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  • Herculano

JÚNIOR HOSTINS FOI CONVIDADO E DECLINOU À EDUCAÇÃO

Ontem fui lembrado e cobrado de que o vereador reeleito, Francisco Hostins Júnior, MDB (1.070 votos), lá em dezembro do ano passado, foi convidado pelo prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, e declinou à titularidade da secretaria de Educação.


O advogado Júnior Hostins já foi secretário de Saúde no tempo de Pedro Celso Zuchi, PT, e possui afinidade familiar na área da docência e gestão educacional: seu pai, o ex-prefeito Francisco Hostins (1989/92), PDC vindo do PP e para onde retornou, foi professor, diretor de colégio e secretário municipal de Educação; a sua irmã Sandra, professora.


Sinceramente? Este discurso e esta conta política-administrativa não fecham. E por quê? Há acordos e ele se dão no âmbito do fatiamento da gorda coligação que o MDB montou para vencer em Gaspar com o PSD, PP, PDT e PSDB. Simples assim.


Para Júnior Hostins ser secretário de Educação e ao mesmo tempo a coligação, leia-se, MDB, cumprir o acordo com o PSD, o qual, em tese teria direito a pelo menos a uma secretaria de ponta como resultado da composição para se trazer Marcelo ao bolo e assim evitar de que ele fosse um concorrente de Kleber, era preciso o MDB abrir mão de uma secretaria coroada - importância institucional e orçamento - ou do Samae.


Mas qual secretaria de ponta? Fazenda e Gestão Administrativa, nem pensar. Saúde e Procuradoria Geral do município, igualmente.


Só se fosse a secretaria de Planejamento Territorial e com isso, perder o poder, o controle de fiscalização e monitoramento sobre a secretaria de Obras e Serviços Urbanos. É que neste segundo mandato, e por conta desse fatiamento do governo Kleber, ela foi parar no colo do PP.


E por que ela foi dada ao PP? Foi o preço que o PP cobrou para deixar a vaga de vice-prefeito a Marcelo. E o PP marcou terreno lá em setembro de 2020 pela secretaria Obras nominado-a para Luiz Carlos Spengler Filho, o ex-vice de Kleber.


E e a outra parte do acordo que o PP fez? É que teria tantas secretarias quanto fosse o número de vereadores eleitos. Elegeu três.


Por isso, o PP possui as secretarias de Agricultura e Aquicultura (André Pasqual Waltrick, suplente), Assistência Social (Salésio Antônio da Conceição, suplente) e a de Desenvolvimento Econômico, Renda e Turismo (Pablo Ricardo Fachini, suplente). Entenderam?


Esse convite e o agradecimento a Júnior Hostins não fecham nesse xadrez da Coligação vencedora. Antes porém, um parêntesis. Não se discute a qualidade e a capacidade de Hostins e que mesmo assim, no meu entender, precisaria ser testada nesta nova missão técnico-politica.


O que se conta por aí aos desinformados é cortina de fumaça do que verdadeiramente se tramou e ainda se briga nos bastidores da costura dessa gorda coligação. Nela faltará lugar para tanta gente sedenta de espaços no serviço público, sustentado pelos pesados impostos dos gasparenses. Isto se os acordos pré-campanha fossem ou forem cumpridos. Simples assim, também.


No caso da Educação, a secretaria vai ficar com o PSD, mas o de Blumenau e do deputado Ismael dos Santos, como anunciou ontem por lá o próprio futuro titular - Emerson Antunes - e até esta postagem, não desmentido.


O diretor e professor em vias de aposentadoria, Antônio Mercês, PSD, depois de ter passado pelo PDT e PSDB, estava tão seguro desta indicação, que ele foi para o Nordeste em férias em pleno fervo da campanha e de lá postou como se faz na "dolce vita". Agora, Marcelo está se explicando, explicando, explicando ao Mercês. Aliás, Marcelo é o único que está garantido no cargo até 2024.


Voltando e para encerrar.


Em um programa político que o vereador Francisco Hostins Júnior mantém na Rádio Sentinela, no ano passado, ele convidou Kleber e mulher (que concorda com tudo com se vê no vídeo do referido programa). A conversa gravada sobre este tema circula nas redes sociais. Ela revela apenas um momento de melação entre Júnior e Kleber.


É "rasgação de sedas" a julgar pelo que disse o prefeito naquele programa. Lá, ele "reconheceu" a importância da secretaria para o seu governo e à cidade - "a maior, a de orçamento, que tem a maior equipe de funcionários", exemplificou.


Ora, se é tão importante assim, e de fato é, e sempre defendi que teria que ser assim, por quê loteá-la politica e partidariamente? E se o loteamento é uma pré-condição para vencer ou se tornar estável na governabilidade, por quê não se colocar nela um técnico capaz de resultados e atualidade para a cidade e o alunato?


Se a secretaria de Educação possui tanta importância assim para Kleber, qual foi mesmo a razão - sob ataques e advertências - ele ter permitido o emburrecimento das nossas crianças e jovens no seu governo como atestou o Ideb de 2019? A secretaria era do seu MDB e serviu para a titular, Zilma Mônica Sansão Benevenutti, apesar do desastre no resultado com as crianças, ser candidata e se eleger vereadora com 644 votos.


Nota de rodapé. Alterada as 8.18 porque não havia coligação para vereador como induzi ao erro os leitores e leitoras em post anterior.


Kleber e o MDB buscavam e buscam colocar Norberto dos Santos, o Betinho da Lagoa, o mestre de obras que fez 634 votos e ficou na primeira suplência do partido.


Os agradecimentos mútuos naquele programa entre Júnior e Kleber foram apenas aparências. E eles sabem disso. Acorda, Gaspar! (21.01.21)