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  • Herculano

POR QUÊ A PREFEITURA E A IMPRENSA NÃO ACENTUAM OS NÚMEROS DE MORTES POR COVID-19 EM GASPAR?


Gaspar só é "destaque" na propaganda paga, no marketing intencional e arranjado. E o reconhecimento pelas estatísticas e ações eficazes, no entanto, foi para Blumenau


Este assunto já mereceu um artigo com números incontestáveis no início deste ano. E até pipocou como repercussão, atrasada, na imprensa local. O poder de plantão em Gaspar ficou tiririca.


Como é do seu feitio, ele, por seus membros, já ameaçava processar quem fazia a divulgação de tais números e comparações. E por quê? Por supostamente causar, segundo esses "çabios" da verdade, alarme indevido na população, estragar negócios, comprometer a imagem intocável dos administradores públicos, bem como a reabertura social pedida por seus apoiadores e assim ter que enfrentar aliados.


Mas, com o tempo, o poder de plantão teve que voltar atrás na ideia intimidatória, autoritária e de jerico de processar os mensageiros da má notícia provocada por eles mesmos. Não teria argumentos na Justiça, mesmo se dizendo dona dela e de corpo fechado. Grotão é assim mesmo. É só olhar para Brasília. Vamos adiante...


Números fora da curva como o de mortes pela Covid-19, em Gaspar, em primeiro lugar sinalizam que alguma coisa de errada está acontecendo, ou que se está falhando na política e protocolos sanitários em tempo de crise sanitária. Simples assim. O restante é balela.


Mostram ainda, concomitantemente, que esses números precisam ser divulgados E por quê? Exatamente, para se alertar e prevenir à população, os incautos, inclusive os que se dizem autoridades neste assunto: o de saúde pública. É humanitário antes do sanitário. É totalmente inapropriado esconder os dados dos cidadãos, levando-os ao erro, ou até, neste caso, à morte.


Deus nos livre dessa gente onde para ela, o silêncio salva. Pode salvar a sina de poder que está impregnado.


E retornando ao cerne deste artigo.


Então vou repetir o antigo artigo, com números atualizados. Eles mostram que nada mudou desde então e em seis meses de Covid-19, em Gaspar. Faltou, de verdade, foi inteligência e empatia aos nossos políticos e gestores públicos.


Blumenau não fechou, não parou, não fez lockdown e ao mesmo tempo possui instituições representativas, ativas, além de uma imprensa plural, reativa e questionadora dos seus governantes e lideranças. Lá se faz perguntas, inclusive as inconvenientes, ou as minimamente necessárias.


Bem diferente daqui, onde as entrevistas não têm perguntas, ou se há, são bolas levantadas para o chute a gol do entrevistado, para ele se vangloriar e se escapar da culpa que carrega. Também simples, assim!


Estes números a seguir provam a diferença brutal entre Blumenau e Gaspar. Eles estão baseados em três fontes: o boletim epidemiológico da secretaria estadual de Saúde; o painel da Covid do site oficial da prefeitura - quase sempre desatualizado; à estimativa de população de cada município comparado para 2020 e vindos do IBGE, bem como a visita do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, no sábado lá em Blumenau.


O que o Ministro foi fazer lá, para o choro dos daqui? Conhecer o modelo de enfrentamento à pandemia adotado na cidade e que é referência para o Brasil. E olha, o reconhecimento vem de um governo negacionista para a Covid-19, como se prova por atitudes e na CPI do Senado e que recomeça hoje.


Entenderam? Ou precisa desenhar?


Blumenau tem - até agora - a menor taxa de letalidade do país em municípios com mais de 100 mil habitantes. Enquanto a vizinha Gaspar, conurbada, uma das mais altas do Médio Vale do Itajaí. Incrível!


Entenderam ou precisa desenhar mais uma vez?


Isto, na verdade, é um retrato de um governo, de uma indicação de uma curiosa para tocar este assunto tão crucial num tempo tão duro de se aceitar e gerir, o da pandemia, ainda cheio de segredos científicos. A sucessão de erros como fazer mutirão de vacinas com vulneráveis em área de triagem de doentes, não deixam dúvidas do improviso, e de fazer do sofrimento, marketing.


Por quê a prefeitura e a imprensa de Gaspar escondem os altos números de mortes por Covid-19 em Gaspar e que só aparecem neste espaço aqui?


Porque isso afeta a imagem do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, o do presidente da AMMVI, onde está as díspares Blumenau e Gaspar, e da secretária de Saúde, Silvania Jonoelo dos Santos, uma curiosa no assunto, escolhida por critérios de proximidade familiar e religiosa com o poder de plantão.


Porque isso prejudica os planos políticos dos que estão no poder de plantão e em permanente campanha eleitoral para permanecer nele. São candidatos....


Então a marquetagem intencional que domina o governo de Kleber e aliada à preguiça das redações, ou o medo de perder as verbas-migalhas, trabalham para "esquecer", ou esconder o que é essencial para evitar mais contaminações e mortes: a comunicação dos fatos, da realidade.


Quer ver a inversão de qualidade e prioridade? Uma morte por Covid-19 não é mais nada nas até informações laterais dos veículos. Já um tombinho de moto, sem arranhões, vira manchete, espalha-se pela cidade por mecanismos de impulsionamento como se fosse algo descomunal. Inacreditável!


Sou eu estou que exagerando outra vez e mereço ser punido por isso?


Então vamos aos números. As provas. Se pegarmos a quantidade de mortes - todas extraídas de boletins oficiais de sábado da secretaria estadual de Saúde - devido a Covid pela projeção de habitantes do IBGE, em Blumenau, este índice, até sábado, era 0,1677. O de Gaspar, no mesmo cálculo: 0,2457. Uau!


Quer mais uma comparação de gente vizinha a Blumenau e Gaspar, com população igual a de Gaspar e igual métrica metodológica de apuração? Indaial: 0,1763.


Expliquem, expliquem, expliquem.


Todos os vizinhos a Blumenau - para nos livrar da tese de que é Blumenau que nos contamina, por sermos dormitório de lá -, possuem índices de mortes por Covid menores ao de Gaspar - a exceção dessa lista que montei, é Brusque, com 0,2164; afinal ela é um polo de atração e não dormitório, e está distante de Blumenau, mesmo sendo da mesma AMMVI de Kleber.


Vejam: Timbó pelo mesmo critério chega-se a 0,1912; Pomerode a 0,2166, e Ilhota, com influência de Itajaí e Navegantes, pois é da Foz do Rio Itajaí e não do Médio Vale, 0,2228.


Alguma dúvida? Façam as contas e reflitam? Não é à toa, que este espaço é líder de acessos. Trata-se de credibilidade e independência, diante da preguiça e manipulação marqueteira da comunicação em nossa cidade e contra o esclarecimento dos cidadãos.


Prevenção, esclarecimento, comunicação para as melhores práticas, é tão eficaz quanto a vacina. É a ciência que diz isto. São as estatísticas. São as experiências bem sucedidas na Europa, América do Norte e parte da Ásia... Acorda, Gaspar!