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SEM DAR O CAVALO DE PAU NECESSÁRIO E ESPERADO, O GOVERNO DA MUDANÇA DE GASPAR VAI RETIRANDO OS TÉCNICOS QUE TROUXE PARA CRIAR DIFERENÇAS DO QUE SE CONDENAVA EM KLEBER. CHEGOU A VEZ DO DESMANCHE DA ÁREA DE MEIO AMBIENTE

Acrescentado às 12h49min, o posicionamento do prefeito Paulo Norberto Koerich, PL, enviado pessoalmente no meu aplicativo de mensagens, às 11h35min deste 30.04.2025: “…Esclareço que, quem pediu a saída [do governo] o fez [o pedido] por problemas de ordem familiar e não por questões políticas ou ingerências na atividades exercidas. A primeira baixa, esta sentida por ele ser de Gaspar como reconhecido profissional da área e líder comunitário (foi vereador pelo Distrito do Belchior), foi a do diretor-presidente da Fundação Municipal de Esportes e Lazer, o professor Charles Roberto Petry, PL. Trocou-se ele por um boleiro aposentado, egresso do MDB raiz, o suplente de vereador Haroldo Roberto de Medeiros, PL. Há outros.

Na superintendência de comunicação, Felipe Gabriel Rodrigues, sem dizer a que veio, como informei segunda-feira, está saindo. Agora, chegou a vez do superintendente de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, também vindo de Blumenau como Gabriel, Ivan Burgonovo “pedir” para sair e “tentar novos desafios profissionais” como no politicamente correto para as ambas partes se justificou por aí. A titular da pasta onde está o Meio Ambiente, a secretária de Planejamento Territorial, Ana Paula Lapolli Isensee, que também fez carreira em Blumenau, com o perdão do trocadilho popular, é outra que já botou as “barbas de molho” diante de tanta turbulência e pressão nesta área.

Esta saída de Burgonovo pode parecer ser apenas um precoce ajuste fino do prometido governo da mudança do “delegado prefeito” Paulo Norberto Koerich, PL e do seu vice multi-titulado, Rodrigo Boeing Althoff, PL (ambos na foto acima com o chefe de gabinete Pedro Inácio Bornhausen, PP, este à esquerda). Mas, não é. É complexo. Intricado. E dolorido. Se os que vieram para dar ar novo estão saindo, os que eram do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, o saído em humilhante derrota que tinha seu apoio incondicional nas urnas em seis de outubro do ano passado, não só ficaram, como estão cada vez mais ocupando mais espaços e tornando tudo tão igual quanto era antes. Impressionante.

UM NÓ ATADO

Retomando. O que aconteceu na burocracia do Meio Ambiente de Gaspar obrigada à legalidade brasileira?

De um lado está a fatura que não pode ser paga no valor e na velocidade de curtíssimo tempo como querem os que apoiaram os políticos vencedores de outubro no ano passado e que só fizeram isso, porque foram enganados – e se meteram por causa disso, em enrascadas cabeludas – pelo governo de Kleber com os vices Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick, ambos do PP. De outro, está a decisão do prefeito Paulo de se associar e voltar para o CIMVI – Consórcio Intermunicipal dos Médio do Itajaí – que Kleber resolveu sair, vejam só, no final do governo dele e com apoio irrestrito da Câmara Municipal, com a desculpa de que se tratava apenas de uma mera formalidade de papéis. Não era. 

Paulo quer deixar estas questões ambientais com os técnicos do CIMVI e que já cuidam de outros municípios, com relativo sucesso e principalmente, cuidado e equidade. Ao menos há uma segurança jurídica mínima para empresários e investidores. Aqui em Gaspar está quase tudo parado. E desde novembro do ano passado. Esse é o tamanho da encrenca.

Com esta jogada, a de ir para o CIMVI, o prefeito Paulo pensa em resolver três impasses: o primeiro é o de se livrar da pressão dos empresários e jogá-los para Timbó, no CIMVI, lavando, assim, as mãos dele; o segundo é o de enfraquecer à autonomia do núcleo de técnicos que Kleber foi obrigado por – via concurso – a mando do Ministério Público e Justiça. Dessa forma, ele “criou”, depois de anos de irregular ação de comissionados nesta área contra lei expressa, uma área de autoridade, e por isso virou um angu jurídico diante de tantas irregularidades; e o terceiro, com linguagem única neste ambiente enfraquecido pela falta de um Plano Diretor atualizado desde 2016, como manda o Estatuto das Cidades, Paulo quer fazer com o aval do CIMVI, ao menos, os novos processos dentro da secretaria de Planejamento “correrem”. 

Aliás, estes dois últimos pontos formaram as principais queixas e sustentaram as reivindicações explícitas recentes e de bastidores do Associação Empresarial – Acig – e do seu núcleo imobiliário. Bem tardiamente, viram que o passado, que eles próprios foram idealizadores e parceiros, estava travando o presente e o futuro do setor na cidade. Enquanto isso, Ilhota, só como exemplo próximo, estava resolvendo os seus problemas nesta área via o CIMVI.

UM HISTÓRICO DESFAVORÁVEL

O vice-prefeito, Rodrigo, nos bastidores, diz não concordar com esse movimento que vai retirar da prefeitura de Gaspar a autonomia do balcão de negócios que quando constatado o erro ou vício, vira uma proposta de “termo de ajustamento” entre os envolvidos, mas que está sendo barrado, sistematicamente, pelo Ministério Público e na própria Justiça, diante de tanta coisa errada.

Afinal, os que reclamam desse nó no MP e Justiça, dizem que tudo estava autorizado. E estava. Mas, na maioria dos casos, combinados na precariedade entre as partes. Faltou, de verdade, além da prudência, seguir o protocolo legal desde o início. E se houver a insistência desse jogo de cartas marcadas pelo erro, quem ainda vai ter que ressarcir os empresários e investidores, serão os combalidos cofres da própria prefeitura, a que em última análise, culpada por ter legalizado algo torto por seus técnicos ou gente que não tinha autoridade para tal. Simples assim.

Um superintendente de meio ambiente de Gaspar, Robson Tomasoni, pediu o boné quando ao tempo de Kleber quando botaram na mesa dele um Termo de Ajustamento num loteamento industrial no Poço Grande para ele assinar. Burgonovo está pedindo o boné quando tentam a mesma coisa com um loteamento residencial aqui do bairro Sete de Setembro e que a Justiça já sentenciou, em segundo grau até, de que ele terá que ser feito de outra forma como não quer mudar e orginalmente fez o empreendedor naquilo que aprovou na prefeitura. É que quem deu o sinal verde para o empreendimento se estabelecer no erro, não tinha investidura para tal. 

Os dois ex-superintendente mostraram ao arrumar as suas malas e irem embora de que poucos estão dispostos a emprestarem o CPF deles para os altos riscos que podem se desdobrarem, se eles chancelarem o que está com marcas de vícios e sob o olhar do MP e da Justiça.

A decisão do “delegado prefeito” vai no caminho certo por vários aspectos. Entretanto, vai ser um processo lento de transição da equipe própria de técnicos da Gaspar para o CIMVI e ao mesmo tempo cria fissuras com o grupo de “donos da cidade” que apoiou Paulo para ele ser o suposto prefeito da mudança para eles. Mais, do que isso. Com esta troca daqui para o CIMVI, perde-se a autonomia aqui e ao mesmo tempo se fecha a porteira para um grande acordão, como se queria em Gaspar entre os envolvidos e com pendências na área ambiental.

Agora, como escrevi anteriormente, tudo vai depender do entendimento e do aval dos técnicos do CIMVI. Eles vão estar pressionados pelos interessados daqui e pela legislação que os impede à prevaricação, até para não colocar em risco a credibilidade que possuem e deram como legal a outros empreendimentos em municípios onde atuam como suporte. 

No fundo e de verdade? O “grande acordão com segurança jurídica”, passa pela atualização do Plano Diretor como um todo. Olhando para o futuro. E não retalhado ao que se fez neste dez anos para beneficiar uns, e prejudicar outros. Nem mais, nem menos. Esta segurança para todos inclui a segurança jurídica e legislativa específica para os técnicos do CIMVI decidirem. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

Depois de ter sido cobrado no próprio círculo de apoio na ausência da prestação de contas dos 100 primeiros dias de governo ao povo que lhe deu a impressionante marca de 52,98% dos votos válidos, os bruxos que cercam o “delegado prefeito” Paulo Norberto Koerich, PL, de Gaspar, criaram, as pressas, uma campanha marqueteira e a lançaram no último domingo à noite nas redes sociais. Foi para distrair a cidade nesta semana. Primeiro: é uma assinatura de culpa. Segundo: a campanha é fundada na incoerência. Terceiro: enfraquece ainda mais o governo. Impressionante. Quem mesmo orienta essa gente?

Não vou me alongar muito. Mas, é longo mesmo assim. Um dos memes da campanha diz no título: “coisas que eu explico todos os dias sendo prefeito de Gaspar“. Prefeito não devia explicar nada. Devia fazer. É o resultado na veia, visto, sentido que é compreendido como explicação pelo povo. Prefeito é um síndico. Simples assim. Pior mesmo, foi o texto deste meme. “O que ninguém te conta sobre ser Prefeito de Gaspar é que meu  trabalho é fazer a nossa cidade funcionar e isso exige mais que ideias. Exige presença, escuta, paciência e muita coragem para fazer diferente“.

Um leitor deste espaço que não é lido por ninguém, segundo sempre alegam os poderosos no poder de plantão, experimentado na coisa pública, contrariou a tese do “delegado prefeito” neste meme em questão: “ideia é a semente. O projeto é a forma prática desse projeto. E os resultados são os frutos“. Entenderam como Paulo Norberto Koerich, PL, está mal assessorado? Pior, aprovou algo de uma incoerência brutal? O que ele escreveu no meme destrói um conceito. Paulo – e seu governo – está sem ideias, não quer ter ideias ou que despreza ideias? Sobre a ausência dele, a impaciência e que até agora não fez nada de diferente como se esperava dele, nem vou comentar, porque prometi não me alongar. Está na cara de todos.

Vou começar a encerrar este comentário. Então, pinço frases atribuídas ao “delegado prefeito” Paulo Norberto Koerich, PL, nos meme que publicou nas redes sociais. “Fazer gestão pública com criatividade é entender que cada bairro tem sua história e que cada solução tem que respeitar isso”. Isso não é criatividade. É respeito. Criatividade é exatamente sair da caixinha. Ter um ar de subversividade. Ter coragem. Enfrentar os céticos. Foi assim que a humanidade saiu das cavernas e não sabemos onde vamos chegar depois da Inteligência Artificial. Gaspar, antes precisa ser pensada como um todo por um prefeito, criar as prioridades e dar diretrizes claras a sua equipe na busca de resultados concretos e diferenciais da mudança, da evolução. 

Gaspar não precisa de mais promessas. Precisa de atitude“. Certíssimo. Então, urgentemente, alguém precisa avisá-los que a campanha terminou e o “delegado prefeito” Paulo Norberto Koerich e o acadêmico multi-titulado engenheiro Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL, ganharam as eleições em seis de outubro do ano passado. “Explico todo dia: o dinheiro público tem que virar resultado. E resultado se faz com planejamento” (na foto acima explicando a uma criança). É óbvio, até porque dinheiro público não existe, mas onde mesmo está o planejamento do governo de Paulo e Rodrigo? Qual é mesmo a equipe desse governo e quais os mecanismos de sintonia desse processo de ideias, projetos e resultados para a comunidade?

E finalmente: “transparência não é favor. É obrigação. E aqui a gente entrega com responsabilidade“. Eu não acredito que um dia iria ter que ver isso escrito como a assinatura de Paulo Norberto Koerich, PL. Até em “transparência não é um favor. É obrigação“, nem um ai meu, até porque isso é tema central deste blog. Já o resto…Não vou me alongar. Vou a dois exemplos. Onde está a prestação de contas do Hospital – o saco sem fundo do tal dinheiro público – sob a intervenção da prefeitura e obrigado a isso num pacto com o Ministério Público? Outra. O prefeito já tentou ver as contas do município – que deveriam ser abertas – no confuso site da prefeitura e quase impossível de se navegar nele até por expert? De que transparência Paulo está falando? Parece que o prefeito está mal acompanhado, com gente colocando-o em armadilhas e naquilo que é básico, mas, que, por enquanto não consegue entregar. Muda, Gaspar!

Vem aí o suplente de vereador Antônio Carlos Dalsochio, PT, no lugar do Dionísio Luiz Bertoldi, PT, o autor do polêmico PL das câmeras nas creches de Gaspar. Ele assume no dia seis de maio e fica por um mês. O governo de Paulo Norberto Koerich, PL e Rodrigo Boing Althoff, PL, vai sentir o bafo da verdadeira oposição. Quem vai testemunhar serão as câmeras da Câmara. Depois do sete de junho, O  PT volta ao estilo do paz e amor do papai Lula com o governo de Gaspar. Dionísio reassume.

Fogo no parquinho e censura. A direita em Gaspar tem um mega grupo em um aplicativo de mensagens. Nele surgiram as primeiras críticas – até porque ninguém é de ferro eternamente e estão vendo ou sendo cobrados – ao governo de Paulo Norberto Koerich, PL, e Rodrigo Boeing Althoff, PL. E os insurgentes foram sumariamente excluídos do grupo pelos administradores, agora empregados da prefeitura. Nada como um dia após o outro.

Até que enfim. Em Blumenau, a Câmara de Blumenau aprovou projeto de lei que proíbe a utilização das palavras “grátis”, “gratuito” e similares na divulgação de serviços prestados ao público, ou de eventos de livre acesso, promovidos ou custeados pela Prefeitura de Blumenau. O autor é o vereador Diego Nasato, Novo. O tal “dinheiro público”, na verdade são os nossos pesados impostos. Além de mal usados, o políticos se apropriam dele para nos enganar e obter vantagens de reconhecimento pessoal, partidário, poder e eleitoral.

Esta universidade gratuita do Jorginho Melo, PL, é uma delas. Vergonhoso até porque no modelo de desenvolvimento de Santa Catarina o que precisamos é de técnicos. Voltando. Quem paga as instituições para elas aceitarem alunos neste programa sem pagar? Nós, os catarinenses, burros de carga, com os nossos pesados impostos. E sem o que mostrar para se reeleger porque errou na gestão e não consegue entregar marcas e resultados, Jorginho enche de propaganda nas redes sociais e os meios de comunicações tradicionais que a Universidade gratuita é o grande feito dele.

Coisas das prioridades e planejamento na prefeitura de Gaspar: a demarcação das vagas no galpão da secretaria de Obras e Serviços Urbanos para os funcionários e veículos da pasta. Como diz na foto, “aos poucos, a mudança acontece“. E o emojis, falam muito mais. Então tá. Enquanto isso, o município de Gaspar está a espera da demarcação horizontal de travessias de pedestres e lombadas físicas. É só olhar as dezenas de indicações de vereadores, e da própria base do governo protocoladas na Câmara.

Petizada danada. O prefeito de Gaspar, Paulo Norberto Koerich, PL, corre para colocar em mínima ordem a área de educação municipal que diz ter recebido sucateada, apesar do Orçamento gordo que ela possui, do ex-prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB. Onde o “delegado prefeito” estava esta semana? Explicando para alunos de uma escola estadual, a Agenor Zimmermann, no bairro do Bela Vista, o que é ser prefeito. Credo. A companhia diz tudo.

Na quinta-feira, acontece o tradicional torneio de Futebol de Primeiro de Maio do Tupi. Pois não é que o vereador Ciro André Quintino, MDB, saiu daqui ontem, para mais uma vez estar em Florianópolis e se encontrar com o deputado de Ibirama, e atual secretário de Obras e Mobilidade, Jerry Comper, MDB. Ciro foi entregar um convite e uma camisa do índio gasparense. Esta semana Ciro voltou a ser o campeão de diárias com R$5.728,00, dos R$50.282,00 empenhados até ontem para vereadores e funcionários da Câmara.

Até ontem também, no site da Fecam – Federação Catarinense de Municípios – tinha o ex-prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, e o ex-vice dele, Marcelo de Souza Brick, como ainda titulares de Gaspar. Falha da área de comunicação da Fecam onde Kleber foi presidente? É. Mas, falha também a comunicação do governo de Paulo Norberto Koerich, PL.

Entrevista do presidente da Assembleia Legislativa, Júlio Garcia, PSD, a rádio 92 Rock Pop, cravou que em 2026 não haverá polarização extremista entre Luiz Inácio Lula da Silva, PT, e Jair Messias Bolsonaro, PL. Aposta num centro mais moderado e citou que ele se unirá em torno de candidatos como Tarcísio Gomes de Freitas, Republicanos, Ronaldo Caiado, União Brasil, Romeu Zema, Novo, e Ratinho Júnior, PSD. Jorginho não apareceu na lista dele. 

Aliás, na semana passada, o governador Jorginho Melo, PL, deu mais uma bola fora. Foi a Brasília e passou vergonha. Inventou um tal de contorno do Morro dos Cavalos. Não havia projeto. Não há estudos. E há entraves tão graves que impediram o licenciamento do túnel por quase duas décadas, como os povos originários e os ambientais. Além disso, a proposta eleitoreira do desespero de Jorginho, é, segundo os especialistas, mais insegura e de baixa velocidade. Impressionante a capacidade de Jorginho de produzir espuma sem espuma, enquanto não entrega resultados. Só “Estrada Boa” será pouco.

Aleluia. Com quatro meses de atraso, finalmente, a prefeitura de Gaspar contratou uma empresa que fará as roçadas na cidade. Isto não é ideia, nem criatividade. Mas, uma rotina. Os mutirões propaganda dos primeiros dias, já não animava mais ninguém há dois meses. Era uma ideia e criatividade cidadã, mas que cansou. Um recado de que emergências não podem ser eternas contra os cidadãos e cidadãs.

E para encerrar. Amanhã é Dia do Trabalho, ou do Trabalhador, como querem alguns. Deveria ser o dia de trocas. Trabalho na origem da palavra “tripalium” (latim) é um instrumento  de tortura composto por três paus. Para alguns, o trabalho, realmente é uma tortura. Para a maioria, todavia, é uma troca de habilidades e tempo, por remuneração, também para alguns, nem sempre justa.

Impressionante I. Segundo Geraldo Alckimin, quando candidato pelo agora extinto PSDB, o PT, seu adversário queria voltar à cena do crime na busca pela presidência da república, referindo-se ao Mensalão e ao Petrolão. Em ambos, a Justiça, na maioria dos casos, deu um jeito de “perdoar” e tirar a pecha de “criminosos” dos políticos que Alckmin acusou naquela época.

Impressionante II. Agora, descobre-se que o próprio aparelho estatal, ou seja, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, PT, o sindicalista, e o convertido Geraldo Alckmin, PSB, estão roubando para sindicatos e supostas entidades assistenciais bilhões de reais de milhões de idosos pobres e na maioria dos casos, doentes. Chegamos ao limite da indecência humana patrocinado por um governo que diz cuidar dos pobres. Inimaginável. E desta vez quem está na cena do crime, quieto, o que é bem pior para este caso? Alckmin.

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16 comentários em “SEM DAR O CAVALO DE PAU NECESSÁRIO E ESPERADO, O GOVERNO DA MUDANÇA DE GASPAR VAI RETIRANDO OS TÉCNICOS QUE TROUXE PARA CRIAR DIFERENÇAS DO QUE SE CONDENAVA EM KLEBER. CHEGOU A VEZ DO DESMANCHE DA ÁREA DE MEIO AMBIENTE”

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  2. Um retrato do governo da mudança. Tratando de quinquilharias como se fosse a grande obra

    TODOS QUEREM SER DONOS DO FEITO, por Aurélio Marcos de Souza, advogado, ex-procurador geral do município de Gaspar (2005/08), graduado em Gestão Pública pela Udesc. Artigo originalmente publicado nas redes sociais do autor.

    Na minha cidade, quando algo é feito, não basta mostrar. Tem que anunciar. Mas não uma vez — dezenas. Um anuncia de manhã, outro à tarde, mais um à noite. Cada um querendo parecer o protagonista da mesma história, como se o mérito pudesse ser compartilhado por quem fala mais alto, e não por quem realmente fez.

    A obra pode ser simples, mas o espetáculo é garantido. A primeira agente aparece com sorriso e discurso. Em seguida, outro repete com nova legenda, novo ângulo, mesma vaidade. Logo vem mais um, e mais outro. Uma sequência de anúncios que transforma qualquer entrega em vitrine de vaidade.

    O povo assiste. E cansa. Porque já entendeu: não é sobre servir, é sobre aparecer. A informação se perde no meio da disputa por holofotes. E o que deveria ser transparente, torna-se ruído. A ação vira pano de fundo; o anúncio, o verdadeiro produto.

    Já nem importa o que foi feito. Importa quem conseguiu colar seu nome ali primeiro. Mas no fundo, quem vive a cidade sabe: se todo mundo quer ser dono do feito, talvez ninguém tenha feito de verdade.

  3. Qualquer semelhança com o “novo” governo de Gaspar não é mera coincidência que prometeu mudar, mas vai colocando tudo para debaixo do tapete e achando que os que sobram esclarecimento e transparência são problemas…

    UM GOVERNO QUE NÃO PENSA EM MUDANÇAS, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

    O caso da roubança no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) é um exemplo de que o governo não governa em extensas partes da administração federal, que está de algum modo largada ou inerte, sem reformas fundamentais ou que, ao menos, permitam que o sistema funcione sem fraudes e inoperâncias críticas.

    Além do caso da Previdência, temos problemas tanto essenciais quanto urgentes no setor elétrico. No SUS (Sistema Único de Saúde), sem reforma fundamental faz décadas, mesmo que agora tenha mais recursos, pois houve aumento brutal de financiamento do Ministério da Saúde. Onde está a Autoridade Climática prometida por Lula? Etc.

    Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demitiu o presidente do INSS apenas quando a Polícia Federal deu uma batida na instituição. Titubeou, mas demitiu. O então ministro da Previdência, Carlos Lupi, não se prontificou a sacar o comando daquilo que é quase toda a função do ministério.

    Mais preocupado com política e imagem, o governo tergiversou, enrolou e quase não tirou Lupi da cadeira. Em seguida, colocou o vice de Lupi no ministério.

    Enrola de novo. Em vez de trocar seis por meia dúzia mais um, o governo poderia enfim aproveitar a oportunidade para fazer limpa maior e começar uma reforma do INSS. Para começar, é preciso ter um Ministério da Previdência? Segundo, por que havia e há tanta fraude?

    Por que tanto pagamento de benefício deriva de sentença judicial (precatório)? Erro da Justiça, incompetência jurídica do governo, trambique, erro administrativo? Por que há tanta fila na análise dos processos de pedidos de benefícios, um serviço porco? O governo de esquerda está aí faz dois anos e meio, e nada.

    No setor elétrico, espera-se também há dois anos e meio que se apresente uma reforma. A energia é cara. Os subsídios são loucos, ineficientes e injustos. Há muito favor para empresas, empresários e setores.

    O planejamento está com problemas graves. Mais do que sempre, precisa ser alterado, pois o grande aumento da geração de energia eólica e solar modificou o padrão de fornecimento de eletricidade.

    Por falar nisso, o governo atrasa os leilões de energia “extra” de reserva, ainda mais necessária em um sistema que depende muito agora de sol e vento —no ano passado, corremos risco de apagões em horários de pico. Obviamente o governo Lula-PT não tinha plano de reforma, se é que sabia que a mudança, grande profunda e complicada, era necessária.

    Em vez disso, Lula queria mais poder na Eletrobras. A empresa foi privatizada de modo porco, sim, piorado ainda mais pelo Congresso, cheio de jabutis para empresários, mumunhas e ineficiências. Mas o governo queria apenas é mandar na empresa “estratégica” (qual o plano?). Queria cargos para amigos e “aliados” de centrões e direitões. Seria grande o risco de roubo, como se fez na Petrobras ou nos Correios.

    O governo acha que governar é “colocar mais dinheiro na mão do povo”, fazer transferências de renda, que, no entanto, ainda são ineficientes (muito pobre não recebe), desiguais e estão à beira do limite, pois o dinheiro acabou (e nem com mais imposto vai se resolver).

    Mudar estruturas, fazer reformas, como a tributária e outras que a Fazenda criou ou retomou, não está nos planos. A falta de imaginação, competência técnica, interesse político e visão de futuro é mais do que deprimente. É um atraso, motivo do retardo econômico e social do país e, de resto, dá nisso, em roubança e serviço porco como as filas do INSS.

  4. SEIS POR MEIA DÚZIA, por Eliane Cantanhêde no jornal O Estado de S. Paulo

    Mais uma decisão incompreensível do presidente Lula. Substituir Carlos Lupi por Wolney Queiroz no Ministério da Previdência foi automaticamente percebido pela opinião pública como trocar seis por meia dúzia. Lula se desgastou ao nomear Lupi, ao demorar a demiti-lo e, por fim, ao pôr no lugar justamente o braço direito dele.

    E o que Lula ganhou em troca? Primeiro, o que já tinha: o apoio do PDT, que é satélite histórico do PT e não tem alternativa senão ficar com o governo. Depois, um escândalo de bom tamanho, na pior hora: o roubo de mais de R$ 6 bilhões do INSS.

    Lupi foi informado em 2023, Queiroz era o número 2 do ministério e soube junto com ele. Nenhum dos dois fez nada.

    O escândalo está aí, é um fato, e os efeitos políticos podem ser mais ou menos devastadores para Lula dependendo da evolução das investigações, do surgimento de novos nomes e detalhes e da guerra de narrativas entre governo e bolsonarismo. O seis por meia dúzia não ajuda Lula nem um pouco.

    Sua melhor defesa usada foi no pronunciamento da véspera do 1.º de Maio, ao lembrar que os desvios do INSS vinham desde 2019 (Jair Bolsonaro era presidente) e que foi o seu governo, a sua Polícia Federal e a sua Controladoria-Geral da União que agiram e desbarataram a quadrilha. Apesar dos pesares, é um bom argumento.

    Porém, se PF e CGU apuraram e atuaram firmemente, Lula não teve agilidade, ou força política, para entrar no vácuo, demitir rapidamente Lupi, convencer o PDT e nomear para a vaga alguém de boa estatura, fora da política, o mais distante possível do escândalo e capaz de emprestar seu nome e credibilidade às investigações e medidas. Não. Lula optou por um “companheiro” e por manter o PDT sob suas asas. Pensou pequeno.

    Pernambucano, deputado federal por seis mandatos, Wolney Queiroz votou contra o impeachment de Dilma Rousseff, a reforma trabalhista e a da Previdência e foi líder da oposição a Bolsonaro na Câmara, que unia PDT, PT, PSOL, Rede e PCdoB. Em 2022, ele defendeu a candidatura Lula contra a do pedetista Ciro Gomes. Ok, currículo muito conveniente a Lula e ao PT. Mas para a função? Para a opinião pública?

    Só falta Lula errar na questão central: a devolução do dinheiro de aposentados e pensionistas usado por criminosos para compra de carrões e ser enviado em malas para paraísos fiscais. O governo está preocupado com as contas, mas a dona Maria e o seu João, que trabalharam muito a vida toda e ganham pouco na velhice, não querem saber de política, contas e companheiragem, só querem seu dinheiro de volta e que isso nunca volte a ocorrer no INSS, aliás, em lugar nenhum.

  5. COLLOR, INSS E O FANTASMA DA CORRUPÇÃO, por Carlos Alberto Sardenberg, no jornal O Globo

    Sepultaram a corrupção, mas os fantasmas escaparam da cova rasa e estão aí para assustar os viventes. Collor — quem ainda se importava com ele? — trouxe de volta o “petrolão”, a grande roubalheira nos governos Lula e Dilma. Lupi, com a crise do INSS, recolocou na Esplanada dos Ministérios o aparelhamento do Estado pelo PT e seus associados, incluindo partidos e sindicatos.

    Collor não foi condenado pela própria corrupção, praticada quando era presidente da República (1990-92). Sofreu impeachment, mas acabou absolvido no Supremo Tribunal Federal (STF), o que permitiu sua volta à política. E à corrupção. Em 2010, como senador, ganhou o “direito” de indicar dois diretores da BR Distribuidora, então subsidiária da Petrobras. Negociando pedágios nos contratos com empreiteiras, juntou propina de mais de R$ 20 milhões — conforme está escrito na sentença do STF, que o condenou a oito anos de prisão.

    Há aí certa surpresa. Quando as sentenças de praticamente todos os condenados pela Lava-Jato e suas extensões foram anuladas, Collor veio lá do fim da fila direto para a cadeia. Verdade que sua participação foi limitada e acessória. O que são R$ 20 milhões diante dos bilhões surrupiados da Petrobras? Mas está lá: condenado por roubalheira no “petrolão”. O único, hoje. Abundantes provas de outras condenações foram anuladas, mas valeram no caso de Collor. O que dirão, que todos eram inocentes, menos Collor? Quem quiser acreditar…

    Lupi foi apanhado, direta ou indiretamente, pela corrupção no INSS. O caso todo começa com o aparelhamento do Estado, ocupado pelos companheiros mesmo nos cargos técnicos. Como mostra a História Política, isso sempre leva a dois resultados negativos. Primeiro, a ineficiência, demonstrada neste caso. Ao contrário do que Lula prometeu na campanha, a fila para obter benefícios do INSS não zerou. Longe disso. (Aliás, a fila do SUS também não zerou, mas isso é outra história.) O segundo efeito é abrir as portas para a corrupção. Neste caso, com agravante. Não se roubou o dinheiro do Estado, mas o dinheiro de aposentados e pensionistas.

    Já se ouve por aí o argumento de que se trata de um crime privado: sindicatos enganaram ao mesmo tempo os aposentados e o INSS. Parece fazer sentido: sindicatos falsificam autorização de desconto de mensalidades nos vencimentos dos aposentados; o INSS simplesmente recebe a autorização, desconta em folha um valor das aposentadorias e remete direto para os sindicatos. Muitos aposentados nem sabiam que sofriam os descontos.

    Se fosse só isso, já seria muito grave. Revelaria tremenda ineficiência do INSS. Como poderia não saber de nada? Não foi uma ou outra fraude, chegam a milhões. Como mostram as investigações, a manobra só poderia ser feita com a anuência, se não o apoio, de gente da administração do INSS.

    Lula disse que a roubalheira começou no governo Bolsonaro, em 2019, e foi descoberta agora, na administração petista. Verdade. Mas, com isso, Lula admitiu desde já que se trata de grossa corrupção, o que é embaraçoso para ele. A roubalheira começou há seis anos, mas tomou corpo de coisa grande nos últimos dois, justamente no governo Lula, com funcionários nomeados por ele. Essa corrupção é reconhecidamente do governo atual. Do ponto de vista jurídico e político.

    Admitido o crime, decorrem duas questões: primeira, a punição dos companheiros envolvidos; segunda, como devolver o dinheiro dos aposentados e pensionistas roubados? Não é simples. O governo pode enrolar, de propósito ou por inépcia. Basta dizer que os aposentados devem cobrar dos sindicatos que os roubaram. O INSS também pode cobrar dos sindicatos o dinheiro passado indevidamente e devolver aos aposentados.

    Em qualquer hipótese, a demora será enorme, com o óbvio desgaste político do governo, mesmo porque os sindicatos envolvidos são amigos da casa. Mas o principal efeito é outro: uma grande injustiça com os aposentados assaltados. Eis aí: o governo lutando para salvar sua popularidade e lhe caem no colo dois casos de corrupção e um de ineficiência administrativa.

  6. LULA, LUPI E OS EXTRATERRESTRES, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo

    Lula falou – pela primeira vez – sobre o roubo bilionário ao INSS. Foi a propósito do 1.º de Maio, num discurso gravado. Forma de evitar contato com o mundo real, donde com mais um evento vazio, e discorrer – desde o palácio – sobre um “país bom de se viver”. Seria o Brasil – o da violência e da inflação.

    Evitou também o constrangimento de subir em palanque pelo Dia do Trabalhador enquanto os trabalhadores de uma vida inteira descobrem a roubalheira a suas aposentadorias. Preferiu falar a extraterrestres chegados de repente à Terra e então convencidos de que o governo descobrira ontem o assalto a aposentados e pensionistas, contra o qual agiu energicamente – e com o qual nada teria a ver. A alternativa à hipótese “extraterrestres” seria nos tirar por idiotas.

    A realidade se impõe lastreada em auditorias, atas e alertas variados; o governo Lula informado acerca da roubalheira no INSS (pelo menos) desde junho de 2023, quando uma integrante do Conselho Nacional de Previdência Social denunciou a Carlos Lupi a safadeza em curso. Nada seria feito – até março de 2024.

    Naquela altura, e não sem ajuda do Parlamento, o esquema – que tem rastro desde 2016 – já batia em bilhão de reais. O volume de descontos concedidos quase dobrara de 2022 para 23, primeiro ano deste governo, e mais que dobraria de 23 para 24. Mesmo assim, o Planalto defende haver tomado providências contra as fraudes. No melhor cenário, admissão de incompetência: caso em que medidas para fazer cessar a corrupção teriam feito crescer a corrupção.

    É fato: o esquema – que avançara período Bolsonaro adentro – cresceu sob Lula. Fato: a Polícia Federal não investiga um escândalo de incompetência. Define a PF: “O único interesse em voga e observado pela direção do INSS foi o das entidades associativas”. Direção nomeada por Lupi, nomeado por Lula, como outrora por Dilma – e que caíra por suspeita de malfeitos no Ministério do Trabalho.

    Lula contratou o pacote Lupi e ficará com a “responsabilidade institucional” pelo INSS que Lupi rejeita para si. É na hora em que a polícia vai a campo que as autarquias se tornam “independentes”. Não terá sido dessa maneira quando se exerceu o poder para distribuir os cargos de comando à rapaziada.

    Para se aquilatar o naipe das providências tomadas contra a roubalheira pela rapaziada, temos tanto a norma de março de 2024, que suspendeu as cobranças de descontos até que desenvolvidos mecanismos eficazes para controle das concessões, quanto o “desbloqueio excepcional”, em junho de 2024, de descontos a entidades investigadas, sem que houvesse os novos meios de verificação.

    Tudo pela caneta do presidente do INSS, homem de Lupi, homem de Lula. A instrução normativa de março servindo por fachada até que se encontrasse, em junho, uma “solução transitória” para que a máquina continuasse a girar. Não dá para o governo – com ou sem Lupi – tirar o corpo fora.

  7. A justiça brasileira agora, mais do que nunca, é para quem tem dinheiro, acesso privilegiado a juízes, auxiliares e cortes, além da influência por lobistas familiares dos operadores do direito. Primeiro, joguem fora a lei. Segundo: o caro e lento – e agora corrompido – aparelho jurisdicional. Se é verdade que a maioria é boa, limpa e profissionalmentesta, qual a razão de ela estar calada e tomar a lama no lombo?

    VENDA DE SENTENÇAS PRECISA SER PUNIDA COM O RIGOR DA LEI, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    Foi concluído o inquérito da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de venda de decisões no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.

    De acordo com o relatório policial, participariam dessa organização criminosa nada menos que sete desembargadores (dois dos quais aposentados) e um conselheiro do Tribunal de Contas do estado, entre outros suspeitos.

    A quebra do sigilo de comunicações levou a PF a acreditar que muitas das negociações ilícitas tenham ocorrido com a intermediação de filhos dos desembargadores e, mais grave, que a corrupção tenha alcançado membros do Superior Tribunal de Justiça.

    Em depoimentos, alguns dos envolvidos negaram qualquer irregularidade em suas condutas e, se um processo for instaurado, terão a oportunidade de apresentar suas explicações.

    Por causa da menção a integrantes do STJ, caberá à Procuradoria-Geral da República decidir se levará o caso adiante, com a formalização de denúncia no Supremo Tribunal Federal (STF). Espera-se que a PGR esteja atenta a esse episódio, pois crimes dessa natureza, se comprovados, não podem passar sem resposta firme.

    Em uma república, o Judiciário é o órgão responsável por solucionar conflitos entre pelo menos duas partes. Sua imparcialidade, simbolizada por uma figura de olhos vendados, é condição necessária para que os cidadãos confiem em sua atuação e aceitem pacificamente o desfecho determinado em uma sentença.

    Violar esse princípio, portanto, não representa uma ofensa somente a quem se viu prejudicado em um caso concreto; representa uma agressão contra a própria ideia de Justiça e, por consequência, também contra um pilar do Estado democrático de Direito.

    Vistas por esse ângulo, as suspeitas em Mato Grosso do Sul já são deploráveis o bastante, mas, infelizmente, estão longe de encerrar todas as fontes de preocupação dentro do Poder Judiciário.

    Existem no país ao menos 14 tribunais envolvidos em episódios de venda de decisões judiciais. São casos ligados a magistrados da ativa, aposentados ou afastados, além de funcionários de seus gabinetes e parentes com trânsito no ambiente forense.

    Embora STJ e Conselho Nacional de Justiça (CNJ) afirmem priorizar esses esquemas de corrupção, há ações que se arrastam há mais de uma década, sem conclusão.

    Tamanha demora é inadmissível. O respeito à ampla defesa não pode se confundir, jamais, com a mera protelação de um desfecho condenatório, sob pena de reforçar na sociedade a percepção de que os magistrados se pautam, nas relações entre si, apenas por um corporativismo pusilânime.

    É fundamental que as investigações avancem e que as condutas ilícitas sejam punidas com o rigor da lei. Para além dos casos concretos, é imprescindível, de modo mais amplo, reforçar os mecanismos de controle e transparência, para evitar que se repitam episódios tão lamentáveis e danosos como esses.

  8. O CIRCO

    Está instalado em Gaspar o circo. A lona já pegou fogo. Os malabaristas e palhaços estão expostos nos esquetes de quinta que fazem todos os dias vias as redes sociais. Resta, intimidar, processar e desqualificar os que não querem rir dos bobos da corte e das palhaçadas que não resolvem, efetivamente, os problemas da cidade. Isto não vai terminar bem. Mas, para os que prometeram mudar e estão dando vexame. Muda, Gaspar!

  9. Nção é um cacoete, um deslize. É uma prática afirmativa.

    APÓS INSS, PÉ-DE-MEIAENTRA NA MIRA DA CGU, por Andréa Jubé, no jornal Valor Econômico

    O aniversário de 25 anos do Valor Econômico é um convite a reavivar a memória, refletir sobre as voltas que o mundo dá, e como os acontecimentos se repetem. Foi Hegel, citado por Karl Marx, quem disse que os fatos e personagens importantes na história ocorrem duas vezes: a primeira como tragédia, a segunda como farsa.

    O exemplo da vez é o esquema de corrupção no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que tem como vítimas aposentados e pensionistas, lesados em até R$ 6,3 bilhões. Os desvios foram revelados pela Controladoria-Geral da União (CGU), um ministério que tem quase a mesma idade do jornal.

    Aqui cabe um parênteses para lembrar que, depois do INSS, a CGU já tem outro alvo no radar: o programa Pé-de-Meia, uma das vitrines do governo Lula 3, que beneficia 3,9 milhões de alunos do ensino médio. Auditores da CGU visitarão 39 municípios, que foram sorteados, e as 27 capitais para fiscalizar a execução do programa, investigar eventuais irregularidades e sugerir aperfeiçoamentos.

    O escândalo de corrupção no INSS mostra como a história se repete como tragédia. A CGU foi criada há 24 anos, por medida provisória do presidente Fernando Henrique Cardoso, em abril de 2001. A conjuntura política lembrava a atual: a gestão tucana era alvo de denúncias de irregularidades, e a oposição, liderada pelo PT, recolhia assinaturas para instalar a comissão parlamentar de inquérito (CPI) da Corrupção, a fim de apurar os fatos e constranger o governo.

    A oposição tinha respaldo popular: uma pesquisa Datafolha mostrou que 84% dos entrevistados eram a favor da CPI. Havia denúncias de desvio de verbas na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), na Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), no Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), e acusações da época da campanha, como o Dossiê Cayman, sendo desenterradas.

    Pressionado, Fernando Henrique liderou uma ofensiva de ministros e aliados no Congresso para barrar a CPI, com a retirada de assinaturas do requerimento de criação do colegiado, promessa de cargos, de liberação de emendas, e até apoio do governo para evitar a cassação do senador Antônio Carlos Magalhães, implicado no escândalo da violação do painel do Senado.

    Ao mesmo tempo, FHC respondeu à população com a criação da CGU, nomeando como ministra a procuradora federal Anadyr de Mendonça Rodrigues, indicada pelo então titular da Advocacia-Geral da União (AGU), Gilmar Mendes. Na solenidade de posse, o presidente fez um longo discurso, rebatendo cada uma das acusações contra o governo.

    Na ocasião, FHC anotou em seu diário, nas páginas relativas aos dias 4 a 15 de abril de 2001, que a repercussão na imprensa sobre seu discurso e a criação da CGU foi positiva. “Aparentemente, conseguimos superar a dificuldade maior, que era evitar a CPI da baderna”, escreveu. Observou que não era contra a investigação, mas achava que aquela comissão de inquérito “seria um palanque de oposição, misturando alhos com bugalhos”, enquanto o governo poderia dar provas de combate à corrupção.

    No mesmo diário, FHC reclamou que a imprensa publicou denúncias contra Anadyr, em relação à compra de um imóvel, registrado com valor inferior ao da venda. O presidente escreveu que isso era “prática corrente” no país, e que havia um exagero da imprensa em relação às figuras públicas. “Há sempre uma pedrinha para atrapalhar, sempre andam buscando ver pelo em ovo; acho que nem freira consegue, hoje em dia, passar por essa mania de escrutínio”, criticou.

    Em 2003, no primeiro ano da gestão Lula 1, a pasta passou a se chamar Controladoria-Geral da União, incorporando mais atribuições, como auditorias públicas, correição e ouvidoria. Agora, duas décadas depois, o ministério conduz talvez a maior operação desde a sua criação. Junto com a Polícia Federal, a CGU desmontou o esquema bilionário de corrupção, que já derrubou o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, pressiona o ministro Carlos Lupi, e obrigará o governo a ressarcir os lesados.

    A gravidade do episódio levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a se manifestar sobre os fatos no pronunciamento relativo ao Dia do Trabalhador: “Determinei à Advocacia-Geral da União que as associações que praticaram cobranças ilegais sejam processadas e obrigadas a ressarcir as pessoas que foram lesadas”, comprometeu-se. Paralelamente, Lula terá de demonstrar a mesma habilidade política de FHC para, igualmente, barrar uma comissão de inquérito. No caso, a CPI do INSS, que já foi protocolada pela oposição na Câmara dos Deputados.

    Desde os primeiros anos de funcionamento, a CGU mantém um programa para auditar políticas públicas usando a amostragem da população, por meio do sorteio de municípios que serão visitados pelos auditores. A ideia é ouvir os cidadãos e gestores municipais sobre as entregas do governo, a eficiência dos programas, e, simultaneamente, prevenir e combater fraudes.

    Do início da investigação, em 2023, até a descoberta do esquema de corrupção no INSS, no ano passado, os auditores da CGU fizeram mais de 1 mil entrevistas, visitaram dezenas de associações ligadas à autarquia, colheram denúncias e aprofundaram as investigações. Tudo começou quando os auditores decidiram, há dois anos, que era hora de investigar o INSS, a partir de denúncias anônimas de que havia suspeita de descontos irregulares, entre R$ 40 e R$ 80, nos contracheques dos aposentados e pensionistas. Agora será a vez do Pé-de-Meia, vitrine eleitoral de Lula.

  10. O retrato de uma fotógrafa que sempre deu retoques mais favoráveis a Lula, PT e a esquerda do atraso. Nem ela, consegue retocar

    LULA, DE DERROTA EM DERROTA, por Eliane Cantanhêde, no jornal O Estado de S. Paulo

    Os ventos no Congresso sopram contra o presidente Lula e a favor, não exatamente de Jair Bolsonaro, mas do bolsonarismo, que atrai o poderoso Centrão e impõe derrotas ardidas para o governo. Dois exemplos: anistia de 8 de janeiro, para livrar o próprio Bolsonaro, e CPI do INSS, que mira um roubo de bilhões de reais de aposentados e pensionistas, numa combinação devastadora. Os dois projetos já têm assinaturas suficientes para deslancharem.

    Anistia e CPI andam juntas, e com fôlego, pressionando Hugo Motta e Davi Alcolumbre, desafiando Lula e preocupando o Supremo. A anistia foi feita sob encomenda para Bolsonaro e a CPI é um torpedo voltado para Lula. CPIs são contra governos, imobilizam Câmara e Senado e travam pautas como os atuais pacotes do IR e da Segurança. E mais: ao expor a corrupção no INSS, a CPI, se for criada, vai dividir holofotes (da mídia, das redes e da sociedade) com o julgamento de Bolsonaro no STF.

    Até quando Davi Alcolumbre e Hugo Motta vão matar no peito para defender Lula? Eles se comprometeram com a governabilidade e desfrutaram do avião presidencial para o Japão e para a despedida do papa Francisco no Vaticano, mas têm limites, são pragmáticos e sabem como ninguém para onde os ventos sopram, a um ano e meio da sucessão presidencial.

    Uma foto diz muito sobre a fragilidade do governo no Congresso, em sintonia com a queda de popularidade de Lula: a do lançamento da federação partidária entre PP e União Brasil (fusão do ex-DEM, historicamente anti-PT, com o ex-PSL, sigla de Bolsonaro em 2018), somando 109 deputados, 14 senadores, 1.330 prefeitos, seis governadores, um Fundo Partidário de muitos milhões de reais e… quatro ministros.

    No lançamento, não havia um único petista ou representante do Planalto, mas compareceram Valdemar Costa Neto e Sóstenes Cavalcante, do PL, o partido de Bolsonaro, que capitaneia a anistia de 8/1 e a CPI. E uma das estrelas foi Ciro Nogueira, presidente do PP, exchefe da Casa Civil de Bolsonaro e estridente opositor de Lula. O ato, portanto, foi uma festa da oposição, com aceno a Bolsonaro e sinal de alerta para Lula.

    O principal desafio de Lula é o Congresso, com a sensação de que ele entrou na guerra sem armas e tropas, cercado de inimigos e contando com aliados cuja lealdade, frágil na origem, pode esfarelar com os ventos de 2026 que, hoje, mostram o bolsonarismo vivo e articulado e o lulismo fraco e desnorteado, a ponto de Lula, com todo seu histórico de líder sindical, ficar trancado no Alvorada no Primeiro de Maio

  11. A prova de que essa gente não saiu do século 20, enquanto estamos em plenos anos 25 do século 21. Acordam políticos chupins dos sonhos dos brasileiros

    LULA PERDEU A MAIORIA DOS TRABALHADORES? por Vera Magalhães, no jornal O Globo

    Uma das maiores dificuldades de Lula e de seu terceiro governo é justamente entender e se aproximar do novo mundo do trabalho. O 1º de Maio, pelo segundo ano consecutivo, escancarou o afastamento entre o presidente que se forjou nas lutas sindicais e este novo trabalhador que ele não consegue compreender.

    A dificuldade começa porque, com as mudanças tecnológicas, culturais e sociais dos últimos anos, se torna difícil até enquadrar todos aqueles que estão em idade produtiva no selo “trabalhadores”. Muitos, principalmente os mais jovens, preferem ser qualificados como empreendedores, mesmo quando vai aí uma boa dose de desinformação a respeito dos direitos sociais de que abrem mão quando rechaçam a ideia de trabalhar com “carteira assinada”.

    O governo tem falhado reiterada e incorrigivelmente em tentar conversar com essa parcela da força produtiva. Há ainda uma série de superposições de perfis que afasta ainda mais esse contingente de Lula e do PT. Quando se fala num trabalhador autônomo que usa a tecnologia, vive nos grandes centros urbanos, é jovem e evangélico, a rejeição ao governo é enorme, como mostram pesquisas à disposição do próprio Planalto e também levantamentos feitos por empresas.

    Muitas vezes, paradoxalmente, esse trabalhador se beneficiou, diretamente ou por meio de sua família de origem, de uma ou mais políticas públicas criadas e implementadas por Lula nos mandatos anteriores ou por Dilma Rousseff. Mas, à medida que esse tempo passou e fatores como a reforma trabalhista, o impeachment, a Lava-Jato e outros marcos da História recente aconteceram, esse público cresceu com aversão ao sindicalismo e à esquerda. Isso é muito forte, e nada no corolário de medidas e programas experimentado por Lula e seus ministros igualmente perdidos foi pensado para quebrar a repulsa.

    Um escândalo como as fraudes em aposentadorias e pensões do INSS, num cenário como esse, atinge os já ressabiados novos trabalhadores como um “C.Q.D.” daquilo que, justa ou injustamente, foram levados a pensar sobre o PT na última década.

    Nesse caso, não tem efeito dissuasivo o fato de os desvios terem começado sob Jair Bolsonaro. O que fica, e é difundido pelas redes sociais e nas conversas nos espaços públicos, é tratar-se de mais um caso de corrupção petista. A forma descuidada, galhofeira, com que sistematicamente o ministro Carlos Lupi se refere à tunga em aposentadorias e pensões, o inexplicável silêncio de Lula e a ausência da Casa Civil no comando da crise agravam o quadro.

    Se Rui Costa é o coordenador do governo, cabe a ele criar um gabinete de crise imediatamente e só dissolvê-lo quando houver uma saída definitiva para ressarcir aqueles que foram lesados (uma conta de bilhões de reais, capaz de desequilibrar ainda mais o já frágil Orçamento) e fechar a torneira para novas fraudes. Mesmo a ideia de tirar o INSS da intermediação dessas associações, aventada por Lupi, já deveria ter sido executada pelo menos desde 2023 — portanto, falar isso agora não limpa a barra do governo.

    Se já é difícil convencer o novo trabalhador de que existe alguma vantagem em se sindicalizar ou em contribuir para associações de qualquer natureza com seu suado dinheirinho, um caso de roubo em larga escala torna a tarefa praticamente impossível.

    Essa é a realidade do 1º de Maio, para além dos palanques cheirando a naftalina das centrais, que, mesmo diante de públicos declinantes e da evidência da dificuldade de fazer andar pautas justas, como o fim da jornada 6 x 1, não conseguem entender que precisam virar o disco, se atualizar e, humildemente, tentar entender quem é o novo trabalhador, antes de ter a arrogante ilusão de que o representam.

  12. A ERA DA ACOMODAÇÃO, por Willian Waack, no jornal O Estado de S. Paulo

    Não há muito o que Lula possa fazer a não ser se acomodar, e esse parece ser mesmo o caminho que ele está seguindo. Começa pela sua taxa pessoal de popularidade e aprovação, acomodada em patamar baixo e dando sinais de que não vai se mexer muito – sinal dos tempos, equivale a uma espécie de “vitória”.

    Acomodou-se ao fato de que seu governo pouco controla em dois sentidos convergentes, o da corrupção e o da ineficiência. O escândalo de corrupção no INSS é um caso clássico de descontrole sobre os agentes políticos e públicos. Em outras palavras, nunca os corruptos se sentiram tão à vontade como agora (os fatores contribuintes são outra história).

    Semelhante falta de controle administrativo é o que explica o crescimento acelerado de algo que não deveria estar acontecendo, segundo a equipe econômica do próprio governo: o Benefício de Prestação Continuada, com seu evidente impacto fiscal. Há uma curiosa sensação em relação ao governo Lula 3 de que as coisas não são feitas, simplesmente “acontecem”.

    Lula acomodou-se ao fato de que Legislativo e Judiciário reduziram os poderes do Executivo a um ponto inédito na história dessas instituições. Isto já era notório no caso da alocação de recursos via orçamento público, mas escancarou-se nas tratativas entre Legislativo e Judiciário para encontrar um jeito (sim, um jeito) de aliviar a situação dos acusados pelo STF de participação no 8 de Janeiro sem anistiá-los.

    A próxima acomodação à qual Lula assiste sem poder fazer nada ocorre dentro do Centrão. A “superfederação” anunciada por União Brasil e PP tem como motivação óbvia a capacidade de ampliar consideravelmente sua força financeira para formar o que os operadores políticos hoje em Brasília consideram a tarefa fundamental: constituir bancadas fortes que possam controlar, em boa parte, o que acontece na Câmara e no Senado.

    Mas ela vai além da ampliação do número de parlamentares e seu acesso a vários fundos públicos. Sugere que os condutores das grandes articulações em Brasília estão perfeitamente acomodados com um cenário político no qual as moedas de troca perderam o valor, o Judiciário virou um integrante do consórcio dirigente em sentido amplo e o Executivo é um de estatura muito diminuta em relação ao que já foi, e não faz tanto tempo assim.

    Os limites dessa grande “acomodação” (o contrário de uma grande “concertación” entre forças políticas) vão ser testados por fatores amplos, para os quais o “consórcio” não tem resposta nem comando únicos. Eles são economia fraca, demografia jogando contra e instituições desarticuladas incapazes de enfrentar crime organizado, para não falar da execução de qualquer reforma estruturante.

    As eleições de 2026 vão dizer quanto o País vai se acomodar a isto também.

  13. PRECISAMOS FALAR SOBRE CORRUPÇÃO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    Malévola e irresistivelmente longeva na história do Brasil, a corrupção andava um tanto fora do noticiário e do debate público, até que emergiu com força graças a uma sucessão de malfeitos coincidentes, incluindo a queda do ministro Juscelino Filho (Comunicações) após denúncia da Procuradoria-Geral da República, a prisão do ex-presidente do Peru Ollanta Humala e o asilo concedido à ex-primeira-dama Nadine Heredia, a prisão do ex-presidente Fernando Collor e o ruidoso escândalo dos descontos em aposentadorias e pensões do INSS. Não que a corrupção estivesse suspensa na rotina de práticas antirrepublicanas que costumam alimentar os cupins do dinheiro público, como atesta o nefasto assunto das emendas parlamentares sem transparência, mas está claro que o País tem negligenciado o tema. Sobretudo depois que os excessos cometidos pela Operação Lava Jato contribuíram, em grande medida, para descredenciar a agenda e ainda permitir que réus confessos passassem a posar de vítimas.

    Precisamos falar sobre corrupção. Para tanto não é preciso recorrer à História. Registre-se que a corrupção já era fonte de preocupação no período em que éramos colônia portuguesa. Mem de Sá, o governador-geral do País entre 1558 e 1572, por exemplo, foi acusado de enriquecimento ilícito. No Rio de Janeiro, dizia-se que os mercadores de escravos que saíam da África e seguiam para o Rio da Prata e precisavam fazer escala no Rio para abastecer já sabiam que tinham de pagar propina ao governador da capitania. Tampouco se deve recorrer a hipérboles de pouca serventia, como a dúvida se o Brasil é o país mais corrupto do mundo, se os governos lulopetistas foram os mais corruptos da história brasileira ou se a atual legislatura é a mais imperfeita desde a redemocratização.

    Também é contraproducente escolher entre o moralismo udenista (nos anos 1950 e 1960, a UDN era o partido que denunciava a corrupção com maior vigor) e a naturalidade com que a esquerda despreza o assunto – principalmente depois que o PT passou a ser governo, no início dos anos 2000. Como se sabe, o PT ascendeu denunciando tudo e todos, mas uma vez no poder se revelou tão corrupto quanto aqueles grupos que vivia a denunciar. Completados dez anos de poder, um documento levado a um conclave petista definia o partido como vítima do presidencialismo de coalizão, “prisioneiro de um sistema eleitoral que favorece a corrupção”. Agora, com a morte do presidencialismo de coalizão e a vigência de um sistema político disfuncional, não são poucos os morubixabas petistas que novamente apresentam a legenda como vítima. Desta vez não do presidencialismo de coalizão, mas de sua crise.

    Vítima, contudo, é o Brasil – moral, política e economicamente. A corrupção ajuda a travar o pleno desenvolvimento econômico e social do País. O uso de estatais e instituições públicas por mercadores da política e da burocracia leva à locupletação de uns em prejuízo do dinheiro de muitos. Quando governantes se aproveitam do Estado em benefício próprio ou de seus apadrinhados se reforça um mal inquestionável: o desvirtuamento da gestão pública em uma máquina de ineficiência. Mas não há só más notícias. O Brasil avançou muito em matéria de fiscalização e controle. Os diques de contenção, previstos pela Constituição de 1988 e depois dela, funcionam. É o caso da Lei das Estatais, que instituiu regras mais rígidas contra o uso político das empresas públicas, e da Lei de Acesso à Informação (LAI), a partir da qual órgãos públicos passaram a ser obrigados a publicar dados e a responder a pedidos de informação apresentados por cidadãos, por organizações da sociedade civil e pela imprensa livre e independente. Também não faltam punições em nossa história recente, apesar dos pesares.

    Resta avançar, insista-se, na qualidade do debate público sobre a corrupção. Em primeiro lugar, aceitando a ideia de que se trata de uma mazela sem cor ideológica ou partidária. Segundo, reconhecendo que, como um problema sistêmico, dispensa grandes escândalos para ser uma preocupação nacional e exige maior rigor no controle, na fiscalização e na punição devida aos malfeitos. Terceiro, e não menos importante, mostrando que a reação enfática da sociedade e a consequente vigilância são a melhor arma contra a corrupção, que avilta as instituições, a democracia e a autoestima do Brasil.

  14. O LADRÃO DE ANÚNCIOS, por Aurélio Marcos de Souza, advogado, ex-procurador geral do município de Gaspar (2005/08), graduado em Gestão Pública pela Udesc. Este artigo foi postado nas redes sociais do autor.

    Diz a lenda que no mundo dos deuses modernos, o maior crime não é roubar uma ideia — é roubar o anúncio dela.

    Um certo personagem, entusiasmado com sua conquista, preparava o grande momento: contar ao povo que sua proposta havia sido aprovada. Sonhava com palmas, curtidas e talvez até um cafezinho comemorativo.

    Mas eis que, vindo das nuvens do alto escalão, alguém com acesso privilegiado desce com trovões e tambores e… anuncia primeiro! O feito já estava nas redes, nos grupos e nas rodas de conversa. Sobrou ao autor original apenas a sombra do aplauso e um sorriso constrangido.

    Chamaram de inveja, ciúmes, mal-entendido. Pode ser. Mas no fundo, foi só mais um episódio de um velho hábito: o de querer aparecer antes de fazer junto.

    No final, ninguém brigou. Continuam aliados — pelo menos por fora. Só ficou no ar aquele cheiro de ozônio… típico de quando alguém mexe num raio que não é seu.

  15. MARÉ FAVORÁVEL À ULTRADIREITA REFLUI COM “EFEITO TRUMP”, editorial do jornal O Globo

    A vitória de Donald Trump no ano passado parecia prenunciar o avanço da ultradireita populista no mundo todo. Antes mesmo da posse, Elon Musk, arauto do trumpismo, não perdeu tempo para tentar influenciar eleições na Alemanha e pelo mundo. Parecia que as democracias seriam varridas pelo populismo da direita radical. Passados três meses, Trump começa a surtir o efeito oposto nas disputas eleitorais.

    Nas eleições de segunda-feira no Canadá, Mark Carney liderou a vitória do Partido Liberal, de centro-esquerda, para mais um mandato — o quarto consecutivo. O fator determinante na campanha foi a bandeira anti-Trump. Se o estilo errático e caótico que impera na Casa Branca persistir, é bastante provável que outras eleições mundo afora tenham desfecho semelhante.

    Em tempos de incerteza, os canadenses correram para a opção mais segura e sensata. Carney é um novato na política. Nunca concorrera a cargo eletivo. Assumiu o posto de primeiro-ministro em março, ao vencer a disputa no partido após a desistência do impopular Justin Trudeau. Sem carisma, com francês deficiente, tem um currículo em que se destacam dois postos de natureza técnica, a presidência dos bancos centrais de Canadá e Inglaterra. O conhecimento técnico e o estilo sereno, muitas vezes vistos como desvantagens em tempos de polarização, se converteram em atributos fundamentais para enfrentar o trumpismo.

    No Canadá, Trump se tornou radioativo. O caos dos primeiros cem dias de governo assustou a opinião pública canadense. A guerra tarifária e a intenção de tornar o Canadá o 51º estado americano uniram os eleitores em torno da defesa nacional. O líder dos conservadores, Pierre Poilievre, era franco favorito até o fim do ano passado. As pesquisas apontavam vantagem de 24 pontos. Elogiado por Musk, festejado pela base trumpista e adepto de políticas similares às de Trump, ele contava os dias para sentar-se na cadeira de primeiro-ministro. Diante do refluxo da maré, até tentou se desvincular de Trump, mas a tarefa se provou impossível. Não conseguiu nem ser reeleito para o Parlamento em seu próprio distrito.

    Embora a votação dos conservadores tenha sido significativa, a nova derrota para os liberais traz maus presságios para a direita radical. No primeiro discurso após a vitória, Carney manteve o tom da campanha: “Os Estados Unidos querem nossa terra, nossos recursos, nossa água. O presidente Trump tenta nos destruir para nos possuir. Isso nunca acontecerá”. Uma vez no poder, ele terá a oportunidade de exibir todo o seu pragmatismo. Oito em dez produtos exportados pelo Canadá vão para os Estados Unidos. Um em dez empregos está ligado ao comércio com o vizinho ao Sul. As conexões se estendem às áreas militar e de espionagem.

    O mundo todo sente os efeitos da política protecionista de Trump, da instabilidade e da incerteza que emanam de sua personalidade errática e de sua gestão caótica. Se continuar a gerar confusão, a tendência é o apoio aos populistas da ultradireita ser posto em xeque também noutros países. Pelo menos no curto prazo, é difícil que Trump se torne um cabo eleitoral poderoso. A estratégia de oposição aguerrida ao caos trumpista, adotada por Carney, deverá inspirar candidatos mundo afora. Eleições como as deste ano no Chile e do ano que vem no Brasil permitirão saber se ela se tornará uma nova tendência.

  16. O JOGO SUJO DA CBF E DA NIKE, por Mariliz Jorge Pereira, no jornal Folha de S. Paulo

    A notícia é que a CBF e a Nike devem lançar uma camisa vermelha para a seleção. A cor divide mesas de bar, famílias e timelines desde que virou sinônimo de comunismo, feminismo, gayzismo e outras palavras que a histeria aprendeu a gritar sem entender o que significa. Claro que causou alvoroço. Os patriotas do amarelo se sentem traídos. Os progressistas da Santa Cecília acham revolucionário. A CBF faz o que sabe: capitaliza.

    O novo uniforme não é um gesto político, é uma planilha de Excel com costura. Não é homenagem aos povos indígenas ou qualquer outro banho de marketing com cara de conscientização social. Tampouco um manifesto contra o sequestro da identidade de um povo. A tonalidade é nova, o truque é velho: lança-se a polêmica, finge-se ousadia, alimenta-se a polarização —e assiste-se à mágica do engajamento virar lucro. De preferência, em três vezes sem juros.

    Enquanto discutimos se na escala Pantone o vermelho é marxista-leninista, esquecemos da verdadeira aberração: a própria CBF. Uma entidade opaca, elitista, afundada em corrupção, comandada por cartolas que tratam o futebol como sua mina de ouro privada e o torcedor como um Pix ambulante. Pouco importa a cor da camisa —eles querem que você compre. De preferência, todas.

    A confederação não tem problema em rasgar o próprio estatuto que define as regras para sua comunicação visual. Tem problema com transparência, com ética, com a ideia de que futebol é um patrimônio cultural dos brasileiros e não mercadoria premium para benefício de poucos. A camisa poderia ser lilás com bolinhas douradas; sem sair dessa estrutura viciada, continuará sendo oportunismo costurado com linha de cinismo.

    A polêmica não está na cor, mas no oportunismo. A CBF vende neutralidade estilizada enquanto se esconde atrás dos nossos símbolos e manipula nossas paixões. Discutimos a paleta cromática como se dela dependesse o futuro da democracia. E nesse jogo sujo a parceria CBF e Nike segue invicta, enquanto a seleção e o país continuam a tomar de lavada.

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