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  • Herculano

SEM CASA DE PASSAGEM A POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL E HUMANITÁRIA SERÁ SEMPRE CAPENGA


Duas cenas.


A primeira cena. Ontem a noite, servidores e profissionais qualificados da secretaria de Assistência Social saíram às ruas de Gaspar atrás de gente ao relento e sob frio. Muitos são conhecidos entre nós. Agora entregar sopa, lanche, cobertor e distribuir conversa não necessita de uma estrutura multidisciplinar para fazer isso. Gente caridosa já as faz.


É preciso entendê-los à razão pela qual essa se está nesta situação, abrigá-los num primeiro instante, recuperá-los, se for o caso devido ao uso de drogas, mas principalmente, estabelecer-se na inclusão familiar e social, como prioridade.


A segunda cena. E por que isso aconteceu ontem a noite? Por causa do frio, da piedade ou obrigação profissional? Talvez! Mas, no fundo o que moveu à ação de ontem está ligada à repercussão negativa nas redes sociais de um caso acontecido no domingo, no bairro Margem Esquerda.


Apesar dos apelos dos moradores para um indigente que aparentava estar doente e jogado na calçada, o jogo de empurra durou a manhã inteira entre Samu, Corpo de Bombeiros e secretaria de (des)Assistência Social.


A titularidade dela, no governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, é ocupada como cabideiro político. Está nela um curioso da área, na cota que coube ao PP, depois que Salésio Antônio da Conceição não conseguir se eleger vereador. Antes ele rodou por vários cargos comissionados fora dessa área no primeiro mandato de Kleber.

Esta situação poderá tomar outro rumo com a Casa de Passagem. Mas, para isso, precisa querer e ser uma política na secretaria, no município. Paliativamente e para se ver livre das pressões do Ministério Público, há até um credenciamento na praça desde outubro ano passado. Mas ninguém daqui se estimulou por ele. A diária é de R$180 por pessoa abrigada.


Gaspar é uma passagem para muitos; é uma cidade dormitório de mão-de-obra barata. A crise econômica e decorrente da pandemia, além de pedir um olhar mais atencioso das autoridades para os vulneráveis, mostra que este problema tende a se agravar não só neste inverno.


Não basta apenas burocraticamente lançar um credenciamento para cumprir uma obrigação perante a sociedade e os órgãos de fiscalização. É preciso agir intencionalmente na viabilização da Casa de Passagem, bem como na proteção dos desabrigados.


A Casa de Passagem não é uma solução. Ela também não pode ser tratada como uma limpeza de um problema grave que está diante de nossos olhos e expostos nas ruas centrais da cidade. Contudo, é um ponto de partida para se consertar algo complexo e que exige solução também complexa.


Hoje cena é um problema social para todos. Mas, poderá se tornar um foco de crimes de todos os gêneros contra todos. Acorda, Gaspar!