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  • Herculano

MORO TRABALHA PARA ROUBAR DE BOLSONARO ELEITOR DE DIREITA




O texto é de Bruno Boghossian, que está publicado na edição do jornal Folha de S. Paulo desta quinta-feira.


Porém, antes de lê-lo, os bolsonaristas que me seguem, só têm como argumentação, por enquanto, a de tentar destruir a candidatura do ex-juiz, à sua possível traição ao governo de Bolsonaro.


Mas, foi Bolsonaro quem traiu Moro. bolsonaristas e Bolsonaro sabiam de que ele era um juiz implacável, sem concessões.


O candidato Bolsonaro se apropriou da imagem de Moro para dizer ao seu eleitor que seria um combatente feroz contra a corrupção.


As rachadinhas, as tentativas de comprar vacinas superfaturadas e a aliança com o Centrão guloso por verbas secretas, não deixam dúvidas de que o combate à corrupção nunca foi algo verdadeiro em Bolsonaro.


Bolsonaro chama acertadamente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, PT, de ex-presidiário. Mas, quem é Valdemar da Costa Neto, dono do PL, onde Bolsonaro foi pedir arrego, para se filiar - obrigação para a candidatura a reeleição depois que não conseguiu sequer formar o seu partido o Aliança pelo Brasil - e fazer dobradinha com o seu ex-PP, o mais envolvido no petrolão nos tempos do PT?


Ou os gasparenses estão se esquecendo do servidor estadual e ex-deputado Federal, e ex-presidente do PP catarinense, João Pizollatti, aliás até então bem influente por aqui?


Os bolsonaristas sabem que perderam parte do discurso.


A outra desse discurso está nas ruas com diante dos olhos e dos bolsos com à alta da inflação, da fome, do desemprego, da economia desarrumada com o ministro Paulo Guedes, desmoralizado, sem forças e um bobo da corte exatamente por ser um "fiel", papel que Moro renunciou e que por isso, agora, está sendo chamado de traíra.


Então! Vamos ao texto de Bruno Boghossian


Sergio Moro fez questão de assumir o rótulo da direita na corrida pelo Palácio do Planalto. Depois de servir ao governo Jair Bolsonaro, o ex-juiz mostrou que vai trabalhar para roubar do presidente essa fatia do eleitorado.

Em seu primeiro pronunciamento depois de se filiar a um partido, nesta quarta-feira (10), Moro tentou exibir uma plataforma mais ampla do que os lemas anticorrupção que ele explorou para ganhar projeção política.

O ex-juiz fez um discurso de quase 50 minutos em que citou valores cristãos, a proteção da família, o livre mercado, reformas econômicas e um aceno às Forças Armadas.


Moro apresentou um projeto que deixa poucas dúvidas sobre os rumos de sua campanha. Se entrar na corrida presidencial, ele tentará seduzir o eleitor que votou em Bolsonaro em 2018. A ideia é convencer esse grupo de que ele tem compromisso com princípios semelhantes aos do atual governo, mas com mais chances de derrotar Lula num segundo turno.


O ex-juiz tentou acoplar uma nova agenda a sua fixação pela bandeira do combate à corrupção. Moro disse que este deve ser o caminho para reduzir desigualdades e gerar emprego, mas também para "proteger a família" e "viabilizar as reformas" - destacando os ajustes econômicos que costumam encantar segmentos que apoiaram o capitão na última campanha.


São tiros múltiplos para acertar o mesmo alvo. Ao repisar o discurso da corrupção, Moro ativa o antipetismo que ajudou a impulsionar Bolsonaro há três anos. Da mesma forma, ele se esforça para descolar eleitores de seu ex-chefe, piscando para os viúvos de Paulo Guedes e assumindo o papel de porto seguro para conservadores.


O primeiro grupo recebeu um recado quando o ex-ministro falou em combater as desigualdades com "mais do que programas de transferência de renda", recorrendo à cartilha liberal que destaca a educação e o emprego como mecanismos para tirar a população da pobreza.


Num trecho direcionado aos conservadores, Moro falou em preservar a família brasileira da violência, da desagregação e das "drogas que ameaçam nossas crianças". Para completar, prestou reverência às Forças Armadas, prometendo se diferenciar de Bolsonaro ao rejeitar a exploração dos militares para interesses pessoais.


A campanha do ex-juiz abre uma disputa direta pelos votos da direita neste que talvez seja o momento de maior fragilidade política do presidente. Esse cenário deve favorecer Moro agora, mas também pode reacender as lembranças de sua passagem por um governo desastroso.