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  • Herculano

O GOVERNADOR DE FATO, PISCOU!



Diante das indicações da Procuradoria Geral da República e da Polícia Federal de que o governador afastado, Carlos Moisés da Silva, PSL, não teria concorrido diretamente para a compra e fraude dos respiradores - que não respiravam -, o gato subiu ao telhado da governadora em exercício, Daniela Cristina Reinehr, sem partido, mas originária do PSL bolsonarista radical.


Ela vinha dando toda a pinta de que o impeachment de Moisés estava irreversível desta vez. E a indicação disso estava muito na composição do seu secretariado interino, com pinta de definitivo, bem como nas suas raras declarações, mas também desta vez, pouco cautelosas e cheias de entrelinhas, amarguras e farpas.


Falta-lhe, em tese, um voto dos políticos - que não querem saber se o governador tem ou não culpa nesse cartório -, mesmo que os desembargadores não mexam nos seus relatórios técnicos que atribuíram culpa solidária de Moisés, para consagrar a interinidade em governança definitiva de Daniela.


Um dos indícios que o gato pode estar no telhado pode ser visto na publicação nas suas redes sociais do governador de fato e articulador da interinidade fraca e passageira de Daniela, o ex-candidato derrotado por Moisés, e ex-presidente da Assembleia, que trocou recentemente o seu histórico PSD pelo PSDB, Gelson Merísio. Escreveu ele:


"Em meio a maior catástrofe humana do século, com reuniões diárias sobre a pandemia, permitir que se roube R$33 milhões do estado, e ter como defesa dizer 'que não sabia' remete a apenas duas opções óbvias: incompetência absoluta ou mentira deslavada".


Quando Merísio chega a este ponto é porque ele conheceu o ponto de inflexão: o voto do político que poderia estar no papo, não pode estar tão assim agora diante do que pronunciou a PGR e a PF, bem como do natural desgaste que os articuladores da manobra sofrerão da opinião pública e às vésperas de uma nova eleição geral.


Por outro lado, a dúvida: os votos técnicos dos desembargadores podem não ter a mesma solidez e segurança argumentativa que fez Moisés ir a julgamento no Tribunal especial.


E se isso for o que se desenha, o que Gelson articulou pode estar balançando, vai exigir mais ginástica e esforço, ou pode mesmo estar balançando e a favor de Moisés. Ele, diante de fatos jurídicos e provas desqualificadas, está se tornando, gradualmente, uma vítima da armação dos políticos tradicionais que ele enfrentou e venceu de lavada nas urnas em 2018.


Os erros e a arrogância estão sendo sepultadas exatamente pelos inconformados. Como dizia o ex-primeiro ministro do Brasil, o mineiro Tancredo de Almeida Neves, "quando a esperteza é demais, ela come o dono".


E para encerrar. Impressionante como a vice Daniela não inspira confiança a qualquer grupo político que a rodeia e faz questão de exalar vinganças bobas.