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  • Herculano

FEDOR DO LIXO. SAAYS CRIADA PELO PT VOLTA A COLETAR EM GASPAR. NÃO ERA BEM O QUE OS WAN DALL QUERIAM

As manchetes dos veículos de comunicação daqui asseguram que se trata de uma "nova empresa". É velha conhecida. As manchetes não explicam que ela ganhou e teve que esperar decisão judicial. Também omitem que esta não era bem o que o governo de plantão tinha como sua favorita.

Atualizada às 14hs15min de 19.07. Meus leitores e leitoras sabiam desde o dia 19 de março que depois das disputas judiciais, a Saays Soluções Ambientais, de Gaspar, a que apresentou a menor proposta no pregão presencial 23/2021 com R$3.741.282,24 para coletar o lixo dito "molhado" em Gaspar iria pegar o serviço. E pegou. Já começou.


O direito é para explorar o serviço por um ano. Se tudo correr bem, a renovação se dará praticamente de forma automática. É assim que funciona neste ambiente.


Difícil está sendo desde o pregão, explicar à razão pela qual se fundamentou o edital onde a prefeitura de Gaspar, Samae, seus "çabios" e agência reguladora, diziam que poderia se gastar até R$6,1 milhões com este serviço. A Saays e os concorrentes dele provaram que poderia ser fazer por bem menos. Gente ruim de cálculo.


Mas, continuando...


A Racli Limpeza Urbana, de Criciúma, e que atua em Blumenau, provisoriamente fazia o serviço por aqui antes do pregão e continuou até ontem, domingo, no contrato emergencial diante do impasse judicial. Neste pregão vencido pela Saays, a Racli fez a segunda melhor proposta com R$4.138.500,00. Então... perdeu.


A Racli era a queridinha do poder de plantão e do próprio Samae de Gaspar, comandado pelo superintendente vindo de Blumenau, Cleverton João Batista. Ele já trabalhou no Samae de lá.


A Racli estava esperançosa com a ação movida pela Proactiva Meio Ambiente Brasil, de Biguaçu. A Proactiva contestava à idoneidade e os supostos defeitos técnicos da Saays na disputa pelo naco do lixo "molhado" dos gasparenses. Coisa própria do fedor desse tipo de negócio. Não deu certo. Nem para a Proactiva, nem para a Racli. Sobrou ao final a Saays, a vencedora do pregão com o menor preço.


A Saays é gasparense. Na verdade, nasceu Arnaldo Muller ME, lá em 1997 para fazer coleta de lixo reciclável ao tempo do prefeito Bernardo Leonardo Spengler, o Nadinho, MDB, quando isso por aqui ainda era uma coisa amadora. Era um favor coletar. Hoje é um negócio rentável e disputado. A Arnaldo Muller também se meteu na manutenção do cemitério municipal.


A Say Muller - nascida do seio da Arnaldo Muller ME - foi criada em 2006 para fazer limpeza urbana. E venceu o edital de 2007, ao tempo do prefeito Adilson Luiz Schmitt, MDB. Literalmente, da noite para o dia ela foi transformada em setembro de 2009 como a coletora de lixo emergencial do governo petista de Pedro Celso Zuchi e do presidente do Samae de Zuchi, Lovídio Carlos Bertoldi. Um escândalo. Não havia transbordo licenciado, os veículos alugados em Curitiba...


Zuchi tinha ranço do ex-prefeito Adilson para quem perdeu em 2004 e o derrotou, por sua vez, em 2008. Ao suceder Adilson e iniciar o segundo dos seus três mandatos, Zuchi e o PT não perderam tempo: botou logo sob seu controle o fedor do lixo, incluindo neste caso, a Recicle de Brusque, adquirida recentemente pela multinacional francesa, Veolia.


Como não se tinha naquela época - e agora não é diferente - aterro sanitário licenciado disponível na região e depois de usar emergencialmente o de Timbó, Zuchi teve que se acertar com a Recicle e para onde ainda hoje vai o lixo daqui.


Estabeleceu-se dois contratos separados: um para coletar - e este está com a Saays agora - e outro para depositar o lixo "molhado", que está com a Veolia, a qual se comprometeu a honrar o que está contratado com a antiga Recicle. Já quando findar...


Com a mão petista, criou-se a Say Muller coletora de lixo "molhado" e ela cresceu. Arnaldo, em dado momento, ficou alijado da sociedade familiar. Em história cheia de controvérsias, o PT de Zuchi, o criador, colocou a criatura, Say Muller, no ostracismo. Sem alternativas, a Say deu uma guinada e se tornou coletora de lixo "molhado" em vários municípios.


Ao mesmo tempo, também colecionava problemas normais de nova competidora e até mesmo operacionais, os quais chegaram dar até cadeia para seus sócios.


Agora a Say Muller é Saays é Soluções Ambientais. Saays é o acrônimo familiar dos Muller e Scottini: Schirle - ex-funcionária pública municipal até 2020 -, Arnaldo Júnior, Adriana e Yasmim. Arnaldo pai, o que começou tudo em Gaspar, está longe desse negócio e da família. Está em Navegantes, trabalhando na área imobiliária.


Esta parada do lixo, a família e o governo de Kleber perderam para a Saays.


O fedor do lixo impregna muitos interesses políticos, competitivos e familiares por Santa Catarina.


A Saays virou o jogo e é uma atualmente player regional neste assunto por aqui. A vulnerabilidade está, todavia, na falta de aterros sanitários. Escassos e diante das exigências ambientais cada vez mais severas e exigentes de tecnologias, eles ditarão parte do sucesso do negócio e dos preços deles aos prestadores de serviços, mas principalmente aos cidadãos, os que no fundo são os pagadores desta pesada conta. Acorda, Gaspar!