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  • Herculano

QUANDO ESPORTE AMADOR É FEITO PARA SER CANGALHA DE VOTOS


Outra história de Gaspar que se apaga: a do Ferroviário no campo da, Margem Esquerda


Há duas sessões, corria, "em regime de urgência", para não fugir da praxe do Executivo sobre o Legislativo, o Projeto de Lei 07/2021. Ele alterou uma lei existente. Criou mais um cargo e aumentou os salários de técnicos e das bolsas-atletas pagas pela Fundação Municipal de Esporte e Lazer.


"Eu e o Ciro [André Quintino, MDB] demos mais medalhas e troféus do que a Fundação", refutou o vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT, durante a discussão do PL. Prá que! A Bancada do Amém (MDB, PSD, PP, PDT e PSDB) veio em peso na defesa do vereador José Carlos de Carvalho Júnior, MDB, ex-presidente da Fundação. Inclusive o Ciro.


E naquela voz mansa, o vereador José Carlos mostrou na tribuna como cativou este público fundamental para a sua eleição: "todos que procuraram a Fundação foram atendidos nos pedidos de medalhas, troféus, arbitragem - que é a parte mais cara". Explicado! Entendido!


Por causa disso, a discussão fugiu do foco do PL, aprovado pela unanimidade dos vereadores. Ninguém é dois contrariar os interesses desse público formador de opinião no interior de Gaspar. E olha que o PL nem disso, de fato tratava.


Falou-se muito mais do futebol amador e de patotas, onde o presidente da Casa, o gaúcho Francisco Solano Anhaia, MDB, se orgulhava de ser jogador e presidente do Ferroviário, que ele - e os sócios - acabaram de se desfazer do campo do tradicional time de futebol amador da Margem Esquerda, formalmente fundado em 12 de agosto de 1988, mas já existia desde a década de 1960 sob a liderança de João Conrado Koehler. Tudo bem silencioso e depois das eleições.


O PL na verdade atualizou dois tipos de "bolsa-atleta": uma de R$500,00 e outra de R$1.000,00 e para o técnico de rendimento R$2.000,00 e criou o auxiliar técnico, de R$1.000,00 mês. Ou seja, nada com o futebol amador, a não ser que se invente jabutis a partir disso.


Na verdade, há um outro problema e grave. Com a aprovação do PL, a Fundação está se desviando da sua finalidade: a inclusão social e formação educacional, numa cidade com graves problemas na área social, feita de migração, passagem e pobreza.


O PL aprovado, estimula e permite que a cidade se enverede para o esporte de alto rendimento, caro, de gente que é de fora, ganha a vida formando e empresariando times e atletas, alegando que que vai projetar o nome das cidade diante de resultados e projeção na imprensa local e regional.


No fundo são escolhas ou apostas pessoais dos técnicos, ou atletas, ou dirigentes de times, bem relacionados com os do poder de plantão. Nem mais, nem menos!


Para quem já fazia da Fundação uma cangalha de votos para eleger seus presidentes, subsidiando o futebol amador, um desvio a mais, nem será notado, pelas nossas crianças e adolescentes perdidos em outros campos do ócio, da falta de perspectivas e até do vício.


Alijados das políticas de inclusão pela secretaria da desassistência social tocada por políticos e da secretaria de Educação tomada por curiosos, essas crianças e adolescentes que não votam ainda, que não são cabos eleitorais, que não são apadrinhados pelos donos de patrocínios... não aparecem como prioridade de projetos de inclusão via o esporte, como o que faz o Tupi, por exemplo. Acorda, Gaspar!