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  • Herculano

O TAMANHO DA GRAVIDADE DO GOVERNO KLEBER CONTRA A EDUCAÇÃO DE CRIANÇAS



Tão grave quanto a pandemia do coronavírus que se retrata fisicamente em mortes e sequelados pelo Brasil e aqui, foi o retrocesso do Ideb - Índice de desenvolvimento da Educação Básica - de Gaspar, no teste feito pelos próprios estudantes em 2019 e divulgado em 2020.


É outra pandemia. É invisível e providencialmente longe do debate. Há sequelados - muitos por toda a vida - e por adultos pagos para protegê-los.


Essas "vitimas" estavam todas presencialmente nas salas de aula, tudo do tempo do primeiro mandato do governo do jovem Kleber Edson Wan Dall, MDB. E ele não pode culpar um milímetro sequer o governo anterior, o do petista Pedro Celso Zuchi.


E para piorar, a secretária de Educação desse desastre contra crianças e adolescentes, principalmente comprometendo o futuro delas - e já escrevi várias vezes diante do silêncio da imprensa, dos políticos e gestores irresponsáveis por esse péssimo resultado -, que merece outro nome mais apropriado, Zilma Mônica Sansão Benevenutti, experimentada educadora, foi eleita vereadora pelo MDB de Kleber.


Ou seja, falhou na política educacional, venceu na política partidária que a conduziu e a manteve no cargo de secretária por todo o mandato do prefeito até ela se licenciar a mando da lei, para concorrer ao Legislativo, onde integra a Bancada do Amém.


Se esses números desse desatino mostram o emburrecimento das crianças gasparenses nas escolas públicas municipais por culpa do sistema que as educou, ele ao mesmo tempo, sinaliza correções.


Contudo, essas correções não puderam ser aplicadas diante da pandemia que ainda as tirou das salas de aulas e as improvisou numa sistemática caótica de ensino e aprendizado à distância, sob queixa de professores, pais e estudantes. Diga-se, não só aqui.


Resultado desta tempestade perfeita? Presume-se, que tudo que era muito ruim, piorou ainda mais. E para corrigir o que aconteceu? Mais politicagem em algo tão sensível, urgente e dramático. Meu Deus!


No "novo" governo de Kleber e no loteamento que fez para vencer, entregou a pasta da Educação a um curioso, o jornalista Emerson Antunes, vindo de Blumenau, na indicação política do deputado Ismael dos Santos, PSD, em campanha à reeleição - ou a Federal - no universo neopentecostal.


O Ideb deste ano - se for feito - deve retratar o agravamento de tudo esse cenário horroroso. E não só aqui. Mas, aqui devido à uma base em decadência e atos de irresponsabilidades, deverá, em tese, ser pior ainda.


E qual a manchete de capa da edição dominical do jornal Folha de S. Paulo, motivo deste comentário?


"No Brasil, 6 em 6 repetem a baixa escolaridade dos pais".


Resumindo. Quem está na escola pública não está exatamente por opção, é por não possuir outra alternativa. E numa cidade dormitório, com graves problemas sociais e de intensa migração da mão-de-obra barata, a escolarização dos pais é, presumivelmente, baixa.


O que nos revelam os cinco primeiro parágrafos do texto de Érica Fraga e Fernanda Brigatti?


A chance de um filho repetir a baixa escolaridade de sua família no Brasil é o dobro da probabilidade de que isso ocorra nos EUA.


Em média, quase 6 em cada 10 brasileiros (58,3%) cujos pais não tinham o ensino médio completo em 2014 - último ano para o qual há dados - também pararam de estudar antes de concluir esse ciclo.


Entre os americanos, esse percentual cai à metade, para 29,2%. Já a média na OCDE, grupo que reúne quase quatro dezenas de nações ricas e emergentes, era de 33,4%.


Se o filho brasileiro pertencer a grupos populacionais menos favorecidos, a distância é ainda maior.


Entre o estrato 20% mais pobre da população brasileira, 80,8% dos filhos cujos pais (palavra empregada, no estudo, como plural de pai) não tinham o ensino médio completo repetiram esse desfecho educacional. No grupo dos 20% mais ricos do país, esse percentual era de 32,6%, um pouco abaixo da média da OCDE.


Volto e encerro.


Entenderam à minha insistência contra o tamanho do desastre que a política partidária e os políticos em Gaspar praticaram aos vulneráveis na fase mais importante da alfabetização, aprendizado e conhecimento da vida deles num mundo cada vez mais competitivo?


E há gente que ainda diz que eu exagero.


Eu que estudei em escola pública até o que é hoje o chamado Ensino Médio, não escondo as mazelas da cidade e seus responsáveis. E isso os incomoda. E os incomoda porque todos sabem que são culpados, onde a educação não é uma política de governo. Faltam vagas nas creches, falta contraturno, falta escola integral, falta a opção da segunda língua, faltam atividades de inclusão social, falta um Ideb minimamente descente, para o segundo maior orçamento do município. Acorda, Gaspar!