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A REDE SOCIAL É A NOVA “DESCOBERTA” DA NOVA GERAÇÃO DE POLÍTICOS. AO MESMO TEMPO EM QUE É SURPREENDENTE NOS RESULTADOS, ELA TAMBÉM NÃO PERDOA O JEITO ANALÓGICO DE USÁ-LA. TANTO QUE OS ESPERTOS ESTÃO SENDO “COMIDOS”, PELA PRÓPRIA ESPERTEZA TÃO RÁPIDOS COMO SURGIRAM

Encerro nesta sexta-feira a série de quatro artigos curtos prometidos para a semana. Eles foram escritos para fugir da “misturança” de números a que estão obrigados os veículos tradicionais e as redes sociais informativas, tão logo se abriram as urnas e se tentava – e ainda se tenta – encontrar explicações, confrontações, comemorações e aflições. Sem análises – adequadas ou não, pois são livres os pontos de vistas – estes números mais confundem do que esclarecem os leitores e leitoras desses veículos tradicionais do copia e cola.

Os quatro artigos da semana tentam mostrar como os políticos tradicionais de Gaspar e da região, misturadinhos em problemas e virtudes – e com a polícia ao encalço de alguns -, mais uma vez, foram ignorados pelos eleitores e eleitoras nas urnas em quatro de outubro, mesmo se como vendendo novos, ou salvadores e portadores de mundos e soluções ideais.

Na verdade, há uma nova geração substituindo-os. Avisados estavam. Pois nada, foi ou é silencioso. Há uma mudança em curso, não apenas na forma de se comunicar, mas na de escolher e usar conteúdos. E cada vez mais rápida; com capacidade de convencimento. Ou seja, o político não é apenas fruto do uso do processo individual das redes sociais, onde se tornou estrela e influencer no contato com a sua bolha e até, fora dela.

O primeiro parêntesis. Houve um dia e muito recente, que o púlpito, a bíblia e a fé eram fatores de credibilidade, de transformação, pregação, conversão e resultados. Cuidado! Isto parece já estar no passado. Usaram tanto para a política e poder pagão que tornaram o sagrado em algo próximo à corrupção não apenas a material, mas no valor moral – e até ético – pregado pelo próprio livro sagrado aos convertidos…

O FENÔMENO GIOVANA

Retomando. Há conteúdos, ideias, debates, intencionalidades e separações como o óleo e a água, mesmo sendo ambos líquidos. No uso das redes sociais e aplicativos de mensagens por estes novos atores sociais e políticos eles se apoiam e fortalecem à representação política, crenças, valores de toda a sorte e espectros ideológicos. O que mudou? O meio para propagar, interagir e se alcançar esse resultado: o meio digital é instantâneo e perigosamente – ou para o bem de todos – não se apaga também (voz, escrita e imagem). Adiante, mostro um exemplo desta semana, entre milhares. Ele prova de que muitos não aprenderam com os seus e os repetidos erros dos outros.

Toma-se como exemplo a jovem (33 anos) dentista, professora e vereadora criciumense, que se declara abertamente bi-sexual, Giovana Vito Mondardo, do PC do B, eleita deputada Federal com 114.792 votos, num estado estigmatizado como conservador, bolsonarista e de direita? Isto, por si só é um feito que além de derrubar estigmas, vai precisar de mais observações e avaliações. É cedo demais. E não vou além nestes dois quesitos neste artigo.

Sabem quantos votos Giovana fez em Gaspar no domingo passado? 507. Foi a 12ª mais votada em área coalhada de dois candidatos de Gaspar e outra dezena à reeleição, com tradição de votos que já se apurou como centenas num colégio eleitoral de apenas 51.631 eleitores (abstenção e outros não contáveis em torno de 20%). Uau! Alguns cabos eleitorais de tradicionais e que possuem contatos privados comigo estão viúvos, inconformados e deprimidos.

Mas, aqui abro um segundo parêntesis de reflexão: quantos votos os dois candidatos a Federal de Gaspar, também vereadores, tiveram em Criciúma ou região carvoeira, a de mais expressiva representatividade catarinense na Câmara Federal na próxima legislatura. As ferramentas para dialogar com o eleitor e a eleitora eram as mesmas. E não precisavam de cabos eleitorais, como não precisou Giovana, em Gaspar.

Retomando mais uma vez. Qual o nó desta questão e não vou atrás de outra, pelo simbolismo que ela representa? Estranhamente, ninguém assume ser cabo eleitoral do fenômeno de Giovana de urna por aqui.

Certamente o Maranhão – onde o PC do B governou com Flávio Dino – da forte migração para cá não é para sufragar 507 votos a uma desconhecida sem cabo eleitoral. Nem foi, á dissidência de Jean Volpato (1.367 votos em Gaspar), PT, vereador de Blumenau, que se elegeu deputado Estadual com o jovem advogado gasparense João Pedro Sansão na coordenação da sua campanha. Eles juram que dobraram em Gaspar com a blumenauense Ana Paula Lima (4.898 votos), PT, como fez o vereador gasparense Dionísio Luiz Bertoldi, PT (3.873 votos).

Sobra, então, o “Espírito Santo”, o que em tese, não se dá bem com uma comunista.

Todos com que falei apontam para o uso das redes sociais, como fez Jean Volpato para se infiltrar e ser melhor sucedido na cata de votos do que o “companheiro” Dionísio, por exemplo e para não sair do PT neste exemplo. E quem teve mais sucesso nesta conquista de votos por meio digital, cuja propaganda (foto, legenda, nome e um mote) o torna igual? Foram os que tiveram conteúdos sobre temas atuais e não, como os daqui, mostrando buracos, pedindo limpeza de valas, varrendo suas valentias contra a corrupção para debaixo do tapete…

Os vencedores, e cada vez isso fica mais evidente, trabalharam sobre e com problemas existenciais a partir do seu ponto de vista na comunicação das redes sociais (memes, lives, engajamento, debates, denúncias…). Olharam o futuro. E um pouco disso, pode ser visto na entrevista de oito minutos que Giovana ganhou nos estúdios de Brasília da CNN depois de se encontrar com o analógico, quase caquético, muito teimoso, o deus da sabedoria em cabalar votos dos anos 1970, o que depois de três mandatos e cinco do PT ainda quer tirar o povo brasileiro da pobreza, presidente Luiz Inácio Lula da Silva, PT e lhes dar mais esmolas, com a ajuda de um STF sob ataque da capacidade de ser minimamente íntegro na distribuição de Justiça.

Giovana foi uma das politicas influenciadoras de mídia digital do campo da esquerda radical que prometeu ajudá-lo a mudar a imagem de Lula na sua bolha catarinense via as redes sociais dela para finalmente analógico Lula conquistar o quarto mandato com a ajuda dos digitais influencers.

O PROBLEMA ANA ELISA

No mesmo encontro em Brasília de jovens políticos e influenciadores digitais, entretanto, estabeleceu-se uma grande dor de cabeça para a virada da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, PT. Foi, mais uma vez, uma clara amostra de quanto é perigosa esta tal rede social – que ainda não chegou na Inteligência Artificial – e para quem ainda não a compreende, ela ainda é um bicho esquisito e indomável que está na palma da mão de cada um em qualquer lugar que você esteja (e gratuitamente).

Refiro-me a outro fenômeno saído das mesmas redes sociais. Este fenômeno visitou apenas 20 municípios (palavras dela) e teve 524.219 votos em 853 de Minas Gerais, a influenciadora de Divinópolis, 21 anos, Ana Elisa Silva Santos, ex-PV, e agora no PT, se tornou a queridinha de Lula.

Ana Elisa foi a mais badalada no encontro. Ofuscou. Faltou, mais uma vez, entretanto, filtro e inteligência artificial prévia de alguns segundos de pesquisas. Impulso analógico a primeira vista. Associação de imagens: adolescente, muitos votos, preta, combativa, interior, petista, esquerdista… Código pronto de aceitação e incenso..

Ao contrário de Giovana, Ana Elisa poucas horas depois estava desativando suas contas em várias plataformas alegando está sendo perseguida e até ameaçada de morte. De guerreira, virou vítima. E a própria campanha de Lula já considera estar com um tiro no próprio pé, ao sair do modo analógico para o digital sem fazer as prudentes escolhas adequadas, mas as do desespero para vencer a qualquer custo esta corrida de tiro curto onde o PT é um mastodonte de museu: tem passado e não tem perspectivas de futuro.

Se o PT, o Planalto, a “nova” coordenação de campanha de Lula e a esquerda do atraso – que considera todos uns tolos e eles os únicos esclarecidos – a oposição não fez uma revisitação em frações de segundo ao curto passado de Ana Elisa.

Descobriu-se que Ana Elisa, além de falar para a própria bolha de convertidos, ela é radical, ou um bicho doido e que não mediu as consequências disso devido a sua própria pouca idade de pós adolescência. É católica, mas defende o aborto, pede o fechamento de igrejas, pragueja contra os evangélicos, é contra a livre iniciativa e patrões (foi estagiária na Justiça do Trabalho) e para ela, tudo é motivo de racismo estrutural e não apenas aos brancos, os do Sul, mas contra os pretos, mesmo ela sendo preta.

Se os jovens – sejam influencers ou políticos – de direita e parte da esquerda catarinense em campos opostos escolhem debates pragmáticos, o velho PT, a esquerda do atraso, mesmo por jovens e nas redes sociais, estão ainda no século 20 e tratando os eleitores e eleitoras como se estivessem ainda na Caverna de Platão. A rede social é a luz nesta Caverna de Platão. E alguém precisa avisá-los – a todos, reafirme-se – que este campo é para quem possui carisma, confiança, conteúdo, atualização, credibilidade antes de ter apenas uma boa comunicação.

Finalmente e para encerrar. Os candidatos de Gaspar perderam, na minha avaliação, para si próprios. E João Pedro Sansão provou isto. Então, eles estão avisados que o mundo mudou. Hoje, a maior parte desse pessoal, no governo e na oposição, está mais para Ana Elisa do que para Ana Coroline Campagnolo, PL e Giovana Vito Mondardi, PC do B. E Paulo Norberto Koerich, PL, mal orientado por sua equipe de comunicação, um analógico imitando Lula no que tange o mau uso das redes sociais. Paulo precisa de interlocutores com credibilidade para avalizá-los nos resultados. Paulo é analógico como Lula. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

Ufa! Então quer dizer que usar dinheiro público – seja via investimentos diretos da prefeitura ou por emendas parlamentares – para melhorias públicas, para a partir destas melhorias, empresários amigos da gestão e do entorno político de poder fez empreendimentos imobiliários usufruam de mais lucros é crime?

Em Rio dos Cedros o inquérito da operação “Passe de Mágica” deu cadeia ao prefeito e vice, todos do campo conservador, espectro, que exatamente prega o livramento das administrações públicas desses pecados da corrupção direta ou transversal. Se a moda pega vamos ter problemas por aqui. A valorização dos negócios privados à custa dos pesados impostos on line e cada vez mais altos do povo que se tornou dinheiro público, mas virou pelo político gestor, investimento privado.

Quem vai a Oktoberfest em Blumenau encontra os acessos à cidade e a Vila Germânica uma lástima. Nunca a cidade teve tantos buracos, mato e sujeira nas ruas e calçadas. E se vem por Gaspar, é aqui que começa a amostra do desleixo de lá capitaneado no Egídio Maciel Ferrari, PL. E se optar pela rua Vidal Flávio Dias, no Belchior Baixo, Distrito do Belchior, a noite e com chuva, corre-se o alto risco de se ficar em um dos muitos buracos dela.

E na outra escolha, sem ser a BR-470, que é um problema do governo Federal? Vai dar de cara no perigoso e mal sinalizado desvio das obras paradas por suspeita de corrupção de recuperação da barranca do Rio Itajaí Açú, na Anfilóquio Nunes Pires, no bairro Figueira e entrada para a Águas Negras. O ex todo poderoso secretário de Planejamento Territorial importado de Blumenau armou a confusão e agora está de molho olhando os desdobramentos das várias operações da polícia especializada em corrupção, Gaeco e Ministério Público, de Blumenau.

A obrigação constitucional é o município destinar 15% do seu Orçamento para a Saúde. Em oito meses em Gaspar, já foram 34,3%. Ulalá! E o rombo não está na manutenção dos postinhos que vivem sob forte questionamentos, mas na transição e manutenção do Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro para o Hospital Santo Antônio de Gaspar.

E nada se explica nem a cidade, muito menos aos vereadores. Se não houver o acompanhamento com lupa da sociedade organizada sobre estes números, quando se descobrir algo, estará num ponto sem retorno, como já aconteceu no passado. Tudo será mais caro e difícil, principalmente contra os mais vulneráveis, os quais precisam do Hospital ativo, confiável e referência. E eu acompanhei isto por longo tempo. Não há heróis. Haverá apenas vilões quando o problema estiver instalado. Muda, Gaspar!

A campanha. Esta semana Blumenau abriu oficialmente mais uma Oktoberfest. Quem faltou? O governador Jorginho Mello, PL. Se ele tivesse que disputar o segundo turno, tudo seria diferente. Estaria até se melando na sangria do primeiro barril na Vila Germânica. Entenderam como funciona o político a cata de voto?

Pior mesmo, são memes de políticos gasparenses a cata de votos para Flávio Bolsonaro, PL. Eles estão vestidos com camisas pedindo votos, os mesmos que testados nas urnas de Gaspar não tiveram para eles próprios. Credo!

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1 comentário em “A REDE SOCIAL É A NOVA “DESCOBERTA” DA NOVA GERAÇÃO DE POLÍTICOS. AO MESMO TEMPO EM QUE É SURPREENDENTE NOS RESULTADOS, ELA TAMBÉM NÃO PERDOA O JEITO ANALÓGICO DE USÁ-LA. TANTO QUE OS ESPERTOS ESTÃO SENDO “COMIDOS”, PELA PRÓPRIA ESPERTEZA TÃO RÁPIDOS COMO SURGIRAM”

  1. Este artigo dá pistas de que a esquerda sabe o que está acontecendo, mas está entre estar nos anos 30 do século 21 ou em meados do século 20 quando o sindicato era o porta voz dos trabalhadores organizados contra as organizações produtivas

    LULA E PT NÃO SABE FALAR EM AUTONOMIA E PROSPERIDADE, por Marcos Augusto Gonçalves, no jornal Folha de S. Paulo

    O recado das urnas, seja quem ganhe o segundo turno, foi uma grande onda de direita na direção da mudança de nomes tradicionais e do padrão de representação política com jeito de século 20 dominante na redemocratização.

    Nada disso é tão novo e nada disso flutua no ar. Há uma base material da sociedade em movimento que nos leva à hipótese, senão à evidência, de que presenciamos uma dissociação entre condição econômica e identidade política.

    Para olhar com mais atenção o caso brasileiro, já que o fenômeno da ultradireita é internacional, sigo as pegadas de Rosana Pinheiro-Machado, em artigo na Ilustríssima, no último dia 27, que nos fala das “classes aspiracionais”: segmentos populares que ampliaram seus horizontes, aprenderam a desejar outros futuros e passaram a considerar que merecem mais. Querem consumir melhor, ganhar dinheiro, ter autonomia, controlar o próprio tempo e escapar da condição subalterna. Em boa medida, esse movimento foi impulsionado pelas transformações sociais produzidas durante os governos petistas.

    Ocorre que as aspirações cresceram mais rapidamente que as possibilidades de realizá-las, justamente quando o mundo do trabalho se tornava mais precário, informal e submetido às plataformas e redes sociais. Nesse ambiente, prosperou a promessa do empreendedorismo: ser dono de si mesmo, ganhar dinheiro, deixar de obedecer ao patrão e tornar-se, na expressão caricatural, “CEO de MEI”.

    Politicamente, não basta saber se alguém conseguiu realizar suas aspirações. Importa entender a quem atribui sua trajetória. Quem reconhece a presença do Estado na melhora de vida estabelece com ele uma relação diferente de quem acredita ter conquistado tudo pelo esforço individual, apesar de um Estado que só aparece para cobrar impostos, criar dificuldades ou beneficiar quem, a seus olhos, se esforça menos.

    Grande parcela dos trabalhadores continua pobre ou vive com sensível insegurança econômica, mas já não se reconhece necessariamente na imagem do trabalhador para a qual a esquerda aprendeu a falar. É motorista de aplicativo, MEI, cabeleireira, entregador, pequeno comerciante, vendedor pelas redes. Pode acumular dois ou três trabalhos e se imaginar menos como integrante de uma classe do que como protagonista individual de um projeto de ascensão.

    Não basta o PT e Lula dizerem a essas pessoas: sua vida melhorou graças às nossas políticas. Para quem construiu sua identidade em torno do esforço próprio, a frase pode soar menos como reconhecimento do que como apropriação de seu mérito.

    A direita encontrou uma linguagem poderosa para esse universo. Valoriza o esforço do indivíduo que “se vira” e promete libertá-lo dos obstáculos que impediriam sua ascensão. A esquerda continua mais confortável ao falar de proteção, direitos e benefícios —valores fundamentais, mas que não esgotam as aspirações desse novo trabalhador.

    Sem desconsiderar a mixórdia que foi a campanha de Lula, e eventuais futuros acertos, na moldura maior o desafio da esquerda também é aprender a falar de autonomia, ambição, prosperidade e desejo de subir na vida sem entregar esses valores à direita. A eleição não terminou, mas não se sabe se haverá tempo e visão política para essa difícil virada.

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