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  • Herculano

AULAS EM GASPAR "COMEÇAM" COM QUATRO VÍRUS "VACINÁVEIS". PARTE I


"E o ventou levou" o telhado da Mário Pederneiras, na Lagoa, porque as secretaria de Educação e a de Obras não fiscalizaram a reforma da escola; não perceberam que faltavam simples grampos de fixação do telhado. Agora, mais custos e menos aulas presenciais.


Depois de um ano sem aulas presenciais e um fingindo que se fazia isso pela internet, as aulas recomeçam na rede municipal de Gaspar nesta segunda-feira, dia oito.


Nem todos. Só para os que optaram por ir presencialmente a escola, em torno de 72%. E mesmo assim, em uma confusa escala de rodízio.


Há pelo menos quatro vírus perigosos que ameaçam as nossas crianças e adolescentes que dependem dos "çabios" que adornam a secretaria municipal de Educação, todos inoculados por adultos e que não tiveram esse descaso nas suas vidas quando alunos.


O primeiro deles é o que emburreceu alunos da educação básica como mostrou o Ideb 2019 - apesar do maciço investimento e é a maior fatia do orçamento do município - que se fez no setor e nos profissionais como revelou a ex-secretária, a educadora Zilma Mônica Sansão Benevenutti, a hoje uma vereadora.


O segundo vírus é o que transformou uma secretaria técnica e vital para o futuro de crianças e adolescentes, a da Educação, num ambiente de disputa política partidária para ser ocupada por um curioso, o jornalista Emerson Antunes, vindo de Blumenau, na partilha dada ao PSD, não o de Gaspar, mas a de Ismael dos Santos, de Blumenau, em declarada campanha para não mais ser um obscuro deputado estadual, mas tentar engordar a bancada evangélica neopentecostal, na Câmara Federal.


O terceiro vírus é que, diante do isolamento social compulsório e que só se deu no ambiente da Educação, ninguém sabe quais, exatamente foram as perdas e como se procederá a recuperação, bem como o nivelamento mínimo do corpo discente resultante desse hiato "sem aulas, sem avaliações, sem acompanhamentos e feito de muitos improvisos, experiências, desleixos, irresponsabilidades e curiosidades" por gente que se preocupou mais em campanha política, reeleição ou eleição, como foi o caso da ex-secretária.


O quarto vírus leva a marca da gestão do prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB. Ele e sua equipe tiveram um ano para para manter e recuperar escolas, salas de aulas e pátios. Zeladoria impressionantemente nula. Ambientes, literalmente abandonados. vergonhoso.


Até este sábado, quando posto este comentário, circulavam depoimentos e fotos nas redes sociais de pais e vizinhos indignados, mas principalmente nos aplicativos de mensagens, descrevendo mostrando ambientes degradados, mal cuidados e impróprios para a volta das aulas.


Por outro lado, gente fiel ao governo caçavam os denunciantes ou tentavam descobrir quem estaria por detrás dessa tentativa de se indignar com uma realidade que se criou com a permanente incúria pública. Meu Deus!


Exagero?


Nem vou ao estado de calamidade de alguns ambientes. Vou ao "press release" da prefeitura e da secretaria do jornalista Emerson, o já oficialmente nomeado titular da pasta da Educação de Gaspar.


As aulas semi-presenciais começam nesta segunda-feira. Mas, os que optaram pelo remoto, só na segunda feira que vem, dia 15. Sabe a razão? Estão fazendo os ajustes finais para iniciar o ensino a distância. Ou seja, há um ano o improviso se pendurou e descobre-se agora, ficou. Em uma semana vão fazer os ajustes. Incrível!


Olha esta pérola do press release da prefeitura de Gaspar naquilo que é essencial para as trabalhadoras e as desempregadas a procura de empregos. "Para as crianças de 0 a 3 anos o ensino remoto já inicia no dia 8 de Fevereiro e o atendimento presencial no dia 1º de Março". "Aula" pela internet para os de zero a três anos? Ai, ai, ai!


E poderíamos acrescentar um quinto vírus. Os pais, estudantes e principalmente professores que dependem de ônibus urbano para a mobilidade no acesso as escolas estão perdidos na bagunça e improviso em que se meteu este serviço emergencial, sem transparência alguma. Horários e rotas pouco se sabe.


Saiu uma "tabela" de horários e rotas para começar esta segunda-feira. Não se conhece. Pouco divulgada. Não foi testada. E nela estão as provas que não se trata de um serviço urbano, mas mescla com o interurbano nos itinerários que a Verde Vale faz há décadas por aqui. E por causa dessa prática fez correr a Viação do Vale e mais tarde, a outra que se meteu em trabalho emergencial, a Caturani, de Blumenau. Acorda, Gaspar!



Na volta presencial, a retomada das rotas e horários do transporte coletivo urbano emergencial deixa alunos, professores e pais inseguros