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  • Herculano

"CONHECERÁS A MENTIRA E A MENTIRA TE APRISIONARÁ".



Não é um versículo bíblico na boca de falsos profetas os quais iludem gente verdadeiramente crente, de fé e principalmente, uma maioria de ignorantes que é levada ao cadafalso para servir o seu sangue no altar dos sacrifícios do ímpios, sedentos de poder e imposição de suas vontades, revogando a democracia e as leis que a equilibram minimamente uma sociedade organizada.


Esta frase é do ministro presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luiz Roberto Barroso, ao contrapor naquilo que profana o presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, e seus fanáticos, "conhecereis a verdade e a verdade vos libertará", evangelho de João capítulo 8; versículo 33.


Na sessão da Câmara de Gaspar da quarta-feira - devido ao feriado anterior do dia sete - da semana passada, pelo menos dois episódios mostraram esta distância estranha, perigosa e impressionante. O primeiro deles foi do jovem, evangélico neo-pentecostal, Cleverson Ferreira dos Santos, PP.


Ele apenas confirmou que os evangélicos daqui incharam as manifestações - e nada contra -, mas ao mesmo tempo, Cleverson justificou que isso se deu devido por suposta perseguição ou falta de liberdade religiosa no Brasil. Um pecador. Um mentiroso. Um manipulador de massas desinformadas. Um terreno perigoso, onde as histórias mais comuns são a de discriminação entre denominações, seitas - como o candomblé - e religiões por parte dos evangélicos.


Confundiu o púlpito com tribuna. Esperado.


Estranho mesmo, foi ver ir na mesma balaia, o vereador Francisco Hostins Júnior, advogado, católico atuante como poucos na nossa comunidade, representante de classe econômica massacrada pela política econômica - ou, principalmente pela falta dela - do atual governo federal ter engrossado a manifestação. Nada contra também, se não fosse por um detalhe: fez isso para defender a liberdade de expressão.


Primeiro: quem mais persegue à liberdade de expressão - direta e indiretamente - em Gaspar se não o governo do MDB de Kleber Edson Wan Dall e Marcelo de Souza Brick, PSD e do qual ele representa? Eu sou parte e testemunha dessa perseguição. Júnior Hostins precisa entrar na realidade e contar outra história.


Segundo: ele está perdido desde o tempo em que esteve no PT para comandar a área da Saúde, mesmo com bom trabalho, foi fritado aos poucos para não fazer sombra onde era um intruso. Entretanto, se perdeu quando resolveu colocar para debaixo do tapete, já no MDB, a CPI sobre as dúvidas da drenagem da Rua Frei Solano, no Gasparinho.


Exagero? O passo em falso e à incoerência - no caso da Frei Solano - estão retratados na queda brutal de votos que recebeu em novembro do ano passado. E ele sabe disso.


Mas, parece que não aprendeu nada com as lições e continua se desafiando ao enterro, como no penúltimo ato - pois parece que terá mais - que fez neste sentido quando tentou desmoralizar o par da Bancada do Amém, o vereador Amauri Bornhausen, PDT


Junior Hostins liderou o processo de abafa de Kleber e do deputado evangélico neopetencostal Ismael dos Santos, PSD, no caso de discriminação explícita do secretário de Educação, Emerson Antunes contra os que estudam em escolas públicas, tudo para preservar o emprego comissionado do secretário. Deu no que deu. E logo ele, filho de um educador exemplar, ex-secretário de educação.


E para não me alongar neste assunto redundante onde religião, fé, escuridão e liberdade - ou à falta dela - se encaixam -, vou encerrar com a mesma fala do ministro Barroso que ensejou o título deste artigo:


"Uma das estratégias do autoritarismo, dos que anseiam a ditadura, é criar um ambiente de mentiras, no qual as pessoas já não divergem apenas quanto às suas opiniões, mas também quanto aos próprios fatos. Pós-verdade e fatos alternativos são palavras que ingressaram no vocabulário contemporâneo e identificam essa distopia em que muitos países estão vivendo"


E para a marquetagem que é o governo de Gaspar e seus apoiadores, bem como a perseguição que movem a quem tem opinião - seja divergente ou solidária - como este espaço, completo outra vez com o mesmo Barroso:


"É tudo retórica vazia. Hoje em dia, salvo os fanáticos (que são cegos pelo radicalismo) e os mercenários (que são cegos pela monetização da mentira), todas as pessoas de bem sabem que não houve fraude e quem é o farsante nessa história", referindo-se a de que há manipulação nas urnas eletrônicas, discurso que alimenta falsamente aglomerações e o ódio para ser perpetuar no poder.


E isso, não fica circunscrito ao sistema de coleta de votos, mas ao nosso convívio cotidiano. Falsos profetas que usam a tal liberdade religiosa ou a liberdade de expressão para justificar atos políticos que justamente se contrapõem a estes temas, precisariam ao menos serem mais coerentes.


Exagero mais uma vez? Ontem Supremo, Congresso Nacional e Procuradoria Geral - numa unanimidade rara, diga-se - acabaram com a Medida Provisória que validava a mentira nas redes sociais como "liberdade de expressão". Na imprensa, a que se quer calar, ela continuaria como um crime, aliás, como deve ser. Acorda, Gaspar!