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  • Herculano

ACUADO, UM ANO APÓS FINGIR QUE O PL NÃO TINHA CANDIDATO EM GASPAR, JORGINHO MELLO "VISITA" RODRIGO


Da esquerda para a direita: o vereador Alexsandro Burnier, o engenheiro Rodrigo Boeing Althoff e o senador Jorginho Mello, todos do PL, no escritório do engenheiro em Gaspar


Quem veio a Gaspar nesta terça-feira? O senador Jorginho Mello, PL. Onde ele foi? No escritório de engenharia do engenheiro, educador universitário, ex-vereador, ex-secretário de Planejamento de Gaspar, o jovem Rodrigo Boeing Althoff, ainda no PL. O mesmo local que, por falta de recursos e apoio do PL, improvisou-se como escritório de campanha em 2020.


Rodrigo conseguiu a façanha dos 22,21% dos votos válidos para prefeito - entre cinco candidatos - numa corrida de 60 dias contra tudo e todos, incluindo Jorginho, Ivan Naatz...


Antes de chegar no escritório de Rodrigo, o senador Jorginho passou pelos veículos de comunicação de Blumenau.


Lá foi se explicar sobre os R$200 milhões dos impostos catarinenses. É que a mando do presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, ele quer gerir essa montanha de dinheiro via o seu aparelhado DNIT catarinense, e com isso, não priorizar o término dos trechos um e dois da duplicação da BR-470 entre Navegantes e à divisa de Blumenau, no Belchior Baixo, em Gaspar, como vem sugerindo a Assembleia e o governador Carlos Moisés da Silva, sem partido, na aprovação da referida verba estadual para uma obra federal.


Já lhes relatei tudo isso na terça em QUANDO UM SENADOR CANDIDATO AO GOVERNO DO ESTADO PRECISA SE EXPLICAR...


Como está enrolado, o senador veio se desenrolar aqui em Gaspar também. Aliás já morou aqui quando foi gerente do finado Besc. O bombeiro foi o suplente de deputado Federal, Jorge Goetten de Lima, de Rio do Sul, que voltará à titularidade em setembro.


Educado, mas sabedor de que foi escanteado na campanha a prefeito pelo próprio Jorginho e o PL, o engenheiro Rodrigo recebeu o senador com toda a pompa e até apresentou um papelinho com reivindicações dele para Gaspar.


Deveria ter apresentado a carta de demissão do partido ou os pontos compromissos de respeito mútuo para seguirem juntos.


"Olha não vejo isso assim. Eu estou atrás de soluções para Gaspar, independente de partido, de eu ser candidato ou do político que me aproximo. Para mim, vale mais a comunidade onde estou e posso ajudar", justificou Rodrigo quando lhe questionei sobre os assuntos tratados, bem como, sobre a tardia visita e inusitada do senador.


Polido, mas esta polidez já custou um aprendizado ao Rodrigo e que precisa ser colocado em prática. Porque em política, só vale a parte prática e o resultado decorrente dela. Resultado, até que Rodrigo fez.


A verdade é a seguinte e meus leitores e leitoras já sabiam disso desde o tempo da campanha: o senador Jorginho - cacique do PL catarinense - não tinha Rodrigo como aposta a prefeito. Simples assim! Não porque Rodrigo não tivesse valor, capacidade e lealdade. É que no bonde do senador Jorginho, havia outras prioridades e interesses políticos e apostar em Rodrigo significaria romper com essas outras prioridades e interesses.


E o seu interlocutor partidário, o deputado Ivan Naatz, apostou firme naqueles que já tinham à máquina na mão, que tinham o maior e mais forte arco de alianças, o MDB, PSD, PP, PDT e PSDB. E o PL catarinense não quis enfrentar o que já estava marcado. Também simples, assim. Preferiu o velho.


Naatz, por exemplo, "esquecia" de avisar o candidato Rodrigo quando o deputado "visitava' o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, para anunciar suas emendas parlamentares. Agora, Naatz choraminga e teme que o engenheiro Rodrigo seja um adversário no seu próprio território. E se for, não será no PL, certamente.


O que o senador Jorginho e líder do PL catarinense veio fazer em Gaspar ontem? Corrigir um erro do passado?


Não! Veio apenas cumprir um ritual próprio de todos os políticos às vésperas de eleições, como a do ano que vem. Jorginho quer ser candidato a governador, pois como senador não tem nada a perder [o mandato dele vai até 2026].


Perdido está, por enquanto, devido às companhias que arrumou nos últimos meses. Elas lhe estão dando visibilidade nacional, mas ao mesmo tempo o enfraquecem cada vez mais por aqui.


O senador Jorginho veio apenas fazer uma tranca e amarrar Rodrigo nos interesses do candidato Jorginho Mello a governador, talvez melhorar a comunicação com Naatz de quem Rodrigo já foi um amigo muito próximo. Aliás, estranhamente Naatz nem estava neste encontro. Sintomático. Como se vê, há muitas pontas desamarradas nesta rede que se arma.


Mas, tomara que aconteçam duas coisas: que Rodrigo não caia na trama dessa rede e se cair, ao menos não assine o recibo de trouxa, porque o desenho de 2024 já está tramado em Gaspar e Rodrigo não está nele. Ao menos nos nós que se amarram para tudo continuar como está.


Ora, se até o vice Marcelo de Souza Brick, PSD, que arrumaram para não ter adversário no ano passado já está rifado pelos que se acham donos do poder de plantão e foram adversários de Rodrigo - com a pose de Pilatos de Jorginho -, qual é mesmo o lugar que será possível a Rodrigo num cenário de disputa, se ele não criar a sua própria musculatura desde já e com um grupo político confiável?


Oportunidade há. E é a própria ganância, arrogância e prepotência dos que estão no poder que a estão criando como alternativa para o próprio Rodrigo. Acorda, Gaspar!