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  • Herculano

QUEM MARCA SESSÃO EXTRAORDINÁRIA NO PUXADINHO DA CÂMARA DE GASPAR É O EXECUTIVO



Quinta-feira houve a sessão extraordinária da Câmara de Vereadores. Ela foi pedida pelo prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, na sessão de terça-feira. Menos de dois dias para analisar as matérias nas comissões.


Não entro no mérito da sessão em si, ou da necessidade dela acontecer tão urgentemente assim, mas como a Câmara, por intermédio da Bancada do Amém (MDB, PSD, PP, PDT e PSDB que possui onze dos 13 vereadores), Mesa Diretora e seu presidente Francisco Solano Anhaia, MDB, se tornaram presas fáceis e submissos ao Executivo.


Constitucional e teoricamente, a Câmara é um poder independente. É um contrapeso. É o fiscalizador do Executivo. Na prática, em Gaspar, parece não ser. Basta olhar também o que aconteceu na sessão e nas fotos da própria quinta-feira.


Lá estava o poder de plantão em peso para comemorar a aprovação das matérias, repito, que não entro no mérito delas, porque nenhum dos onze vereadores da sua base - apesar de algumas arestas na busca de espaços do poder - seria doido em dar um voto fora do combinado, ou, principalmente, do obrigado devido ao empreguismo desenfreado e acomodatício na prefeitura de Gaspar.


O problema, de verdade, está na forma como se faz isso. No fundo, trata-se de algo humilhante. E não é de hoje.


Olha só o que o prefeito Kleber escreveu para pedir a sessão: "com fundamento no artigo 93, inciso I, do Regimento Interno da Câmara e do artigo 30, inciso I, da Lei Orgânica do Município de Gaspar, considerando a urgência dos temas abaixo descritos, vimos por meio deste solicitar a convocação de Sessão Extraordinária, para votação do Projeto de Lei Ordinária que deu entrada na Câmara de Vereadores pelo Ofício 147/2021, do Projeto de Lei Ordinária que deu entrada na Câmara de Vereadores pelo Ofício 148/2021, bem como do Projeto de Lei Ordinária..."


Até aí normal. É obrigado pedir e formalmente, justificando-se. É assim que se faz mesmo. Mas, veja como o prefeito fecha o ofício: "... que deu entrada na Câmara de Vereadores pelo Ofício 162/2021 abaixo especificados, sugerindo que a Sessão ocorra no dia 06 de maio de 2021, às 18h00min"


Ora, é prerrogativa autônoma da Câmara, ou no mínimo, da Mesa Diretora, decidir e levar a plenário a pauta da sessão extraordinária "sugerida" pelo Executivo, bem como estabelecer o dia e a hora da sessão que bem lhe convier aos vereadores, não ao Executivo.


"Sugerir", apenas a "urgência urgentíssima" e sustentar a razão disso, ou até trabalhar legitimamente nos bastidores para que isso aconteça, afinal, é papel do Executivo e ele, neste caso, possui esmagadora maioria para fazer acontecer e desmanchar no Legislativo.


Mas, não! Prefere documentar que tem a Câmara como um puxadinho seu e sob rigoroso controle. Constrangimento à própria base aliada. Ela fica, neste caso específico, e outros, sem alternativas para dizer que trabalha de forma independente. Meu Deus!


Em Gaspar, a carroça puxa os burros. Não basta o poder de plantão fazer e desmandar no seu cercado, o que é prerrogativa dele, mas precisa humilhar demonstrando publicamente que manda e desmanda no cercadinho dos outros, neste caso, a Câmara. E sem disfarces.


Pior mesmo é quem deixa isso acontecer. Acorda, Gaspar!