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  • Herculano

QUEM SERÁ O CANDIDATO DO BOLSONARISMO EM SANTA CATARINA?



Quanto mais se aproxima o tempo das decisões, vê-se que o bolsonarismo em Santa Catarina ainda se equilibra sobre o próprio cadafalso que ele mesmo criou e lá está. O bolsonarismo não encontra um candidato com cara do bolsonarismo raiz para apostar as suas fichas no ano que vem. E nem eleitor com esse perfil radical.


Exagero? Então me responda rápido: quem é o candidato bolsonarista roxo a governador em Santa Catarina no ano que vem e que está na praça mesmo que não tenha chances de se eleger?


Enquanto Jair Messias Bolsonaro, pelo PSL, era eleito com 55,13% dos votos válidos - percentual que mostra uma vitória razoavelmente apertada diante de um PT desgastado, o jovem coronel bombeiro militar da reserva, Carlos Moisés da Silva, ainda no PSL, e na esteira do próprio Bolsonaro, sem nunca ter sido antes testado nas urnas, impressionou com os seus 71,09% dos votos válidos diante de gente testada e articulada. Os números são do segundo turno.


Jair Bolsonaro não deverá repetir a sua performance de 2018 em Santa Catarina se chegar ao segundo turno. Ele está num processo de desgastes e embates contra os moinhos de ventos que ele e sua turma de radicais criam diariamente para alimentar à sua restrita plateia. Carlos Moisés, por outro lado, nem se sabe se sairá candidato. E se sair, não terá e nem vai se identificar ou querer o apoio explícito dos bolsonaristas.


Daquela eleição para cá, quase tudo mudou. E a tendência é a de mudar ainda muito mais.


Bolsonaro não está mais no PSL. Parece que vai alugar um tal de Patriotas, depois de fracassar em criar o seu próprio partido o Aliança pelo Brasil. Falhou a sua própria militância e a mais radical. Falhou à organização, o planejamento, a perseguição estruturada ao objetivo. Falhou à liderança.


Alguns bolsonaristas ficam tiriricas quando se lembra dessa incapacidade construir e de ter o seu próprio partido. Mas a culpa é deles próprios. Cantavam o ovo. Descobriu-se que nem galinhas tinham. Aliás, tudo isso é bem sinalizador de outras dificuldades que virão pela frente na disputa eleitoral do ano que vem. Não é gratuita a discussão do voto impresso, com a volta ao tempo das fraudes.


Ao alugar um novo partido como fez com o PSL em 2018, para descartá-lo depois de eleito, Bolsonaro mexe um pouco no xadrez, mas os movimentos de tudo isso são quase todos previsíveis ou repetidos, como são os seus 30 anos de política e indisciplina nos quarteis e fora dele. E é isso, o que mais incomoda, quando cobrados aos seus apoiadores. Viram feras.


Carlos Moisés se distanciou do bolsonarismo radical e de raiz. Aliás, foi esse segmento que ajudou, vejam só, o establishment catarinense humilhado nas urnas, que tentou e ao mesmo tempo, recuou se não fracassou em dois impeachments, além de uma CPI. Ela está murcha à espreita de uma oportunidade para poder respirar e se possível no ano que vem, quando sairá marotamente da algibeira para o desgaste nos palanques e às eleições.


Os aliados de primeira hora de Bolsonaro só fracassaram na derrubada de Carlos Moisés, porque a queridinha dos bolsonaristas, a vice Daniela Cristina Reinehr que a queriam no poder, que também deu no pé do PSL e está esperando a filiação de Bolsonaro no Patriotas, é uma pessoa quase intragável. E como política, não inspira confiança.


É a ela que Carlos Moisés deve agradecer a todos os dias por ter voltado a ser governador.


Foi Daniela e seus gestos que deram fôlego, permitiram reflexões dos políticos e retiraram a corda do pescoço de Carlos Moisés nos dois impeachments.


Ao mesmo tempo, fez Carlos Moisés mudar de comportamento e sair da arrogância onde estava medito e escondido. Foi a sua própria vice, quem despertou o "meia volta vou ver" dos que queriam Carlos Moisés morto politicamente e fora do governo, além de humilhado.


Eu exagero? Então, desafio: lancem Daniela candidata ao governo do estado. Escreverei mais tarde sobre o resultado de tudo isso.


Sobrará quem com fôlego para esta corrida malhada como esta no bolsonarismo? O senador Jorginho Mello, PL, origem do PR onde militou antes de ser um dos tucanos de alta plumagem de Santa Catarina?


E se Jorginho for, não será como candidato bolsonarista, mas sim como um arco de alianças do centro onde os bolsonaristas sem opção terão que votar nele. E se Jorginho for eleito, os bolsonaristas terão saudades de Carlos Moisés. Então, quem será mesmo o candidato bolsonarista ao governo de Santa Catarina? É para ganhar e levar, ou só para ganhar e cantarolar por aí e passar raiva depois?


O BOLSONARISMO EM GASPAR


E para encerrar, não custa lembrar o que aconteceu com o bolsonarismo em Gaspar num curto espaço de dois anos. Bolsonaro fez entre nós 72,43% dos votos válidos em 2018. Uau!


Na eleição seguinte, todos estavam divididos. Enxergam-se comunistas entre eles próprios. Impressionante! E o resultado do desastre não poderia ter sido diferente.


Os bolsonaristas com o PSL e Patriotas, fizeram 2,11% dos votos válidos em 2020; o DEM um era abrigo de outros radicais bolsonaristas com atuação nacional, fez 2,26% dos votos válidos. Resultados que beiram à vergonha e a prova de que o nome Bolsonaro não os ajudou em nada.


Alguns ficaram na chapa do PL. Enquanto a majoritária - que não era bolsonarista - fez a surpreendente votação de 22,21% dos votos válidos, a chapa proporcional, não chegou a fazer a metade da majoritária e os que se identificavam com o bolsonarismo, contribuíram com apenas - e talvez menos - um quarto disso.


Com os 22,21% da majoritária poderiam eleger até três vereadores; mas com os votos da nominata de vereadores, conseguiram um. E ele não tem nada a ver com a causa bolsonarista. Nem a do PL, diga-se a bem da verdade.


Ou seja, em dois anos os bolsonaristas gasparenses foram de 72,43% para algo menor do que 10%. Será esse o verdadeiro tamanho do bolsonarismo em Gaspar? Será esse um fenômeno estadual e nacional?


Há muito gritaria, muito mimimi nas redes sociais, para pouco voto e a mudança propaga e que se quer fazer. Acorda, Gaspar!