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  • Herculano

QUANDO VOCÊ PRECISA SE EXPLICAR, É QUE ANTES FALHOU A TRANSPARÊNCIA



O deputado Laércio Schuster, PSB, ex-prefeito de Timbó, está nas redes sociais a justificar o voto que deu pela admissibilidade do segundo impeachment contra o governador Carlos Moisés da Silva, PSL.


O voto do deputado Schuster, foi decisivo e destoou dos demais parlamentares. "Votei com a consciência das honestas famílias catarinenses", planteou neste sábado cedo nas redes sociais e meios de comunicações.


Primeiro, o voto do deputado sempre será livre e da consciência dele, e presume-se que todos que ele representa na Assembleia, são honestos.


Segundo, o que está incomodando de verdade o deputado Laércio Schuster são as cobranças que vêm de dentro do parlamento, do ambiente político onde ele está inserido e principalmente, dos que rodeiam o governador Carlos Moisés.


Schuster ficou na moita, e talvez nem tanto a julgar pelos gestos que enviou ao seu eleitorado antes da longa sessão de sexta-feira.


E por quê?


O deputado era um assíduo frequentador do gabinete da Casa Civil, sinalizando aproximação, tanto que agora, circulam nas redes sociais, farto material de comunicação produzido pelo próprio deputado, onde ele próprio anunciava vantagens para os seus redutos eleitorais no Médio Vale do Itajaí devido, exatamente, essa suposta relação próxima com o governo Carlos Moisés.


Está se explicando? Está!


É porque emitiu sinais trocados antes de botar a ficha no jogo quando ele virou de verdade. Se desde o início o deputado teria deixado claro o seu posicionamento sobre este assunto, não precisaria estar falando sobre honestidade neste momento.


Todos saberiam que, para o deputado Schuster, o governador era desonesto, ou teve um ato desonesto, e que ainda vai ser apurado. O voto do deputado é inquestionável, e não deve ser julgado pela independência, forma e qualidade. É o papel dele e de um deputado livre, mas que o deputado Schuster deu brechas para ser questionado, ah isso deu!


Além disso, nesse cassino, o deputado Schuster fez uma aposta de alto risco.


Supondo que Moisés não volte mais, terá que construir pontes com a nova governadora Daniela Cristina Reinehr, sem partido. Ela - e principalmente os seus pitbulls ideológicos -, sempre se lembrará deste voto. Se Carlos Moisés voltar, a ponte estará trincada, no mínimo.


Outra. As eleições são logo ali. E tudo isso terá consequências.


Mas, como em política, o improvável é sempre o possível, nada estará definitivamente descartado. Entretanto, as explicações do deputado Schuster num sábado, são sinalizadoras que essas consequências já se apresentaram.