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  • Herculano

MORAES CHEGARÁ À PRESIDÊNCIA DO TSE COM ESTRELA DE XERIFE NO PEITO

Este texto está aqui emprestado do ícone Elio Gaspari. É referencial e um alerta, ao mesmo tempo. Ele foi publicado neste domingo nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo, e dá bem à dimensão da encrenca armada aos bandoleiros das redes sociais e aplicativos de mensagens.


O texto mostra também como a Justiça, neste caso, andou rápida e mesmo sem legislação específica - pois os políticos com mais bala na agulha, associados à esperteza, querem o caos e a bagunça neste ambiente para se saírem bem - se adaptou ao mundo que gira e não para, na comunicação associada à tecnologia e ao submundo digital.


Não só os que defendem ser a terra plana, e só fazem isso porque há gente letrada disposta a acreditar e difundir tal tese por interesses, disfuncionalidade mental, medo ou fanatismo crente, mas igualmente os vendedores de ilusões e uma sociedade mais igualitária, mas quando no poder, o igual é para os mesmos e os poucos que gravitam em torno desse poder que pode tudo.


Para ser lido no Dia das Bruxas, até porque elas existem, antes que Todos os Santos cheguem ao Dia dos Mortos.




Um ano antes do pleito de 2022, o Tribunal Superior Eleitoral escreveu uma boa página de sua história.


Livrou a chapa de Jair Bolsonaro da cassação e avisou aos interessados que, se repetirem o golpe das notícias falsas e das milícias eletrônicas, pagarão pelos seus delitos. Nas palavras do ministro Alexandre de Moraes, que presidirá a corte em 2022: "Irão para a cadeia".

A decisão unânime do TSE acompanhou o voto de 51 páginas do corregedor Luiz Felipe Salomão.


No ambiente envenenado da política nacional, Salomão apresentou uma peça redonda e cirúrgica na demonstração das malfeitorias cometidas e equilibrada na conclusão de que faltaram provas e as impressões digitais necessárias para justificar a cassação de uma chapa três anos depois de sua posse.


O magistrado mostrou a letalidade do vírus e abriu o caminho para a advertência de Moraes.


Passados três anos do festival de patranhas de 2018, Alexandre de Moraes chegará à presidência do TSE em agosto, com a estrela de xerife no peito.


Salomão fez sua carreira na magistratura, Moraes, no Ministério Público, com uma passagem pela Secretaria da Segurança de São Paulo.


Além disso, na condução do inquérito das notícias falsas conhece as obras e pompas das milícias eletrônicas e mostrou-se rápido no gatilho ao mandar delinquentes para a cadeia.

Zé Trovão, o caminhoneiro foragido, decidiu entregar-se à Polícia Federal. Na estrela de xerife de Moraes brilha o destempero com que Jair Bolsonaro investiu contra ele, chamando-o de "canalha".


Moraes sabe como funcionam as milícias e quem as financia e como rola o dinheiro. Salomão, por seu turno, já firmou a jurisprudência que congela os recursos que as alimentam.


As conexões internacionais dessas milícias, um fato que há três anos estavam no campo da ficção cibernética, hoje estão mapeadas. Se há um ano elas tinham o beneplácito do governo americano, hoje têm o FBI no seu encalço.


Com Moraes na presidência do TSE é possível prever que, entre o início dos disparos propagadores de mentiras e a chegada dos responsáveis à carceragem, passarão apenas dias ou, no máximo, poucas semanas.


Basta ler o voto de Salomão e acompanhar as decisões de Moraes para se perceber que os reis das patranhas de 2018 são hoje sócios de colônias de nudismo.