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  • Herculano

A PRESERVAÇÃO DA PICADA ENTRE GASPAR E BRUSQUE


O governador Carlos Moisés da Silva, sem partido, esteve na semana passada em Blumenau. Trouxe alguns milhões para diversos setores de lá e da região. Aproveitou a agenda, e "abriu" um diálogo político com Napoleão Bernardes, ex-tucano e agora no PSD. Os dois não se conheciam. Gaspar, chupou no dedo. Também...


Ao mesmo tempo, o governador se viu metido nesta ida a Blumenau em duas polêmicas: a primeira é sobre a liberação de verbas para apenas dos três empacados 15 quilômetros da Via Expressa que vai dar no pé da serra da Vila Itoupava a partir da Rua São Paulo. O prefeito de lá, Mário Hildebrandt, Podemos, está inconformado: quer tudo. E está certo.


A segunda foi o enfrentamento público aos que querem gerenciar politicamente os R$200 milhões que o estado destinou a duplicação da BR-470, que o governo do estado sugeriu para serem usados prioritariamente no término dos trechos um e dois - os mais adiantados - entre Navegantes e a divisa de Blumenau. Já abordei este assunto em O VALE DO ITAJAÍ PRECISA DE UM GOVERNADOR QUE O MALTRATA BEM ANTES DELE SER CANDIDATO?


Retomando.


Quem esteve lá em Blumenau acompanhando protocolarmente a visita do governador Carlos Moisés foi o presidente da AMMVI - Associação do Médio Vale do Itajaí - e prefeito de Gaspar, Kleber Edson Wan Dall, MDB.


Na comitiva, também estava o secretário de Infraestrutura, Thiago Augusto Vieira, aquele que quer fazer a duplicação da congestionada - como mostra a foto acima e os que passam por lá sentem diariamente - e cada vez mais perigosa Rodovia Ivo Silveira entre Brusque e Gaspar. Entretanto, os políticos daqui - ao contrário do prefeito de Brusque, Ari Vequi, MDB, empresários e lideranças de lá -, não querem isso.


Os daqui, preferem a municipalização depois de uma "robusta operação tapa buracos". Tudo para preservar os negócios de alguns poucos supostos apoiadores em detrimento do desejo de milhares de pessoas e principalmente do futuro na mobilidade e desenvolvimento da região. A não duplicação desta rodovia criará um inexplicável gargalho, a transformara numa picada, num caminho de acidentes e mortes.


O secretário Thiago não esconde à estranheza aos lhe questionam sobre o assunto que se arrasta desde 2019. Mas, não quer polemizar. "Se Gaspar não quer a duplicação, ela não será feita". Inacreditável!


No fundo, o governo do estado está decidido e vai apresentar o projeto. Quer com isso não passar recibo do atraso e se livrar de alguma culpa no futuro. Sinalizou isso a alguns interlocutores. O secretário chegou até a ler o artigo escrito aqui O ESTADO QUER DUPLICAR A GASPAR BRUSQUE. OS POLÍTÍCOS DAQUI NÃO QUEREM ISSO NO TRECHO GASPARENSE.


"Se alguém ocupou a faixa de domínio da rodovia tem que sair e não tentar impedir a duplicação dela por meio de seus políticos", sinalizou um técnico do governo à esta coluna.


A reação em Brusque - e de pessoas pesos pesados da área empresarial - e nos meios políticos e administrativos em Florianópolis com a notícia e movimentação de lideranças políticas de Gaspar para impedir, dificultar e até mudar o traçado da rodovia para preservar determinadas construções ou negócios, foi imediata.


Ninguém entende como o prefeito Kleber não é capaz liderar o processo de convencimento e de melhoria a favor da mobilidade regional, da sua própria cidade e de bairros em franco desenvolvimento em Gaspar, sendo ele, inclusive, presidente da AMMVI - um organismo micro regional que inclui Brusque.


É de se lembrar, por outro lado, que vereador Evandro Carlos Andrietti, MDB, da região do Barracão e Bateias cortada pela rodovia Ivo Silveira, defendia - e defende nas atuais conversas - esta ideia abertamente na Câmara na legislatura passada. Por estas e outras, não se reelegeu. Hoje, ele está nomeado num cargo comissionado no cemitério municipal. Ou seja, cavou a própria sepultura.


Mas, Andrietti não ficou só.


O mais longevo dos vereadores, também oriundo da mesma região onde se instalou o impasse e na ausência de Andrietti no plenário por falta de votos, José Hilário Melato, PP, e líder de Kleber na Câmara, já esteve em Florianópolis e também já se pronunciou contra a duplicação, como ela está projetada e faz anos. Incrível! Acorda, Gaspar!