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  • Herculano

PRESIDENTE DA CÂMARA DE GASPAR ENSAIA CENSURA PARA A TRIBUNA


Na quinta-feira passada corria a sessão extraordinária na Câmara e convocada na terça-feira daquela semana para aprecisar a jato três Projetos de Lei.


Ela foi assistida, inclusive, pelo prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, autor do pedido de convocação, e por um séquito do Executivo. Um dos três assuntos da pauta, era à mudança de rubrica orçamentária para se aproveitar parte dos financiamentos já aprovados na Câmara e usá-la na troca de tecnologia de iluminação: de sódio por Led.


Só este fato, mostra como estamos atrasados, apesar do governo de Kleber está para o quinto ano seguido. Pior mesmo, é ver gente do staff de Kleber ir para a rede social comemorar isso como um avanço. Os números em si, mostram um atraso terrível.


Volto. Foi quando o vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT, na tribuna discordou de tal prioridade. Lembrou às várias aprovações que ele ajudou no voto favorável para se melhorar a iluminação ou se implantar a nova tecnologia, e pouco disso aconteceu de fato.


Votou contra em 2017 ao aumento de 40% da Cosip que veio para os bolsos dos gasparenses e nem isso resolveu a situação de lâmpada queimada e a troca de tecnologia, argumentos de Kleber para a aprovação desse aumento no início do seu governo.


Para Dionísio, antes de trocar as lâmpadas em ruas já iluminadas pela tecnologia de sódio, o governo de Gaspar deveria asfaltar essas ruas que estão sob poeira e lama, prejudicando moradores, comerciantes e empresários, apesar das continuadas promessas de pavimentação. Para Dionísio o que adianta iluminação de Led, se há precariedade para se trafegar nelas.


Esta cobrança e posicionamento irritaram o presidente da Câmara, Francisco Solano Anhaia, MDB. "Quero pedir aos vereadores, mais uma vez, que se limitem os seus discursos na tribuna ao tema do debate da matéria em votação", disse ele isso direcionado ao Dionísio que deixava a tribuna. Ao fazer a advertência, não permitiu que o vereador o rebatesse ou se explicasse.


Primeiro: Dionísio usou o tema do Projeto de Lei em debate e votação para expor o seu ponto de vista - ou do partido, sei lá - que não era, naturalmente, o ponto de vista do prefeito presente a sessão, do presidente da Casa e da própria Bancada do Amém, a maior parte dela calada e obrigada apenas ao voto.


Segundo: a intervenção intempestiva do presidente Anhaia, mostrou apenas o senso de censor contra a pluralidade de ideias necessárias e tão comuns em ambientes legislativos e políticos, a qual é alma dos debates. Isso só não era possível na ditadura.


Impressionante como cada vez fica mais claro o cabresto que o poder de plantão impõe aos seus liderados e como é intolerante com a quase inexistente oposição. Acorda, Gaspar!


REVELAÇÕES


UM. O vereador Giovânio Borges, PSD, revelou na quinta-feira passada, que foi ele quem trouxe a ideia do aumento de 40% da Cosip em 2017 para os bolsos dos gasparenses e aprovados por margem estreita naquela época pela Câmara e seu partido foi, estranhamente, foi um dos que mais questionou com o PT e PDT a proposta de Kleber. Então... Giovânio não era vereador, mas trabalhava na prefeitura de Blumenau, a qual teria aplicado reajuste semelhante. Também não é bem assim, mas...


DOIS. O polêmico aumento da Cosip na conta de luz dos gasparenses naquela época, pelo debate da quinta-feira passada e diante da cotidiana reclamação contra a falta de manutenção e má iluminação nas ruas e praças de Gaspar, provou que aumentos pouco resolvem os problemas públicos a favor da população que só paga o pato. Discursos, escapes e promessas não são cumpridas reiteradamente.


TRÊS. Para o vale tudo na aprovação de quinta-feira passada em algo tão rápido, sem debate e esclarecimento devido à falta de oposição, valeu até se afirmar, sem prova alguma, que Ilhota estaria melhor neste quesito de iluminação de LED. Impressionante!


QUATRO. O que mais se reclama é a lâmpadas queimada e à falta imediata, ou no médio prazo, à reposição delas, gerando com isso, insegurança aos cidadãos. Os discursos dos vereadores defensores do PL 38/2021 davam à falsa impressão de que as lâmpadas de LED nunca queimarão e que o problema de reposição estaria automaticamente resolvido, com a manutenção magicamente sanada. Coisa de doido, ou de gente bem esperta.


CINCO. Hoje em Gaspar há 13.200 lâmpadas nas vias e logradouros públicos, segundo o relator do PL, Amauri Bornhausen, PDT. Somente 700 são de Led e com os recursos de R$3.137.100,00 realocados no Orçamento, serão possíveis trocar outras 1.600 lâmpadas, ou seja, uma mixaria.


Resumindo: muito barulho por pouca coisa, naquilo que é obrigação se avançar e pouco se avançou nestes cinco anos de governo, apesar dos financiamentos disponíveis para isso. Na verdade, o que se faz hoje é muita marquetagem para se livrar das más notícias. Só isso!


SEIS. Dionísio foi o único que votou contra. Queria mais asfalto, menos poeira e lama nas ruas já iluminadas.


SETE. Duas coisas de semânticas. O líder do governo, o mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP, tratou lâmpada como "foco" de luz, ou seja, não é à toa que parte das ruas de Gaspar está num breu só: nos postes há "foquis" e não lâmpadas. Por outro lado, ele vem fazendo escola para os demais vereadores ao repetir sempre que os projetos vêm de encontro de... ao invés, dos projetos vêm ao encontro de... Incrível!


OITO. Por fim: não há nenhum controle sobre preços e qualidade do material que vai ser comprado, bem como e onde se dará à troca ou a sua colocação.


Faz-se o pregão na modalidade de registro de preços e aí os vereadores de oposição - há pelo menos um dos 13 -, falham na fiscalização desse processo de uso dos materiais licitados, os seus reajustes de preços, ou na marota substituição por similares alegando-se serem "melhores".


NOVE. Encerrada a sessão extraordinária, o prefeito Kleber usou da tribuna para agradecer os votos dos vereadores. E posou, a pedido do presidente Anhaia, para uma foto com todos para também "comemorar" o recebimento de R$600 mil da Câmara e cuja razão já expliquei em artigo abaixo.