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  • Herculano

BOLSONARO NA LIVE MOSTRA DESESPERO E DIZ QUE ISENTÕES VÃO ELEGER LULA. NÃO É ISSO! VÃO DERROTÁ-LOS


O jogo esperto do presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, começa dar água. Depois de perder os discursos contra a corrupção, privatizações, a pandemia com 510 mil mortes, estar metido cada vez mais com milícias, rachadinhas, centrão, inflação alta, desemprego sem fim, e agora com dúvidas maiores que se desnudam na CPI do Senado, ele admite que quem o elegeu não foi exatamente a direita xucra. Mais: de que ela sozinha, não vai reelegê-lo.


Ou seja, vai precisar do que ele chamou ontem na sua live, dos isentões, da classe média, dos com vergonha na cara, dos que não querem conviver com as leis que passam ou são criadas no Congresso para facilitar a vida dos políticos ladrões, dos orçamentos paralelos e que temem perseguições de instituições fiscalizadoras e de estado.


Esse isentões estão fugindo dele, como o diabo da cruz. E na guerra do nós contra eles, Bolsonaro está advertindo que os isentões vão trazer de volta ao poder a esquerda do atraso e seu símbolo maior, o ex-presidente e sindicalista, Luiz Inácio Lula da Silva, PT, que exatamente por anemia e por gente que Bolsonaro indicou, ou excluiu, como o ex-juiz Sérgio Moro, está virando o santo do dia.


A verdade que está clara e ambos tentam escondê-la é: que tanto Bolsonaro como Lula precisam, desesperadamente, um do outro, para botar medo na população e estar ambos no segundo turno, numa escolha do pior e do "mais pior". E os tais isentões fazem a diferença para ambos e parecem querer outra solução.


Tanto Bolsonaro quanto Lula sabem que se um cacareco estiver com um deles no segundo turno, o que estiver com o cacareco, perde. Simples assim, também.


Uma entrevista nesta semana do ex-governador e senador Jorge Bornhausen, 83 anos, ao canal de Upiara Boschi, na reestreia Cabeça de Político - depois que Upiara saiu da NSC - dá sinais claros disso e de como se movimenta os bastidores da política para derrubar Bolsonaro e não dar chances a Lula. Diz Bornhausen:


– O brasileiro quer ter esperança. Não deseja nem a corrupção do passado que caracteriza um dos lados e nem a irresponsabilidade do governo atual que caracteriza o outro lado. Há necessidade de alguém que represente o Brasil como ele é. Um personagem moderado, que se dirija a todos, não a facções, que tenha bom perfil político-administrativo, que seja ficha-limpa e se dirija às pessoas mais pobres. Uma pessoa que queira construir um Brasil diferente do que vivemos no presente e do que vivemos em um passado recente.


Num trecho descreve Upiara:


Para construir a terceira via - que ele prefere chamar de “nova via” - Bornhausen conversa com figuras como Gilberto Kassab (PSD), ACM Neto (Democratas), Marcos Pereira (Republicanos), Luiz Henrique Mandetta (Democratas), Luciano Huck (sem partido), João Dória (PSDB) e Eduardo Leite (PSDB). Não tem pressa. Acredita que este é o momento em que todos os nomes que ambicionam a presidência têm o direito a tentar se viabilizar, desde que unam esforços adiante. A convergência, acredita ele, virá no final de março, quando fecha a janela para troca de partidos. Bornhausen acredita que a tal nova via vai enfrentar Lula no segundo turno, desalojando Bolsonaro da reta final da disputa pela presidência.


Arrisca Bornhausen:


– A situação do Bolsonaro vai ser cada vez pior. Sua posição diante da pandemia vai ser uma marca muito forte. É difícil uma pessoa neste país que não tenha perdido um parente, um amigo querido, e que não veja que esse movimento negacionista do presidente foi uma das ações que prejudicaram a vacinação.