Buscar
  • Herculano

O FARO FAZ OS POLÍTICOS SENTIREM BEM DE LONGE A "MUDANÇA DA COR DA CARNIÇA"



Já escrevi aqui: a eleição do ano que vem será muito diferente da que foi em 2018. O fenômeno de votos Jair Messias Bolsonaro, sem partido, muito antes do desejado - até porque não se consegue controlá-lo - desmoralizou a direita, o conservadorismo e o tal liberalismo econômico. Ela a fez a direita ser xucra, militar, miliciana e radical. E esse movimento começa a deixar o bolsonarismo órfão de suas crenças, verdades, exemplos e discursos.


E tudo começou quando descartou o ex-juiz Federal, Sérgio Moro, do ministério da Justiça para salvaguardar as rachadinhas dos seus filhotes...


A que ponto chegamos e quem diria que isso iria acontecer ou seria necessário: o bolsonarismo precisar que a esquerda do atraso reapareça no cenário político e competitivo, que o lulismo volte - o sinal invertido do bolsonarismo -, para dar sentido de sobrevivência a ambos.


Se um dos dois pifarem na bipolarização que querem e fazem de tudo para ela se estabeleça, a chance de vingar uma tal de terceira via, que ainda resiste nascer, mas teoricamente viável, como foi viável à avalanche Bolsonaro, onde muitos se grudaram e agora, se desgrudam na maior cara de pau porque de longe cheiram especiarias e carniças.


Esse, aliás é o melhor retrato da política com um ente pendular. Então, vamos ao prático.


Até horas atrás, o senador Jorginho Mello, PL, ex-tucano depois de ser PR de Valdemar da Costa Neto, passava recibo e vergonha na CPI da Covid no Senado em defesa daquilo que já matou mais de 530 mil pessoas. Jurava que no governo Bolsonaro, a exemplo de outros do passado, e do presente, incluindo o governador catarinense eleito nessa onda bolsonarista, o comandante Carlos Moisés da Silva, sem partido, não tinha no lenço a marca do batom da incompetência, da fraude, da dúvida e da corrupção.


Na quinta-feira passada, quem assistiu a reunião da CPI e transmitida ao vivo, percebeu um Jorginho Mello murcho, fazendo um papel de defesa com menos entusiasmo e mais cuidadoso.


O que é isso?


Jorginho Mello, é um político experimentado. Quer ser governador de Santa Catarina. E viu um cavalo passar com a estampa de Bolsonaro. Grudou-se nele. E esse grude agora tem cheio de que o cavalo está pronto para virar carniça.


O político Jorginho tem faro. E já sentiu que a carniça ela pode estar mudando de cor. E que poderá ser tarde demais quando ela começar a feder. Ainda bem que Jorginho tem mais quatro anos de mandato no Senado e pode esperar outro cavalo passar para grudar nele.