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  • Herculano

EMPRESÁRIOS DO BELCHIOR DESNUDAM FANTASIA DE KLEBER

A notícia é esta e o Cruzeiro do Vale publicou na quarta-feira no seu site: "cerca de 15 empresários dos bairros Belchior Baixo, Belchior Alto e Belchior Central [ todos no Distrito do Belchior e que possui um Superintendente comissionado na estrutura administrativa da prefeitura para cuidar daquela região] se reuniram com o prefeito Kleber Wan-Dall [MDB] para cobrar uma solução em relação às linhas de transporte coletivo que atendem a região. O encontro foi intermediado pela Associação Empresarial de Gaspar (Acig)".




Antes de prosseguir uma pergunta básica para os de pouca memória: há quanto tempo trato deste assunto aqui - e praticamente sozinho -, apontando à precariedade do transporte coletivo urbano de Gaspar contra os gasparenses trabalhadores, desempregados e estudantes?


E não se trata apenas do isolamento do Distrito do Belchior que está se desenvolvendo e as vezes parece mais ligado a Blumenau. Áreas consolidadas em outras regiões de Gaspar estão com o mesmo problema na integração entre bairros e o Centro. O Gaspar Alto é um deles, por exemplo.


Por ser uma voz solitária contra lobos vestidos em pele de cordeiro, também sou frequentemente desmoralizado, constrangido e desacreditado pelos políticos e até mesmo, pelos poderosos empresários do ramo de transportes e suas ideias "vencedoras" dos anos de 1980. Elas estão falidas e já o colocaram para correr em outros municípios.


UM SERVIÇO QUE PRECISA SE REINVENTAR


Esta minha sina crítica ao modelo já ultrapassa cinco anos. Vem desde quando a Viação do Vale pegou o boné e foi embora daqui.


Antes, ela não fazia direito o serviço naquilo que ganhou e se obrigou na permissão, mas fazia. O assunto foi dar na Justiça e ela perdeu. E quando viu os 430 mil passageiros mês despencarem e não chegar aos 600 mil que projetou quando ganhou a concorrência, pediu o equilíbrio econômico e levou uma banana como resposta do poder público, o concessionário.


A Viação do Vale foi a primeira por aqui.


Em 2002 o ex-prefeito Pedro Celso Zuchi, PT, implantou o transporte coletivo em Gaspar. Finalmente, ele nos retirou da condição de um mero bairro de Blumenau, como nos transformou os interesses da Viação Verde Vale na concessão intermunicipal - via o Deter - e que a detém até hoje. Já escrevi várias vezes sobre isso, também. Não vou ser repetitivo.


Desde que a Viação do Vale foi embora e antes do seu terminar o contrato com Gaspar, ainda no terceiro mandato de Zuchi - o que a trouxe e fechou os olhas para o descumprimento das exigências contratuais -, Kleber e seus "çábios" não conseguiram resolver o impasse para os gasparenses, principalmente os de baixa renda e dependentes deste tipo de serviço público. Eles só enrolam e já expliquei isso várias vezes aqui, também.


Duas empresas se estabeleceram em contratos emergenciais: a Caturini - sem experiência, com a tarifa mais cara do Vale e que reclamava da suposta concorrência desleal da Verde Vale, e agora a Safira, que pegou em meio a pandemia e sob essa desculpa, desfigurou o sistema e horários, sob a benção de Kleber.



Da esquerda para a direita: ônibus da Caturani; terminal urbano da Coloninha que depois da vinda em contrato emergencial da Safira, deixou de fazer a integração de passageiros entre bairros; e ônibus da Viação do Vale, a pioneira no transporte coletivo em Gaspar


Este modal precisa ser reinventado. Há uma queda brutal de passageiros e isso compromete a sua sobrevivência econômica.


Se não é possível subsidiá-lo com dinheiro público escasso e usado para o empreguismo, porque é obrigação do poder público oferecê-lo à população, é preciso criar condições mínimas de existência e lucratividade a quem é detentor de legal da concessão.


Isto sem prejudicar os passageiros na precariedade de rotas e horários, ou esfolá-lo nas altas tarifa, aliado à necessidade em ser um vetor de expansão de empregos na cidade.


Concorrem com o transporte coletivo formal, as motos, os aplicativos, o transporte informal, o trânsito caótico, o sindicato, o desconforto, a indisponibilidade às necessidades do passageiro, o preço alto e à falta de respeito aos horários. É uma equação complicada.


Coincidentemente, um dia antes da reunião dos empresários do Belchior com Kleber, sob o título "O precário transporte coletivo vai continuar ao menos até julho", requentei o tema outra vez neste blog. Tititi no paço. Tititi na empresa. Soluções? Zero. Culpados? Todos que colocam o dedo nesta ferida social e de mobilidade em favor da cidade.


ATO I


Foi importante estar presente nesta reunião com o prefeito, o vice, secretário que manda e desmanada, seus assessores, a Associação Empresarial de Gaspar - a ACIG. E por quê?


Ela já teve papel relevante por aqui na organização (e até implementação) de ideias de desenvolvimento; foi uma entidade com representatividade e respeitabilidade empresarial no estado.


Basta lembrar alguns de seus ex-presidentes como Vilmar de Oliveira Schürmann, Francisco Mastella e Samir Buhatem (ponte do Vale e IFSC, por exemplo), com os quais co-habitei nas suas diretorias, inclusive na Facisc onde Mastella foi seu presidente com voz ativa, a tal ponto de se tornar deputado estadual pelo nanico PDC.


É preciso recuperar essa importância e não apenas ser uma entidade envolvida em si própria, ou emprestando apoios incondicionais ao poder de plantão, como as vezes transparece aos seus associados - que pagam por essa condição - e à cidade.


A papagaiada marqueteira dos políticos gasparenses no poder de plantão sobre desenvolvimento sustentável - apenas alegando-se para a suposta criação de novas empresas, não é serio. Sabe-se que se trata, na maioria dos casos, ser um processo pejotização de desempregados.


E supondo que seja verdadeira essa premissa, a Gaspar dos políticos e de Kleber não está preparada nem para atender as demandas do presente - um dos motivos da reunião do pessoal do Belchuior - muito menos para o futuro.


Ao governo, verdadeiramente, falta-lhe um plano de desenvolvimento e à Acig uma liderança aglutinadora para levar Gaspar a outro patamar de desenvolvimento organizado, sustentável e de resultados aos cidadãos investidores, gestores e trabalhadores.


E ele deve começar pelo Plano Diretor, que virou uma colcha de retalhos de interesses difusos e particulares; não da cidade. E é neste plano que se estabelece a mobilidade urbana.


Se há essa liderança empresarial organizada, ela está sufocada, sem voz, ou com medo dos poderosos no governo de plantão. Trabalhar junto, não significa validar bobagens de políticos. Já os políticos trabalharem "juntos", por outro lado não significa ficar reféns de entidade representativa de empresários, como temem.


A visão de futuro ensaiada no DELL pela Acig, ou na marca que se quer dar à cidade como a "Capital da Moda Infantil", não pode ser apenas um enunciado de intenções, ou um selo numa sacada marqueteira de reconhecimento de imagem.


A Acig precisa necessariamente ser ouvida, relacionar-se de forma técnica, política e altiva independente, influenciar institucionalmente em Gaspar em favor do presente e do futuro. Ela precisa ajudar a transformar necessidades e ideias em novas realidades.


E por que?


Os empresários do Distrito do Belchior no encontro com o prefeito Kleber mostraram isso com uma clareza singular. Ou seja, está faltando o mínimo dessa sustentabilidade para criar, manter, desenvolver e atrair empreendimentos por aqui: a mobilidade urbana integrada, efetiva e consistente para os mais desafortunados, mas trabaalhadores.


E não falta só transporte coletivo. Há outras carência básicas. E elas nem não foram temas da reunião do empresariado com Kleber, mas poderiam ter sido, pois fazem parte do que se convenciona chamar de desenvolvimento econômico.


Falta, por exemplo uma assistência social de base e técnica que funcione; falta uma política de Saúde Pública de base e transparente; ela claramente falha nos postinhos, policlínica e principalmente no Pronto Atendimento do Hospital sob intervenção municipal.


Mesmo assim, falha, a Saúde "come" uma dinheirama sem fim da prefeitura e não há mecanismos abertos de auditoria.


Faltam creches, qualidade na educação, contra-turno, turno integral para os filhos dos trabalhadores e desempregados, mas e sobra indicação de curiosos e políticos para a área, como é o caso que se conheceu, incrivelmente, esta semana.


Tudo isso conspira em atrair empreendimentos, mas principalmente mão-de-obra com ou sem qualificação. É um entrave à expansão e diversificação empreendedora de Gaspar, nem nem sequer tem uma vocação estabelecida no governo, ou na tal secretaria de Desenvolvimento Econômico, Renda e Turismo dada a um suplente de vereador do PP, Pablo Ricardo Fachini, no critério da quantidade de votos que ele conseguiu em 15 de novembro.


Será esta somatória de atenções e soluções que dará segurança e tornará Gaspar um polo atrativo. Isto, sem falar, na infraestrutura como água tratada para suportar o crescimento residencial, comercial, serviços e industrial, coleta e tratamento de esgotos para nos livrar da poluição nos mananciais e das doenças, em crianças, principalmente.


ATO II


Antes tarde, do que muito tarde.


Este assunto, perdoem-me, mas os empresários que estiveram no gabinete de Kleber deveriam ter discutido e amarrado esses assuntos antes das eleições.


Agora, eles correm o risco, e muito sério, de serem enrolados mais uma vez, e por mais quatro anos. Foi esse o tempo que Kleber desperdiçou contra a cidade, os cidadãos e os empresários no seu primeiro mandato.


Exagero?


Estava na reunião com Kleber e os empresários, o responsável por isso tudo: o prefeito de fato e presidente do MDB de Gaspar, o secretário da Fazenda e Gestão Administrativa, Carlos Roberto Pereira.


É exatamente na secretaria dele que está a tal diretoria de Transporte Coletivo.


Então pergunte a ele, quantos "diretores" e "diretoras" foram nomeados lá sob a sua responsabilidade nesses quatro anos? O que nomeados entendiam do assunto? O que eles fizeram para reverter o que se queixa, a não ser receberem os seus vencimentos de comissionados na divisão do bolo do empreguismo do poder político que governa Gaspar com Kleber?


E é Carlos Roberto Pereira quem conduziu duas licitações para se ter uma empresa concessionária do serviço público em Gaspar.


Ninguém apareceu. Previsível. E por quê? Havia exageros nas exigências dos editais, os quais mais pareceram terem sido feitos para ninguém vir por aqui e competir. Falta de alertas não foi.


E os avisos foram dados pelo mercado e os próprios concorrentes que queriam se arriscar na concorrência; eu os reproduzi nas minhas colunas. Em vão. Os resultados estão aí. Gaspar queira uma dinheirama no caixa dela e as empresas com prejuízos nas exigências que fazia


Gaspar está ameaçado no seu crescimento exatamente pela inexistência, falha ou precária mobilidade da mão-de-obra, dos estudantes filhos dessa mão-de-obra, ambos dependentes de transporte coletivo urbano defeituoso, além da falta de qualidade dele. Meu Deus!


Até o único terminal urbano daqui e que fica na Coloninha, estava desativado para a finalidade na qual ele foi concebido: comutação de linhas, passageiros e itinerários. Tudo sob a alegação de pandemia e emergência, obrigando assim, os usuários do sistema - em sua maioria pobres - a desembolsarem duas passagens para um trecho em que sempre pagaram uma só passagem. Vergonha!


Sob as mesmas marotas alegações - nunca discutidas publicamente - foram diminuídas, ou eliminadas algumas rotas e horários. Impressionante!


O que está errado em tese? É o modelo proposto e defendido pela prefeitura e submetido ao Tribunal de Contas e do Ministério Público.


Os empresários do ramo de transporte coletivo - mesmo em situação de emergência e precária - agradecem os burocratas, os tontos e os espertos. E por que? Nada avança. Não há concorrência. Há um vácuo. Há uma emergência. E nele tudo pode, ou é defensável, ou é justificável. Vicioso!


E o Zé Pequeno paga a conta inventada pelo político ou empresário bem armado na defesa dos seus interesses e lucros (necessários, reconheço e os defendo).


O modelo desenhado e proposto para o transporte coletivo urbano em Gaspar, além de não respeitar as peculiaridades do município, ele é do século 20. Estamos em 2021 do século 21 numa concessão que vai avançar de dez a 20 anos.


Haverão brutais mudanças nesse negócio, na cidade, no comportamento das pessoas, na mobilidade e nenhum empresário do ramo de transportes coletivo quer estar amarrado ao velho, caro e que ele sabe muito bem não funciona como modelo de negócio.


Haverão aplicativos, menos mão-de-obra, como cobradores, uma tendência de uberização do sistema - ou seja, paga-se o que usa e por horário, local e extensão.


Haverá mais tecnologia embarcada e disponível para dar informação ao passageiro da localização do veículo em rota, previsibilidade e programação.


Massivas frotas próprias? Esqueça-as. Os veículos cada vez mais serão arrendados, escolhidos para realidades cada municípios, rotas e horários. O capital dos veículos próprios serão investidos mais na atualização, controle, automação e informatização do serviço. Isto sem falar que a propulsão dos motores que mudará do fóssil para a energia limpa.


Essa gente que toca isso, a começar pelo próprio secretário e passando pelo prefeito, não está atualizada, não possui a mínima vocação para o pioneirismo, muito menos para olhar o futuro, apesar de serem relativamente jovens.


São políticos. E do século 20 nos resultados para a sociedade. Dificilmente seriam empregados numa empresa , muito menos numa competitiva, que precisa se reinventar a cada dia para sobreviver.


Estão cegos, surdos e longe de analisar e propor soluções à cidade, pessoas e participar do desenvolvimento que se estabelece olhando o futuro.





ATO III


O encontro foi liderado pela empresária Franciele de Andrade Krueger, da Plasnox. Nele faltou, e essa falta mostra bem à distância dos políticos e da representação política do Distrito do Belchior para os velhos problemas de lá, a outra Franciele, a Daiane Back, PSB, a campeã de votos (1.568).


Ela está eleita. Ela vai pedir votos daqui a quatro anos. Então para que se incomodar, agora!


Contudo, estava na reunião "ouvindo" as queixas dos empresários, o vice eleito de Kleber, Marcelo de Souza Brick, PSD. Ele mora no Belchior e por isso mesmo, deveria conhecer o problema e possuir a solução. Não possui! Ocupou espaço na mesa e saiu na foto. Um dia vai usá-la.


E para encerrar. Falha a Acig e está diminuída. Afinal, são os empreendedores e investidores de Gaspar que geram, verdadeiramente, os empregos nesta cidade, mas principalmente os pesados impostos, os quais sustentam esse mundo de políticos que, como se vê, está trabalhando contra eles. E não é de hoje.


Há semanas, em plena recuperação de vendas e promoção no comércio de Gaspar, sem avisar ou negociar com a CDL, a prefeitura de Gaspar resolveu fechar a Aristiliano Ramos, para recuperar uma obra mal feita por ela, o Mirante. E assim, vai... Veio a bordoada, mas vieram com mais força, os bombeiros para não chamuscar os que trabalhavam contra os empresários do comércio.


Quer mais?


A Rua Vidal Flávio Dias se tornou um corredor de um distrito industrial e logístico muito importante para Gaspar (e o Médio Vale). Ele se instalou por lá no Belchior Baixo por iniciativa única de empreendedores na proximidade e ligação com a BR 470. Só um condomínio tem 93 lotes.


E isso aconteceu sob a promessa explícita do prefeito Kleber da Vidal Flávio Dias ser asfaltada, e com ajuda financeira dos próprios empresários. Faz quatro anos


A parte dos investidores está de pé e depreciando pela inflação e à alta dos materiais. Já a parte da prefeitura continua na promessa, após sucessivos protestos dos empresários e principalmente da comunidade, como mostram as fotos. Incrível!


A parte no "distrito industrial e logístico" da Flavio Dias continua de barro, com lama, alagada, poeira, contra a vida dos que moram lá, contra os negócios e acesso dos fornecedores, trabalhadores e clientes dos empresários e investidores que acreditaram - de viva voz - em Kleber. Acorda, Gaspar!