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  • Herculano

A "PROTEÇÃO" DOS SALÁRIOS DOS POLÍTICOS DE GASPAR

Exemplos de práticas e discursos cidadãs dos nossos vizinhos não bastam para sensibilizar os políticos daqui. Sacrifícios? Só aos eleitores e pagadores de pesados impostos. Enquanto não houver consciência, independência e cidadania com reflexos nas urnas, nada mudará.


Da esquerda para a direita: o prefeito Kleber de Gaspar, o prefeito Mário de Blumenau e o presidente da Câmara de lá, Egídio Beckhauser em exemplos de iniciativas diferentes


No ano passado, muitos prefeitos reduziram o seus vencimentos como "gestos simbólicos" de solidariedade aos que se desempregavam, fechavam temporariamente seus negócios ou faliam as suas empresas diante da pandemia. Ela se mostrava um "monstro" desconhecido - e assim é até hoje indomada, no resultado.


O prefeito de Gaspar, Kleber Edson Wan Dall, MDB, apesar de ser um fiel, fugiu do diabo como ele foge da Cruz quando foi cobrado neste assunto.


E parece que isso não influiu na sua eleição: ficou com 65,60% dos votos válidos e muitos deles, vindos de gente penalizada pela pandemia e à falta de solidariedade, "gestos simbólicos", ou ações dos políticos para minorar à gravidade dos problemas econômicos gerados pela Covid-19.


O vencimento bruto mensal de Kleber como prefeito é um dos mais altos do estado - mais elevado do que o de Blumenau, por exemplo - e está fixado em R$27.356,69, sem as diárias das suas costumeiras viagens a Brasília e a partir deste ano, ele está olhando paralelamente para o estado na sustentação dos seus projetos políticos pessoais.


Para comparar e refletir: o prefeito de Blumenau, Mário Hildebrandt, Podemos, um município CINCO vezes maior (362 mil habitantes x 71 mil) que Gaspar, mais importante e complexo para se administrar, ganha R$23.849,12 brutos por mês.


E lá Mário Hildebrandt cortou 20% do seu salário e de outros comissionados no ano passado. Aqui, zero!


O vice daqui Marcelo de Souza Brick, PSD, ganha bruto mensalmente R$12.626,16. A vice de Blumenau, Maria Regina Soar de Souza, PSDB, R$15.501,92.


E um secretário municipal em Gaspar? R$12.975,81. E em Blumenau, pasmem: R$11.051,36.





NA CÂMARA


A Câmara de Gaspar até se ensaiou na cota de sacrifício perante a cidade e os eleitores. Todos - independente de partidos e ideologia - caladinhos, inclusive o autor do Projeto de Resolução que impunha à tal "cota de sacrifício", o convertido governista depois de liderar a oposição na Câmara, Roberto Procópio de Souza, PDT . Não se reelegeu.


Sacrifício, de verdade, no ambiente político, só para os seus eleitores e eleitoras.


A proposta de Procópio era mínima e também "simbólica". E mesmo assim, ficou engavetada e se tornou um tabú relembrá-la. Praguejava-se quando eu publicava algo sobre o assunto e que não foi criado por mim, mas por um vereador - e do governo Kleber.


Qual a razão de tanta irritação e do necessário silêncio, às vésperas de uma eleição?


Para tudo ficar engavetado.


Alegava-se que a proposta de Procópio era inconstitucional, mas ela não foi declarada assim oficialmente por ninguém na Câmara.


Estranho e por dois aspectos fundamentais: projetos de resoluções muito semelhantes ao de Procópio, prosperaram em outras Câmaras pelo Brasil afora. Além disso, ou autor é advogado, ou seja, deveria saber o que estava fazendo e propondo.


Prevaleceu, até o final do ano o espírito de corpo dos políticos que nunca tocam nos próprios bolsos. E ele ficou no fundo das gavetas da Câmara, dormindo (para sempre).


O projeto de Procópio previa que os vereadores abdicassem de apenas de 20% dos seus salários e por apenas DOIS meses, e que não mais acessassem até o final do ano de 2020, às diárias.


Nada foi adiante a não ser a crise econômica dos seus eleitores e que verdadeiramente sustentam esta gente com os pesados impostos.


PARA REAJUSTAR, O TRÂMITE FOI RECORDE


Só para lembrar. Em março do ano passado quando se discutiu o reajuste do prefeito, vice, secretários, servidores - estes ganharam 1% de aumento real, exatamente em ano eleitoral - e vereadores, os projetos deram entrada, passaram por todas as comissões, foram votados numa sessão vapt-vupt e sancionados em seis dias. Uau!


A proposta de Procópio, dormiu sete meses na Câmara e não foi apreciada até hoje. E não tem mais razão de sê-la. Por outro lado, lembrá-la ao povo, é tido pelos políticos como uma provocação.


Um vereador em Gaspar, recebe R$ 6.122,94 brutos por uma sessão semanal de pouco mais de uma hora. Vão receber mesmo neste mês de janeiro, quando foram empossados, não se reuniram e não deliberaram nada em sessões ordinárias ou extraordinárias. O presidente da Casa ganha R$1.000,00 a mais.


Em Blumenau, repito, numa cidade CINCO vezes maior do que Gaspar, cada vereador ganha R$ 11.023,65 mensalmente e o presidente, R$16.535,47 brutos por mês. E há duas sessões ordinárias por semanas e que duram em média duas horas.


Em Março haverá por aqui - e passará na Câmara - a proposta de reajuste desses números, se não for aumento para a próxima legislatura


VEREADORES DE BLUMENAU RENUNCIAM MORDOMIAS


Se o comportamento coletivo dos vereadores de Gaspar na legislatura passada prevalecer na que vai se reunir a partir desta terça-feira, a ideia de renunciar a mordomias, tomada individualmente por sete dos 15 vereadores de Blumenau, não terá a MÍNIMA chance de ir adiante.


Esta atitude dos vereadores de Blumenau, inclusive, mereceu notas de aplausos de várias entidades da sociedade civil organizada de lá. Aqui quem ousa fazer alguma observação, corre o sério risco de ser declarado inimigo da cidade, de tão dominada que ela está pelos que estão no poder de plantão.


Bruno Cunha, Cidadania e o mais votado; Gilson de Souza, Patriotas, o segundo mais votado; Emmanuel Tuca dos Santos, Novo; Egídio Beckhauser, Republicanos (presidente daa Câmara); Carlos Wagner Alemão, PSL; Cristiane Loureiro, Podemos, a terceira mais votada; e Alexandre Matias, PSDB, abdicaram de receber verbas da Câmara para pagar ou ressarcir as suas despesas com correspondências, telefone celular institucional, carro, diárias e entre outras.


O comportamento de Kleber e dos vereadores no ano passado mostraram, claramente, como os líderes e políticos daqui são bem diferentes nos exemplos dos políticos de Blumenau.


E por quê. Lá há uma cobrança maior dos eleitores, das entidades, dos movimentos organizados; lá os políticos estão mais expostos à imprensa, de um modo geral, além das mídias sociais. Uma sociedade plural, atualizada e minimamente representativa se faz com vigilância, cobranças e fiscalização, permanentes. Acorda, Gaspar!