Buscar
  • Herculano

SEM OPOSIÇÃO, O MEDO E A POLITICAGEM PREDOMINAM NA PRECÁRIA EDUCAÇÃO DE GASPAR

O prefeito reeleito Kleber Edson Wan Dall, MDB e o seu novo vice, Marcelo de Souza Brick, PSD, provam-se piadistas de primeira.





O Plano de Gestão de governo que os candidatos Kleber e Marcelo apresentaram ao Tribunal Regional Eleitoral para o governo 2021/2024, se fosse eleitos, se ele não é intencionalmente falso, é duvidoso.


Ele é uma peça de marketing eleitoreira bem feita. Ela cumpre apenas a exigência de registro da candidatura de ambos e da coligação que os dois formaram para Kleber e o seu grupo continuarem no poder. Simples assim!


A marquetagem do Plano de Gestão para a eleição de 2016 também predominou naquele tempo.


E os resultados? Foram devastadores na área da Educação e já tantas vezes abordados aqui nas incoerências e na falta de resultados mínimo desejados - como o Ideb 2019, por exemplo -, quando comparados com os vizinhos e muitos grotões, e bota grotão nisso, naquilo que se prometeu por escrito.


ENTRE OS PRIMEIROS?


Olha só o que diz a primeira linha do Plano de Gestão da Educação de Kleber e Marcelo como meta do governo deles até 2024: "Colocar Gaspar entre as melhores cidades em qualidade de ensino de Santa Catarina", na tal "Educação criativa e empreendedora para a cidadania e a qualidade de vida". Uau!


E quem não aplaudiria tal intenção? Eu puxaria a fila!


Entretanto, espremendo as frases e as palavras de efeitos do Plano de Gestão para a Educação no governo de Kleber e Marcelo, não há nenhum número, nenhuma meta quantitativa e qualitativa, nenhum objetivo real ou mensurável, nenhum compromisso real, além de palavras bem arranjadas.


Noves fora, tudo o que está ali é gasoso, é temeroso, é duvidoso, é vergonhoso é a repetição daquilo que não se cumpriu. Coisa de político e marqueteiro de campanha.


OS TRÊS PORQUÊS


E por quê, pela primeira vez?


Este mesmo prefeito Kleber teve a oportunidade de fazer o que promete para 2021/24 de 2017 a 2020. E o que se viu de verdade em 2019? Foi o Ideb cair vergonhosamente e sob o silêncio de todos, contra o futuro das crianças, adolescentes gasparenses, simples assim. Deixaram - Keber e sua secretária de Educação - os vulneráveis ainda mais vulneráveis. Espantoso!


Pior. Enquanto isso, a sua secretária de Educação, como prêmio do MDB de Kleber, Zilma Mônica Sansão Benevenutti, foi laureada candidata e se elegeu vereadora. Ou seja, o desastre coletivo contra crianças e contra a imagem do chefe administrador, lhe valeu prêmios e reconhecimento não só partidários, mas da população que a elegeu e Kleber com 65,60%. Incrível!


E por quê, pela segunda vez?


Porque a pasta da Educação municipal no loteamento da gorda coligação que o MDB fez com o PSD, PP, PDT e PSDB para não deixar o poder em Gaspar, coube ao PSD.


O vice Marcelo até tinha um nome que apresentou a todo mundo da área durante a campanha, inclusive em reuniões com discussão da futura "política educacional" daqui; fez compromissos públicos pela mudança. Marcelo e seu indicado, o professor e educdor Antônio Mercês da Silva, foram rifados. Também simples assim.


A preferência do preenchimento desta vaga técnica foi dada ao deputado estadual Ismael dos Santos, de Blumenau, e com planos de disputar à Câmara Federal no nicho evangélico pentecostal, onde está inserido o fiel pentecostal Kleber.


O prefeito de Gaspar - se nada mudar esta semana - estará empregando nesta área técnica, mas arrasada como provou o Ideb, um curioso, um fiel assessor do deputado Ismael, o jornalista Emerson Antunes. Ele viveu em cargos comissionados públicos nos últimos tempos. Nada contra a curiosos de fora para uma área técnica, mas afrontar acintosamente contra à necessária reversão de resultados, é uma aposta muito arriscada e despropositada.


E por quê, pela terceira vez?


Se uma educadora- como Zilma - permitiu um desastre daqueles demonstrados no Ideb; fez vagas de creche se "multiplicarem" cortando o período integral das trabalhadoras e desempregadas com ajuda do Ministério Público local pela aplicação da letra da lei Federal; se não avançou no contra-turno, no turno integral, no segundo idioma, bem como na implantação da tecnologia, um protegido de político que não domina a área fará melhor depois de um perigoso hiato dos alunos fora das salas devido à pandemia?


É possível, mas improvável ou muito mais difícil, ainda mais sendo de fora e não entendendo minimamente do riscado!


O DEBATE INESPERADO


Os políticos que armaram tudo isso não contavam com o debate a partir desse espaço, influente na comunidade. Aliás, este era o fato mais previsível nesta polêmica. A até nisso erram, rotineiramente. Como erraram em não estimar à possível "revolta silenciosa" de lideranças da área Educação. Amadores!


Os "inventores" deste novo desgaste com a sociedade e a comunidade educacional, agora tentam "mapear" e "marcar" os descontentes. Ou seja, recorrem à velha prática "manda quem pode, obedece quem tem juízo".


E quase todos os líderes queixosos estão dentro do próprio arco de partidos que elegeu Kleber e as maiores queixas, vêm exatamente dos do MDB. Raros se identificam com a oposição, esta quase inexistente por aqui. Kleber também sabe disso.


Está claro desde que esta polêmica se instalou por aqui de que o poder de plantão não sabe como parar o debate plural e dialético. Está claro também que o resultado com a Educação de crianças e adolescentes na rede municipal de Gaspar é o que menos conta na ocupação de cargos para obter resultados de poder em 2022, 2024...


O que está valendo é como se equilibrar no jogo de poder na máquina pública de empreguismo de comissionados, todos pagos com os pesados impostos da sociedade gasparense e que não retornam na responsabilidade e resultados, neste caso, para crianças e adolescentes vulneráveis.


O retrato da Educação em Gaspar é grave.


E devido a isso, o normal num governo que "avança" e se diz preocupado com o futuro, tão logo a secretária Zilma foi conhecida como eleita vereadora em novembro do ano passado, um prefeito preocupado com o tema e a área como colocou no seu Plano de Gestão eleitoral, deveria ter escolhido um secretário da Educação titular, antecipado a sua posse e mandado ele criar soluções não apenas para as crianças, mas para a sua imagem degastada nesta área.


E por que deveria ter feito isso? Exatamente para vencer todas as dificuldades que a ex-secretária e ele prefeito criaram para as crianças e adolescentes até 2020. Porque se já estava caótico e difícil, tudo foi agravado em decorrência da falta de aulas presenciais e às falhas no improviso digital provocados pela pandemia de Covid-19.


de cima para baixo: Mercês, Ismael e o futuro secretário Anderson Antunes


MAIS UMA VEZ KLEBER PREFERIU O IMPROVISO


Ao contrário. o invés de antecipar a escolha e a posse, retardou tudo exatamente para as "costuras" políticas. Não fez nada além de interinos e improvisos visando os votos de novembro. E o tempo passou. Chegamos a última semana de janeiro de 2021 com o mesmo impasse criado há mais de um ano atrás.


Quando reiniciou o "novo" governo, com o "novo Plano de Gestão", Kleber entregou temporária e provisoriamente a secretaria de Educação a outro curioso, o seu chefe de gabinete, Jorge Luiz Prucínio Pereira, PSDB. Exatamente quando tudo se "reestruturaria" para um novo ano letivo e que se prenuncia como difícil por tudo o que já expus somadas às incertezas externas e circunstanciais. Meu Deus!


O futuro titular "nomeado" e que se escondia para não provocar debate antecipado, ou seja, tudo bem orquestrado nos bastidores do poder político de plantão em Gaspar, foi finalmente anunciado na semana passada por Kleber para começar no dia 1º de fevereiro. O balão de ensaio não poderia ter sito pior.


Agora, próprio Emerson Antunes, sem explicação, adiou para o dia oito de fevereiro. Impressionante como essa gente lida sem preocupações com algo tão prioritário e sensível para a sociedade, tanto que o próprio governo, ou seus marqueteiros, que colocaram no Plano de Gestão que a Educação daqui se trata de cidadania e qualidade de vida. Provam com suas atitudes reais, que o Plano é um ajuntamento de palavras bonitas e necessárias para aparência e marquetagem


A REVOLTA DENTRO DO "PRÓPRIO QUARTEL"


O ambiente técnico da secretaria de Educação de Gaspar está em fervura e ao mesmo tempo, pisando-se em ovos de casca fina.


Uma parte está estarrecida, mas está com dificuldade naturais de reagir e se expressar.


Outra parte, está esperando o circo pegar fogo e matutando se pode atuar como "bombeiro" para levar vantagem com isso tudo.


E há os que ainda encontraram no ambiente arrasado, uma oportunidade para "entregar" os descontentes, estabelecer-se no novo cenário que pinta como sendo de confiança e com isso, "ganhar" espaços no ambiente administrativo e de poder na área educacional e que nunca tiveram até agora. Impressionante os relatos.


Eu conversei com algumas lideranças que transitam na gestão escolar municipal e que me pediram o anonimato. Medo. Receio. Represálias. Hostilidade. É a prática do governo.


Elas afirmam que essa deterioração se dá por três vieses:


a politicagem - não confundam com politização ou ideologização - em ambiente técnico e de resultados mensuráveis coletiva e individualmente;


a pressão, a intimidação e perseguição contra os discordantes;


e à falta de fiscalização do Sintraspug - Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal -, de um observatório social independente, ou de uma oposição mínima, organizada, respeitada e atuante para confrontar ideias e erros.


O que mais ouvi?


"Onde está o Rodrigo [Boeing Althoff, ex-candidato a prefeito pelo PL, com 22,21% dos votos válidos], que é professor [universitário]"? "Onde está o PT do [ ex-prefeito, três vezes, Pedro Celso] Zuchi e Doraci [Vanz, professor municipal, ex-chefe de gabinete dos governo petistas]"? "Onde estão os outros candidatos a prefeito para defender uma educação mínima, descente, de qualidade, inclusiva, atual e de resultado para as nossas crianças que não podem competir e pagar a escola particular?" "Sumiram todos"?


TODOS TÊM CULPA NESTE "CARTÓRIO"


Como se vê, há muitos culpados neste desastre chamado secretaria de Educação de Gaspar contra as crianças e adolescentes, potencializadas nas suas naturais vulnerabilidades sociais e de competitividade, devido a incúria dos gestores públicos, escolhidos exatamente para protegê-las minimamente.


E os políticos fazem o que fazem, contra elas, contra o futuro delas, só porque não há quem lhes cobre, ou não aciona os mecanismos de cobrança, ou de exposição de suas manobras intencionais? Dão preferências a curiosos no lugar de técnicos capacitados e vocacionados, em cargos de gestão.


Resultado? Estabelecem-se em erros, à vista de todos, alguns incontestáveis, como clarificou o Ideb de 2019.


Dessa forma, Kleber faz da secretaria de Educação um cabide de empregos para o seu deputado se posicionar melhor nas eleições de 2022, como fez para Zilma no ano passado ser vereadora, ao invés de cumprir o que prometeu no Plano de Gestão 2021/24: "Colocar Gaspar entre as melhores cidades em qualidade de ensino de Santa Catarina".


Resumindo a ópera bufa: faz tudo para ser diferente no resultado daquilo que escreve no papel marqueteiro como desejo, meta ou objetivo. Faz o que testou e que, comprovadamente, não deu certo de 2017 a 2020.


Por enquanto sem oposição ou à vigilância da oposição - a Câmara não conta, pois são onze votos contra dois e nem dará para as cócegas - predominam o medo, a politicagem e à ignorância na secretaria de Educação de Gaspar. Tudo contra crianças e adolescentes vulneráveis. Vergonha. Acorda, Gaspar!




Nota de esclarecimento do editor: o poder de plantão tentou, por vias indiretas, abafar ou mitigar o debate, à repercussão e exposição deste tema neste blog. Não deu certo. Não dará!


O suposto convite e a negativa, do vereador reeleito e advogado que já foi secretário de Saúde no governo do PT, Francisco Hostins Júnior, MDB, já expliquei, tratava-se de mais uma cortina de fumaça para arrumar desculpas públicas e favorecer à indicação do deputado Ismael dos Santos na secretaria de Educação.


A escolha de Hostins, se fosse aceita por ele, obrigava a uma "reengenharia" na ocupação nas secretarias chaves que sobraram ao MDB de Gaspar, além de comprometer o trabalho de Hostins no seu escritório de advocacia. Simples assim , também!


Sobre a alegação do próprio professor, diretor e educador Antônio Mercês da Silva de que nunca pretendeu a secretaria de Educação e que Marcelo nunca lhe teria avalizado à essa indicação, abundam testemunhos, fotos, vídeos de reuniões durante o período eleitoral, justamente em sentido oposto ao que orquestradamente se alega.


O que se fez, foi o de exatamente para cabalar confiança e de votos da classe de educadores, ansiosa por mudanças na área. Soma-se a isso, uma coleção de troca de conversas em aplicativos de mensagens sobre o mesmo tema e que percorreram à cidade, ainda não apagados.


Havia um projeto e ele era apresentado e debatido. Havia uma ideia. Havia engajamento a ambos. Eu não sou tanso e nem tenho rabo preso com esse joguinhos de poder de políticos e gente que constrange e intimida pessoas sérias . (25.01.2021).