ao dirigir monociclos; proibir políticos a renunciarem de seus cargos (como fez Farage); e convidar as nações europeias a se integrarem ao Reino Unido. Um esquete de Monty Python não faria melhor.
A antipatia do establishment com Farage e o absurdo da plataforma eleitoral tornaram Binface um fenômeno nas redes sociais. Em uma pesquisa do Ipsos, Binface aparecia na sexta-feira com 33% das intenções de voto, contra 21% de Farage e 32% de eleitores que não votariam em nenhum dos dois. Nada mau para um novato.
Como escreveu o cientista político Brian Klaas:
— O voto anti-Farage agora vai inevitavelmente se concentrar em Binface, o que significa que há uma chance real de que a jogada de Farage termine em um desastre hilário. Mesmo se Farage vencer por uma margem estreita, será um resultado desastroso para ele e para o Reform UK. Nenhum escândalo de criptomoedas poderia causar o mesmo nível de dano político que ser transformado em uma piada facilmente memorável.
Outsiders como Farage, radicais de extrema direita, encontram campo aberto para lidar com o establishment da política. Jair Bolsonaro e Donald Trump enrolaram com facilidade os políticos comuns ao simplesmente ignorar a verdade e mentir em debates. É simples vencer quem joga pelas regras jogando fora das regras. Em 2019, Farage foi eleito em Clacton com 41,2% dos 46 mil eleitores que foram às urnas.
Ao serem expostos ao ridículo, políticos autoritários correm o risco de ver sua autoridade solapada. Donald Trump aceita ataques de veículos tradicionais, mas reagiu ao ser ridicularizado em programas humorísticos como o tradicional “Saturday Night Live”. Apresentadores como Jimmy Kimmel e Stephen Colbert foram suspensos temporariamente de seus programas por pressão da Casa Branca.
A lição de Count Binface contra Nigel Farage é simples: outsiders se sentem bem e se saem bem contra o mainstream. Mas não sabem lidar quando enfrentam um concorrente no mesmo campo, que subverte as regras. Se vencer em Clacton, Count Binface fará história e pode ensinar a política a enfrentar radicais sem compromisso como Nigel Farage.
+em:
(*) https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2024/07/05/quem-e-nigel-farage-pai-do-brexit-eleito-para-parlamento-britanico.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(**) https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/07/10/quem-e-o-conde-cara-de-lixeira-o-protagonista-improvavel-da-nova-fabula-eleitoral-do-reino-unido.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(TRPCE)
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 13/07/26 (7)
Crítica: ‘A Oligarquia dos Poderes’
Se os quase 19 mil juízes que entraram em recesso neste mês de julho se dispuserem a ler um único livro, este deveria ser “A Oligarquia dos Poderes” (Editora História Real/ Intrínseca; 191 páginas; livro: R$79,90; E-book: R$ 35,91) do advogado Joaquim Falcão. Um dos fundadores da Escola de Direito da FGV e referência no debate constitucional, Falcão escreveu um livro para incomodar. A democracia brasileira, diz, está sendo ameaçada por dentro , pelos mesmos juízes, políticos e burocratas que juraram defendê-la.
Contrariando os pesos e contrapesos de Montesquieu e Hamilton, que preveem o controle recíproco dos Poderes, Falcão enxerga no Brasil um conluio, no qual o Legislativo não vota os pedidos de impeachment de ministros do STF e, em troca, consegue adiar para a eternidade as investigações de corrupção parlamentar. Ao invés de um Poder limitar o outro, temos as instituições se protegendo. É uma nova oligarquia: não a que governou o Brasil no início da República, mas uma forma sofisticada em que o estamento político e burocrático se apoderou do poder para manter e ampliar seus privilégios.
O livro é um alerta. Há um descolamento entre os interesses de uma oligarquia de juízes, políticos e burocratas e as necessidades da sociedade. Esta fissura está se alargando e pode rachar o país.
+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/11/entrevista-master-e-abalo-sismico-para-o-stf-quem-julga-o-julgador-diz-o-jurista-joaquim-falcao.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(TRPCE)
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 13/07/26 (8)
Fique atento
> Com a reescalada da guerra do Irã, o barril do petróleo voltou a rondar os US$ 80. Até a definição da evolução do conflito, o Ministério da Fazenda deve adiar o fim do subsídio dos combustíveis.
+em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/07/12/petroleo-dispara-com-novos-ataques-entre-eua-e-ira-e-tensao-sobre-estreito-de-ormuz.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
> Na sua última semana oficial de trabalho, embora não vote nada de importante desde maio, o Congresso discute a reação à decisão do ministro do STF Flávio Dino de bloquear emendas parlamentares que teriam, na realidade, sido decididas pelos ex-deputados Valdemar Costa Neto (*) e Eduardo Cunha (**) .
+em:
(*) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/13/emendas-de-valdemar-irrigaram-cidades-estrategicas-para-o-pl-as-vesperas-das-eleicoes-de-2024.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(**) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/13/saiba-o-que-pesa-contra-eduardo-cunha-para-stf-bloquear-r-615-milhoes-em-bens-do-ex-presidente-da-camara.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
> Na quarta-feira (15), os EUA devem confirmar o novo tarifaço de 25% contra produtos brasileiros achando que, sob ameaça, os eleitores vão votar contra Lula. A conta vai cair para Flávio Bolsonaro.
+em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/07/13/governo-brasileiro-tenta-barrar-tarifaco-em-ultima-semana-de-negociacao.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
> Na quarta-feira (15), Flávio Bolsonaro lança o projeto “Brasil por Elas”, montado pela sua possível vice Daniella Marques. A proposta é transformar a Caixa Econômica Federal em um banco para microempresárias.
+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/12/entrevista-nao-gosto-de-ser-chamada-de-paulo-guedes-de-saia-diz-daniella-marques-cotada-para-vice-de-flavio-bolsonaro.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
> A Genial/Quaest divulga nova pesquisa nacional na quarta-feira.
> O PL segue tentando fechar um acordo com o Republicanos para ter a administradora de empresas Daniella Marques como vice de Bolsonaro. O presidente do partido, Marcos Pereira, havia topado, mas recuou depois que o colunista Lauro Jardim revelou que ele queria em troca ser ministro do STF.
+em: https://oglobo.globo.com/blogs/lauro-jardim/post/2026/07/flavio-bolsonaro-sela-apoio-do-republicanos-com-promessa-de-indicacao-ao-stf.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(TRPCE)
De volta ao
“Matutando sobre. . .”
na postagem inicial:
‘Pontos cegos’ na regulação e leis obsoletas facilitaram infrações de Master e Digimais
Brechas na fiscalização devem ser alvo de revisão por parte de autoridades, avaliam especialistas, executivos do mercado financeiro e ex-integrantes de órgãos reguladores.
(Por Thaís Barcellos — Brasília, O Globo, 13/07/26)
. . .
“Investigações da PF expuseram brechas regulatórias nos bancos Master e Digimais, destacando falhas na fiscalização e legislação obsoleta. Especialistas apontam “pontos cegos” entre BC e CVM e criticam o uso inadequado do FGC. Propostas como o modelo “twin peaks” visam reformar a supervisão financeira. A CVM e o BC enfrentam desafios estruturais, enquanto o Ministério da Fazenda estuda possíveis reestruturações.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/07/13/pontos-cegos-na-regulacao-e-leis-obsoletas-facilitaram-infracoes-de-master-e-digimais.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
. . .e a e$bórnia na democra$$ia não tem fim. . .
“Rio tem R$ 71,8 bilhões em contratos e recursos públicos sob investigação por corrupção”
– Montante é suficiente para executar 15 projetos prioritários de mobilidade, incluindo a Linha 3 do metrô, ligando a capital a Niterói e São Gonçalo passando sob a Baía de Guanabara.
(Por Jéssica Marques e Selma Schmidt — Rio de Janeiro, O Globo, 13/07/26)
. . .
“O Rio de Janeiro enfrenta investigações sobre R$ 71,8 bilhões em contratos e recursos públicos suspeitos de corrupção, valor suficiente para implementar 15 projetos de mobilidade, como a Linha 3 do metrô. Diversas operações, como Sem Refino e Unha e Carne, apontam fraudes envolvendo políticos e empresários. O montante investigado supera metade do orçamento estadual de 2026, destacando a complexidade do setor público e a dificuldade da população em compreender a aplicação desses recursos.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/rio/noticia/2026/07/13/rio-tem-r-718-bilhoes-em-contratos-e-recursos-publicos-sob-investigacao-por-corrupcao.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
Revisitando aquela máxima:
“As pessoas vem e vão. Mas ninguém vem em vão!”
“Após crise com Flávio, Michelle troca comando do PL Mulher por candidatas, igrejas e movimento ‘Imparáveis'”
– Sem a estrutura formal do partido, ex-primeira-dama reorganiza atuação para preservar influência entre público feminino e evangélicos.
(Por Luísa Marzullo — Brasília, O Globo, 13/07/26)
. . .
“Após romper com Flávio Bolsonaro e deixar a presidência do PL Mulher, Michelle Bolsonaro reorganiza sua atuação política focando em candidatas, igrejas e o movimento “Imparáveis”. Sem cargo formal, busca manter influência entre mulheres conservadoras e evangélicos. A estratégia visa fortalecer sua rede política e potencializar o impacto eleitoral, especialmente junto ao eleitorado evangélico.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/13/apos-crise-com-flavio-michelle-troca-comando-do-pl-mulher-por-candidatas-igrejas-e-movimento-imparaveis.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
Matutando bem. . .
Será que a Michelle quer ser vice do lulampião?
– Bom! Tudo é possível!
Se atentarmos para a frase do Geraldo Alckmin,
‘Lula quer voltar à cena do crime’ (*) e depois
“relinchando de faceiro” aceitou ser seu vice. . .
(*) https://www.youtube.com/watch?v=g7ew96XVeaI
(*) A máquina da “democra$$ia”
funcionando com “$u$$e$$o” !!! (2)
“Emendas de Valdemar irrigaram (*) cidades estratégicas para o PL às vésperas das eleições de 2024”
– Cerca de 80% dos repasses foram feitos pouco antes do prazo permitido.
(Por Dimitrius Dantas e Lauriberto Pompeu — Brasília, O Globo, 13/07/26)
. . .
“Às vésperas das eleições de 2024, Valdemar Costa Neto, presidente do PL, direcionou R$ 97 milhões em emendas para cidades estratégicas, fortalecendo candidaturas do partido. A maior parte foi desembolsada antes do prazo legal, com Suzano-SP recebendo R$ 26,8 milhões. Investigações apontam manipulação nos registros das emendas, bloqueando bens de Valdemar e suspendendo despesas.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/13/emendas-de-valdemar-irrigaram-cidades-estrategicas-para-o-pl-as-vesperas-das-eleicoes-de-2024.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
(*) A máquina da “democra$$ia”
funcionando com “$u$$e$$o” !!!
“Saiba o que pesa contra Eduardo Cunha para STF bloquear R$ 6,15 milhões em bens do ex-presidente da Câmara”
– Ex-deputado é suspeito de direcionar pelo menos 21 indicações de verbas, mesmo sem ter um mandato (*).
(Por Bruna Lessa, Dimitrius Dantas e Lauriberto Pompeu — Brasília, O Globo, 13/07/26)
. . .
“O ministro do STF, Flávio Dino, ordenou o bloqueio de R$ 6,15 milhões em bens de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, por suspeita de direcionar 21 indicações de verbas mesmo sem mandato. A PF aponta que Cunha, com apoio de Hugo Motta e intermediação de Mariângela Fialek, usou emendas para fins políticos. A defesa de Cunha nega irregularidades, enquanto a decisão também envolve outros políticos e revela esquema de “orçamento secreto”.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/13/saiba-o-que-pesa-contra-eduardo-cunha-para-stf-bloquear-r-615-milhoes-em-bens-do-ex-presidente-da-camara.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
Matutando sobre. . .
. . .e essa dispendiosa e obsoleta máquina pública,
montada para custear a “democra$$ia”,
falha na mais simples de suas funções: fiscalização!
💰 “O rombo da Previdência”
(Beatriz Pecinato, Mercado, FSP, 13/07/26)
A cada R$ 100 que poderiam ser arrecadados pela Previdência Social, R$ 56 são perdidos (*), segundo um estudo feito por auditores da Receita Federal. Os principais motivos são:
> Benefícios fiscais (- R$ 28):
– indivíduos que trabalham como MEI (Microempreendedor Individual) (**) nou usam um CNPJ do Simples Nacional têm uma carga tributária menor do que aqueles que estão empregados em regimes formais, como a CLT.
> Sonegação (- R$ 22):
– é mais expressiva em setores como serviços domésticos, saúde e educação. Companhias privadas muitas vezes sonegam para competir com entidades filantrópicas que possuem imunidade tributária, segundo uma hipótese do estudo.
> Inadimplência e litígios (- R$ 6):
– são valores que foram cobrados pelo governo, mas não foram pagos ou estão travados por contestações jurídicas.
Lacunas (gap) na arecadação da Previdêncai:
> Arrecadação efetiva: 44%
> Lacunas na legislação: 28%
> Sonegação: 22%
> Litígios: 6%
(Fonte: “Quem Financia a Previdência Social? Evidências Setoriais e Distributivas das Lacunas Tributárias no Brasil”, publicado na Revista da Receita Federal de Estudos Tributários e Aduaneiros Jan-Jun 2026 (1)
Por que importa?
Diminuir as perdas poderia redistribuir a carga tributária e reduzir o déficit da Previdência (***), que ultrapassou R$ 320 bilhões em 2025.
↳ O valor que o governo arrecada com contribuições previdenciárias foi menor do que o necessário para pagar as aposentadorias e pensões.
Altas tarifas sobre os empregos formais servem como um forte incentivo econômico para que empresas e trabalhadores busquem a informalidade ou a sonegação para reduzir custos.
(TRPCE)
(*) “Previdência perde 56% de arrecadação com benefícios fiscais e sonegação”
– Estudo de auditores da Receita Federal aponta que tratamentos favorecidos drenam mais recursos do que evasão.
– Trabalho é a primeira etapa de projeto mais amplo, a divulgação do ‘Tax Gap Previdenciário’ pelo fisco.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/07/previdencia-perde-56-de-arrecadacao-com-beneficios-fiscais-e-sonegacao.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(**) “MEIs já respondem por déficit futuro de R$ 711 bi na Previdência, mostra estudo”
– Com contribuição menor que a necessária para cobrir os benefícios, ex-subsecretário do Ministério da Previdência fala em ‘bomba’ que precisa ser corrigida.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/06/meis-ja-respondem-por-deficit-futuro-de-r-711-bi-na-previdencia-mostra-estudo.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(***) “Déficit na Previdência desafia estados e municípios, e PEC federal volta à mesa para endurecer regras”
– Congresso desvinculou governos regionais da União, e resultado foram regras mais brandas ou ausência de reforma.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/04/deficit-na-previdencia-desafia-estados-e-municipios-e-pec-federal-volta-a-mesa-para-endurecer-regras.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(1) Recorri à IA/Coogle:
“Acesso à Edição
A publicação é um periódico técnico-científico que reúne artigos, jurisprudências e inovações normativas elaborados por especialistas e auditores.Onde ler: Acesse a Revista RFB Jun 2026 Portal Gov.br (2) para baixar o arquivo completo (PDF).
(2) https://www.gov.br/receitafederal/acl_users/credentials_cookie_auth/require_login?came_from=https%3A//www.gov.br/receitafederal/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/revistas/revista-da-receita-federal/2026-revista-de-estudos-tributarios-e-aduaneiros-da-receita-federal-2.pdf/view
Resposta na tela:
“Conteúdo Restrito”
Tente. Talvez você tenha mais sorte do que eu. . .