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  • Herculano

UM DESABAFO QUE MUITOS INSISTEM EM NÃO OUVIR.


A técnica de enfermagem, a negra, a amiga, Mara Lúcia Xavier da Costa dos Santos, PP, fez um emocionante, vigoroso e autêntico - autenticidade é coisa que ainda não lhe falta como neófita no ofício político - pronunciamento na terça-feira na Câmara de Vereadores de Gaspar.


Foi para homenagear à também técnica de enfermagem, Rosa Maria Pereira, 63 anos, dos quais 31 dedicados na saúde pública de Gaspar. Rosa foi a primeira trabalhadora na área da saúde a morrer depois de diagnosticada pela Covid-19 e longa internação no Hospital de Gaspar.


Mara Lúcia poderia se limitar exaltar as qualidades pessoais e profissionais de Rosa, mas Mara a partir de um determinado momento da homenagem, preferiu centrar o seu discurso no egoísmo das pessoas, as que não usam máscaras, que se aglomeram, que não higienizam as mãos e que propagam o vírus, e que com isso, colapsam o sistema de saúde, estressam - e até matam - os profissionais sem dia, sem noite, sem final de semana, sem família, por meses de trabalhado, isolando-se e ao mesmo tempo convivendo com o medo da própria infecção e morte ao de ambos: paciente e os da equipe médica.


Rosa era ex-mulher - estavam há anos divorciados e tinham perdido há poucos anos uma filha adulta para o câncer - do mais longevo dos vereadores de Gaspar, José Hilário Melato, PP, presente à sessão. Ao suceder Rosa para o pronunciamento obrigatório pelo Regimento Interno da Câmara e falar em nome da liderança do governo, Melato, declinou. Acorda, Gaspar!