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  • Herculano

EMPRESA CORTA 156 HORÁRIOS DE ÔNIBUS. LÍDER DO GOVERNO NA CÂMARA AGE COMO SE FOSSE O GERENTE DELA


Da esquerda para a direita: ônibus da Safira e os vereadores Alexsandro e Melato


Gaspar é surpreendente. Há dez dias, a empresa Safira, de Blumenau, prima irmã da gasparense Verde Vale, mandou bananas para os gasparenses nas barbas do prefeito eleito Kleber Edson Wan Dall, MDB e do prefeito de fato, presidente do MDB, o secretário de Fazenda e Gestão Administrativa, Carlos Roberto Pereira, onde este assunto é gerenciado no governo municipal.

Ela simplesmente cortou nove linhas de ônibus ou mais de 150 horários que servem aos trabalhadores, professores, estudantes, desempregados e principalmente aos pobres da nossa cidade, a esmagadora maioria eleitora de Kleber, Marcelo de Souza Brick, MDB, PSD, PP, PDT e PSDB.


Quem lê este espaço, há muito tempo estava advertido para este desfecho. Não há milagres.


A pandemia só retardou e o escondeu, naquilo que Kleber errou desde o início do seu governo há quatro anos, um problema, diga-se antes de mais nada, herdado de Pedro Celso Zuchi, PT, o que vejam só, criou transporte coletivo em Gaspar. A Viação do Vale veio e se foi com ele. E a emergencial Caturani, de Blumenau, que contratou, correu tão logo a pandemia chegou na era Kleber.


Mas, este não é o foco do meu comentário, pois estaria repetindo muitos outros que já escrevi sobre este assunto e relembro em pinceladas para os esquecidos de sempre, abaixo. Meu foco é o comportamento do governo e dos políticos gasparenses diante de grave emergência, criada por eles próprios.


O assunto virou a cidade de cabeça para baixo, a tal ponto que obrigou a prefeitura agir - como pouco se viu até aqui -, ainda mais com alguém parceira, a Safira. Pode até ter sido esta reação de fachada, fingindo-se de vítima de um processo que ela própria criou contra si, a cidade e os cidadãos.


E dou um indicativo disso.


Na sessão da terça-feira passada da Câmara esse assunto que convulsionou as redes sociais e se estampou em manchetes nos veículos de comunicação iria passar batido. Impressionante. A Bancada do Amém feita por 11 vereadores do MDB, PSD, PP, PDT e PSDB, quietinha. Parecia que o grave problema social e de mobilidade era de outro município e não de eleitores desses vereadores.


Até que Alexsandro Burnier, PL, que não é bem oposição, tocou no tema, mas quase que num lamento e pedido de socorro. Parecia pedir um favor. Impressionanete. Só então aí que o líder do governo, o experimentado e o mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP, entrou em cena: "sobre este assunto, prometo trazer mais informações na próxima sessão [a de hoje]".


Como assim? Já devia tê-las na ponta da língua, ou ele não representa Kleber e seus "çabios" na Câmara perante dos demais? Ou Melato e o governo, não estão interessados numa solução para o povo mais carente , majoritariamente seus eleitores? Em que cidade Melato vive? Essa interpelação da prefeitura à Safira é coisa para inglês ver? É isso? Onde está o Ministério Público nesta parada?


Como isso já não fosse um deboche sem precedentes no acobertamento naquilo que ele sabe que o governo Kleber tem culpa, e não é de hoje, pois teve mais de quatro anos para resolver e só fez barbeiragens nesta área, Melato ainda teve a coragem de pular no pescoço do vereador Alexsandro, o único a pedir uma solução.


Foi uma senha de constrangimento e censura. Quis colocá-lo nas cordas para que ele não toque mais neste assunto.


"O senhor, vereador, que citou dois casos, poderia me mostrar o levantamento de quantos passageiros existem para essas linhas?", arguiu Melato a Alexsandro.


Como assim? Quando a Safira aceitou fazer o serviço em Gaspar, sabia o tamanho da encrenca que estava pegando.


Quando a Safira aceitou fazer o serviço em Gaspar, disse que conhecia do riscado e dos riscos. Então do que está reclamando?


Quando a Safira aceitou fazer o serviço em Gaspar, sabia que a sua prima-irmã Verde Vale já tinha tomado para si algumas das linhas mais tentáveis, fingindo que eram linhas intermunicipais. Então o problema está em família e quer passar a conta para os cidadãos?


Quando a Safira aceitou fazer o serviço em Gaspar, assinou um contrato e ela sabe que todos os contratos podem ser modificados e quebrados, mas há ritos e formas legais para isso. Por quê fez isso da noite para o dia? Faltou transparência à sociedade naquilo que negociava e não deu certo? É isso? Ou negociou criar um caos para mais uma vez ter vantagem nele?


O que não se sabia até então, é que o vereador Melato, eleito para representar e defender os cidadãos e cidadãs, se tornaria gerente e procurador dos interesses da empresa no plenário da própria Câmara, em nome do governo que representava naquele discurso, para evitar cobrar as obrigações da Safira e que está aqui num contrato emergencial.


Nem disfarce houve, até porque e para usar a expressão corriqueira do vereador e errada, neste caso, verdadeiramente, esta decisão da Safira "vem de encontro" ao que a sociedade quer e precisa, bem como os políticos em campanha, na busca de votos, prometeram ser os porta-vozes dos cidadãos. Acorda, Gaspar!