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  • Herculano

POR FORA UMA BELA VIOLA. POR DENTRO UM PÃO BOLORENTO. ASSIM É EM SÍNTESE, O GOVERNO DE KLEBER


Da esquerda para a direita: os vereadores Alexsandro, Dionísio e o prefeito Kleber


A discussão da semana foi até ontem à noite como o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, vai pagar a entrada de R$10 milhões para a Furb, dos 14 milhões que custou o terreno do Bairro Sete de Setembro, na Rua Itajaí, se ele não tinha isso no Orçamento para esta aventura.


Lá, o município pretende erguer o novo prédio da prefeitura, com a desculpa de economizar em alugueis - quase usados como cartas políticas, negociações e apoios eleitorais - e até se ter um lugar decente para atender a população, apesar de cada vez mais e contraditoriamente, isto se tornar um ambiente mais on-line em favor do cidadão e até de home office, em favor da qualidade de vida do servidor.


Bingo.


O prefeito Kleber no Projeto de Lei 06/2021, de primeiro de abril, sugestivo dia para tal mensagem, fez malabarismos orçamentários e se esperava, como normalmente acontece com esse tipo de matéria e já relatei isso aqui várias vezes, que ninguém na Câmara se interessasse por ele. Mas, não deu muito certo, no tal, uma andorinha não faz verão. E fez!


O azar começou quando o escolhido - por sorteio- para a relatoria geral do Projeto foi o vereador Alexsandro Burnier, PL. Orientado e interessado, ele foi atrás deste assunto, enquanto a Furb - precisada do dinheiro e que ganhou aval rápido na Câmara de Blumenau exatamente por isso - pressionava por uma solução aqui.


A determinação de Alexsandro descobriu o que estava embrulhado sob números e rubricas.


Para dar R$10 milhões a Furb e Kleber estava mexendo em várias coisas que são necessidade essenciais da cidade. Entre as mais expressivas, estava o esgotamento sanitário - que não existe e está super atrasado entre nós, mesmo com um Termo de Ajustamento de Conduta feito perante o Ministério Público - e até se valer indiretamente de empréstimos para cobrir a parte principal deste rombo orçamentário.


Como assim?


Transferindo obrigações com obras viárias vitais para a cidade, os cidadãos, cidadãs, mobilidade e segurança para os financiamentos já aprovados pelos próprios vereadores, financiamentos aliás, que estão limitados à capacidade de endividamento de Gaspar. Ou seja, há mais uma vez sérios riscos de esses projetos e obras não saiam do papel, dos discursos, das entrevistas e acordos com a sociedade.


Retomo.


As andorinhas foram dois vereadores. Alexsandro o relator e Dionísio Luiz Bertoldi, PT, que se diz contra o negócio e construção da prefeitura, num breve lapso de memória. E por quê? Foi exatamente o PT que iniciou esta "procura" por um novo local para ser o prédio da prefeitura de Gaspar quando anos atrás tentou comprar a sede administrativa da Bunge Alimentos, no Poço Grande, com os mesmos argumentos que são sustentados por Kleber, o poder de plantão e a Bancada do Amém na Câmara


O esperneio dos dois vereadores não são nada diante da Bancada do Amém - onze dos 13 vereadores - que continua ajoelhada ao Executivo, enquanto fica por aí fazendo filminho - tratando os cidadãos e cidadãs como crianças para lhes dizerem de que não possuem culpa naquilo que o povo cobra dos vereadores, os supostos legítimos representantes e fiscais desse povo.


Vendo a água contaminando o chope, muito a contragosto da prefeitura, até foi realizada uma reunião com o secretário de Fazenda e Gestão Administrativa Jorge Luiz Prucínio Pereira, PSDB. Era para esclarecer e convencer o relator, porque os outros vereadores não precisam disso.


No fundo, a reunião foi para embrulhar o que se desembrulhava e para dar o recado, que ninguém na prefeitura estava disposto a fazer concessões.


Foi mais para conter a conversa de que se espalhava na cidade de que não se tinha dinheiro para atender a aventura do governo de Kleber em socorrer a Furb e se ter aqui um terreno, para se construir um novo prédio para a prefeitura que vai custar outra baba e não se sabe de onde virá o dinheiro, bem como quando isso vai acontecer de verdade.


Sabia-se desde o início que esperneia quem não tem votos, e se cria narrativas que os têm. Kleber e a Bancada do Amém possuem a narrativa.


Alexsandro foi contra a contingência de R$2.650.000,00 da área de saneamento e de R$8 milhões para melhoria do sistema viário. Pediu votação em separado. Ele sabia, que teria poucas chances. Mas, fez o papel que se espera de um vereador atento pela população as prioridades da cidade diante das manobras dos políticos para assuntos sem prioridade.


É preciso de um prédio a prefeitura? Não sei e esta não é a questão a ser discutida neste artigo.


Mas a forma pouco transparente como se faz isso e principalmente o que de fato se questiona: as prioridades.


Qual foi a escolha de Kleber e dos vereadores que o apoiam? Gaspar vai continuar sem esgoto que está agora invadindo as casas porque se misturam nas drenagens mal projetadas pela equipe técnica da prefeitura; continuará com sérios problemas de drenagens diante da burla do Plano Diretor e contra a topografia da cidade; e Gaspar para ter um novo prédio para o prefeito e sua turma usarem na propaganda e marketing pessoais e políticos, vai relegar a segundo plano, mais uma vez, a complicada mobilidade urbana.


Resumindo: por fora uma bela viola, por dentro o governo Kleber é um pão bolorento.


Tem coisas do tipo como o melhor do Anel de Contorno, foi feito por investidores e não pela prefeitura que os menos de um quilômetros, num gargalo de pista estreita, em seis meses já estava em caro conserto.


Tem-se um mirante novinho e se entregará um parque náutico para os riquinhos e os pobres ficarem de boquiabertos, num rio que a cidade polui como poucos. Se ficará isolado entre o Centro e o Bela Vista se algo acontecer nas ruas Nereu Ramos ou Anfilóquio Nunes Pires.


Mas, em compensação, teremos uma prefeitura nova as custas da postergação do saneamento, da mobilidade urbana, isso para não falar que indiretamente isso também atinge a educação, saúde, assistência social e outras obras... Acorda, Gaspar!


TRAPICHE


O MDB, internamente, encontrou um jeito de atender a pressão do vereador suplente Norberto dos Santos, o Betinho, MDB, se tornar quase um vereador definitivo. O vereador Francisco Hostins Júnior, MDB, está mapeado para a incrivelmente doente secretaria de Saúde de Gaspar, onde já foi titular ao tempo do prefeito Pedro Celso Zuchi, PT.


A atual titular, Silvania Janoelo dos Santos, uma indicação religiosa apadrinhada pela mulher do prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, Leila, resistia à ideia de ser substituída. Ela vai continuar na área. Será deslocada para outra entidade de Saúde na UTI: o Hospital de Gaspar.


Este lugar para o Norberto estava entalado no suplente e incomodando muita gente na prefeitura e no MDB. Uma das saídas aventadas para abrir esta vaga seria a ida de Francisco Solano Anhaia, MDB, para o Samae. Entretanto, conflitos de interesses e o modo esquentado de Anhaia, esfriaram a ideia inicial.


Hostins é advogado e não se pode acusar de um curioso na área da Saúde, exatamente pelo aprendizado que teve. E na Câmara, ele como vice-líder de governo, estava sendo levado mais uma vez ao desgaste para defender os erros de Kleber, na ausência do líder escolhido Giovano Borges, PSD, para exatamente proteger o vice-prefeito Marcelo de Souza Brick, PSD, quando ele fosse prefeito, Por enquanto, micado.


Texto alterado às 12h25min. Passou despercebido, mas Gaspar não terá mais deputado estadual. A partir deste sábado, o ex-prefeito por três mandatos, Pedro Celso Zuchi, PT, deixará a cadeira que a ocupou na Assembleia Legislativa por dois meses.


Texto alterado às 12h25min. Outro suplente do PT assumiu nesta semana na Assembleia Legislativa: o vereador de Blumenau, Adriano Pereira, na vaga da titular Luciane Carminatti. Zuchi está na vaga do Padre Pedro Baldissera.


O que de fato Zuchi conseguiu para Gaspar além da polêmica que emprestou de Kleber Edson Wan Dall, MDB, de ser contra a duplicação da Rodovia Ivo Silveira, entre Brusque e Gaspar? E estruturação da possível rodovia entre o distrito do Garcia, em Blumenau com Guabiruba, avançou?


Muito barulho, fotos e pouco resultado. Entretanto, a entrada de Zuchi neste jogo, neste momento, com a polarização que o PT imprime na corrida presidencial, bem como à falta de articulação de seus adversários locais, foram pontos de inflexões e recuo tático na candidatura a deputado estadual do prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB.


Transparência zero. A mesa diretora da Câmara de Gaspar abriu uma sindicância para apurar supostas responsabilidades num acidente de trânsito envolvendo o carro oficial da Casa. Foi na Rua Bonifácio Haendchen, no Belchior Alto. A resolução não traz o nome do envolvido, nem as iniciais e dentro da Câmara, isso é tratado como um segredo.


Falar, ele sabe. O advogado gasparense João Pedro Sansão, vai participar do concurso Nacional de Oratória do Rotaract. Aqui ele é diretor de protocolo do Rotaract. Ele venceu em Gaspar e no distrito 4.652.


Cara de enterro a reunião de segunda-feira do MDB de Gaspar, na Sociedade Alvorada. O projeto de poder de 30 anos não chegou ao sexto ano. Mais do que isso, quebrou-se uma promessa de parceria: a de dar a prefeitura ao PSD, de Marcelo de Souza Brick. Agora, o então glorioso e invencível Golias fala até, que é David. Cumoéqueé?


Ao invés de diminuir, só aumenta o número de candidatos a governador de Santa Catarina. Blefe, negócios e falta de memória sobre o que aconteceu nas últimas eleições. Depois reclamam da sorte e arrumam culpados.


Um político do poder de plantão me aborda. "Não vi nada no seu blog sobre aquela máquina que a prefeitura ganhou". Não viu aqui, e nem verá. Aqui não é página de classificados. Isso é propaganda, é marketing político e às véspera de campanha eleitoral, dirigida a quem está atrás de votos.


Eu não sou cabo eleitoral. O político deveria cobrar de quem - porque precisa das verbinhas públicas - e por causa disso não pode mostrar o que está por detrás destas jogadas. Eu posso, mostro e por isso tenho audiência - sem impulsionar o blog - e uma certa credibilidade - sem precisar de qualquer verbinha, cafezinho e esmolas de políticos e particulares . Acorda, Gaspar!