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  • Herculano

O PALANQUE ELEITORAL ARMADO NO TRECHINHO DOIS DO ANEL DE CONTORNO. AGORA É TORCER PARA ELE AGUENTAR

Primeiro, a torcida é para aguentar a obra em si. O segundo para que as dúvidas sejam esclarecidas. E a terceira, que o ensaio eleitoral dê os frutos da corrida iniciada.



Os ex-prefeitos vivos na inauguração do trechinho dois do Anel de Contorno de Gaspar


FATO I


A notícia da inauguração do trechinho dois do Anel de Contorno, todos os jornais, rádios, tevês, mídias sociais já deram e vai ser tema para muita propaganda ainda nesta semana.


Esta ligação é vital e necessária. Indiscutível. Mas, os que noticiaram o ato por obrigação, por marquetagem e para não verem diminuídas as migalhas pagas pela prefeitura aos propagadores, deixaram exatamente de tratar o assunto como ele deve ser considerado.


Por que uma via simples, em pleno anos 20, do século 21, se a região sul crescendo assustadoramente, recebendo massivo investimento empresarial e ao mesmo tempo o poder publico se renega de forma escrachada contra o futuro, contrariando, vejam só, o próprio slogan oficial e marqueteiro do governo "Avança Gaspar"?


Outra: por que tanta demora - depois de pronto o trechinho - para se abrir esta via essencial à mobilidade urbana e intermunicipal? Sobre os questionamentos técnicos, financeiros e de fiscalização da obra, o tempo deverá ser o senhor da razão. E pode ser outro tiro no pé. E ele será conhecido hora errada: os das próximas eleições.


FATO II


O que aconteceu no sábado não foi uma simples inauguração, foi um ato político demarcando territórios para as corridas de 2022 e 2024. Pobre gente. Sempre com segundas intenções e escondendo o jogo de seus eleitores. E a cada eleição, caem como patos.


O prefeito eleito Kleber Edson Wan Dall, MDB, chamou para si os holofotes, escanteou o prefeito de fato, presidente do MDB e secretário de Fazenda e Gestão Administrativa, Carlos Roberto Pereira. Tudo sob o assessoramento da primeira dama, Leila. Sempre essas primeiras damas...


Resta saber se Kleber e seus presbíteros - uma expressão cunhada recentemente na tribuna da Câmara pelo suplente de vereador Antônio Carlos Dalsochio, PT -, terá fôlego para neste jogo chegar a um objetivo maior de não ser apenas a um ex-prefeito de dois mandatos. Os anteriores, não conseguiram até hoje ser mais que isso.


E por que? Kleber não controla a corda que ele se equilibra. E ela está com uma elasticidade fora do normal.


Quer ver como essa tarefa de se equilibrar e chegar aos objetivos é difícil? Não depende do equilibrista, simples assim! Nem dele, nem da Igreja, nem das amarrações com os partidos que estão no poder de plantão em Gaspar. Aliás, alguns até estão dando mostras de estarem cansados do papel de coadjuvantes eternos que lhe foram impostos.


Estavam lá, convidados, todos os ex-prefeitos vivos. Pela ordem: Osvaldo Schneider, MDB; Luiz Fernando Poli, sem partido; Pedro Celso Zuchi, PT; e Adilson Luiz Schmitt, sem partido, além dos representantes dos já falecidos.


Quando um dos discursantes fanfarrões e patrocinador da campanha, embriagado pelo clima da festa, e muito ausente daqui, lançou Kleber a deputado, o ex-prefeito Zuchi, imediata e instintivamente disse a quem estava ao seu lado, na primeira fila de convidados e aos olhos do próprio Kleber inserido nela, e para outros ouvirem: "eu também vou" [ser candidato a deputado]".


Não vai, penso. Mas, se Kleber for, ele vai, também penso. É só olhar a tranca que fez no passado. Se outro figurão do governo metido a dono da cidade usando a máquina pública for, Zuchi vai. Ainda mais agora, que se sabe que o telhado de Kleber e seus "çábios" são feitos de vidro. É a forra. É o tal dia seguinte...




FATO III


A discurseira foi no pasto do Jacaré, que não é um bicho de boca grande, silenciosamente à espreita das suas vítimas, mas por ser ali uma conhecida propriedade rural de Helmuth Wehmuth, falecido. Ele tinha esse apelido. Mas, o almoço foi em Ilhota, onde foi comandado foi com o prefeito de lá, de Érico de Oliveira, MDB. E Kleber não era o líder da parada.


Não tinha nada a ver com o trechinho dois do Anel de Contorno. Tinha a ver com a política e as definições para outubro do ano que vem. Ai, ai, ai.


Quem estava lá? O deputado Luiz Fernando Cardoso, MDB, conhecido como Vampiro e que está secretário da Educação e por isso representou aqui o governador Carlos Moisés da Silva, sem partido, na inauguração daqui, o prefeito de Brusque, Ari Vequi, MDB, que esteve aqui entre outros.


O que isto sinaliza?


Que há uma movimentação regional dentro do MDB e que não há espaços nele para Gaspar que sempre se apresentou como cabo eleitoral de gente de fora para demarcar território aos políticos do partido daqui ou para ganhar dinheiro neste exercício de liderar a cabala de votos para os forasteiros. Vampiro é um deles.


Na semana passada, o próprio Vampiro e o deputado Jerry Comper, MDB, que não veio na inauguração daqui, foram a Brusque conversar com o empresário Luciano Hang, da Havan, acompanhados do prefeito Ari Vequi, que agora é "presidente" de uma tal Associação de Municípios do Vale Europeu, bem mais abrangente no aspecto de representatividade e aglutinação de municípios do que a AMMVI - Associação dos Municípios do Médio Vale do Itajaí -, presidida por Kleber. Então...




FATO IV


No seu discurso aqui, Vampiro, em nome de Carlos Moisés, anunciou a duplicação da ligação Gaspar a Brusque. Mal sabe ele, que Kleber, o presidente AMMVI não quer isso. O prefeito de Brusque, por exemplo, que pertence a AMMVI acha que essa posição de Kleber, nem piada de mau gosto é. Outros empresários como Luciano Hang, também.


É por esta e outras, que o nome de Kleber se enfraquece numa suposta de candidatura como prometeu ao seu vice Marcelo de Souza Brick, MDB, para deixá-lo na beiradinha no negócio que fizeram para se aliarem nas últimas eleições. Kleber representa o atraso, atua para interesses particulares e não consegue enxergar o todo para a própria Gaspar dele avançar.


Para ser mais que prefeito como ele quer, como sua família quer, como sua mulher quer, como a Igreja quer, Kleber precisa ser regional. A articulação fora do âmbito do presbitério é quase nula. Como alguém que tem para a sua cidade a oferta, sem custo algum, uma rodovia duplicada que vai atender a sua mobilidade urbana, além da regional, pode rejeitá-la, para atender menos de meia dúzia de interesses de amigos seus?


Os votos de Brusque ele já perdeu. Do Bateias, Barracão, Óleo Grande, Bom Jesus e Santa Terezinha, na hora do palanque vão minguar diante de tanta barbeiragem. Acorda, Gaspar!