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  • Herculano

EM CAUSA PRÓPRIA. A VIOLÊNCIA COMEÇA QUANDO FALTA SAÚDE, ASSISTÊNCIA SOCIAL, EDUCAÇÃO...





Quando eu ouço vereador ir à tribuna da Câmara defender que prefeitura ao invés de investir nas contenções dos graves problemas sociais da cidade, deve trocar esse tipo de investimento por armas para as polícias, as quais são estruturas estaduais e sustentadas por orçamentos e tributos específicos, fico preocupado.


Um pensamento aposta na construção mínima do cidadão, produtivo e viável para a sociedade. O outro, na contenção de um indivíduo que já perdeu até noção de cidadania e é um custo para a sociedade que o definiu como um pária e irrecuperável, ou um gente paralelo que não teme nem polícia bem armada.


Fico ainda mais preocupado, quando o vereador é um comerciante e se sente fragilizado na segurança do seu negócio. E como político, tenta com a mão dos outros - os impostos de todos -, uma proteção meio que exclusiva pra si e seu negócio, e não exatamente uma solução compartilhada para um grave problema da sua própria comunidade.


Gaspar e Ilhota acabam, cada uma ao seu tempo, de serem autorizadas por suas respectivas Câmaras, de doarem quase R$15 mil, cada uma, para se comprar fuzis e munições à polícia. Nada contra.


Mas, isso vai resolver o problema da crescente marginalidade em nossa comunidade feita dormitório dos vizinhos e uma cidade passagem para migrantes à procura de dias melhores? Não!


Vai se equipar melhor o policial para o combate de um problema instalado? Vai! Entretanto, antes falharam a prefeitura, as políticas públicas e os políticos. E mesmo assim, não é obrigação do município equipar a polícia para que ela se defenda dos criminosos ou nos defenda melhor deles. É constitucional!


Ao invés do vereador defender a prefeitura para ela dar mais equipamentos para as polícias e que não é o papel dela, substituindo o trabalho do seu deputado que vai pedir votos no ano que vem por aqui e não exerce o seu papel dentro da Assembleia Legislativa, deveria o vereador estar cobrando ações efetivas da secretaria de Assistência Social, a que é tocada por curiosos - e não é de hoje -, no loteamento político do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB.


Mas, tecnicamente, está impedido. É da Bancada do Amém. E se não rezar...


Ao vereador caberia pedir ações efetivas para antes da polícia bem armada chegar com armas nas comunidades vulneráveis, tomadas por lideranças do mal e sustentadas pelo tráfico que se aproveitam da ausência da prefeitura, dos políticos caolhos, do medo das pessoas, da desestruturação familiar e principalmente do ócio de crianças e jovens.


Antes da polícia bem armada é preciso chegar aos bolsões de problemas, soluções mínimas para mitigar os graves problemas sociais dos pobres da cidade e especialmente do bairro do vereador, quase todos oriundos ou causados pela ausência de uma política pública de saúde, renda, assistência social e psicológica, da falta de contra-turno escolar, ou da escola em período integral.


Antes do dinheiro dos gasparenses para armas de policiais estaduais, é preciso investir o dinheiro dos pesados impostos dos gasparenses na inclusão social com atos simples e necessários via o esporte de base como agente de inclusão social.


Mas, não! Os próprios vereadores dão sinais trocados. E para as consequências pedem mais armas e polícia para aa contenção. Eles acabam de aprovar Lei para contratar e dar dinheiro para esporte de alto rendimento e para gente de fora. Exatamente na contramão da inclusão e do investimento social em crianças e jovens. Acorda, Gaspar!