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  • Herculano

QUANDO O PERDÃO ARQUITETADO NÃO SERVE NEM DE DISFARCE PARA QUEM O RESSALTA


Encenação 1. Depois de constatar tardiamente que o fogaréu não se debelava no caso do incêndio provocado pelo próprio secretário da Educação, o jornalista Emerson Antunes, vindo de Blumenau, curioso no assunto e indicado em vaga política, após suas declarações preconceituosas contra o ensino público comparando-o com o privado, não restou outra alternativa ao poder de plantão liderado pelo prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, do que recuar. Não queria. A prepotência e a arrogância dos poderosos foram vencidas. E precisava disso?


Encenação 2. Depois de tentar humilhar um dos próprios membros da Bancada do Amém e mais do que isso, agindo de forma sorrateira e provocando uma comoção na cidade no caso de Amauri Bornhausen, PDT, não restou outra alternativa ao poder de plantão senão transformar a vítima em algoz e o algoz - o secretário Emerson Antunes - numa vítima, indefesa, mal compreendida.


Esta "manobra" só não entendeu quem ainda no próprio governo de Kleber acha que isso não se repetirá um dia contra si próprio. Pois, o prefeito e seus "çabios" provaram que são capazes de tudo, para ter tudo, e ainda se vingarem de quem se contenta com as sobras que distribuem ao seu entorno.


Encenação 3. Sem alternativa, sem condições de debelar as chamas, Emerson foi à Câmara de Vereadores na semana passada, inesperada e desesperadamente choramingar e ler pausadamente, um texto pensado, de suposto pedido de perdão por aquilo que fez contra a educação pública.


Até então, negava e seus protetores na prefeitura e da indicação dele, insistiam na punição de quem tinha sido atingido pela comparação inadequada, mas plenamente entendida e contextualizada: os alunos da rede pública, seus pais, o futuro incerto dessas crianças e até este blog, o que não silenciou diante de tanta barbaridade e barbeiragem.


Encenação 4. O mesmo presidente da Câmara que impediu à presença em plenário de um suplente de vereador do PDT professor Jader, alegando critérios sanitários e se arvorando como dono do recinto e das regras; o mesmo presidente da Câmara que não queria porque não queria, mas aconselhado pelos técnicos e não tendo outra alternativa, permitiu à ocupação do mecanismo Tribunal Livre da Câmara pela professora Lindair Maria Lanz Fávero, do colégio Honório Miranda, de quase um século de história na nossa cidade, mas que antes fez de viva voz protocolar e severa advertência à oradora para os limites regimentais, foi o mesmo que quebrou o regramento e abriu espaço para o "discurso" de perdão de Emerson fora da Tribuna Livre, em espaço, local de honra e de especial atenção.


Encenação 5. E se isso não fosse pouco, o mesmo Francisco Solano Anhaia, MDB, deixou momentaneamente a função de presidente da Casa para ocupar a tribuna e ressaltar o gesto do secretário Emerson em vir à Casa e se penitenciar.


Anhaia, falou sobre o perdão, o ato de perdoar, mas ele próprio não pediu perdão pelos gestos intempestivos - como presidente do Legislativo - que vem tomando nos últimos dias.


Além disso e para encerrar, este desgaste todo no caso Amauri, é decorrente exatamente da espera de Amauri na Câmara pelo pedido formal de desculpas e retração, os quais não vieram, mas que foram prometidos pelo governo por meio de seus representantes no Legislativo.


Desdenharam a honra de Amauri. E agora correm atrás de culpados e perdões arquitetados pela marquetagem de quem perdeu o cavalo encilhado em reconhecer que o peixe morre pela boca.


Cada coisa. Acorda, Gaspar!