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  • Herculano

BOM DIA, GOVERNADOR CARLOS MOISÉS



O senhor vai finalmente começar a governar? Com quem? Vai, entender a importância da função referendada nas urnas, articular pelos catarinenses e sair das cantorias entre amigos do Sul realizadas na Casa d'Agronômica? Não basta trocar de visual. Não é um simples recomeçar, mas entender a importância e os reflexos da representação.


Pois bem! "Sorte" - palavra que abomino sob todos os aspectos e que sempre a substituo por oportunidade transformada em resultados - não lhe falta, a começar pela sua própria eleição. Quase a perdeu, exatamente porque não a transformou em resultados. O cavalo encilhado dos 71,09% dos votos válidos não foi percebido como uma oportunidade ímpar.


A "sorte" voltou a lhe sorrir nos dois impeachments. No primeiro, uma armação clara dos perdedores de 2018, a nova "sorte" lhe foi presenteada com o voto do Sargento Lima, PSL, agora no PL, salvando a sua vice, Daniela Cristina Reinehr, sem partido, mas do PSL bolsonarista raiz. Foi a clara senha da segunda chance.


Foi, na verdade, o livramento dela para ser governadora que fez seus algozes darem um passo atrás no que armaram e ser reunir, constrangidos, mas na habilidade que nunca perderam, para lhe "salvar" no segundo impeachment, esse verdadeiramente, cabeludo. Tanto que os juízes técnicos não quiseram conhecer os termos dos inquéritos que o livraram da culpa primária. "Sorte"!


Mas, os que o livraram do segundo impeachment querem também, por outro lado, serem incluídos naquilo que foram excluídos pelo voto popular: o poder ou estar nas decisões dele. Isto estava claramente embutido nos votos que deram para salvá-lo da forca, lembrando-o que eles continuam com a espada Dâmocles sobre a sua cabeça. A CPI dos respiradores, por exemplo, ainda não se encerrou.


Bom dia, governador! O senhor tem muita "sorte", mas não abuse dela. Ganhou uma eleição onde era um franco azarão. Dois anos não governou, no sentido amplo da palavra e que inclui o diálogo com os atores da sociedade para proteção de suas ideias e atos. Radicalmente cobrado nesse ambiente político de "leis" próprias, livrou-se de dois impeachments, não sendo um político (ainda).


Ou seja, ressurgiu das cinzas para mais duas escolhas na sua sina de "sorte": ser finalmente um protagonista, ou um mero refém de quem o livrou, sem transformar a nova oportunidade em resultados para os catarinenses. "Sorte", Carlos Moisés da Silva. Os catarinenses precisam de um governador com resultados transformadores para a sociedade diante de cenários incertos.